ÀS SUAS ORDENS
Capítulo 22: A Lua da
Colheita
PV: MOTOKO
Nesses quase dois meses após aquela noite tórrida de paixões, nós tentamos viver da maneira mais confortável possível. Afinal, não é um bom negócio viver em tensão devido a uma celeuma que ainda não foi confirmado.
Procuramos deixar o Kei-kun em paz... Pelo menos, não voltamos a assedia-lo. Mas o que ocorreu aquela noite foi algo fora do comum. Eu entreguei meu corpo, o meu mais precioso templo, ao homem que eu tanto amo. Não é um fato tão simples para ignorar. E creio que as outras meninas pensam desse jeito.
Nas diversas vezes em que eu conversava com a Naru e a Kitsune, a conversa sempre girava na saudade de tornar-se um só com o nosso eterno kanrinrin. Só acho chato que nós, de uma certa forma, passamos as outras meninas para trás. Caso algum dos exames médicos dê positivo para gravidez, a hora da verdade para todas nós estará muito iminente.
Durante todo esse tempo, obviamente a vida não parou. Lembrei-me do episódio mais conturbado que ocorreu durante o período. Foi quando eu descobri que tinha uma rival na minha turma. Keitaro me confessou que a Megumi tentou assedia-lo, e alertou-me para as possíveis intenções daquela patricinha. Como não gosto de picuinhas, tentei resolver essa questão o mais rápido possível, e colocar aquela socialite no lugar dela.
Yuuko achou melhor eu ignorar a existência de Megumi, mas eu expliquei que fui criada com uma educação típica dos samurais, e que guerreiros não gostam de deixar pontas soltas. Yuuko me alertou que Megumi era de uma família muito abastada, com fortes ligações com a Yakuza. Não me amedrontei: se a Megumi quer um desafio, então eu a proporcionaria uma verdadeira guerra.
Megumi sempre anda com uma turminha de bonecas emplumadas. Sem nenhuma vergonha, eu entrei no meio do grupo e interrompi alguma tolice que elas conversavam. Fitei Megumi seriamente, como se estivéssemos em um duelo. Prontas para um duelo de palavras. Um silêncio mortal se estabeleceu no grupinho. Não sei quanto tempo permanecemos estáticas, mas a tensão dominava o local. Esperei ela falar primeiro, para ver como seria o rumo da conversa.
"Então, por que uma das integrantes do grupo das cafonas está se misturando entre as maiorais?", provocou Megumi, quebrando o gelo. Bem, agora sei como lidar com ela.
Fechei os olhos e sorri, respondendo: "Quem é maioral não precisa dizer; demonstra com ações que demandam a admiração de outras pessoas. Você, por enquanto, não passa de uma herdeira de uma história de crimes.".
Megumi aproximou o rosto dela ao meu e rosnou: "Não é apropriado me acusar ao quatro ventos. Se sou tão perigosa quanto você diz, posso dar um jeito de você sofrer muito.".
"Isto é uma ameaça? Você sabe de que clã eu sou? Podemos estar em tempos modernos, mas meu clã se vingará do seu à moda antiga!", eu devolvi a ameaça. Ela deu um sorriso amarelo, desafiador. E eu continuei: "E nunca mais assedie o Keitaro, entendeu?".
"Ele é seu namorado?", Megumi me inquiriu com sarcasmo na voz.
"Não. Mas mesmo assim, não se aproxime dele novamente.", eu respondi secamente.
O sorriso dela aumentou e desafiou-me: "Se ele não lhe pertence, então ele será meu. Eu consigo tudo o que quero!".
Do nada, uma voz familiar se levantou: "As garotas do Hinata-sou têm preferência, sua estúpida!".
Quando eu me virei, surpreendi-me. Era a Naru que tinha falado, cercada pela Mutsumi e pela Mizuho. Todas elas mantiam seriedade no semblante. E Naru prosseguiu: "E Keitaro não é um objeto. Ninguém é, nem será dono dele. Eu quero ser uma só com ele, completar-me com ele. Mas você é uma fútil, não entende essas coisas...".
