Disclaimer: Esqueci-me nos ultimos capitulos mas qualquer personagem, feitiço, poção etc, que reconheçam pertence a J.K. Rowling e não a mim.


Aqui estou, mais uma vez

Desfeita em pedaços,

não posso negar, não consigo fingir

Só pensei que fosses o tal

Partida por dentro

Mas não verás as lágrimas que eu choro

Por detrás destes olhos cor de avelã.

Kelly Clarkson Behind These Hazel Eyes (Tradução)


Capítulo Três


E passou um mês. Ginny e Draco namoravam apesar dos amigos e da familia dela não concordarem. Draco revelou-se um cavalheiro. Era delicado e galanteador. Respeitou o facto de ela querer ir devagar com a relação. Tudo tinha começado tão rápido e ela tinha medo de se desiludir. Mas nesse mês ele não o fez. Respeitou as decisões dela e foram devagar. Encontravam-se casualmente e saiam umas vezes. Mas nada mais. Ginny não queria dar nenhum passo que se pudesse arrepender e ficou surpreendido por Draco compreender. Quando ele tentara avançar ela pediu-lhe calma e ele sorriu, dizendo que ele não tinha pressa mas que senti-la tão perto dele nem sempre era fácil controlar. Mas depois disso ele fez de tudo para não a intimidar. Ginny sentia-se no céu, não podia ter encontrado ninguém mais perfeito do que ele. E após um mês ela já não podia negar que estava completamente apaixonada por Draco Malfoy.

O Verão estava no fim, e as primeiras chuvas caiam. Mas nem Ginny nem Luna reparavam. Estavam ambas eufóricas. Era o dia do casamento de Luna com Neville. Os seus dois amigos iam se casar, Ginny era a madrinha e Harry era o padrinho. Luna não quisera que Draco fosse o padrinho, não porque não gostava dele, pelo contrário, Luna era a sua única amiga que já nem se lembrava quem tinha sido Draco Malfoy, mas sim porque tinha se convencido que se ele fosse o padrinho eles iriam ter azar no relacionamento. Ginny não se importava. Harry era o seu melhor amigo e ela estava tão feliz pelo casal que o padrinho até podia ser Marcus Flint.

A cerimónia foi linda, Luna estava felissíssima, Neville super nervoso, mas correu tudo bem, tirando o facto de Neville quase ter deixado as alianças cairem de tanto tremer.

Depois foram para Hogsmead, para um novo restaurante que Padma e Parvati Patil tinham em conjunto: The Patil's.

Estavam lá muitos colegas de Hogwarts, pelomenos os que haviam sobrevivido á guerra. Até alguns Slytherins haviam sido convidados. Draco estava conversando com Theodore Nott e Ginny aproveitou para ir á varanda. Uma pequena chuva começava a cair mas as nuvens estavam carregadas e não demoraria muito a vir uma tempestade.

-Hey Gin!- Harry encostava-se na varanda ao lado de Ginny.

-Olá Harry!

-Eu quero falar contigo Ginny.

-Se me vens com o discurso de que o Draco é um canalha podes me poupar. Já recebi o sermão do Ron, da Hermione, do Fred, do George, do meu pai, da minha mãe, do Neville...

-Eu sei Gin mas eles só estão preocupados contigo. Eu também estou... mas não venho aqui te dizer para acabares com ele.- ele acrescentou quando viua expressão zangada de Ginny.

-Então vens cá fazer o quê?

-Só te quero dizer para teres cuidado mas que aconteça o que acontecer eu vou estar sempre aqui para ti!- ele disse e respirou fundo quando viu a expressão carregada da rapariga suavizar.

-Obrigada Harry.- ela disse e abraçou-o.

Dentro do salão, uns olhos cinzentos assistiam á cena. Uma onda de ciumes tomou conta do coração de Draco. Ele viu os dois se afastarem e Ginny entrar novamente no salão, dirigindo-se para ele. Ele fingiu que não olhava para ela e prestou atenção ao que Nott estava dizendo.

-Ah, Ginny! Quero te apresentar Theodore Nott. Nott, esta é a minha namorada, Ginevra Weasley.

-Dou-te os parabéns Ginevra. Nunca pensei ouvir Draco dizer a palavra namorada muito e muito menos que se referisse a ti. Quero dizer, ninguém neste mundo esperaria que um Malfoy e uma Weasley se juntassem.- Nott disse.

