ÀS SUAS ORDENS
Capítulo 17: Amor, Confusões & Show Business

PV: HARUKA

Hoje é o grande dia. O Electric Girls Co. Bar será inaugurado hoje à noite. As garotas querem aproveitar o happy hour de sexta-feira para fazer o debute. Espero que as garotas não transformem a minha linda Casa de Chá em um campo de batalha.

Todas estão espalhando cartazes nos locais que costumam mais freqüentar. Naru, Mutsumi e Mizuho divulgam na Toudai; a Motoko (com muita relutância) divulga nos cursos que freqüenta, assim como a Kaolla e Shinobu. Kanako está me ajudando a arrumar a Casa de Chá para o espetáculo, e Kitsune está negociando com os distribuidores de bebidas e de alimentos.

À medida que o dia passa, percebo como as meninas são organizadas, isto quando elas querem. Shinobu chegou da aula e veio dar uns toques finais na decoração. Sarah e Motoko preparavam os uniformes; Kitsune e Kanako recebiam as mercadorias; Mutsumi e Kaolla limpavam e ordenavam os talhares e os copos. Acabou que, no sorteio de tarefas, Naru e Keitaro foram encarregados de arranjar dinheiro – pois é necessário ter troco no caixa. Eu incluí Keitaro nas tarefas contra a vontade dele, mas expliquei que todos deveriam ajudar – e o kanrinrin não deveria ficar de fora. Ele entendeu a situação e afirmou que não seria um transtorno para a empreitada.

Mizuho nos desejou boa sorte e foi estudar com alguns colegas, e prometeu que viria com eles na inauguração. Enquanto arrumávamos a Casa de Chá, decidi verificar qual seria a chance de a empreitada ter sucesso. Então, decidi puxar conversa com a Shinobu: "E então, como foi a divulgação do bar temático?".

Shinobu ficou rubicunda e respondeu: "Nossa, foi algo complicado para mim. Sou muito tímida e tive que me superar para entregar os folhetos e fixar os cartazes. Fora que...".

Shinobu calou repentinamente. Percebi que aconteceu algo que a perturbou durante a divulgação. Fiquei muito curiosa e perguntei: "Aconteceu algo de errado, minha flor?".

"B-bem, a-a-alguns m-m-meninos ficaram me c-c-cortejando... Nossa, senti-me tão indefesa...", balbuciou Shinobu. Tadinha, ainda não se acostumou com o ataque dos garotos.

"Homens... São todos iguais. Também tive problema com alguns engraçadinhos, mas tiveram o que mereciam", afirmou Motoko.

"Espero que você não o tenha matado, Motoko. Precisamos de clientes, sabia?", disse Kitsune jocosamente.

"Não se preocupe, Kitsune. Eu apenas deixei algumas coisas bem claras... Se é que você me entende...", respondeu Motoko, piscando o olho esquerdo.

"Não tive tantos problemas com cantadas. Acho que os japoneses não são muito chegados em estrangeiras...", confessou Kaolla, com um amplo sorriso.

"Ara, ara... Também alguns meninos disseram coisas com segundas intenções, mas eu não ligo... Esses são o tipo de homem que eu não gosto...", confidenciou Mutsumi.

"Ah, é? E que tipo de homem você gosta, Mutsumi?", devolveu Sarah, com um tom de malícia. Aquela baixinha perdia o amigo, mas nunca a piada.

"Eu gosto de homens carinhosos, mas que olhem com desejo... Homens que não precisem de força bruta para se afirmar, mas que saibam se defender...", relatava Mutsumi, com um ar de devaneio.

"E existe homem assim, Mutsumi-san?", perguntou Motoko.

"Ara, ara... Kei-kun, é claro!", respondeu Mutsumi, com um tom de voz que parece que saíam corações pela boca. Ainda bem que o Keitaro não estava ali. Esses tipos de respostas provocam um desconforto entre as moradoras. Decidi quebrar o gelo.

"Bem, acho que todas devem se preparar para hoje à noite, pois creio que voltarão a receber cantadas. Acostumem-se, faz parte da profissão...", expliquei.

"Você já recebeu cantadas aqui na Casa de Chá, Haruka-san?", perguntou Kaolla, obviamente muito curiosa.