"Então, vocês sabem falar! Pensei que os únicos atributos fossem os peitos grandes!", disse Megumi com escárnio.
Naru devolveu com o mesmo escárnio, segurando a mão de Mutsumi: "É, ao contrário de você, nós somos inteligentes e temos peitos grandes...".
Megumi encarou Naru com um desprezo que eu jamais vi. Naquele instante, visualizei o instinto assassino dela. Megumi é uma mulher perigosa, um tipo de mulher que as garotas do Hinata-sou não sabem como lidar. Decidi chamar a atenção da Megumi para mim, ou as outras meninas se meteriam em um grande perigo. Eu gritei: "O negócio é comigo. Conheço a sua laia, e eu estou te desafiando para um duelo, está bem?".
Megumi se virou e veio na minha direção, mantendo aquele sorriso diabólico. Quase encostou o nariz dela no meu, então falou: "Um duelo? As artes marciais da minha família contra as da tua?".
"Eu aceito. Se eu ganhar, você nunca mais se aproximará do Keitaro, nem das meninas do Hinata-sou, entendeu?", eu disse, dando ênfase à última palavra.
"E, se eu ganhar, o Keitaro será meu. Nenhuma de vocês chegarão perto dele novamente, e ele vai morar comigo. Pelo bem ou pelo mal. E não tem discussão, é a minha proposta. Entendeu?", disse Megumi, também enfatizando a última palavra.
"Você não sabe se ele aceitará isso. Não posso prometer pelos outros.", eu disse, preocupada.
"Não me interessa. Eu tenho meus meios para garantir que a aposta seja paga. Talvez o dinheiro não compre o amor, mas compra a lei. Eu sei disso. Como você mesmo disse, gente da minha laia é capaz de fazer qualquer coisa para conseguir o que quer, e tem acesso a muitos meios para garantir os interesses. E ele será meu e ponto final. Esse é o acordo!", argumentou Megumi com firmeza. Ela era fria e calculista, então sabia negociar como ninguém.
Apesar da gravidade da situação, eu senti algo muito confortável naquele momento. Era uma sensação agradabilíssima. Eu sorri e encarei Megumi, dizendo: "Eu aceito. Sei que não posso perder.".
"Soberba, Motoko? É algo prejudicial para quem se obstina a uma objetivo...", Megumi afirmou com ironia.
"Não é soberba. Os espíritos dos antigos lutadores estão comigo. É uma benção, eu tenho certeza.", eu respondi suavemente.
"Espíritos... Eles não podem lutar por você. A luta é aqui, no mundo real, não em um conto de fadas. Aliás, diga o horário e o local para a minha vitória.", falou Megumi com ares de triunfo.
"No Monte Fuji, onde mais? É um local ideal para relembrar as grandes batalhas épicas, que ocorreram durante o xogunato... Daqui a uma semana, às 10 da manhã.", eu disse.
"Pode ser. Está feito. Leve as suas espadas e um ajudante de armas. Vamos batalhar conforme a tradição, certo?", disse Megumi, sem tirar os olhos dela dos meus.
"De acordo. Até mais...", respondi já virando as costas para ela. Quando eu me distanciei daquele bando de sonsas que seguem Megumi, senti que estavam abraçando meus braços. Eram a Naru pela direita e a Mutsumi pela esquerda.
"Você está louca? Um duelo mortal? Se a polícia descobrir, é cadeia na certa!", ralhou Naru.
"Motoko-chan, é arriscado. Eu não quero perder uma amiga. Não desejo que uma amiga minha morra de uma forma tão bárbara... Nem tenha que matar alguém!", exclamou Mutsumi, muito emocionada e já lacrimejando um pouco.
Eu tentei acalma-las dizendo: "Não se preocupem... Não é preciso matar quando não existe tal necessidade. Devo confiar em meu destino e impedir que Megumi continue sendo uma ameaça... Se ela tiver algum escrúpulo, mesmo que enterrado bem nas profundezas do coração, ela honrará o resultado da batalha."
