ÀS
SUAS ORDENS
Capítulo
13: Bandeira Amarela
PV: NARU
"E qual seria a dúvida?", inquiriu Mizuho. Era a hora da verdade...
"Ara, ara! Você já morou aqui antes?", perguntou Mutsumi, sem rodeios. Quando quer, a garota melancia sabe como partir direto ao ataque. E ela completou: "Pergunto-lhe isso, pois o rosto não é estranho para mim".
Mizuho sorriu. Parece que gostou da franqueza de Mutsumi. Sorrindo, respondeu: "Claro, Mutsumi-san, morei aqui bem pertinho, há muitos anos... Até meu pai falecer e minha mãe foi obrigada a mudar-se, pois precisava de um emprego melhor para sustentar a mim e meu irmão".
"Oh, então, você já conhecia o Hinata-sou...", eu disse, admirada com a revelação de Mizuho.
"Sim, e lembro-me de um menino especial, a quem fiz uma promessa, chamado Kei-kun... Ele seria o Keitaro Urashima-san, não é?", inquiriu Mizuho, sem perder o sorriso.
"Ara, ara! Então... então foi você quem disse aquelas coisas sobre a Toudai, não foi? Você disse sobre a realização do amor entre um casal se eles conseguissem entrar juntos na Toudai, e daí eu e a Naru-san também prometemos! Ara, ara, quem emocionante!", afirmou Mutsumi, com os olhos arregalados de emoção. A Mutsumi consegue se emocionar até com o cantar dos pássaros, vejam só...
"Entendo, então também você estava lá... Era a menina que faltava no episódio da promessa. Promessa de criança é fogo, não é?", disse, tentando despitar minha apreensão. Sentia que tinha algo em Mizuho que me perturbava.
"Pode ser uma promessa tola para você, Naru-san, mas eu pretendo cumprí-la... Afinal, nunca consegui me ligar a alguém devido àquela promessa. E acho que o coração de um homem não se reparte com ninguém, não é Mutsumi-san?", respondeu Mizuho, deixando a bola da vez para Mutsumi.
"Bem, acho que sim... Embora eu continue a amar o Kei-kun, não importa com quem ele fique... Só vai estar meio inacessível... Mas se ele estiver bem, é tudo que importa para mim", disse Mutsumi, um tanto consternada com o rumo da conversa.
"É, eu não dividiria meu amado com ninguém", ponderei secamente. Já que a conversa partiu para esses rumos, deixei bem claro meu marco de fronteira.
"Kei-kun está namorando alguém, Naru-san?", perguntou-me Mizuho. Droga, fiquei num beco sem saída. Se não tivesse acontecido todo aquele problema, talvez a resposta fosse a que eu gostaria de dar. Mas como não era...
"Não, Mizuho-san, ele está sozinho no momento...", respondi, com um pouco de frieza.
"Ótimo, então vou tentar conquistá-lo, vai ser divertido!", afirmou Mizuho, muito feliz. Que droga, essa era o que faltava, mais uma concorrente.
"Que bom, Mizuho-san, junte-se ao time!", falou Mutsumi, muito contente. Mutsumi entrelaçou o braço direito dela com o braço esquerdo de Mizuho e conduziu-a para fora do quarto. Decidi seguí-la, pois a frase da Mutsumi me deixou um pouco confusa.
"Mu-Mu-Mutsumi-san, de que time você está falando?", perguntei, mas já não querendo ouvir a resposta. Se for o que eu estava pensando, era duro de ficar ouvindo...
"Ara, ara! O time 'capture o coração de Kei-kun', Naru-san! Nós todas estamos envolvidas nisso. Se não tem como combater o inimigo, junte-se a ele. Mas creio que, depois, é cada uma por si...", explicou-me Mutsumi.
"Mutsumi-san, acho que desde agora é cada garota por si", tentei corrigi-la. Mutsumi olhou para mim confiante.
"Não, Naru-san. Primeiro, precisamos juntar forças para vencer a resistência de Kei-kun em ficar próximas de nós, depois cada menina parte para o ataque. Ele não vai voltar a falar conosco enquanto não reconquistarmos a confiança dele.", explicou-me Mutsumi.
