Lembras-te quando

Dissemos que o nosso amor duraria para sempre

Mas pensando bem, quem somos nós para saber

Chega um dia, que o amor muda como uma tempestade

Um dia de sol, de repente, torna-se gelado

Rihanna - Now I Know


Capítulo Seis


Ginny estava andando de um lado para o outro na sala de star do apartamento do Harry esperando que ele chegasse. Ela já tinha chorado tudo o que podia. Se chorasse mais sairia sangue pelos seus olhos e não lágrimas. Ela ouviu a porta abrir-se e correu a abraçar Harry. Enfiou a cara no ombro dele e desejou que ele não a largasse. Harry ficou um pouco surpreso mas abraçou-a. Depois, calmamente, afastou-a e conduziu-a para o sofá.

-Calma Ginny. Que se passa? Estás assim pela mesma razão de ontem?

-Sim...e não!- ela viu que Harry fazia um esforço para não leh perguntar o que se passara no dia anterior.- Eu explico!- Ginny respirou fundo.- Eu terminei com o Draco...

-Eu sei!

-Deixa-me falar de uma vez ou perco a coragem!- ela disse e Harry assentiu.- Eu terminei com ele porque... porque...ele forçou-ma a ...

-Ele forçou-te a quê?- Harry perguntou sentindo raiva crescer dentro dele.

-Ele... violou-me!

-EU MATO-O!- Harry disse erguendo-se do sofá onde estava sentado.

-Deixa-me acabar Harry!- Ginny disse sentindo seus olhos ficarem húmidos novamente.- Dessa violação resultou um fruto. Eu estou grávida do Draco. O meu pai descobriu e como deves adivinhar a reacção nao foi a melhor...

-Ele expulsou-te de casa?- Harry perguntou incrédulo. Era verdade que Artur Weasley não gostava dos Malfoy, mas por o seu ódio acima do amor que tinha por Ginny, Harry nunca imaginára.

-Não, eu sai porque não ia aguentar os olhares reprovadores, as criticas... eu fugi. Mas não é tudo. Os meus pais não sabem o que aconteceu entre mim e ele. Eles pensam que foi imprudência. E para piorar... fui despedida!- Ginny não aguentou e começou a chorar novamente, mas não sangue como ela pensára.

-Porquê?

-Pansy Parkinson, a nova namorada dele, ela provocou-me e eu ando num saco de nervos e não me controlei, tu sabes como eu sou... e agora Harry? Que vou fazer? Tenho um filho no meu ventre e não tenho como sustentá-lo!

Harry andou até à janela. Ele queria ajudá-la mas o dinheiro que ele ganhava como Auror mal dava para as suas despesas. Ele só via uma solução.

-Tens de falar com ele!

-Com quem?- Ginny sabia que era com Draco mas talvez ele se referisse a Artur.

-Com o Malfoy! Ele é o pai da criança, ele cometeu um erro e tem que pagar por isso, além disso ele tem dinheiro mais que suficiente para vos sustentar

-Não, ele não quer este filho ,ele não me quer a mim, nem eu quero o meu filho perto de um homem que só me faz sofrer.

-E como achas que vais sobreviver Ginny? Eu ate te ajudaria mas eu mal tenho dinheiro...

-Eu sei mas...

-Posso te fazer uma pergunta?

-Claro.

-Ainda amas o Malfoy?

-Depois de tudo o que ele me fez? Depois de me ter violado? Depois de me ignorar e...

-Não respondeste á pergunta!

Ginny olhou para o amigo mas depois escondeu a cara. Ela sabia que já não devia amar aquela serpente em forma de homem mas por mais que tentasse não conseguia odiá-lo. Por mais que ordenasse ao seu coração partido que largasse as boas lembranças que tinha dele, o coração não lhe obedecia.

-Eu amo-o... não sei como, sei que devia odiá-lo mas não consigo!- ela admitiu entre soluços.

-Fala com ele Ginny. Mesmo que ele não queria esse filho, fala com ele, pelo menos tentaste.- ele disse sentando-se novamente ao lado dela.

Alguém bateu á porta e Ginny ficou tensa.

-Estás á espera de alguém?- ela perguntou num fio de voz.

-Estou!- ele disse e foi abrir a porta. O coração de Ginny batia tão depressa que ela julgou que lhe fosse saltar do peito. O tempo que a porta levou a abrir parecia uma eternidade. Mas quando viu a cara de Molly Weasley entrar na sala seguida de Hermione, Ginny ficou mais tranquila.

-Ginny!- Molly disse e correu a abraçar a filha.- Nem imaginas como andei, ontem nem dormi, estava tão preocupada, mas depois o Harry passou lá em casa e disse-me que estavas aqui...oh Ginny!- Molly disse apertando a filha contra si.

-Mãe, eu vou sufocar!

