ÀS SUAS ORDENS
Capítulo 15: Bandeira Azul

PV: MOTOKO

Mais uma esplendorosa manhã no Hinata-sou. São 6 da manhã, e vou praticar um pouco de kendo antes do café-da-manhã. Usualmente, não preciso de despertador, pois tenho uma rotina estabelecida em minha vida há um bom tempo. Ainda estava meio grogue devido ao sono, então decidi fazer minha pratica matinal de artes marciais com o meu pijaminha mesmo. Afinal, o Keitaro está morando com a Haruka e não precisaria me preocupar com tarados no prédio.

Enquanto treinava, refletia um pouco sobre o ocorrido na noite anterior. Desde o infeliz incidente com o Keitaro as meninas não ficavam em polvorosa. Esta terça-feira seria o início de uma tentativa de fazer as pazes com Mizuho. E tudo devido ao Keitaro, aquele pervertido. Não sei como um bando de garotas bonitas se apaixonaram por um perdedor como aquele.

Para não ser injusta, até que ele fez alguns progressos. Graças às aulas de Jeet Kune Do, ele está mais ágil. Ele é um Toudaisei, o que já é uma grande conquista - e pensar que ainda não consegui entrar... Ele está com um porte mais atlético. Fora a pessoa persistente e doce que ele esconde sob a máscara de um homem pervertido. Acho que não adianta, todos os homens só pensam naquilo. Se bem que, algumas vezes, eu penso como seria a vida a dois com o Kei-kun.

Comecei a imaginar se o Urashima-senpai ainda vivesse na pensão... Num dia como hoje, em que estou fazendo os exercícios matinais com um leve pijama... Ele é translúcido, deixa passar uma silhueta de meu corpo. Estou passando por transformações, estou ficando mais cheia de... Curvas, acho que essa é a palavra certa. Daí imaginei se ele me flagrasse assim, podendo ver detalhes de meu corpo. Imaginei ele se admirando da minha beleza e aproximando-se de mim, desejando-me e despindo-me, beijando cada parte do meu corpo, daí eu então eu senti algo intenso que passava pelo meu corpo e...

Pára! O que é isso? Não é possível! Eu, uma Aoyama, uma futura mestra de um dojô, tendo pensamentos impuros com um homem! E isso foi o pior: além de pensar obscenidades com o Keitaro, eu senti prazer com tais pensamentos. Senti um calor como nunca senti naquela região e, quando olhei, percebi que estava com o dedo médio estimulando o clitóris. Essa não, eu me masturbei pensando no Kei-kun! Nem notei que havia interrompido os exercícios e que estava me tocando. Aquele líquido escorrendo pelos meus dedos, aquilo é o líquido vaginal? Isto é que as pessoas chamam de tesão? Eu... Senti... Tesão pelo Keitaro?

Eu simplesmente caí de joelhos... Eu profanei meu corpo! Como uma futura mestra pôde profanar o próprio corpo? Senti que não estava preparada para aquele ato, e senti-me desesperada. Era melhor enfrentar um exército de samurais do que enfrentar a violação do próprio corpo. Algumas lágrimas rolaram pelo meu rosto, molhando o chão do tablado onde eu treinava. Mais cedo ou mais tarde, isso iria acontecer. Decidi manter em segredo, por enquanto... Era um sentimento confuso, sentia-me enojada e satisfeita ao mesmo tempo.

Voltei ao meu quarto e decidi deitar-me no meu futon até que a Shinobu nos chamasse para o café-da-manhã. Eu não conseguia evitar pensar em tudo que aconteceu. Comecei a recapitular tudo, e imagem do Keitaro voltou à minha mente. Aquela mesma cena, em que ele me possuía como um lobo faminto por carne. Explorando cada recanto do meu corpo como se fosse um explorador em busca de terras desconhecidas. Desta vez, não resisti aos meus impulsos e masturbei-me intensamente. Quanto mais o devaneio era carregado de erotismo, mais intenso era o estímulo manual. Uma sensação maravilhosa começou a ficar mais intensa com o tempo, fazendo-me estimular ainda mais a região púbica. Acreditei que aquilo era a primeira manifestação na minha vida de algo semelhante com o orgasmo. Nunca senti tanto prazer. Naquele momento eu prometi a mim mesma: se daquela maneira era bom, imaginei como seria com o homem que eu amava. Desejei aquele infeliz do Keitaro mais do que nunca.

