ÀS SUAS ORDENS
Capítulo 31: O Retorno do Pródigo
PV: KEITARO
Depois de 4 anos longe de casa, eu retornei a pisar em solo nipônico. Um grande sentimento de nostalgia invadiu minha mente ao caminhar pelo Aeroporto de Narita. Naquele momento, eu me senti confortável; afinal, eu estava em casa. Desde o momento em que a humanidade criou o conceito de comunidade, mesmo a mais andarilha das pessoas se sente acolhida quando volta ao local que chama de "lar".
Após passar pelo portão de desembarque, eu vi um vulto familiar a alguns metros de mim. Quando eu me aproximei mais do vulto, eu reconheci que o mesmo se tratava da Haruka-san, a minha adorada tutora. Nós nos abraçamos por um longo tempo e encaramo-nos, um sorrindo para o outro.
"Keitaro, que saudade! Eu nunca imaginei que sentiria tanta falta da presença de uma pessoa. Seja bem-vindo de volta ao Japão!", Haruka me cumprimentou. Eu nem consegui falar; eu apenas a beijei no rosto.
Ao sairmos do aeroporto, eu vislumbrei o bom e velho Setamóvel. Caramba, eu não acreditava que aquele veículo ainda existisse. Eu coloquei as malas no compartimento de carga e, logo após, assumi o lugar do passageiro. Haruka assumiu o lugar do chofer e conduziu-nos até o lugar mais emblemático da minha vida: o Hinata-sou.
Aquela viagem que eu fiz no mundo dos sonhos me marcou bastante, a ponto de que eu nem prestei atenção no que Haruka-san estava me dizendo. Quando eu visualizei a pensão se destacando no horizonte, um misto de felicidade e ansiedade tomou conta de mim. Apesar dos tormentos que eu vivi naquele prédio, foi naquele mesmo local que eu descobri o amor. Foi onde eu descobri o sexo e a paternidade.
Eu peguei as malas e entrei na Casa de Chá, a qual estava fechada para o público. Haruka solicitou que eu me sentasse à mesa que ela apontou e explicou-me: "Eu preparei uma recepção para o meu protegido. Eu espero que você goste. Seja bem-vindo! Você deve estar com fome; espere aqui que logo você tera um cardápio.".
Eu a obedeci. Afinal, eu realmente estava com fome e muito cansado. Enquanto eu esperava pelo cardápio, eu pensava no fato que as garotas não estavam lá. Não foram ao aeroporto, nem estavam no Hinata-sou. Bem, a vida continuou... Apesar de que eu estivesse sentindo falta delas, elas tinham as próprias vidas para tocar.
Eu reparei que a decoração do bar e da minha mesa era a mesma que as garotas usavam quando exisitia o bar temático. Eu achei aquilo curioso, e concluí que a Haruka deve ter trabalhado bastante para fazer sozinha toda a decoração. Quando ela voltasse com o cardápio, isso seria a primeira coisa que eu comentaria.
Quando a cortina se abriu, eu tive uma grande surpresa. Saiu da cozinha uma loira lindíssima, usando um belo cheongsam rosa. Eu reconheci prontamente: era o uniforme que a Sarah usava no bar temático.
Quando a loira me estendeu o cardápio, eu não pude conter a minha surpresa e inquiri: "Sarah, é você?".
A loira me bateu com o cardápio na cabeça e respondeu-me sorrindo: "É claro, seu idiota. Nossa, tem coisas que não mudam...".
Eu peguei o cardápio e concentrei-me nele, pois a presença de Sarah me constrangia. Aquela peralta se transformou em uma mulher voluptuosa. Ela ergueu minha cabeça com a mão e, quase colando o rosto dela contra o meu, falou: "Mas existem outras coisas que mudam bastante, não é?".
