ÀS SUAS ORDENS
Capítulo 21: O Dia Seguinte

PV: HARUKA

Que festa! Como eu não sou navegante de primeira viagem, eu consegui me acordar cedo. E sabia que as meninas não iriam se acordar com um bom humor. Isso me levou a fazer um café bem reforçado, imaginando que a própria Shinobu não estaria apta para fazer algo decente pela manhã – afinal, a menina de cabelos azuis nunca foi muito beber.

Eu amo essas meninas, principalmente as veteranas. Elas já passaram por uns bons bocados para manter o Hinata-sou de pé. E elas venceram. Eu só tenho medo de uma coisa: o que elas poderiam fazer para conquistar o Keitaro... Elas são mulheres fenomenais, que conseguem fascinar qualquer homem que elas queiram... Mas não são bem sucedidas no terreno do amor. Já dizia a máxima: sorte no jogo, azar no amor. Ontem, eu senti que algumas meninas estavam com uma aura estranha, como se possuídas por um espírito de luxúria e devassidão. Reconheci diversos gestos e atitudes de algumas delas com óbvio duplo sentido. Sorte que o Keitaro não é um bom leitor de entrelinhas.

Preparei a mesa com fartura, escolhendo alimentos estrategicamente – afinal, não é qualquer coisa que dá energia para quem acorda com uma puta ressaca. Quando o relógio marcou quase meio-dia, decidi acordar as festeiras. Com a pousada lotada, não foi fácil acordar um batalhão de mulheres.

Foi um legítimo desfile de beldades. As que não se encaixam nos critérios mercadológicos de beleza tinham um charme próprio, algo que chamava a atenção. Mas minha preocupação era com um grupinho de beldades já veteranas dentro da pousada.

Algumas estavam ainda atordoadas, mas o que me chamou a atenção foi a Kitsune. Ela andava devagar, com as mãos nos quadris. Parecia que estava com dor nas costas, mas não me lembrava que ela tivesse caído durante a festa. Ela se sentou bem devagar, e fez uma careta de dor quando se firmou no assento da cadeira.

"Kitsune, o que houve? Está com dor nas costas?", eu perguntei com um quê de preocupação.

"Ai, acho que fiquei de mal jeito durante o sono...", respondeu-me Kitsune, encarando o próprio prato de comida.

Naru, que se sentou ao lado da garota-raposa, mirou-a com escárnio. Kitsune, ao perceber os olhares de Naru, devolveu o escárnio também com os olhos. Motoko estava ao lado da Naru, e percebi que ela chutou as pernas da ruiva fatal e olhou-a com reprovação. Havia um clima de guerra entre as três, tenho certeza. As outras meninas conversavam jovialmente, enquanto que essas três trocavam olhares acusatórios. O que essas fêmeas aprontaram depois da festa? Tratei de monitora-las, de soslaio.

Depois do super café-da-manhã, Shinobu, Mizuho e Naoko se ofereceram para limpar, afirmando que eu já tinha feito um trabalho colossal em alimentar um batalhão com tanta comida. Eu agradeci e decidi voltar aos anexos. Precisava ver como estava meu sobrinho; depois investigaria aquelas garotas.

Enquanto eu me dirigia aos anexos, pensava naquelas palavras: "Queria que você fosse minha mãe, Haruka-san.". Aquilo me deixou sem chão. Eu fiquei paralisada, confusa com um turbilhão de emoções. Eu me sentia lisonjeada por tamanho reconhecimento que, ao contrário da mãe legítima dele, eu dei abrigo no momento mais difícil da vida dele; quase ninguém acreditava no Keitaro – exceto eu e a vovó Hina.

Por outro lado, havia um velho conhecido meu: o medo da idade. Eu nem consigo admitir que sou tia dele, quanto mais mãe! No final, cada vez mais me convenço que sou igual ao Keitaro, muito mais que os próprios pais dele. O meu irmão é um banana, e minha cunhada é uma megera. No início, eu achava pai e filho muito parecidos, mas Keitaro é muito melhor.