"Vamos dizer que já aconteceram situações desagradáveis por aqui...", respondi-lhe, evitando detalhes.

"E como você reagiu, Haruka-san?", inquiriu-me Motoko, também curiosa.

"Apenas mostrei a porta de saída. Afinal, porta de saída é serventia da casa. Só uso força quando é estritamente necessário...", respondi, "E espero que vocês façam o mesmo. Se vocês forem violentas demais, irão expulsar os clientes. Finjam que estão em casa, recebendo alguma visita. Com o tempo, acostumar-se-ão com o trânsito de clientes".

As garotas sorriram e todas menearam positivamente. E, do fundo do meu coração, realmente torço que elas tenham entendido o que eu disse. Pela escala, descobri que o Keitaro ficará na cozinha, e sei muito bem que as futuras garçonetes aproveitarão o bar para demonstrar os próprios "dotes".


PV: NARU

Bem, sem muita experiência em administrar tanto volume de dinheiro, fui incumbida de conseguir trocados. Bom, o lado bom é que o Keitaro foi enviado comigo para tal missão. Decidi marcar meus primeiros pontos no "Jogos do Coração" durante a tarefa.

"Bom, você tem experiência como kanrinrin, o que você acha que devemos fazer?", perguntei-lhe, tentando quebrar o gelo.

"Vamos até Tóquio, acho que lá podemos tentar conseguir notas miúdas nos bancos. O que você acha?", inquiriu Keitaro, meio encabulado.

"Boa idéia! Claro que assim!", respondi de uma forma muito empolgada. Quando reparei, ele me olhava com desconfiança. Então, disse-lhe: "Ah, desculpa! É que estou empolgada com o empreendimento de hoje à noite!". Obviamente, a motivação era falsa, eu estava feliz de estar junto dele, sem ninguém por perto.

Enquanto viajávamos de trem, sentei-me bem próximo a ele, repousando minha cabeça sobre o ombro esquerdo dele. Tentava deixar um clima intimista, mas eu não sabia o que dizer. Não sabia sobre qual assunto poderíamos conversar sem que eu o agredisse, sem iniciar uma briga. Lentamente, comecei a aproximar minha mão direita à mão esquerda dele. Fui bem devagar, para que ele não percebesse a minha intenção. Quando estava quase agarrando a mão dele, ele deu um salto e disse: "Olha, Naru, chegamos! Vamos lá!".

Keitaro saiu rapidamente pela porta do trem. Não sei se ele pulou porque chegamos ou porque ele sentiu a minha aproximação, mas foi a primeira decepção do dia. Eu digo "primeira", pois tive a impressão de que não seria uma experiência agradável aquele passeio com Keitaro. De qualquer forma, tentei me empolgar e fiquei ao lado dele.

Fiquei surpresa com a tática do Keitaro para conseguir trocados. Enquanto os bancos estavam abertos, ele falava com o gerente de cada agência para conseguir trocados. Se a agência estivesse fechada, ele verificava se havia caixas automáticos com notas de pequenos valores. Caso existisse, ele verificava se alguma das moradoras tinha conta e fazia uma estratégia interessante: depositava um grande valor na conta e depois ia sacando pouco a pouco, para que a máquina sempre expelisse somente notas de pouco valor.

Aquilo me surpreendeu. Embora ainda fosse um pouco ingênuo, Keitaro já conseguia se virar muito bem. Novamente puxando assunto, perguntei-lhe: "Como você conseguiu que as garotas lhe dessem as senhas?".

"Antes de sair, eu conversei com algumas das meninas e expliquei-lhes o que pretendia fazer. Todas a quem pedi me autorizaram, confiando que eu não iria fazer algo desonesto. Engraçado, se eu pedisse isso durante o primeiro ano de administração da pensão, acho que ninguém permitiria. E eu ainda apanharia, tenho certeza...", confessou Keitaro, sorrindo.

Novamente fiquei surpresa. Percebi que Keitaro tinha total consciência de que algo mudou na relação dele com as moradoras do Hinata-sou. Com certeza, sabe que várias moradoras estão disputando o amor dele. Foi quando parti para o ataque: "O que você acha de mim, Keitaro?".