Bem, eu precisava de um ajudante. Teria que ser alguém ágil e que entendesse o que eu quero dizer com gestos e poucas palavras. Creio que a Haruka-san será a pessoa ideal.
Bom, quando os Urashimas que vivem no Hinata-sou descobriram o incidente, ficaram todos alarmados. Afinal, um duelo de samurais é um evento mortal. Eu afirmei que não havia volta, que a honra do meu clã e da pensão estava em jogo e assumi toda a responsabilidade.
Eu olhei para o Kei-kun. Ele tinha o olhar de súplica; ele temia pela minha saúde. Eu sorri como demonstração de confiança, mas ele baixou a cabeça. Ele temia o pior, tenho certeza disso.
Haruka confirmou que será minha ajudante. Depois dessa confirmação, rumei para Kyoto avisar o meu clã do desafio. Apesar de o anúncio ser de sopetão, acataram minha decisão. Finalmente o meu clã suportou uma decisão minha; já tinha entrado em atrito tantas vezes que já estava acostumada. Tsuruko era a única que me escutava e tentava me entender.
Só espero que a minha decisão esteja correta. Não é saudável brincar com a vida dos outros. Não posso permitir que os outros paguem pelas minhas escolhas erradas. Definitivamente, não podia errar. E treinei a semana todas para não cometer erros.
Bem, o dia assinalado para o combate chegou. Acordei-me cedo naquele dia e fui até os anexos, para me juntar à Haruka. Depois de um desjejum leve, fomos diretamente para o Monte Fuji. Lá, havia um grande templo no qual os samurais costumavam duelar há muitas eras.
Eu decidi ir somente com a Haruka, pois precisava me concentrar. Deixei os outros dormindo até mais tarde. Quando cheguei lá, vi que a Megumi já estava lá. A ajudante dela era a Naomi, uma colega nossa e membro daquele grupinho de peruas.
Não trocamos palavras. Fui até o lado oposto de que seria o dojo; era um grande altar de pedra. Pouco a pouco, a audiência começou a chegar. O meu clã e o clã de Megumi se postaram em lados opostos. Junto com meu clã, as garotas do Hinata-sou e o Kei-kun.
Megumi posicionou um relógio em uma das laterais do altar. Quando bateu 10 da manhã em ponto, o alarme do relógio disparou. Era o início da luta. Não sei quanto tempo lutamos, mas a luta foi dura. Ambas as ajudantes eram eficientes na troca de armas, e Megumi era uma mestre na arte marcial da família dela. Ela suportava até meus golpes mais fulminantes.
Por um momento, senti que a minha derrota era iminente. Foi quando ela conseguiu me desarmar. Rapidamente, com aquele sorriso diabólico, estocou-me no ombro direito. A dor era lancinante, mas não podia desistir.
"Você já era, vagabunda. O Kei-kun é meu, todo meu!", gritou Megumi, retirando o punhal e partindo para o golpe final. Naquela fração de segundos, um filme passou perante meus olhos...
Eu cheguei no Hinata-sou. Comecei minha amizade com a Naru-san. Kaolla me bolinava o tempo todo. O pervertido do Keitaro entrou na pensão e, de quebra, na minha vida. Minha irmã fez da minha vida um inferno por algum tempo. Aquele indecente do Keitaro, por que ele me chamava a atenção? Droga, eu me apaixonei por um inútil. Não, ele não é um inútil, já que ele entrou na Toudai e eu não. Ele me ajudou a entrar lá. Ele me deu carinho, nunca me acusou de nada. Ele fez sexo comigo. Ele será um ótimo pai. Eu não posso perder... Eu não posso perder... Eu não posso perder... Eu não posso perder...
"Eu não posso perder!", eu gritei a plenos pulmões. Foi o suficiente para desarma-la e arremesá-la para o outro lado do dojo com um único golpe. Dei um pulo para alcança-la e impedi-la que ela se armasse novamente. O pulo foi certeiro; eu caí sobre o tronco de Megumi. Sentada por cima dela e desarmada, soquei-a no rosto diversas vezes até ela sangrar bastante. Foi quando eu exigi: "Renda-se agora!".