Eu e o Keitaro somos indivíduos batalhadores, mas que ainda guardam os mais profundos sentimentos dentro de uma grossa carapaça. Desistimos de lutar por romances possíveis e impossíveis. Descobrimos, de forma amarga, que estar junto a alguém e cumprir uma promessa de infância não é sinônimo de estar feliz. Acho que nossa única esperança é nos juntarmos para derrotar nossos traumas.

Era isso que vou conversar com ele quando o acordasse, além de confirmar se o cheiro de mulher no cio que senti no quarto dele tem algum fundamento.


PV: KEITARO

Alguém bate na porta do meu apartamento, de forma muito insistente. Estou muito cansado, pois tive que participar de uma maratona fora do comum – e sem reposição de energia. Respondi para me deixar em paz, com um tom de voz bem aborrecido.

Quando tentei voltar a dormir, sinto alguém agitando meu corpo. Senti-me obrigado a erguer minha cabeça para saber quem estava fazendo tanto barulho. Apesar de estar sem óculos e ainda limpando os olhos, reconheci aquele semblante.

"É... É... É você, Haruka-san?", perguntei atônito.

O vulto se sentou ao meu lado, no meu futon, e notei os lábios se movendo: "Sim, sou eu. Precisamos conversar muito sério.".

Eu engoli em seco. Será que ela sabe de alguma coisa? Bom, não que ela tenha o direito de intrometer-se tanto na minha vida, mas ela sempre cuidou de mim como se você minha mãe, e isso torna chato admitir certas coisas. Bom, precisava ganhar tempo até juntar coragem para confessar o que fiz, então decidi me lavar primeiro. De cara, ela perguntou: "Por que você engoliu em seco?".

"Você me põe medo quando fica séria assim, Haruka-san!", eu desconversei.

"Sei... Quem não deve, não teme, Keitaro...", retorquiu Haruka, com ironia no olhar e um sorriso sardônico.

Aquela visão sempre me amedrontou. Acho que meus familiares são muito peculiares, para não dizer estranhos. Mesmo assim, eu os suporto. Na real, eu gosto de verdade da Haruka-san. Ela me incentivou quando mais precisei. Eu só queria que ela... Bem, que ela assumisse que ela é para mim. Adoraria chama-la de "tia". Enquanto fazia o que seria a higiene matinal, tentava imaginar o que a Haruka-san teria para me falar.

Bem, Haruka aproveitou o fato que eu estava me arrumando para encarar mais um típico dia na minha vida para me perguntar, bem próxima à porta do banheiro: "Vamos dar uma volta? Creio que nossa conversa será mais agradável se feita fora daqui.".

Não entendi. Qual a diferença de conversar no meu quarto ou em um bar? Conversa séria vai ser séria em todos os lugares. Expressei a minha dúvida: "Ué, e por que não aqui?".

"É que tem certas coisas que eu gostaria de conversar sem a possibilidade de interferência, você me entende?", explicou Haruka. Bom, creio que entendi... Como eu estava a fim de dar uma volta, de sair do meu castelo, topei. Haruka estava misteriosa hoje...


PV: HARUKA

Bem, convenci-o a sair de casa. Bom, se pretendia aproximar-me dele, creio que um passeio agradável seria um bom começo. E creio que ver aquelas três mulheres emburradas não seria algo útil para iniciar o dia. Cuidaria delas outra hora.

Escolhi um lugar muito especial. Foi o bar em Tóquio onde conheci o Seta. Estava bem diferente da época em que costumava freqüenta-lo, mas me pareceu ainda agradável. Durante a viagem até aqui, procurei conversar banalidades; queria conhecer melhor o universo do meu sobrinho, desejava ir além do óbvio.


PV: MOTOKO

Ah, que dia! Depois do café reforçado, necessitei conversar com a Naru e a Kitsune. Elas deram muita bandeira; eu intervi durante a refeição, mas senti que a Haruka notou algo diferente. Eu esperava que as outras meninas da pensão não soubessem sobre o que nós três fizemos, não naquele momento.