Para a minha surpresa, ela me deu um beijo na boca, sentando-se nas minhas pernas e abraçando-me fortemente. Ela fez aquilo por alguns minutos, ficando de pé após o desenlace. Eu não sabia o que dizer, então ela quebrou o gelo e disse: "E então? Qual o pedido, Kei-kun?".
Eu perguntei: "Desde quando você sente algo por mim?".
Ela respondeu: "Desde o primeiro dia que eu te conheci, bobão! Você é tão parecido com meu pai, que eu tinha raiva de gostar de você. Eu não queria substituir o meu pai atrapalhado por um trapalhão desconhecido. Mas eu também era uma tola, ainda não sabia como elaborar o que eu sentia. Desde que voltei para os Estados Unidos, eu decidi fazer terapia. Hoje, muitas coisas estão claras, Kei-kun. Mesmo que eu não goste desse teu tino para fazer besteiras, eu te amo. E então, você já tem um pedido?".
Depois daquela confissão, eu estava tão sem jeito que só balbuciei: "Eu ficarei servido com a sugestão da casa, ok?".
"Aguarde que logo o pedido será entregue!", Sarah disse com entusiasmo. Antes de entrar na cozinha, a loira parou na porta e deu-me uma piscadela maliciosa com uma suave passada de língua no lábio superior. Aquele comportamento da Sarah era inesperado. De repente, eu senti que aquela não seria uma noite comum...
Algum tempo depois, duas mulheres passaram pela porta da cozinha, cada uma com uma bandeja. Nossa, eram a Kitsune e a Kanako, uma trazendo a comida e outra, bebida. Elas também usavam os uniformes do bar temático. Então, eu entendi: elas estavam me recepcionando de uma forma muito especial. E eu cheguei a pensar que elas não se importavam mais comigo.
Elas colocaram as bandejas sobre a mesa, despejando os conteúdos das bandejas à minha frente. Depois de me servirem, elas se sentaram em torno de mim; Kitsune ficou à minha direita e Kanako à minha esquerda.
Kitsune virou a minha cabeça na direção dela e então me beijou de uma forma muito intensa. Depois do beijo, a velha raposa me fitou e confessou: "Seja bem-vindo, Kei-kun. Estou com tantas saudades...". Quando ela falou a última sentença, ela começou a acariciar minha virilha. Como eu fiquei visivelmente constrangido, ela parou as carícias e levantou-se, jogando um beijo no ar. Enquanto ela retornava com a bandeja para a cozinha, era a vez de Kanako de girar minha cabeça e tentar me beijar.
Eu evitei o beijo de Kanako, e ela murmurou: "Kei-kun, não se encabule. Não somos irmãos, nem biológicos e nem legalmente. Não há nada que nos impeça de nos relacionarmos de jeito que quisermos.". Depois do murmúrio, ela me beijou intensamente, também acariciando as minhas partes íntimas. Depois de tão apaixonado beijo, Kanako me beijou na testa e também levou a bandeja para a cozinha.
Enquanto eu comia, eu pensava o quão feliz aquela recepção me deixou. Afinal, é muito bom saber que eu ainda era desejado pelas garotas. E qual o homem que não gostaria de tanta bajulação? Depois de 4 anos solitário no mundo, era muito bom ser paparicado de novo. Mas, conhecendo as garotas como eu conhecia, sabia que o tempo poderia mudar a qualquer momento, e isso sempre foi o grande porém do meu envolvimento com elas.
Depois que eu terminei de comer, eu coloquei os talheres sobre o prato e reclinei na cadeira. Não demorou muito para que Kaolla e a Motoko saísem da cozinha, também travestidas com os trajes do bar temático e portando bandejas.
Motoko recolhia o prato com os talheres e a Kaolla recolhia o copo e outros utensílios. Depois que elas limparam a mesa, elas se sentaram ao meu lado; Motoko pela direita e a Kaolla pela esquerda.
Motoko envolveu o meu rosto com as mãos e beijou-me suavemente na boca. Quando o beijo terminou, eu perguntei: "Como a Aiko está? Eu quero muito saber como a minha filha está...".
