Capítulo 3

No dia seguinte, por efeito do calmante, Akito acorda próximo da metade do dia. Havia dormido com a mesma roupa. Levanta-se toma um banho e coloca um quimono branco, amarra um obi na cintura e sai para os jardins. A empregada tinha lhe deixado o café da manhã, mas não estava com vontade de comer nada.

Estava um dia bonito e ensolarado, o jardim estava florido. Akito encosta em uma arvore e observa as águas calmas e cristalina do lago artificial. Por muitos anos havia se iludido; a ligação entre ela e os possuídos não era especial e muito menos eterna. Tudo não passou apenas de uma triste ilusão. Estava sozinha, ninguém iria permanecer ao lado dela mesmo, então era melhor liberta-los para que pudessem viver suas vidas como bem entendessem, a ligação entre eles havia se tornado uma maldição que só havia lhe trazido tristeza e sofrimento. Apesar de tudo, seu semblante era tranqüilo. Não sabia o que iria fazer da sua vida daqui para frente, mas com certeza seria melhor do que a vida que viveu até agora. 'Sayonará'

Sem se dar conta das horas, perdida em pensamentos, não percebe o tempo passar. Começa a se sentir um pouco estranha, fraca, sente tonturas; acredita ser por não ter comido nada, mas os sintomas vão piorando, decide voltar para seu quarto e descansar um pouco. Ainda do lado de fora do seu quarto sua visão escurece e sente-se tonta; um elo havia se rompido, alguém havia se libertado; completamente tonta cai de joelhos. A sensação dessa vez era diferente, era como se uma ligação muito forte tivesse se rompido. Lágrimas surgem; mais um estava livre, mais um estava abandonando Kami-sama.

Distante dali, Kyo abraça Tohru feliz; ele havia se libertado.

Instantes Akito sente outro elo se romper e dessa forma, um a um, os elos de ligação vão se rompendo e a cada elo que se rompia, Akito sentia-se cada vez mais vazia, sozinha; todos a estavam abandonando: Ayame, Ritsu, Kisa, Kagura, Rin, Haru, Hatori, Shigure, Yuki e por fim ela mesmo também estava livre; sua maldição também tinha ido embora, ela também estava livre, mas sentia-se triste, fazia, abandonada; as lágrimas e o desespero tomavam conta dela. Um pássaro voa alto, distante. Muito distante dali, perdido no tempo e no espaço, Kami-sama reúne todos os animais para o banquete final. Todos haviam se reencontrado.

Kyo e Tohru correm em direção à sede e encontram Kazuma bem como Rin e Haru que estavam indo falar com Akito. Kazuma fica feliz ao ver que Kyo havia se libertado. Kazuma, Kyo e Tohru estão parados diante da porta do quarto de Akito quando ela abre a porta puxa Tohru pela blusa e a abraça. Tohru nada diz, apenas tenta reconforta-la.

Aos poucos Akito parece se acalmar um pouco, ela não precisa dizer nada para que Tohru entende o que aconteceu. Tohru se solta dela, estica o futon no chão e faz ela se deitar, segura na mão dela.

- Não se preocupe, você não está sozinha, eu estou com você e os outros também- sorri

Akito sente-se confortada no sorriso daquela garota, aquela que pode ter sido a grande responsável por trazer alegria e conforto para aquela família triste e amaldiçoada.

- Arigato- agradece Akito

Tohru fica ao lado dela por um bom tempo acariciando os cabelos dela até que ela se acalme por completo e adormeça. Então sai do quarto e deixa ela descansando. Do lado de fora estão Hatori, Kisa, Kagura, Kyo, além de Haru e Rin.

- E então, Tohru, como Akito está?- pergunta Hatori.

- Akito-san está dormindo agora, um pouco mais calmo- responde Tohru.

- Então é melhor deixarmos Akito descansar. Amanhã conversamos com ele no horário da reunião- diz Hatori

Dessa forma todos voltam para suas casas ainda um pouco aliviados pela libertação e um pouco confusos.