Agarrei as duas, um com cada braço, e apenas sussurrei: "No meu quarto, agora! E sem discussão!". Elas me olharam estranho, mas me seguiram. Eu tive que acompanhar o ritmo da Kitsune, que estava com dor nas costas... Tentei imaginar o que ela teria feito na cama com o Keitaro.

Após guia-las até meu quarto, fechei a porta e ficamos uma de frente para a outra, formando um triângulo. Foi quando iniciei a ralhar, após garantir que a porta estava bem fechada: "Muito bem, que cena foi aquela na mesa? Vocês querem que as outras desconfiem? Já não basta a Kitsune estar descadeirada do nada? Aliás, por que você está assim? Eu e a Naru não estamos!".

Kitsune respondeu: "Droga, nenhum de nós tinha camisinha, e tive que improvisar... Vamos dizer, ele entrou pela porta dos fundos... E eu me empolguei, até que eu gostei daquilo, mas exagerei e esse foi o preço.. Satisfeita?".

Naru comentou: "Mas que nojo! Isso é nojento, eu nunca faria isso!".

Eu falei: "Bem, Kitsune disse algo interessante...".

Naru retorquiu: "Você também gosta de sexo anal? Que péssimo gosto!".

Eu devolvi: "O que eu faço com o Kei-kun é problema meu! Eu acho que ainda é cedo para esse tipo de entrega, mas não é a modalidade de sexo que me preocupa... Eu transei sem camisinha, e estou com medo agora...".

Naru me fitou com compreensão e baixou a cabeça. Ela finalmente entendeu a minha ansiedade. Droga, nós três fomos com muita sede ao pote, mas Kitsune ganhou uma baita dor lombar que, no máximo, durará alguns dias e sumirá. Eu a Naru podemos ser mães.

Então, eu concluí: "Entendem agora? Imaginem o escândalo quando descobrirem. Quanto mais pudermos adiar a descoberta das outras meninas, melhor... Creio que a Haruka-san descobrirá logo, logo...".

Naru questionou: "Ótimo, o que fazemos então?".

Eu respondi: "Quando um problema aparenta não ter mais solução, é porque já foi resolvido. Creio que agora o que devemos fazer é nada. Simplesmente nada. O bom samurai aguarda as conseqüências dos seus atos em resignação e silêncio. É o que vou fazer. Quando for a hora, todos saberão. Se ninguém estiver grávida, contar o que fizemos só servirá para aumentar as animosidades, é algo dispensável. E se uma de nós estiver grávida, Naru-san, logo isso será evidente.".

Naru e Kitsune menearam positivamente. Pareceu que esse tópico estava acertado, mas tratei de deixar claro: "Então é isso! Por enquanto, vamos deixar tudo em panos quentes. Quando for o momento, todos saberão, ok?".

Elas concordaram oralmente com um sonoro "sim". Então, Kitsune interviu: "Como você mesmo disse, não é o momento de fazer algo, mas algumas coisas devem ficar acertadas. Vocês falam como se já estivessem grávidas. Creio que vocês deveriam fazer um exame confirmatório o mais cedo que possível for, além de observar se algo comportamento estranho surgir e se tornar persistente.".

Eu completei: "Verificar o ciclo menstrual, não é isso?".

Kitsune continuou: "Não só isso. Notar se surgirem sinais sugestivos de gravidez. Leiam livros de educação sexual para identifica-los, se for necessário. Mas um exame confirmatório é de grande valia. Espero que vocês tenham um ginecologista de confiança.".

Naru então perguntou: "E quanto ao Keitaro? Depois de hoje, tudo mudou para mim. Necessito demais da presença física dele ao meu lado.".

Kitsune ralhou: "Nem pensar! Enquanto essa situação está pendente, é melhor deixarmos o Kei-kun em paz... Eu sinto que precipitamos algo que pode fugir ao nosso controle, e não podemos piorar as coisas!".