Motoko sorriu e respondeu-me: "O nosso pedacinho de gente está muito bem. Nossa filha é linda!".
Eu afirmei: "Então ela puxou a mãe, com certeza...".
Motoko me fitou serenamente e disse: "Você ainda não se dá valor, que pena! Pois saiba que ela é muito parecida comigo, mas tem os teus olhos e o formato do teu rosto. Toda vez que eu olho para ela, eu lembro com felicidade do dia em que nos a geramos. E não me arrependo, pois eu jamais transaria com um homem que não fosse digno do meu corpo. Ouviu bem?". Então, ela me deu um beijo na testa e rumou para a cozinha com a bandeja.
Quando Motoko saiu de cena, Kaolla girou meu tronco com impetuosidade e beijou-me intensamente. Ela quase me derrubou no chão quando ela se atracou em mim. Depois do beijo, ela falou: "Keitaro! Eu estava com saudades! Como eu quero me divertir ao teu lado, em nome dos velhos tempos!". Ato contínuo, ela se levantou e levou a bandeja para a cozinha.
Então, Naru e Mutsumi apareceram e foram até onde eu estava, também vestindo os uniformes que usavam no bar temático. Nossa, como elas estavam lindas! E eu reparei que elas estavam de mãos dadas. Naru permaneceu de pé á minha direta e Mutsumi à minha esquerda.
Cada uma delas pegou em uma das minhas mãos e puseram-me de pé. Naru me fitou com serenidade e perguntou-me: "Kei-kun, você gostou da recepção?".
Eu comentei: "Eu adorei, muito obrigado. Eu só quero saber como está o Reiji. Ele está bem?".
Naru me respondeu: "Nosso filho está muito bem. Ele tem a esperteza da mãe e a dedicação do pai. Agora, acompanhe-nos.".
Eu fiquei curioso e perguntei para onde nós iríamos. Mutsumi apertou minha mão mais forte e falou: "Ara, ara! Vamos para a cozinha! Você não quer conhecer quem fez tão saborosa comida?".
Quando nós alcançamos a porta, Naru interrompeu o passo e beijou-me passionalmente. Depois que Naru encerrou o beijo, ela apontou para o lado oposto, onde Mutsumi estava. Eu me virei para a garota melancia e constatei que ela mantinha o velho e gentil sorriso. Como eu tinha saudade daquele sorriso!
Mutsumi balbuciou: "Oi, Kei-kun. Eu ajudei a cuidar direitinho do Reiji. E eu espero que você seja feliz!". Ato contínuo, ela me beijou com a mesma intensidade que as outras demonstraram. Depois do beijo, ambas me conduziram para a cozinha, cada uma carregando uma bandeja.
Ao entrar na cozinha, uma grande surpresa. Quem eu vi junto ao fogão, usando o uniforme de bar temático que fora baseado nos uniforme europeus de domésticas? A doce Shinobu-chan. Ela estava simplesmente linda! Os cabelos dela estavam bem compridos, alcançando a linha da cintura. E o melhor: ela sorriu para mim.
Naru me deu um tapinha nas minhas nádegas e disse: "O que você está esperando? Aproxime-se dela!". Eu achei melhor não desobecer e obedeci-a. Quando eu estava a poucos passos da Shinobu, a mestre-cuca simplesmente se jogou em cima de mim e beijou-me. Eu não fiz nenhuma resistência.
Depois que o beijo terminou, Shinobu me fitou em silêncio por vários minutos, até o momento em que me perguntou: "Oi, Urashima-senpai! Já faz algum tempo que não nos vemos.".
Eu disse: "Pois é, Shinobu... Em primeiro lugar, você não precisa me chamar de senpai... Eu creio que nossa amizade permite uma maior intimidade nos cumprimentos.".
Shinobu sorriu e emendou: "É claro, Keitaro! Não precisamos trocar reverências e formalidades.".