-Acho que nem mesmo nós.- Ginny disse sorrindo. Ela reparou que Draco estava um pouco tenso. Não era normal, Draco estava sempre tão calmo. Que se havia passado?

Ginny foi roubada por Luna e foi se reunir com as raparigas mas estava de olho em Draco. Sempre que o via, ele estava com o copo cheio de firewhisky. Ela nunca o tinha visto beber tanto e ficou ligeiramente preocupada. Mas estavam numa festa e ela decidiu não se preocupar. Além disso ele tinha uma carruagem alugada para os levar a casa porque não podiam se desmaterializar em Hogsmead e mesmo que pudessem ela tinha a certeza que ele não estaria em condições de o fazer.

A festa terminou por volta das três da manhã. Ginny foi ter com Draco e despediram-se de Neville e Luna. Quando chegaram a rua, a chuva que Ginny previra estava mais forte do que nunca e os relampagos rompiam a escuridão de vez em quando. Correram até á carruagem e entraram.

-Gostaste da festa?

-Foi...interessante!- ele disse numa voz fria. O que se passava com ele? Para onde tinha ido a delicadeza do último mês.

-Eu gostei!

-Imagino!- ele disse novamente com a voz dura.

-O que se passa Draco?

-Nada.- ele disse mais calmo desta vez. Virou-se para ela e deu-lhe um beijo. Ginny sentiu-se mais tranquila mas não ia deixar este assunto sem falar sobre isso. No entanto, ele tinha bebido muito esta noite e ela não queria uma confusão com ele naquele estado. Ela beijou-o de volta. Ele colocou uma mão na perna dela e puxou o vestido azul escuro para cima. Ela tentou afastar-se.

-Draco! Já falamos...- mas ele interrompeu-a e puxou-a novamente para si, calando-a com um beijo rude. Os gestso dele passaram de gestos delicados para gestos brutos. Ela tentou libertar-se das mãos que a agarravam mas ele era mais forte.

-Tu és a minha namorada!- ele disse friamente retirando a varinha do bolso do casaco dela e a dele, colocando ambas o mais longe possível.

-Draco, pára...- ela sussurrou.- estás me magoando!

Mas ele parecia não ouvir. Ele continuou a agarrá-la e beijá-la. Ginny queria gritar quando sentiu a mão dele entre as suas pernas.

-Larga-me Draco!- ela pediu, já com lágrimas nos olhos, mas ele parecia possesso. Ele rasgou-lhe a saia do vestido e ela rendeu-se. Ele era demasiado forte, por mais que ela lutasse ele conseguiu o que queria. Ela sentiu a dor de alguém a lhe tirar a pureza sem o consentimento dela e a dor de ser a pessoa que ela amava a tratá-la daquela maneira. Quando ela não aguentou mais, encheu-se de coragem e puxou de todas as forças que tinha para empurrá-lo. Ao fazê-lo, ele mordeu-lhe o labio mas mesmo assim ela conseguiu espaço suficiente para abrir a porta da carruagem. Ele ia agarrá-la novamente mas ela foi mais rápida. Conseguiu sair da carruagem quando esta ainda estava em movimento. Caiu ao chão, perdeu o sapato, ganhou mais umas nodoas no corpo e rasgou ainda mais o vestido mas ela nem ligou. Levantou-se e começou a correr. Naquela altura, a carruagem estava no meio da floresta. Ginny correu na direcção contraria á da carruagem e agarrou as forças que lhe restavam para correr o mais depressa que podia. Ainda ouviu Draco chamá-la.

-GINNY! Volta!- mas o que ela nunca chegou a ouvir foi o que ele murmurou já entre lágrimas- Desculpa!

Ginny continuou correndo sem se importar com o lábio que sangrava, nem com o tecido molhado, nem com o pé descalço, nem com o vento que lhe dificultavam os movimentos. Ela só queria fugir. Fugir da memória dos momentos anteriores, fugir da dor que lhe apertava o peito. As lágrimas misturavam-se com as gotas de chuva. Ela só desejou que a sua dor pudesse ser dissimulada pela água da chuva também. Após muito correr começou a ver luzes ao longe. Isso deu-lhe uma nova força e ela correu mais rápido. E só parou quando se encontrava em frente ao Três Vassouras. Começou a bater á porta.

-Madame Rosmerta! Por favor, abra a porta!- Ginny suplicou desesperada.

-Calma. Já vou!- a voz da mulher veio do outro lado da porta, entre bocejos de sono. Quando abriu a porta e viu o estado de Ginny, Madame Rosmerta puxou-a para dentro do bar e fechou a porta.- Meu Deus Ginny, o que te aconteceu?

