Disclaimer: Qualquer personagem, feitiço, poção etc, que reconheçam pertence a J.K. Rowling e não a mim.
Doi quando juntos para sempre não se irá realizar
Doi quando um coração partido é como termina.
Doi quando te vejo, te vejo com ela
Doi quando meu coração partido é como termina.
Christina Milian – It Hurts When(Tradução)
Capítulo Cinco
Ela estava sentada no grande salão com o bebé ao colo quando o viu sair da biblioteca com a outra. Ela virou a cara e olhou para o seu filho mas sabia que a outra a olhava. Conseguia até sentir o desprezo e o desdém dos olhos da outra. As palavras que a outra queria tanto dizer, ela ouvia. Ela conseguia ouvir a outra lhe dizendo que ela tinha a aliança mas que a outra é que tinha o marido. Que ela tinha o nome dele, o filho dele mas era a outra que o tinha realmente. Tudo isso ela conseguia ouvir a outra dizendo no silêncio de um olhar que ela nem via mas sentia como se fossem mil espigões venenosos a lhe cravarem o coração.
E ele agia como se nada fosse. Ele sabia que ela sabia que aquela era a outra mas nem assim ele deixava de trazer a outra a casa. Ela sabia que lá em casa só falavam de negócios, os encontros eram em locais mais intimos. Mas ainda assim vê-lo com a outra, comportando-se como se fosse a coisa mais natural do mundo, fazia o coração dela encolher.
Ele e a outra sairam juntos e ela, no interior da sua cabeça, conseguia ouvir os beijos que eles iriam trocar, conseguia ouvir o som da pele deles a se roçarem, conseguia ouvir os gemidos e as respirações ofegantes, conseguia ouvir o toque dãs mãos dele no corpo da outra, conseguia ver os lábios dele sobre os da outra, conseguia até cheirar o suor que emanava dos corpos deles.
Ela levantou-se e foi até ao quarto do bebé. Era o único local da casa onde ela se sentia segura. Era lá que se sentia amada e era aquele pequeno ser que ela tinha nos braços que lhe davam força para continuar ao lado de um homem, que apesar dela amar, estava com ela por obrigação.
Um ano antes
Ginny materializou-se á porta da casa da única pessoa que se lembrou.
"...aconteça o que acontecer eu vou estar sempre aqui para ti!" foram estas palavras que ecoaram na sua cabeça quando ela chegou ao jardim da sua casa e se desmaterializou.
Bateu á porta do apartamento de Harry, rezando para que ele estivesse em casa. Ela não tinha mais para onde ir naquele momento.
Ela ouviu alguém destrancar a porta do outro lado e viu a cara tranquilizadora de Harry Potter á sua frente. Ele nem teve tempo de dizer nada. Ginny largou a sua mala no chão e abraçou o amigo, não conseguindo controlar todas as lágrimas que esforçara tanto para não derramar em casa. Harry abraçou-a de volta sem saber ao certo o que deveria fazer. Passados alguns minutos, Ginny largou o pescoço do amigo ainda soluçando.
-Desculpa Harry, mas eu não sabia para onde ir! Eu...- mas Ginny calou-se quando viu movimento na sala.- Estás acompanhado?
-Uh... sim estou, estava... tratando de uns negócios de última hora...- Harry disse atrapalhado.
-Desculpa Harry, eu não queria...- Ginny disse. Se Harry ficára tão atrapalhado e ainda não lhe tinha convidado a entrar era porque a companhia era feminina.
-Não faz mal. Podes esperar só um pouco...-Harry começou mas foi interrompido.
-Se é por minha causa não vale a pena, já estou de saída, só vim mesmo te dar os papeis, preciso deles para amanhã!- ela ouviu uma voz, que ela conhecia muito bem, dizer e a cara que ela não via á duas semanas apareceu na sala de Harry, no local em frente á porta.
Ginny olhou para ele sem saber o que fazer. Harry estava ainda mais atrapalhado. Ele sabia que Ginny e Draco tinham se separado. Todos sabiam mas ninguém havia comentado para não a magoar nem a irritar, um Weasley zangado era assustador, uma mulher Weasley zangada era ainda pior. Ele não a tinha convidado porque queria evitar um encontro entre eles mas o que ele temera acontecera, agora era pedir ao deuses para que não piorasse.
-Entra Ginny!- Harry disse quebrando o silêncio constrangedor que havia caido entre eles e, ao mesmo tempo, quebrando também o olhar de Ginny e Draco. Ginny agradeceu mentalmente a Harry por isso porque ela não sabia por mais quanto tempo aguentaria aqueles olhos frios colados nela sem mostrar sentimento algum.