Naru insistiu: "E o que pode fugir ao nosso controle mais do que uma gravidez não planejada?".

Kitsune respondeu de uma forma bem singela: "O Kei-kun concluir que uma possível gravidez só teve lugar porque alguma de vocês quer chantageá-lo na escolha definitiva. Usar um filho como extorsão seria um fato que magoaria de forma irreversível nosso amadinho...".

Naru engoliu em seco após tão direta explicação. Ser alvo do ódio de Keitaro era pior que a bomba atômica.

Encerrei a nossa pequena convenção sobre nossas vidas após a perda da virgindade. Bom, Kitsune ainda não perdeu a virgindade no sentido estrito da palavra, mas isso é só um detalhe técnico; ela já conheceu o caminho das pedras. E, mais do que nunca, eu e Naru devemos preparar nossos espíritos para um caminho bem mais tortuoso, caso nossas suspeitas se tornem realidade.

Recém entrei na faculdade, não é um momento adequado para ser mãe... E ser mãe solteira no Japão não é uma situação confortável.


PV: HARUKA

Bom, depois de acomodarmo-nos no bar, notei que o Keitaro estava com um semblante de exaustão. Logo depois de fazermos os pedidos, ele começou a tremer e suar. Ao encostar minha mão na testa dele, senti que a pele dele estava gelada ao toque.

"Droga, Keitaro! Você está fazendo uma hipoglicemia! Desculpa-me, você não devia ter saído comigo sem antes comer algo...", eu disse, aborrecida comigo mesma.

Depois de o garçom trazer um tablete de chocolate para que o Keitaro ingerisse, não levou cinco minutos para a face do meu sobrinho ficar mais corada. Suspirei aliviada. Foi quando eu o provoquei: "O que você aprontou ontem, hein? O que será que deixou meu Kei-kun tão esbaforido?".

Keitaro me olhou surpreso, e então emendou: "Meu Kei-kun? Desde quando você me chama assim? Tão... Sabe, como se fosse alguém muito íntimo de mim, Haruka-san?".

Eu respondi: "Eu sempre estive próxima de você, só que nunca quis admitir que eu poderia ser... Ser uma tia! Não sou a irmã de teu pai? Isso me faz tua tia! Não estou correta?".

Keitaro argumentou: "Bem, acredito que sim, mas você está preparada para ser chamada de tia? Posso lhe chamar de tia?".

Eu garanti: "Por enquanto, não na frente das meninas... Ainda estou me acostumando. Mas, em momentos íntimos, já não vejo problema nenhum.".

Keitaro sorriu de boca cheia e disse-me: "Isso é um ótimo começo, tia Haruka!".

Não deixei de achar estranho ouvi-lo chamar-me de tia, mas procurei me sentir feliz. Estava avançando para um relacionamento com meu sobrinho. Mas tinha um assunto que não queria calar...

"Keitaro, você recém teve uma hipoglicemia, e a Naru parecia estar em guerra com a Motoko e a Kitsune. O que aconteceu nesta madrugada?", eu insisti.

Esperei por uma resposta. Ele demorou, mas me respondeu. Obviamente, ele resumiu a história toda, mas só o que eu ouvi naquele momento, narrado pelo meu sobrinho, já me deixou boquiaberta. Não tinha noção de que tinha um atleta do sexo dentro da minha própria casa.

"Você gostou, não foi?", eu o provoquei. Transar com três mulheres deve ser uma experiência interessante para um homem. Vendo que ele ficou cabisbaixo, eu continuei: "O que foi? Não aprecia ser dono de um harém?".

"Ha-Ha-Haruka-san!", exclamou Keitaro com os olhos arregalados. É tão fácil constrange-lo com os próprios acontecimentos que ele vivencia. Eu não consegui evitar o riso.

"Aqui você faz, aqui você paga... É tão fácil deixa-lo envergonhado... Talvez seja isso que tanto divirta as garotas...", eu falei, sorrindo para ele.

