Epílogo
Harry acordou com uma excrucitante dor nas costas. Tinha dormido no chão, a cabeça apoiada na cadeira da escrivaninha. Olhou para o lado e viu Rony roncando e babando no colchão velho. Espreguiçou-se longamente para alongar o pescoço. Estava doendo bastante. Que lugar de dormir...
Levantou-se ainda devagar, bocejando. Hermione ainda estava dormindo no sofá de molas saltadas. Olhou através da janela. Pelo aspecto nublado do céu devia ser muito cedo ainda.
Estava com fome. Abriu a mochila para procurar aquele bolo velho. Não tinha. Iria esperar Hermione providenciar o café-da-manhã... Sua cabeça doía tanto que ele se dava o direito de ser folgado...
Sentou-se na cadeira e deixou o olhar vagar pelo escritório. Tivera um sonho estranho. Não conseguia se lembrar direito... Fez força para puxar a memória, mas nada lhe vinha.
Até que ele viu o pequeno espelho de duplo sentido em cima da mesa e se lembrou de tudo.
Nem Hermione, nem Rony entendiam a súbita obsessão de Harry pela família Burnett.
Durante uma semana inteira, Harry arrastara os amigos por velhos jornais e arquivos de Londres, procurando evidências ou qualquer coisa que indicasse que eles haviam de fato existido.
Harry estava convencido que a família de Frank e Francesca não aparecera do nada naquilo que ele chamava agora de "experiência". Não fazia sentido. As pessoas não apareciam daquela forma... "O simples fato de a história ter mudado de curso não faz com que famílias inteiras surjam. Eles devem estar em algum lugar...".
- Eu acho que você se deixou impressionar demais com esse sonho, cara – falou Rony enquanto verificava o milésimo catálago de arquivo do Profeta Diário.
- Não custa nada procurar, Rony – disse Harry olhando uma lista de famílias bruxas que contribuíam com o jornal.
- Custa sim – resmungou o ruivo – vou morrer de alergia no meio dessa poeira...
- Harry! Harry! – ouviram Hermione gritar de trás de um imenso arquivo – eu acho que encontrei alguma coisa!
Harry largou a lista no chão e saiu correndo até Hermione.
- Maluco! – fez Rony, azedo.
Era uma cidadezinha de fim de mundo, esquecida no meio de lugar nenhum, mas Harry tinha certeza de que o endereço era aquele mesmo.
Tocou a campainha de uma casa simples e esperou que alguém atendesse.
- Sim?
Uma velha senhora, que parecia ter no mínimo uns noventa anos, foi quem atendeu.
- Ah, me desculpe – falou Harry verificando o pedaço de jornal em suas mãos – é aqui que mora a família Burnett?
Sem aviso prévio, a velha bateu a porta com força no nariz de Harry.
"Eu acho que não...".
Já estava dando meia volta para ir embora quando ouviu a porta se abrir com um estalido. Uma garota loira, de olhos castanhos e vestido simples apareceu.
Harry sentiu-se ficar sem ar.
- Você é Francesca Burnett? – ele perguntou numa voz falha.
- Sou – respondeu a garota lançando a ele um olhar desconfiado.
Família bruxa morre em acidente trouxa
Fernand e Wanda Burnett, respeitada família da sociedade bruxa londrina, resolveram sair de cena depois da morte de seus amigos pessoais, James e Lily Potter. Alegando falta de segurança no mundo bruxo, resolveram se recolher numa pequena cidade do interior chamada Little Mervilletown para depois poderem seguir para França, onde mora a família de Fernand Burnett.
Infelizmente, ao chegar a Paris, o casal e seus dois filhos, Frank e Francesca, se envolveram num acidente envolvendo um carro, veículo que os trouxas usam para se deslocar. A única sobrevivente do acidente, a garota Francesca, está sob os cuidados de uma tia que mora em Little Mervilletown...
- Você mora aqui? – perguntou Harry.
- Moro.
- Você morou na França?
- Eu estudo na Academia Beauxbatons.
Era fácil perceber, ela tinha um sotaque francês forte.
- Pensei que estivesse na escola...
- Voltei para ajudar minha tia-avó... Ela está muito doente...
Harry ficou alguns segundos quieto, observando aquela garota que tinha aquele quê de superioridade. Sendo e não sendo ao mesmo tempo a Francesca que conhecera.
- Olha, se você não tem nada pra fazer é melhor ir embora... – ela começou a fechar a porta.
- Escute – começou Harry colocando o braço no vão que se formara – eu sei que você não me conhece, mas é que eu preciso falar com você.
Francesca o encarou, aqueles olhos desconfiados que não pareciam ter medo de arriscar nada.
- Então entre – ela disse simplesmente - entre, venha tomar um gole de chá e vejamos se vale a pena ouvir o que você tem a dizer.
FIM
N/A: UFA! É a primeira coisa que tenho a dizer depois de terminar essa fic. Foi bem complicado escrevê-la, não só por ter que fazer uma adaptação total do roteiro do filme, mas porque é complicado demais ter que resumir uma história gigante dessas em apenas 50 páginas! O que eu sinto ao colocar aquele "fim" ali é que vários pontos poderiam ter sido mais trabalhados, dando uma fic realmente longa, mas... caso contrário eu não poderia ter participado do challenge nem exercitado tanto minha capacidade de síntese! Eu não fazia idéia de quão complicado é escrever tendo um limite estabelecido de páginas... é realmente mais fácil prolongar as coisas... hahahaha. Mas bem, de qualquer forma, eu gostei do resultado final, foi uma abordagem diferente, foi uma fic diferente, um desafio diferente e eu fiquei realmente muito feliz por participar do challenge com ela. Eu queria agradecer muito, muito mesmo, à minha família que me aturou falando dessa fic (e tendo crises por conta dela) as férias inteiras. Vocês são realmente a melhor família que alguém poderia ter! Também agradeço à Doom e à Karen que tiveram essa idéia legal de challenge. Beijos a todos! E espero que tenham se divertido.