Ginny entrou sem olhar o homem que estava na sala e dirigiu-se ao canto mais afastado dele. Harry entrou em seguida com a mala dela. Draco dirigiu-se á porta no momento que Harry ia fechá-la e impediu o acto.
-Amanhã sem falta, Potter!- Draco disse mais como uma ordem e saiu, fechando a porta atrás de si.
-Desculpa Gin. Eu até tentei evitar que se vissem mas como viste não resultou.
-Não faz mal...-ela murmurou mas as lárimas que haviam congelado com o frio dos olhos do homem que ela amava voltavam a cair pela sua face. Harry abraçou a amiga e levou-a até ao sofá. Ela sentou-se e ele colocou-se de cocoras á frente dela.
-Agora diz-me o que se passou. Porquê a mala?
-Eu saí de casa!- ela explicou entre soluços.
-Porquê?- ele disse preocupado. Ginny estava num estado miserável, pior do que ele alguma vez a tinha visto. Ela sempre fora tão forte e agora estava ali mais vulnerável do que nunca.
-Por favor não faças perguntas que eu não estou preparada para responder! Já foi doloroso o suficiente em casa. Posso ficar aqui uns tempos a dormir? É só até conseguir um apartamento para mim.
-Claro que podes. E não te preocupes, eu não pergunto nada por enquanto, mas vou querer saber. Agora limpa essa cara e vem comigo fazer o jantar se não queres ter que experimentar as minhas receitas malignas!- Harry brincou. Ginny olhou para o amigo e sorriu pela primeira vez naquele dia.
No dia seguinte Ginny chegou á loja da Madame Malkin cheia de sono. Não dormira nada essa noite. Tivera o tempo todo pensando no que faria da sua vida agora que tinha mais alguém em quem pensar.
-Bom dia Madame Malkin!- Ginny disse á dona da loja.
-Bom dia para ti também que parece-me que bem precisas! Estás com péssimo aspecto.
-Devo estar! Passei uma noite horrível! Madame, ainda precisa de alguém para substituir a Rose?
-Preciso sim, porquê?
-Porque eu preciso de um emprego a tempo inteiro.
-Então é teu minha querida. Mas comecemos lá que ainda falta muita coisa para arrumar.
Ginny arrumou mantos a manhã toda. Estava quase na hora do almoço quando ouviu alguém entrar na loja.
-.. e ainda me falta falar com o restaurante por causa da comida!- ela ouviu uma voz feminina dizendo.
Ginny tirou os olhos da roupa que acabava de arrumar e virou-se para a porta. Uma mulher alta e elegantemente vestida acabava de entrar. Ela tinha longos cabelos negros e olhos escuros como a noite. Atrás dela vinha um homem que Ginny não conseguiu ver.
-Posso ajudá-la?- Ginny perguntou delicadamente. A jovem mulher olhou para Ginny arrogantemente.
-Não Weasley! Eu quero falar com Madame Malkin pessoalmente!- a mulher disse com um sorriso escarninho nos lábios. Ginny reconheceu-a imediatamente. Pansy Parkinson finalmente arranjara coragem e voltara a Londres depois de ter fugido durante a guerra.
-Madame Malkin não está neste momento!- Ginny disse controlando-se o mais que podia.
-Então eu volto mais tarde!- Pansy disse colocando o braço no braço do homem que a acompanhava. Nesse momento Ginny conseguiu ver a cara dele.- Vamos querido!- Pansy continuou, olhando para a rapariga ruiva com desdém e satisfação. O homem olhou para ela calmamente. Durante alguns momentos ele e Ginny entreolharam-se mas segundos depois ele já saía acompanhado por Pansy.
Ela ficou parada, vendo o casal se afastar da loja. Quando viu os cabelos louros platinados desaparecerem dentro de outra loja, ela conseguiu se recompor. Tinham passado só duas semanas e ele já estava agarrado a outra mulher. Nesse momento ela sentiu-se mais parva do que nunca. Ele tinha a enganado tão bem mas no fundo a única coisa que ele queria era... ele, provavelmente, só tinha estado a se divertir com ela enquanto a sua namorada de longa data não voltava.
Depois do almoço, Ginny voltou para a loja mais calma do que tinha estado o resto da manhã. Passou o dia no armazém arrumando as caixas que tinham chegado e depois voltou para a loja. Madame Malkin ainda não tinha regressado. Mas também a loja não estava cheia naquele dia por isso Ginny nem deu pela falta.
Ela estava acabando de embrulhar um manto azul para uma cliente quando Pansy entrou na loja. Desta vez vinha sozinha. Ginny não sabia se era bom ou mau sinal.
-Quero falar com Madame Malkin!- Pansy ordenou insolentemente. Ginny respirou fundo, tentando não ceder ao seu temperamento Weasley.