Cada vez eu me asseguro mais de que Mutsumi-san não é tão tola quanto eu pensava...
PV: SHINOBU
Ufa, consegui terminar a janta. Evidentemente, graças à ajuda de Motoko-san. Ultimamente, Motoko conseguiu aprimorar algumas habilidades não-relacionadas com artes marciais. Cozinhar era uma delas. Motoko decidiu me ajudar, e sempre prestava atenção no que eu fazia, perguntava sobre todos os detalhes. Motoko sempre foi uma menina dedicada e, agora que o Urashima-senpai está desempedido, ela ficou mais dedicada ainda. Teve um momento em que Motoko me perguntou algo, eu respondi e daí me perdi do que estava fazendo.
"Ai, Motoko-san, o que eu ia fazer agora?", perguntei, muito preocupada. Sempre tive medo de cometer grandes erros.
"Desculpa, Shinobu-chan, eu lhe pergunto demais, não é? Consegui lhe confundir após tantas perguntas... Sinto muito", disse Motoko, daquele jeito solene que ela sempre fez, fazendo a reverência.
"O que é isso, Motoko-san! Você pode me perguntar à vontade, não me importo... O problema é que eu me perdi, só isso, e não gosto de fazer burradas que não tenham conserto...", expliquei.
"Shinobu-chan, a vida é feita de pequenos e grandes erros... E todos têm solução. A única coisa que não tem solução é a morte. O resto, nós podemos contornar de alguma forma. Por isso, não tenha medo de errar, Shinobu-chan. Eu tive medo de errar, e acabei me afastando de Urashima-senpai...", revelou Motoko, meio tristonha. Sempre soube que Motoko também estava apaixonada pelo senpai, e entendi o que quis dizer. Ela teve medo de assumir o amor, e distanciou-se de Keitaro-senpai. Algumas lágrimas esparsas teimavam em rolar pelo rosto da praticante de kendo, o que me deixou preocupada.
"Mo-Motoko-san, não fique assim... Agora o Urashima-senpai está descompromissado, tente conquistá-lo desta vez! Você é tão bonita e dedicada, tens muita chance de deslumbrá-lo", consolei-lhe.
"Shinobu-chan, como eu lhe admiro. Apesar de amá-lo, você não se importa que outra mulher fique com ele. Isso é raro nos dias de hoje, minha amiga... Eu não consigo viver sem ele, mas...", sussurrava Motoko, com a voz embargada.
"Mas... você não tem coragem dizer isso a ele, não é? Motoko-san, o que me importa é ver o senpai feliz! E eu sei que você pode fazê-lo muito feliz. Por isso, eu fico tranqüila se ele ficares contigo", expliquei. Tentei uma outra abordagem, e disse: "Motoko-san, se ficarmos aqui lamentando, a janta não ficará pronta. Acho que todas terão chance de conquistá-lo, todas se produzirão para o bar temático... Aproveite a chance!". Esperei que isso pudesse reanimá-la.
"Obrigado, Shinobu-chan. Só você consegue elevar meu astral em dias como estes...", disse Motoko, levemente sorrindo. Ainda bem, uma ajudante triste não é prudente...
"Ainda bem, Motoko-san. Não gosto de ver ninguém triste. Vamos terminar a janta, acho que me lembrei onde parei...", afirmei, tentando fugir daquele assunto. Mas parece que não tem como.
"É, mas agora pensei: surgiu essa Mizuho... Será que ela também vai tentar algo? Ela me pareceu ter uma grande confiança em si... Se ela estiver a fim do Urashima-senpai, será um problema a mais.", explicou-me Motoko. É, faz sentido mesmo tanta preocupação.
"É, mas creio que todas têm a mesma chance... Talvez Naru-san esteja no prejuízo, e Kanako-san certamente não tem chance. Tenho pena da Kanako-san, pois está apenas se iludindo, ele só a vê como irmã, mas ela sempre insiste. Bom, a Sarah, a Kaolla e eu somos muito jovens para ele... Só restam mesmo você, a Mutsumi-san, Kitsune-san e essa Mizuho-san.", argumentei.