-Fui assaltada!- Ginny murmurou. Foi a única coisa que lhe veio á cabeça para dizer.- Eles tiraram-me a varinha e eu não consegui fazer nada.- ela continuou entre soluços.

-Oh minha querida, a estas horas é muito perigoso e podia ter side ainda pior. Imagina que... nem quero pensar. Vem, estás encharcada, vou te dar outra coisa para vestires que não há feitiço que repare essa roupa e vamos tratar dessa ferida. E esta noite ficas cá! Não estas em condições de ir para casa.

-Não é preciso! Eu só preciso um pouco de Pó de Floo e uma lareira para eu poder ir para casa. Mas obrigado Madame Rosmerta. Eu nem sabia o que fizesse!

-Se é isso que queres, mas deixa pelo menos tratar-te dessa ferida. - a mulher mais velha foi buscar uma poção desinfectante e e aplicou-a no lábio. Depois fez um feitiço cicatrizante.

-Mais uma vez muito obrigado e desculpe incomodá-la...

-Não faz mal querida! Cuida-te quando chegares a casa. E diz-me alguma coisa amanhã.- a Madame Rosmerta disse entregando-lhe o saco do Pó de Floo.

-Com certeza e obrigado!- Ginny disse. Momentos depois Ginny estava em casa. Cuidadosamente subiu até ao seu quarto e trancou a porta. Atirou-se para a cama e chorou amargamente ao som da chuva até a claridade da manhã iluminar o seu quarto.

Quando ouviu as vozes da familia no andar debaixo, decidiu tomar um banho e apagar os indicios da noite anterior mas ficou preocupada quando viu as nódoas negras nos seus pulsos, no pescoço, no peito, no olho, o lábio inchado e os olhos vermelhos e chegou á conclusão que não havia feitiço, nem poção, nem maquilhagem que conseguisse disfarçar aquilo a tempo e quase entrou em pânico.

Após o duche, encheu-se de coragem e desceu para a cozinha. Ficou aliviada por só estar Molly em casa.

-Minha nossa senhora, Ginny! O que aconteceu?- a voz de Molly era dramática e preocupada.

-Não foi nada mãe! Só a carruagem que teve um acidente. Um trovão assustou os cavalos e eles descontrolaram-se. Nada demais.

-Tens a certeza?

-Tenho. Porque te havia de mentir?

-Eu vou te preparar uma poção para essas nódoas negras desaparecerem mais rápido.- e a sua mãe saiu da cozinha.

Ginny estava aliviada pelo seu pai não estar presente. Ele não iria ser tão fácil de convencer como Molly. Ginny preparou um café e quando acabou de o beber, alguém bateu á porta.

-Eu abro, mãe!- Ginny gritou e dirigiu-se á porta da frente. Quando a abriu, o seu primeiro impulso foi gritar e fugir mas conseguiu reprimi-los.

-O que queres?- ela disse surpreendentemente calma.

-Ginny, eu...

-Não fales! Não peças desculpa! Não olhes para mim! Não me procures! Eu não te quero ver, não quero ouvir falar de ti! Sai da minha casa, sai da minha vida! O que tu fixeste não tem perdão! E não digas que estavas bêbedo porque o alcool não justifica o que fizeste! Eu odeio-te Malfoy.

-Mas eu amo-t...

-CALA-TE! Não quero ouvir. Desaparece! Já tens muita sorte em eu não te denunciar.- ela disse não querendo olha-lo nos olhos e agarrando-se ás horríveis memórias da noite anterior para se manter firme. Ele baixou a cabeça e desmaterializou-se sem dizer mais nada. Ela fechou a porta com força.

-Quem era?

-Um vendedor.- Ginny inventou.

-Ah! A poção está pronta, queres que eu a aplique?

-Agora não mãe. Vou descansar- Ginny disse já subindo as escadas. Quando chegou ao quarto, deitou-se na cama e chorou novamente. Ela queria o odiar mas não conseguia, mesmo depois do que ele lhe fizera, ela ainda o amava. Mas perdoá-lo, isso nunca.

Acabou adormecendo com as lágrimas nos olhos.


N/A: Aqui está novo capítulo. Não aguentei e postei dois no mesmo dia. Espero que gostem deste. Está um pouco dramático mas eu até gostei de escrevê-lo. Agora digam-me vocês que acharam dele e façam esta pobre escritora feliz.lol.