"O que você quer dizer, Narusegawa?", perguntou-me Keitaro, demonstrando-se muito surpreso. Percebi a distância entre nós quando me chamou de "Narusegawa".

"Você pode me chamar de Naru, Kei-kun?", retruquei-lhe. Não queria que ele ficasse distante de mim novamente.

"Se você quer assim... Tudo bem, Naru. Mas insisto na pergunta: o que você quer dizer?", devolveu-me Keitaro. Senti que devia ser mais específica.

"Você ainda sente algo por mim?", perguntei-lhe, escondendo o rosto. Senti muita vergonha de fazer-lhe perguntas tão íntimas, mas precisava saber a verdade. Eu necessito saber a verdade.

"Sinceramente, Naru, eu não sei. Eu sinto que as meninas têm diversos tipos de sentimentos por mim. Algumas gostam de mim, outras apenas me suportam. Talvez algumas estejam apaixonadas, eu realmente não sei. Mas acho que eu me machuquei demais com a indiferença de todas durante muito tempo. Talvez a Shinobu e a Mutsumi sejam as únicas garotas que sempre me apoiaram. A relação com as outras sempre foi muito complicada. Bem...", explicou-me Keitaro, dando uma pausa. Foi a primeira vez em que conversamos de forma civilizada sobre nossos sentimentos.

"Continue, Kei-kun!", eu implorei.

"Acho que devemos voltar para casa. Está ficando tarde", desconversou-me Keitaro. Mas eu desejava saber o que ele pensava de mim. Então decidi demonstrar o que eu sentia por ele.

Foi como daquela vez em que nós passamos juntos os portões da Toudai, depois que fiz o pedido no Ai-Ai ? e joguei-o no céu na forma de avião de papel. Eu fiquei na ponta dos pés e abracei-o bem forte, dando-lhe um beijo na boca. Foi um beijo daqueles, um beijo de filme, totalmente passional. Juro que, se ele me levasse a um motel, não faria nenhuma oposição.

Depois de beija-lo por vários minutos, afastamo-nos lentamente. Não pude evitar o sorriso. Há um tempo não sentia algo tão maravilhoso. Ele apenas evitou o meu olhar e comentou: "Naru, eu ainda não sei o que sinto por quaisquer uma de vocês. Eu peço que você não volte a fazer isso enquanto eu não decidir se devo dar uma chance para alguma das garotas, está bem?".

"Eu só quero que você saiba que não desisti de conquista-lo novamente, Kei-kun. Mais cedo ou mais tarde, ficaremos juntos. É o nosso destino, não é verdade? Eu estou pronta a não cometer os erros do passado, só para ficar contigo", confessei-lhe, esperando que Keitaro me entendesse.

"Tudo bem, vamos encerrar o assunto por aqui. Haverá outros momentos para discutir isso, você me entendeu? Eu ainda não estou pronto para um novo relacionamento...", explicou-me Keitaro.

"E quando você estará? Eu preciso saber!", implorei-lhe.

"Você saberá... Se eu fosse você, não me preocuparia", desconversou Keitaro. Senti que ele ainda não quer discutir isso.

"Bom... pelo menos, posso ainda de mãos dadas contigo? Eu só queria... Bem... Só queria matar a saudade de...", pedi-lhe, bastante encabulada. O que me surpreendeu foi a resposta dele: um terno sorriso e ele teve a iniciativa de dar-me a mão.

E voltamos para casa de mãos dadas. Já havia algum tempo que não me sentia tão bem. Quando estávamos chegando na pensão, ele desfez o enlace de mãos. Ele justificou que não iria ser saudável chegarmos juntos, com tanta intimidade. As outras garotas iriam ficar tristes sem motivo. Naquele momento, eu concordei e desfiz o enlace. Mas não vejo a hora de ficarmos unidos para sempre...


Capítulo escrito em 21/07/2005. Depois de um tempo impossibilitado de continuar a saga, volto a escrever um capítulo. Estou com pouca inspiração, talvez isso também condicione a capítulos cada vez mais raros desta estória. Logo, logo sairá um capítulo sobre a inauguração. Aguardem e confiem!