"Mate-me... Se eu vou perder, então também quero morrer em batalha...", Megumi balbuciou cuspindo sangue.
"Você é mais tola do que eu pensei, se realmente quer morrer... A vida é boa demais para se jogar fora. Você é só uma menina confusa, achando que pode ter o mundo na palma da mão. Ainda há tempo para descobrir muito mais sobre a vida. Renda-se, por favor!", eu lhe implorei. Megumi ficou sem reação por alguns minutos, até que abriu a mão direita e, de uma forma sôfrega, bateu a mão três vezes no solo. Aquilo foi surpreendente. Vitória, minha vitória.
Eu saí de cima de Megumi, visualizando a uma certa distância o corpo dela. Um senhor correu desesperadamente até ela e abraçou-a, tentando limpa-la. Concluí que provavelmente era o pai de Megumi. Eu disse a ele: "Megumi tem uma promessa. Faça-a cumprir, por favor."
Ele meneou em afirmativo. Quando eu percebi, Haruka estava ao meu lado. Ele me segurou e verificou o ferimento no ombro. Eu me sentia tão cansada que quase desmaiei nos braços de Haruka. Logo, as outras meninas me cercavam e davam-me os parabéns. Keitaro olhava à distância, demonstrando apreensão. Com todo o agito, e já sem energia, eu apaguei.
Eu acordei no meu quarto. Havia uma bandeja cheia de comida do lado. A doce Shinobu ficou cuidando de mim. Não sabia como agradece-la. Depois que eu estava melhor, notei o curativo no meu ombro. Doía para mexer o braço, mas era suportável. Shinobu me explicou que o pai de Megumi tinha um médico particular, e ele fez todos os tratamentos em uma clínica particular, para não precisar ir ao hospital. Muito esperto, se eu aparecesse no hospital, a polícia seria avisada que uma paciente vítima de agressão havia internado.
Quando a noite caiu, eu estava sozinha no quarto quando o Kei-kun apareceu. Olhando ternamente para mim, disse-me: "Você duelou por mim. Não sei o que dizer...".
"Não diga nada... Estou feliz que você está livre da ameaça de Megumi.", eu respondi jovialmente.
"Não posso deixar passar em branco o que você fez por mim... Eu quero retribuir a dedicação...", ele disse, aproximando-se de mim até colar os lábios dele aos meus. Foi quando fizemos amor pela segunda vez, dessa vez com camisinha. E com muita paixão. Nada como a gratidão para fazer as coisas acontecerem.
Depois de relembrar tudo isso, senti que alguém me acordou do meu devaneio. Era Naru; nós tínhamos ido juntas ao ginecologista para sabermos os resultados dos exames. Eu disse a ela que estava relembrando tudo o que eu passei até aquele momento. E que logo seria a hora da verdade...
PV: NARU
Depois do resultado, rumamos diretamente para o Hinata-sou. Reunimos todas as moradoras do Hinata-sou no salão de festas. Foi quando anunciamos o resultado dos exames. Nós duas estávamos grávidas do Keitaro. Aquela revelação foi um grande choque. A primeira reação que notei foi da Shinobu, que saiu correndo e chorando. Pouco a pouco, as outras começaram a reagir.
"Mas... Mas como? Que coisa mais revoltante!", exclamou Kanako.
"Eu nem sei o que dizer a vocês duas. Sinceramente, eu nem faço idéia... Evidentemente, não é uma situação trivial...", balbuciou Mizuho.
"Ah, eu também quero ter um filho com o Kei-kun... Gravidez deve ser gostoso...", lamentou Kaolla.
"Bom, acho que devo ficar feliz, não é? Afinal, Kei-kun vai ser papai! E em dobro!", disse Mutsumi, ser perder a bondade no olhar, mas com um ponta de inveja na fala.
"Isso é verdade. Embora a situação seja bastante inusitada, o fato já foi consumado e não há nada para fazer, exceto desejar que vocês tenham filhos saudáveis.", disse Mizuho, com um olhar de piedade.