Então, eu perguntei: "Por que você me evitou por tanto tempo?".
Shinobu ficou com um semblante mais fechado e baixou a cabeça. Então, ela respondeu: "Porque eu te amava demais, e eu não suportei aquela situação. Eu fui uma tola. Você não era meu namorado, mas agi como se fosse uma mulher traída. Engraçado, eu sempre torci para que você e a Naru ficassem juntos, mas eu não suportei o fato que você manteve relações sexuais com ela. E foi mais difícil ainda quando eu descobri que você também se deitou com a Motoko. Eu desmoronei... E eu tive vergonha de encará-lo, eu me sentia uma criança! Se não fossem as garotas, talvez eu não estivesse viva agora!".
Eu me comovi e acariciei o sedoso cabelo da chef de cuisine, com algumas lágrimas no rosto. Em um dado momento, eu comentei: "Eu não sabia, Shinobu. Eu nunca quis magoar alguém...".
Shinobu segurou a minha mão, interrompendo as carícias. Ato contínuo, ela falou: "Ninguém tem culpa de alguma coisa. A vida é assim mesmo, cheia de revezes e contratempos. Eu achava que o amor era algo simples e romântico, mas não é. Às vezes, os relacionamentos amorosos são frios, voluptuosos, ou mesmo violentos. Eu precisei de ajuda psiquiátrica, mas agora eu estou bem. Não carregue sozinho uma culpa que não é só tua, é de todos.".
Shinobu se afastou de mim e saiu da cozinha. Eu tentei impedí-la, mas a Naru me impediu. Ela me segurou pelo ombro e disse-me: "Não se preocupe, ela está bem. Mas nós devemos resolver o futuro de todos. As águas termais estão reservadas para você amanhã de manhã, então aproveite o banho pois as garotas farão uma reunião depois. Você entendeu?".
Eu meneei e sorri; então Naru e Mutsumi se despediram de mim, e saíram da cozinha de mãos dadas. Eu notei que elas estavam mais íntimas do que nunca; eu gostaria de saber como isso aconteceu. Bom, o jeito era ir para o meu quarto, para me acordar bem descansado no dia seguinte e esperar por tão decisiva reunião.
Eu subi as escadas e, antes de chegar ao quarto, um vulto feminino me chamou. Ao olhar bem, eu reconheci a pessoa, então disse: "Mizuho? Você está bem?".
Mizuho saiu da sombra e disse: "Oi, Kei-kun! Quanta saudade!".
Ela correu e jogou-se nos meus braços. Ao me abraçar, ela me beijou intensamente e quase me derrubou. Depois do beijo, ela me acariciou e disse: "É o primeiro beijo que nós compartilhamos, Kei-kun. Você não tem idéia do quanto eu sonhei como esse momento...".
Eu desfiz o abraço e observei-a. Ela estava com o cabelo tão comprido quanto o da Shinobu, usando um rabo-de-cavalo. Ela usava um longo cheongsam branco, com detalhes em dourado. Simplesmente linda.
Eu comentei: "Você está graciosa, Mizuho. Parabéns!".
Ela ficou encabulada e disse: "Bem, eu acho que você está cansado da viagem. Até amanhã!". Depois da despedida, ela correu em direção do Hinata-sou.
Eu nem titubeei; eu entrei e retirei toda a roupa, caindo nu na cama. Eu estava muito cansado, e eu sabia que muitas pedras iriam rolar na reunião de amanhã. Eu só torcia para que a reunião não acabasse em tregédia... Conhecendo as garotas como eu conhecia, tudo era possível!
Capítulo escrito entre 11/10/2006 e 13/11/2006. Finalmente a saga se encaminha para o desfecho; eu espero que esteja do agrado de todos. Slicer Lucas, meus sinceros agradecimentos pelas palavras que você sempre me emitiu. Aguardem todos pelo próximo capítulo, pois ele vai ser tão quente quanto o capítulo 20 foi.
