ÀS SUAS ORDENS
Capítulo 18: Agonia e Êxtase

PV: KEITARO

Não acredito que permiti o beijo de Naru. Não acredito que permiti que a Naru andasse comigo de mãos dadas. Ainda bem que me lembrei de que estava de mãos dadas antes de chegar no Hinata-sou, ou o bar temático iria à pique antes mesmo da inauguração.

Pensei que estava claro que precisava ficar sozinho. Queria novas amizades, freqüentar novos ambientes. Não esperava uma reação tão abrupta da Naru; talvez esse fora o motivo pelo qual baixei a guarda e permiti que Naru fizesse o que fez. A inércia que tomou conta de mim provocou uma reflexão posterior: será que ainda tenha algum sentimento forte por Naru-san? Ainda a amo? Ao que tudo parece, a resposta é positiva.

Não sei que decisão tomar. E hoje será difícil, pois é a inauguração do bar temático. Estarei na cozinha, ajudando a Haruka-san a fazer os pratos que forem pedidos. As garotas estarão lá, graciosas e esbeltas, usando uniformes sensuais. De uma certa forma, elas estão se enfeitando para mim. E eu fico orgulhoso – para não dizer vaidoso – com tal fato. Afinal, que homem não se sentiria homenageado por saber que tantas mulheres estão querendo chamar a atenção dele?

Só que elas não são apenas mulheres; são seres mitológicos, prontas para devastar a qualquer momento. Como tomar uma decisão, sabendo do poder de destruição que tais garotas possuem? Acho que o beijo da Naru conseguiu ser tão devastador no meu íntimo que uma bomba atômica.


PV: NARU

Consegui meu primeiro ponto, tenho certeza disso. Eu sinto que Keitaro está balançado, senão não teria deixado que eu passeasse com ele de mãos dadas. Ou que eu viajasse agarradinha ao braço dele, repousando minha cabeça sobre o ombro dele.

Ao chegar na Casa de Chá, Keitaro me deixou o dinheiro e os cartões; ele rumou para cozinha imediatamente após, já que ele precisa ajudar a Haruka-san. Ao encontrar-me com a Kitsune, cumprimentei-a e entreguei o dinheiro.

"Olha, Kitsune, conseguimos bastante trocado. Aqui está!", eu disse à Kitsune, entregando-lhe o dinheiro.

"Ah sim! Obrigada, Naru! Aliás, onde está o Keitaro?", inquiriu-me Kitsune.

"Ele foi ajudar a Haruka-san, na cozinha", esclareci.

Kitsune me piscou o olho direito e cutucou-me com o cotovelo, perguntando-me: "E então, safadinha? Aproveitou o passeio, minha amiga?".

Respondi-lhe de forma serena: "Claro que sim. Passeamos de mãos dadas, e eu beijei Keitaro apaixonadamente!".

Kitsune se arregalou e novamente me perguntou: "Como assim, beijou-o? Na boca?".

"Mas é claro! Afinal, grandes amantes dão grandes beijos! Sabe aqueles beijos tórridos, de cinema? Pois é...", declarei, com muito orgulho.

Kitsune me agarrou firme pelo braço e conduziu-me para fora da Casa de Chá. Demonstrando muita inquietação, a velha raposa falou: "Naru, toma muito cuidado com o que você fala. Você fez isso mesmo? Você o beijou?".

Sem encara-la, respondi: "Sim. Eu o beijei. Eu sei que forcei a barra, mas precisava beija-lo. No amor e na guerra, vale tudo!".

Kitsune ainda estava aturdida, mas conseguiu concluir o seguinte: "Escuta, Naru... Se você conseguiu um troféu, ótimo! Mas tome cuidado, pois quem pisa em campo minado corre o risco de ser explodido".

"Como assim?", perguntei, bastante confusa com a metáfora de Kitsune.

"Você o beijou hoje. Alguma das meninas pode tomar uma atitude mais... Como posso dizer, mais ousada que a tua...", esclareceu-me Kitsune. Tive que concordar com ela, pois Keitaro não tem nenhum compromisso comigo. A situação era bem diferente.

"Inclusive você?", perguntei-lhe.

"Inclusive eu. Você acha que eu não tenho minhas táticas para conquista-lo?", retrucou Kitsune. Ela então completou: "Bem, vamos voltar e vestir os uniformes. Acho que o assunto está encerrado no momento, mas espere desdobramentos dos teus atos".