"Você acha... Bem, que eu sou um frouxo, tia?", perguntou-me Keitaro, encarando-me com curiosidade. Vislumbrei que ele queria uma resposta verdadeira.

"Não. Pelo menos, não o tempo todo! Você é tão normal quanto as outras pessoas. Tem defeitos e qualidades que permitem que as outras pessoas o identifiquem como Keitaro", expliquei-lhe. Ele ficou surpreso com minha divagação psicanalítica, mas logo me deu um franco sorriso. Então, eu segui dizendo: "Eu só espero que você se comporte agora. Se você me considera como uma mãe, ainda não estou pronta para ser avó. As garotas ficarão cada vez mais atrevidas, e eu não quero que as pessoas se coloquem em algum risco que não seja necessário.".

"Eu sei, tia... Sabe, queria lhe dizer que aquele papo de mãe... Aquilo ocorreu porque me sinto carente, sabe... Não pretendo colocar em seus ombros uma responsabilidade que não lhe pertence!", desabafou-me Keitaro.

"Não se preocupe. De uma certa forma, sinto-me responsável pela sua proteção, Keitaro. Preciso lhe orientar de uma maneira mais adequada que a tua mãe fez. Você merece algo melhor.", eu desabafei.

Ele ficou arregalado, como se tentando compreender o que tinha recém dito. Eu agitei a mão e disse: "Esquece... Você não sabe de alguns fatos que cercaram o casamento de meu irmão!".

Keitaro gritou de pronto: "Papai? O que houve com ele naquela época?".

"Ainda não é o momento. Mas um dia, eu confrontarei a tua mãe e logo a verdade será conhecida. Eu te prometo, Kei-kun!", eu expliquei, tentando acalmá-lo. Pude notar o olhar de dúvida que ele me deu, mas eu sorri como uma forma de transmitir confiança.

Na volta para casa, passamos por um grupo de garotas que estavam descendo as escadarias da estação de metrô. Elas viram o Keitaro e aproximaram-se. Uma delas usava uma fita preta justa ao pescoço, uma camiseta amarela e uma minissaia azul-clara; essa garota se aproximou e disse: "Keitaro-kun! Você por aqui? Eu não sabia que você tinha uma irmã!".

Aquela garota era linda, mas eu não sabia se devia encarar a observação dela como um elogio. Keitaro a encarou e disse: "Oi, Megumi-san! Essa é a minha tia, Haruka-san. Haruka-san, conheça uma das colegas de Motoko-chan.". Cumprimentamo-nos com a tradicional reverência de corpo, e imaginei como ele a conheceu.

"Keitaro-kun, você vai sair hoje à noite? Podíamos curtir uma badalação... Eu, você e as meninas, entende?", propôs Megumi, com um sorriso malicioso.

"Não sei, a grana está curta... E não curto muito badalações...", disse Keitaro, não entendendo o sentido da proposta da garota. Às vezes, ignorância é uma benção.

"Para quem trabalha com eventos, é meio difícil crer que você não goste do agito, gatinho...", provocou Megumi. Ela era a típica garota que não aceita um "não" de um homem. E emendou: "Se grana é problema, eu pago todas as dispesas. Vamos lá, se você se juntar a nós já seria um prazeroso pagamento."

"Lamento, mas não gosto de explorar os outros...", explicou Keitaro. Notei que a garota já estava perdendo a paciência com ele.

"Olha, vou ser mais clara, precisamos de você porque...", disse Megumi, aproximando-se da orelha esquerda do Keitaro, onde cochichou algo que provavelmente terminaria a frase que eu escutei. Após o cochicho, Megumi se afastou e fitou-o fixamente, dando um sorriso com o canto direito da boca. Megumi manteve uma postura desafiadora.

Keitaro a mirou com desaprovação e disse, ajeitando os óculos: "Não sou um brinquedo. Não sairei com você e pronto. Vamos embora, Haruka-san?".