-Ela ainda não chegou! Talvez seja melhor passar cá amanhã.
-Mas deves achar que eu tenho tempo para vir cá amanhã. Não posso gerir a minha vida em torno da vossa disponibilidade.
-Desculpe mas eu não posso fazer nada.- Ginny disse o mais calmamente que podia mas já sentia o seu sangue começando a ferver.
-Pelos vistos terei que me remediar contigo. Eu quero o vestido mais caro e recente que tiverem.
-Com certeza.- Ginny foi ao armazém e voltou com um longo vestido de seda preta com pequenos adornos de puro diamante.
-É esse?
-Sim senhora.
-Não é lá grande coisa mas terá que ser. Tenho urgência no vestido.- Pansy retirou-o das mãos de Ginny e dirigiu-se aos provadores. Ginny respirou fundo e seguiu Pansy.- Então como está a tua patética familia?
Neste momento as orelhas da rapariga ruiva ja se deviam confundir com o cabelo. E no estado quee la andava não tardaria e Ginny explodiria. Mas por enquanto estava se aguentando.
-Então, não respondes, doninha miserável?- Pansy deu uma gargalhada cruel.- Ou tens demasiada vergonha para falar neles?
Ginny continuou calada, apertando o maxilar, tentando se manter fria. Mas ela nunca fora fria, ela tinha o temperamento quente de Molly Weasley.
-Ouvi dizer que andaste envolvida com o Draco. Deve ter sido a melhor coisa que aconteceu na tua patética vida, só espero que não tivesses muitas esperanças com ele, quero dizer, era óbvio que eel só estava contigo pelo sexo porque se não fosses...bonitinha ele nem olhava para ti.- Pansy disse, abrindo as cortinas do provador para exibir o vestido que lhe assentava como uma luva. Aquele vestido era feito para mulheres como ela: exuberantes e que adoravam atenção.- Acho que me fica bem! Mas continuando, como foi ter um Deus como o Draco nos teus braços? E como é agora, saber que ele te abandonou...- Pansy não acabou a frase. Ginny apontou a varinha e lançou-lhe um feitiço. Ela não aguentára e agora até estava arrependida. Pansy estava cheia de manchas vermelhas na cara e no corpo. -Sua insolente! Vais pagar por isto! Rrr...!- Pansy estava furiosa. Quase deitava fogo pelos olhos.
-O que se passa?- a voz de Madame Malkin apareceu atrás de Ginny e ela ainda se sentiu pior. Ela não devia ter deixado ser dominada pela raiva mas ela andava tão alterada que todas as emoções que ela andara reprimindo o dia inteiro rebentaram naquela hora.
-O que se passa? Passa-se que a sua empregada é uma incompetente, uma insolente, uma mal educada... veja o que ela me fez! Eu digo-lhe, ou você faz alguma coisa ou vai se dar muito mal Madame Malkin!- Pansy sibilou ameaçadoramente.
-Eu peço desculpa, ela tem tido...
-Não quero saber o que ela tem ou não tem!- Pansy interrompeu a mulher mais velha.- Eu quero-a na rua agora! Caso contrário as coisas iram ficar pretas para o seu lado Malkin!
Madame Malkin ficou pálida. Ela gostava muito de Ginny, mas era a sua loja que estava em jogo e aquela loja era tudo para ela.
-Desculpa Ginny! Mas eu tenho as mãos atadas!
-Mas...- Ginny começou.
-Não vale a pena, "minha querida"! Se não vais para a rua eu consigo que esta loja feche!
Ginny olhou para Madame Malkin e ela encolheu os ombros.
-Desculpa Ginny mas tenho minhas mãos atadas!
Ginny sentiu os seus olhos ficarem húmidos mas conseguiu aguentar as lágrimas.
-Tudo bem, vou só buscar as minhas coisas!- Ginny murmurou e foi buscar a sua bolsa.- Adeus Madame!
-Desculpa Ginny!
Ginny saiu da loja. As lágrimas cairam-lhe pela face. Perguntava-se o que tinha feito para merecer tudo aquilo. Era demasiadas coisas más para uma pessoa só. Mas lá no fundo ela tinha a resposta. Tudo aquilo tinha acontecido por causa de uma pessoa: Draco Malfoy. Tinha sido esse o erro dela. Ela tinha acreditado nele, acreditára que ele tinha mudado e agora pagava por esse erro.
N/A: Acabei este capítulo era já muito tarde mas não consegui parar enquanto não o acabasse e aqui está. Espero que gostem. Até aqui só mostro o que aconteceu na perspectiva da Ginny. Em breve vou mostrar um pouco a do Draco.