"É, mas tu e a Kaolla estão pegando corpo... Logo também entrarão no páreo, e também serão concorrentes difíceis...", comentou Motoko. Fiquei encabulada com o elogio.
"Ora, Motoko-san, até eu e a Kaolla ficarmos maiores, alguém já terá conquistado o coração do Keitaro. E espero que sejas você...", despistei, dando uma resposta para aumentar os ânimos da espadachim. Motoko nada disse, apenas ficou corada.
"Perfeito, a janta está pronta. Agora, devemos arrumar a mesa!", disse, cheia de ânimo. Motoko meneou positivamente e acompanhou-me até a sala de jantar, onde começamos a arrumar a mesa para a refeição que se aproximava.
À medida que colocávamos as coisas na mesa, as meninas iam se aproximando. Evidentemente, o cheiro da comida se espalhou pela casa, atraindo as moradoras. Eu achei incrível que, mesmo nos momentos de pura tensão, elas dificilmente deixavam de comer. Tinha que ser algo muito pesaroso para fazê-las ficar sem apetite.
Estava praticamente tudo à mesa quando notei que Mutsumi estava descendo as escadas e estava agarrada à Mizuho, ambas parecendo muito felizes. E também notei que Naru vinha logo atrás, com o semblante mostrando bastante descrédito. Eu só desejei a Kami-sama que a sala não fosse povoada por objetos voadores cheios de comida. Não queria brigas naquela noite.
Mas senti que, infelizmente, algo iria ocorrer de grave naquele banquete. Apenas respirei fundo e disse: "O jantar está servido, todos apostos!".
É a primeira janta de Mizuho aqui na pensão. Obviamente, o papo vai girar sobre a vida dela e o bar temático, que ainda devemos preparar. Se a confusão é inevitável, espero que não haja grandes seqüelas.
Após todas as moradoras estarem sentadas, Kanako conduziu o agradecimento pela comida e iniciou os trabalhos. Foi quando Mizuho comentou: "Shinobu-chan, realmente você é uma cozinheira de mão cheia. O homem que casar contigo não poderá reclamar da comida!".
Aquilo me deixou feliz. Sempre é bom escutar que aquilo o que fazes é agradável. Falando em agradável, queria ver até aonde o papo continuará de maneira civilizada. Conhecendo as minhas amigas, quando o assunto Keitaro vier à tona, creio que a amistosidade não se manterá por muito tempo.
Mesmo com toda essa problemática, não trocaria o Hinata-sou por nenhum lugar deste mundo... Por enquanto, aqui é o meu lugar. O clima ficou estável por um bom tempo, foi quando veio a conversa que esquentou os ânimos.
"Ah, temos que tratar dos preparativos do bar, meninas...", falou Kanako.
"É verdade, é no próximo final-de-semana, temos que começar a arrumar tudo a partir de agora!", argumentou Kitsune.
"Bar, que bar?", quis saber Mizuho.
"Um bar temático que iremos fazer durante os fins-de-semana para arrecadar dinheiro... Precisamos de uma grana extra para manter o Hinata-sou", explicou Kanako.
"Ah, um bar temático com as garotas daqui, então eu vou participar!", disse Mizuho, muito feliz.
"Você não tem nenhuma chance, minha cara!", protestou Naru.
"Como assim, nenhuma chance? Por que eu não posso participar? Eu também moro aqui...", lamentou Mizuho, com o semblante demonstrando uma certa mágoa com as palavras de Naru.
"Você quer saber o por quê?", insinou Naru.
CONTINUA...
Capítulo escrito em 09/02/2005. Um capítulo pequeno, apenas para completar o capítulo anterior e para dar preâmbulo ao capítulo seguinte. Espero reviews de todos, muito obrigado a quem leu minha saga. Como o título indica, a bandeira está amarela, ou seja, o mar está começando a ficar revolto. Não percam os próximos capítulos, min'na!