Eu concordei. As outras meninas tinham um semblante de tristeza, como se tivessem perdido a chance de ganhar o doce predileto. Megumi me encarava com desprezo, como se eu fosse a culpada. Se eu não estivesse com pressa de embarcar, daria uma lição naquela garota. Não gosto que me encarem feio.

Durante a viagem, perguntei: "Qual foi a proposta indecente que aquela patricinha fez?".

"Já não basta o fato que eu possa ser pai, aparece uma mulher querendo comprar o meu corpo? E o pior, dizendo-se melhor e mais bonita que a Motoko-chan? Que absurdo!", explicou Keitaro.

"De onde você conhecia ela?", eu quis saber.

"Num evento social que as garotas do Hinata-sou organizaram. As colegas de Motoko-chan estavam lá. São pessoas que vivem nas altas rodas sociais. Valores diferentes dos meus.", confessou Keitaro.

"Huuuuuummmm... O meu sobrinho está ficando mais decidido... E a indignação com a atitude daquela fútil, você está apaixonado pela Motoko?", provoquei-o, com um leve sorriso.

"Gosto de todas as garotas do Hinata-sou. São todas especiais para mim, e não aceito que as menosprezem. Não me envolvi muito com as novas moradoras, mas aquelas que eu conheci quando cheguei na pensão são muito preciosas para mim.", desabafou Keitaro, enterrando a cabeça entre os braços cruzados.

Eu dei um cafuné nos cabelos de Keitaro, tentando anima-lo. Posso sentir a apreensão dele com a possibilidade de ser pai. Droga, Keitaro-kun, por que você não usou proteção? Sei que ele enfrentará essa situação do mesmo jeito que desafiou a mãe para entrar na Toudai, mas entendo que tal situação apavore uma pessoa quando encarada pela primeira vez.

"Bom, se aquelas garotas queriam fazer uma orgia contigo, isso é problema delas. O dever que lhe cabia, o de evitar maiores transtornos, você já fez. De vez em quando, é bom ver um homem pensar com a cabeça de cima...", eu disse com um tom de orgulho. Ele me olhou de canto, dando um débil sorriso. Suspirei aliviada, pois ele não me pareceu em depressão profunda.

"O que eu faço?", Keitaro me perguntou, quebrando o silêncio.

Eu suspirei profundamente, e então respondi: "Por enquanto, nada. Espere a confirmação das possíveis gravidezes. Não comente com ninguém até que não seja possível esconder. Não crie preocupações sem confirmar que existe um problema a ser trabalhado. Não permita novos assédios das três garotas com quem você se deitou, ou um pequena guerra pode ser deflagrada e piorar a situação. Creio que isso seja o suficiente para preparar o espírito para enfrentar o futuro.".

"Obrigado, tia Haruka. Não sei como agradecer tudo o que você fez por mim.", falou Keitaro, pronunciando as palavras com suavidade.

"Eu apenas estou fazendo o que posso por um ente querido. Bom, se os temores forem confirmados, eu também devo me preparar para uma batalha pessoal.", eu desabafei.

Ele transpareceu não entender minha última frase, mas não me fez perguntas. Ambos teremos que exorcisar alguns demônios pessoais caso alguma das gravidezes se confirmarem.

Ao chegarmos na pensão, rumamos diretamente para os anexos. Precisava arrumar o bar temático para transforma-lo em uma simples casa de chá. Ficou combinado que não haveria expediente naquele domingo.

Agora, é só esperar o futuro...


Capítulo feito entre 29/01/2006 e 01/02/2006. Meus capítulos estão ficando um pouco compridos... Isso se deve porque eu os edito primeiramente no meu palmtop em diversas partes, depois eu junto tudo no computador. O uso do palmtop facilitou a edição de capítulos, pois é um aparelho portátil e isso permite que eu possa editar sempre que eu tiver uma idéia para escrever. Basta que o aparelho esteja à mão, além que você pode editar em qualquer lugar.