Engoli seco. Senti que a luta pelo coração do Keitaro vai ter táticas cada vez mais ousadas, mais atrevidas. Não adianta, só há uma coisa a fazer, e deve ser o mais rápido possível. Só há uma atitude a fazer para que o Keitaro fique em definitivo comigo, já que minhas competidoras têm muitos talentos.


PV: MOTOKO

Vi que Kitsune e Naru saíram da Casa de Chá por uns instantes, e tinham muita pressa em deixar o recinto. Como estava ocupada, e por achar que não devia me meter nos assuntos dos outros, não as segui. Ao voltarem, manifestavam um semblante fechado, como se a conversa não fora agradável. Bem, tenho uma suspeita do tópico central da conversa, mas prefiro não ficar especulando. Fui direito na fonte.

Enquanto estávamos no quarto da Haruka-san vestindo os nossos uniformes, aproximei-me da Kitsune e questionei: "Ei, Kitsune, há algo errado?".

"Não que eu saiba, Motoko... Por que essa pergunta?", inquiriu-me Kitsune.

"É que você e a Naru saíram por uns instantes e voltaram estranhas. Pareciam tensas. Vocês brigaram?", perguntei.

"É claro que não, Motoko. Foi apenas uma conversa um pouco desagradável. Sabe como é, coisas de mulher... Não comente nada com a Naru, está bem? São problemas de família, ela não quer preocupar as outras garotas, certo?", implorou-me Kitsune.

Não foi uma resposta convincente, mas acatei o pedido de Kitsune. Também não quero incomodação antes da inauguração. O estranho é que, naquele momento, senti que precisava tomar uma atitude, ou não teria chance com o Keitaro. Tive uma intuição de que as garotas estavam avançando o sinal, e que eu estava ficando na retaguarda nessa corrida. Nunca desisti de uma batalha, não será agora a primeira vez.


PV: SHINOBU

Nossa, está quase na hora da inauguração. Estou tão nervosa, não gosto de multidões. Mas, se isso agrada o Kei-kun e conseguir nos salvar da bancarrota, eu posso fazer uma força.

As garotas permaneciam na cozinha, esperando o sinal para entrarmos em ação. Todas estavam prontas para a inauguração, e as meninas aproveitaram o tempo ocioso para fazer um desfile de vaidades para o Keitaro-senpai.

Cada uma das garotas posava com o uniforme e perguntava o que o Keitaro-senpai achava. Obviamente, o senpai era educado e sempre elogiava os uniformes. Fiquei muito orgulhosa quando o senpai afirmou que o meu uniforme refletia a minha doçura. Ele sabia o que dizer para agradar cada mulher... O senpai está cada vez ganhando mais conceito entre nós, nem parecia o pobre atrapalhado que tinha a obrigação de agradar garotas implacáveis.

O desfile estava indo bem, até que a Naru partiu para um ataque direto. O senpai estava descansando um pouco em uma cadeira, e dali ele emitia os elogios. O uniforme de Naru já era sensual por si só, mas ela não parecia contente com tão pouco. Naru ficou bem na frente dele, inclinou o tronco e estufou bem o peito, deixando bem os seios à mostra, e perguntou com uma voz provocante: "E então, Kei-kun, o que você acha do que você vê? Não é vistoso?".

Coitado do Keitaro-senpai! Ele estava visivelmente constrangido. A pergunta tinha um duplo sentido, pois não sabia se ela estava querendo opinião sobre o uniforme ou sobre os seios dela. Ele apenas conseguiu balbuciar que ela estava bonita, demonstrando que não se sentia confortável naquela situação. A Haruka-san decidiu impedir um tumulto e acabou com o desfile de moda, ordenando que as meninas se alinhassem e estivessem prontas mentalmente para o atendimento dos clientes. Se não fosse a providência da Haruka, creio que as meninas iniciariam a hecatombe mundial naquele instante.

Escutávamos o barulho de automóveis e de pessoas chegando. Kitsune estava no salão, fazendo os últimos preparativos e esperando o momento para abrir o bar temático. Quando o relógio bateu 22h em ponto, ouvimos a porta principal abrir. De repente, a cabeça de Kitsune emergiu da cortina divisória, gritando: "É isso aí, meninas! Está na hora! Vamos lá!".

Agora sim, começou uma das maiores epopéias do Hinata-sou.


Capítulo escrito entre 21/07/2005 e 22/07/2005. As férias estão sendo úteis para tocar esta saga. Tentarei atualizar assim que novas idéias aproveitáveis surjam. Espero que tenham se divertido com este capítulo. Até mais!