"Isso foi armação! Engravidaram para forçar o casamento!", protestou Sarah. Pelo burburinho da multidão, concluí que muitas pensavam do mesmo jeito. Aquilo me irritou, e percebi que a Motoko também não gostou do comentário.
"Não preciso jogar baixo para conquistar o Kei-kun! Se não formar um par com ele, terei o meu filho e criarei-o por mim mesma. Você é só uma menina mimada, que ainda não sabe quão tortuoso é o caminho do amor!", eu desabafei, esbofeteando aquela pirralha.
Sarah não esboçou reação. Aquela pirralha ficou encarando o chão, esfregando o local onde eu dei o tapa. Então, eu prossegui: "Nem você, nem ninguém, tem o direito de julgar-me! Foi uma gravidez inesperada, mas assumirei esse filho como a coisa mais sagrada deste mundo. E tenho certeza que a Motoko-chan pensa da mesma forma sobre o filho dela. Vocês podem nos odiar, mas...", eu caí de joelhos, chorando de angústia, e então implorei: "Mas não odeiem nossos filhos, por favor! Eles não têm culpa da nossa imprudência!".
A última frase saiu como se fosse um grito de desespero, a voz saiu muito arranhada. A minha atitude mudou o cenário. As meninas, que até então pareciam divididas, começaram a agir de uma forma peculiar. Mesmo que várias não concordassem com o fato de sermos mães solteiras, não nos olhavam como se fossemos seres alienígenas – ou mesmo seres desprezíveis. A situação estava ali, e nada que os outros pensassem iria mudar o panorama.
PV: MOTOKO
O desabafo de Naru serviu como um catalisador de emoções. As moradoras deixaram o salão de festas lentamente em silêncio. Nenhuma palavra, nenhuma reação impulsiva. Todas teriam que se acostumar com duas mulheres grávidas e solteiras.
Durante alguns dias, Shinobu não falou com ninguém. Ela amava tanto o senpai... Foi difícil engolir o fato que algumas das melhores amigas dela fizeram amor sorrasteiramente. Kaolla tentou anima-la, mas foi em vão. Ela se fechava cada vez mais, ao ponto que ela não saía mais do quarto.
Ela nem foi nas formaturas de Keitaro, Naru, Mutsumi e Mizuho, que receberam os diplomas em meio a uma festa conjunta, mas um tanto contida, já que o anúncio das gravidezes foi feito uma semana antes da festa. Junto com a festa dos formandos, Kaolla comemorava finalmente ingressar na Toudai, junto com a Shinobu. Como a garota dos cabelos azuis não compareceu, a festa ficou pela metade.
Aquele quadro persistiu por duas semanas, até que a Kaolla chegou em mim com um semblante que dificilmente ela tem, o de tristeza acompanhada de lágrimas, e disse: "Motoko, a Shinobu não está se alimentando direito, nem sai daquele maldito futon! Ela está morrendo, Motoko! Com esse clima de final de ano, ela nem comemorou a nossa entrada na Toudai! Ela evita ligar até para os pais! Temos que fazer alguma coisa! Fome não é divertida!".
Imediatamente, chamei a Haruka. A experiente mulher nos aconselhou a ligar para o hospital. A ambulância veio e levou-a urgentemente, levando a Haruka como acompanhante. Horas depois, Haruka voltou, com um semblante muito sério.
"E então, como ela está? Ela não precisa de acompanhante?", perguntou Keitaro, muito apreensivo.
"Shinobu não precisa de acompanhante agora, pois ela está na UTI. Ela quase morreu de inanição. O médico intensivista me contou que iria discutir o caso com um psiquiatra...", explicou Haruka.
"Psiquiatra? Ela pirou?", perguntou Sarah, obviamente confusa.
"Não exatamente. O intensivista, após conversar comigo, começou a suspeitar que a Shinobu entrou em inanição devido a um quadro depressivo grave. Os pais dela já estão informados, eu já conversei com eles...", narrou Haruka. Ela demonstrou desconforto ao falar sobre a situação da pobre Shinobu.