Passou alguns minutos até a Shinobu passar nos quartos. Ainda bem que ela não me viu me masturbando. O que a coitadinha iria pensar? Não posso dar bola fora. Ao descer para o desjejum, percebi que todas estavam abatidas. Eu sabia que aquela discussão era só para nos derrubar. E notei que a Mizuho não desceu conosco. Voltei e bati na porta do quarto dela, pois fiquei preocupada. Acreditei que uma poderia ajudar a outra em momentos tão perturbadores de nossas vidas.


PV: MIZUHO

Eu demorei muito a dormir, e a Shinobu nos acordou muito cedo. Devido às poucas horas de sono, neguei-me a sair do futon. Queria dormir mais um pouco, não queria saber de nada naquele dia. Depois de tudo que houve e saber que era por minha culpa, não me sentia à vontade para encarar as outras moradoras.

Não demorou a que voltassem a bater na minha porta. Necessitava dormir mais um pouco, então pensei que era melhor me livrar da Shinobu, pois não estava com vontade de comer. Então implorei: "Por favor, deixe-me dormir Shinobu-chan, não estou com fome".

"Não é a Shinobu-chan, sou eu, a Motoko. Preciso muito falar contigo", explicou Motoko. Ué, o que a garota samurai queria àquela hora? Achei que ela já estivesse banqueteando com as outras garotas. Não queria mais problemas, então decidi deixá-la entrar, já que é o que ela quer...

"Tudo bem, Motoko-san. Pode entrar", eu disse, autorizando a entrada da menina. Ela abriu a porta e imediatamente fez a tradicional reverência de corpo. Então eu insisti: "Motoko-san, você não precisa de tanta pompa comigo, eu sou só uma mulher abelhuda, que...". Motoko se aproximou de mim e tampou a minha boca com a mão, completando o gesto com um terno sorriso.

"A culpa não é de você. Todas nós estamos disputando o amor de Keitaro, e deixamos que nossos sentimentos fossem longe demais. O que ocorreu ontem não é honroso para ninguém. Não te preocupes, dê um tempo para as meninas e logo elas descobrirão que você é tão dedicada e amorosa quanto elas são", consolou-me Motoko. Eu só consegui sorrir e meneei positivamente, desejando agradecer.

Então, Motoko prosseguiu: "O único problema é que você foi com muita sede ao pote. Esse bar temático já estava nos planos das meninas há uma semana, e você surgiu do nada querendo entrar um provável negócio lucrativo e que poderia chamar a atenção do kanrinrin para alguma de nós. Isso não foi prudente, mas eu não me importo tanto assim. Talvez mais tarde nós lhe deixaremos participar de algo... Mas não agora. Dê tempo ao tempo, está bem?". Eu voltei a menear positivamente.

"Para você ver como nós também não somos de ferro... Bem, hoje de manhã, durante meus treinos antes do café, aconteceu algo muito estranho para mim. Nunca me senti tão imunda...", confessou Motoko. Aquilo era estranho, o que uma pessoa como Motoko poderia ter feito de tão medonho.

"Hum, queres me dizer algo, não é? Você pode dizer, eu quero ser tua amiga. Se eu puder te ajudar, sentirei-me realizada", eu falei. Ela suspirou, ergueu bem a cabeça e então começou a proferir o que estava escondido no interior da alma.

"Eu... eu... eu me masturbei...", confessou, bastante encabulada. Era só isso? Não vi nada de estranho, mas sempre pensei que fosse coisa mais de garotos... Embora não achasse inviável que uma mulher, algum dia, experimentasse. Decidi entender as circunstâncias do constrangimento de Motoko.

"Tu já tinha explorado o teu corpo antes?", perguntei.

"Como assim?", inquiriu Motoko, claramente demonstrando dúvida.

"Você nunca notaste que estão ocorrendo mudanças no teu corpo? Tipo, os seios ficando maiores, o quadril se alargando, o traseiro ficando mais empinado...", expliquei-lhe. Ela ficou muito corada, e só conseguiu me responder com um leve meneio afirmativo.