-Oh desculpa!- Molly disse, afastando-se da filha.

-Bem, eu vou fazer um café, vocês mulheres que falem á vontade!- Harry disse, entrando na cozinha. Ginny passou o resto da tarde falando com Hermione e Molly. Quando elas sairam á hora de jantar ela já se sentia mais tranquila.

Ginny passou a noite em claro. Decidira fazer o que Harry sugerira. Ela não tinha mais nenhuma opção. No dia seguinte ia falar com Draco Malfoy.

Mas na hora de o enfrentar Ginny perdeu a coragem toda. Quando a secretária lhe disse que ela podia entrar no escritório dele, Ginny sentiu que iria desmaiar. Ela estava á espera que ele não a quisesse receber. Lá no fundo até rezou para que isso acontecesse. Eles nunca mais se tinham falado e agora estariam fechados numa sala onde ele era o rei e ela a camponesa indefesa implorando por misericordia. Ela pontapeou-se metalmente por tão estúpida comparação. Ela não ia implorar nada, só ia lhe dar uma noticia. Afinal ela não fizera o filho sozinha, na verdade ele fizera mais do que ela.

Ela entrou no escritorio elegantemente mobilado de Draco Malfoy. Ele nem a olhou quando ela entrou, apenas fez sinal para ela se sentar e foi o que ela fez. Ginny sentia-se um peixe fora de água, um elefante numa jaula demasiado pequena para o tamanho dele. Ela sentia que tinha entrado na toca do lobo. Ou do Dragão.

Após alguns segundos de silêncio, ele finalmente ergueu a cabeça e fixou-a com aqueles olhos profundamente gelados.

-E então, o que queres Weasley?- ele disse. Ginny olhou para ele como se ele tivesse falado grego. Por momentos havia se squecido o que viera ali fazer mas depois a lembrança do bebé que tinha dentro de si voltou com mais força que antes.

-Preciso falar contigo, é um assunto sério e grave!

-Fala! Hoje de preferência, estás me tirando tempo precioso!- ele disse cruzando os braços e encostando-se ao seu grande cadeirão de cabedal.

-Eu estou grávida!- ela disparou sem qualquer precedente. Se fosse de outra maneira ela tinha a certeza que não conseguiria dizer. Draco permaneceu inalterado.- Não dizes nada?- ela perguntou após uns minutos de silêncio.

-É susposto eu dizer alguma coisa?- ele disse.

-Claro que sim...

-Parabéns pela gravidez, mas porque me vens dizer isso a mim?

-Porquê?- ela agora estava entre o desespero e a raiva.- Porque o filho é teu!- desta vez Draco levantou-se, um sinal de que alguma coisa o tinha afectado.

-Weasley, tanto quanto sei esse filho pode ser tanto meu como do Potter, afinal estás vivendo com ele não é?

Ginny explodiu:

-Eu não sou como tu Draco, eu não me meto na cama do primeiro que me aparece, eu não arranjo outra pessoa para ocupar um lugar que ainda não arrefeceu. Eu estou sim vivendo com ele porque, por tua causa, o meu pai... olha não importa. Só vim mesmo te dar a notícia. Quer acredites, quer não, este filho é teu! Mas talvez fosse melhor ser do Harry, ele pelo menos ele ia se responsabilizar pelo que me fez e ia cuidar do filho!- ela disse levantando-se e dirigindo-se á porta.

-E o que queres que eu faça? Que case contigo? Eu nem sei se o filho é meu!- finalmente o rei da calma estava mostrando algum sentimento, embora fosse quase imperceptível, Ginny conseguia ver que ele estava tenso.

-Este filho é teu, mas se quiseres provas eu faço o teste. Só não quero que o meu filho cresça sem um pai, mesmo que o pai seja um canalha como tu!- ela disse virando-se novamente para ele.

-Então fazemos o teste, mas eu escolho o médico, não quero aquela tua amiguinha sangue de lama alterando resultados. Se o filho for meu, eu dou-lhe o meu nome, o meu dinheiro, e caso contigo. Acho justo.- ele disse voltando ao cubo de gelo que ele era.

-É justo mas não é preciso casares co...

-Então é um acordo! Passa aqui amanha á uma da tarde e não te atrases. Adeus Weasley!- ele disse, passando por ela e abrindo-lhe a porta.

-Mas...

-Adeus Weasley!- ele disse e empurrou-a suavemente para fora do escritório e fechou a porta. Ginny ficou olhando para a porta sem saber o que fazer. Não era aquela conversa que ela imaginara. Ela não queria casar com ele, ela só queria uma vida estável para o seu filho. No entando ela sabia que contradizer as palavras de Draco não ia dar em nada. Ele já tinha acordado em casar com ela e não ia voltar a atrás, mesmo que a tivesse que arrastar até á igreja. Ginny respirou fundo e foi para casa.