Kaolla estava inconsolável no meu ombro. Eu nunca vi a garota de feições indiana chorar copiosamente, de um jeito tão lastimável. Aquilo me esclareceu o quanto a Kaolla ama a Shinobu. Ela dormiu comigo aquele noite, pois se sentiu muito frágil e não quis ficar sozinha no quarto dela.
No dia seguinte, fui conversar com a Naru. A ruiva fatal aproveitou a formatura para avisar os pais dela sobre a gravidez. Fiquei curiosa, pois deveria ter uma conversa semelhante com o meu clã sobre a mesma situação.
"E então, como foi?", perguntei.
Naru deu um grande suspiro e respondeu-me: "Foi algo estranho. Após o anúncio, houve um silêncio constrangedor que durou vários minutos... Até que a Mei-chan me abraçasse com uma grande felicidade. Não houve hostilidades. Meus pais ficaram preocupados, mas não me depreciaram. Disseram que ficarão ao meu lado. Foi... Foi mais calmo do que pensei. Você... Você conversará com o seu clã nos próximos dias, não é?".
Foi a minha vez de suspirar e dizer algo: "Hoje mesmo parto para Kyoto. Mas não sei se a acolhida será tão calorosa... Pessoalmente, eu não ligo se irão aceitar. Se necessário, arrumarei um emprego para me sustentar. Já atuei como escritora e atriz; eu posso arrumar algum provento. Eu só vou ao dojo da família pela obrigação samurai de informar aos anciãos sobre a minha nova situação. E nem penso em abortar! Terei o meu filho e ponto final.".
"Lamento, Motoko! Garanto que o Kei-kun não gostaria de ver-lhe em uma situação constrangedora!", Naru me consolou.
"Não é culpa dele, eu sei disso. Fui eu que baixei a guarda, e somente eu devo assumir as responsabilidades da minha gravidez perante meu clã. A única coisa que espero do Keitaro é que ele assuma nosso filho, e isso já foi garantido. Nada mais me aborrece. Estou tranqüila.", eu confessei. Então, trocamos um longo abraço. De qualquer jeito, estávamos no mesmo barco. Quem poderia imaginar que o fruto de um amor poderia ser tão polêmico?
Foi quando avistamos o Kei-kun entrando desolado na pensão. Eu e a Naru ficamos apreensivas com a expressão de tristeza no rosto e aproximamo-nos do nosso amadinho.
"Kei-kun, o que houve?", indagou Naru, com um tom de preocupação.
"Eu... Eu... Eu contei sobre o que aconteceu à minha mãe... Ela está furiosa! Quer que eu saia daqui imediatamente e assuma os negócios da família de uma vez por todas...", disse Keitaro, obviamente com o tom de quem está com um aperto no coração.
"Mas recém você se formou em Arqueologia! Você não era necessário para a sua mãe antes, o que mudou?", eu disse indignada.
"Ela falou que este lugar foi uma má influência para mim, e que não vai suportar as minhas infantilidades e as loucuras da vovó Hina. Ele vem amanhã para tomar uma satisfação da vovó...", Keitaro detalhou.
"Mas a vovó está viajando pelo mundo! O que vai ser?", indagou Naru.
"Amanhã será o dia do aperto de contas. Aquela mulher não perde por esperar!", disse Haruka surgindo do nada. Keitaro piscou em confusão, e Haruka completou: "Keitaro, não se lembra quando eu lhe disse que uma hora a verdade iria aparecer e eu deixaria tudo em pratos limpos com a sua mãe? Bem, a hora chegou."
Adiei minha ida à Kyoto. Percebi que aquele confronto seria muito mais interessante do que minha conversa com o meu clã. Finalmente, eu tinha a chance de ver a Haruka em ação.
Capítulo feito entre 31/01/2006 e 03/02/2006. Como vocês podem perceber, o capítulo 20 marcou uma mudança no roteiro. O final da saga está cada vez mais próximo, então decidi aumentar as emoções. Agradeço ao Edu os comentários. Esperem pela próxima atualização, meus amigos!