"Hum, então você tem vergonha do próprio corpo... Tua educação familiar deve ter sido muito rígida, já que és de família ligada às artes marciais...", afirmei, tentando buscar o cerne do problema.

"Pois é, sempre aprendi que o corpo de um samurai é uma arma mortífera. Que qualquer região do corpo pode ser vulnerável e imobilizar o oponente à medida que a luta se desenrola. De repente, descubro que esta mesma arma mortífera, o templo dos espíritos ancestrais da luta, também é dotado de tanta luxúria? É muito difícil...", confessou Motoko. Para mim, estava quase tudo perfeitamente claro, só faltava uma peça.

"O que você pensou no momento da masturbação?", perguntei. Ela deu um pulo no meu futon, com o semblante apavorado. Pronto, aquilo foi a resposta que precisava: "Foi com o Keitaro, não é? Você estava sonhando acordada com ele... Você está em conflito entre os desejos ardentes de entregar-se a um amor e a educação tradicional. Foi uma experiência nova, apenas isso... Foi a manifestação de um desejo reprimido de transar com alguém que você ama...", tentei explicá-la.

"Poxa, Mizuho-san, você já pensou em ser psicóloga? Nem precisei lhe dizer muito e você chegou na resposta...", afirmou Motoko, ainda encabulada. Eu apenas sorri, e ela continuou: "Sabe, não é a primeira vez que desejo o Keitaro... Há algum tempo, minhã irmã conseguiu uma coisa fabulosa: que eu aceitasse enfrentar tudo na vida, não apenas o dojo. Eu precisava aproveitar a luta, os estudos e o amor. Os três, ao mesmo tempo. Só assim eu poderia me completar. E até mudei bastante, já aceito diversas coisas, mas o que aconteceu hoje foi algo inesperado, que me assustou. Eu não sabia que tinha tanto apelo sexual contido dentro de mim...".

Percebi que ela estava abrindo plenamente o coração dela. Então, eu necessitava guardar tudo o que foi discutido dentro do meu coração, como prova de amizade e honradez. Então, eu prometi a ela: "Motoko, tudo o que foi dito aqui fica entre nós, não se preocupe. É muito bacana que você possa abrir o coração dessa maneira e por tudo para fora. Não se sinta enojada de si, o que aconteceu hoje é algo natural, e que veio com muita força porque você ainda reprime a própria sensualidade. As garotas querem disputar o Kei-kun, não é? Então entre de cabeça. Não se satisfaça apenas com devaneios, faça isso o que você sente ser real. Você verá que tem muito mais prazer... E você pode me chamar de Mizuho apenas, nunca gostei de formalidades".

"Oh, está bem, Mizuho. Ainda é... bem, você ainda é virgem", perguntou-me Motoko, corando igual a pimenta malagueta.

"Sim, ainda sou. Por que a pergunta", eu questionei.

"É que você sabe tanto sobre isso... Pareceu-me que você tinha experiência...", explicou Motoko.

"Ah, é que eu e minha mãe sempre conversamos abertamente sobre isso. Para que eu não tenha dúvidas quando eu tiver a primeira vez", disse-lhe. Motoko sorriu e abraçou-me fortemente. Naquele momento, senti que conquistei a amizade da espadachim.

Motoko me ajudou a levantar e daí fomos tomar o café-da-manhã. Pelo menos, senti que o tempo começava a clarear. Devia urgentemente achar o meu lugar na casa, para não causar mais problemas - embora eu creia que ficar longe de problemas com garotas tão decididas seja difícil...

Mas a vida continua, não é verdade? A minha continua, e agora está indo muito bem!


Capítulo escrito em 12/02/2005. Comecei a dar um clima mais sensual para a saga... Eu creio que todas as pessoas tenham devaneios eróticos, apenas o guardam para si. E não seria diferente com as garotas do Hinata-sou. Espero que tenham gostado, e um alerta: Educação Sexual é importante, procurem nunca debochar de alguém que tenha dúvidas sobre sexualidade e tópicos afins, pois um equívoco pode arruinar os sentimentos de alguém. Min'na arigatou gosai masu!

P.S.: "bandeira azul" é o sinais nas praias de que os salva-vidas têm alguma informação importante aos banhistas, ou que alguém que estava perdido (seja na orla ou seja no mar aberto) foi encontrado naquelas redondezas.