Não vais olhar para mim

Estás evitando o meu olhar

E parece que mudaste

Em muitas maneiras

Mariah Carey – If it's over (Tradução)


Capítulo Sete


Ginny estava sentada fora do escritório de Draco. Faltavam dez minutos para a hora que combinaram mas ela preferia chegar mais cedo. Passara o dia e a noite pensando na sua conversa com Draco. Chegára á conclusão que ele exagerara. Ele conseguia perfeitamente sustentar o filho deles sem casar com ela. Então porquê aquele acordo? Ela tinha a certeza que se casasse com ele, iriam ter uma vida dificil, principalmente ela. Conviver com a frieza dele ia magoá-la mais que a distância. Ela teria que aguentar o desprezo e as amantes, teria que aguentar a próximidade do corpo dele e a distância do coração. Ela não ia aguentar. Mal o encontrasse diria a ele que não casaria com ele. Que seria melhor para os dois. Mas e se ele não quisesse? E se ele dissesse que ou ela casava com ele ou ele não a ajudaria com o filho? Mas porque havia ele de fazer isso? Era melhor para os dois e para o filho deles. Só que Draco era teimoso e depois de tomar uma decisão ele não voltava atrás. Que ia ela fazer?

-Ginevra Weasley? O Sr. Malfoy disse para entrar.- a secretária de Draco. O coração de Ginny disparou. Era o momento. Ginny nunca estivera tão nervosa.

Draco estava de pé, junto á porta.

-Vamos?- ele perguntou, fechando a porta e agarrando na varinha.

-Agora?

-Não posso perder tempo com isto Weasley!

-Para de me chamar Weasley!

-Tudo bem Ginevra!- ele disse, dando-lhe um sorriso insensível.- Mas anda, vamos pela Floo!

Ginny nem se lembra bem de como apareceu no consultório médico de Blaise Zabini, mas a verdade é que estava lá. Os velhos amigos cumprimentaram-se formalmente, nem parecia que tinham andado seis anos na mesma casa de Hogwarts. Tratavam-se de maneira tão diferente dos Gryffindors, falavam de uma maneira tão impessoal, eram tão distantes e...frios.

Draco explicou a Zabini a situação. Este olhou para Ginny como se ela fosse uma mosca a perturbá-lo. Certamente o homem julgava que ela estava tentando tirar dinheiro a Draco. Surpreendeu-se pela sua resposta. Devia ser esse o pensamento de Draco sobre ela.

-Venha, Menina Weasley!- Zabini disse dando enfâse ao seu último nome.

Ginny levantou-se e seguiu o homem de pele escura. Ele disse-lhe que ela se deitasse e realizou uns testes. Demorou algumas horas. A cada minuto que passava, Ginny sentia-se mais tensa e o médico notava. Mas ela não estava tensa por causa do resultado do exame mas sim com o que iria se passar depois.

Após uns longos e torturantes minutos, Ginny voltou para a sala onde Draco estava. Ele parecia impaciente, mas ela não tinha a certeza, Draco não era fácil de analisar.

Zabini olhou para os dois e depois fixou o olhar em Draco. Ficaram assim durante alguns minutos.

-Obrigado Zabini!- Draco disse, apertando a mão do médico e saindo. Ginny demorou a perceber que ele já ia a sair pela porta. Ela levantou-se e seguiu-o sem se despedir do médico, mas não é que ela ou Zabini se importassem.

-Não queres saber o resultado?

-Já sei Ginevra. Não estavas mentindo!

-Mas... tu és um Ligillimens?

-Não tens nada com isso. Bem, parece que temos um casamento para planear.

-Acerca disso, eu queria...

-Não vale a pena Weasley. Se queres que eu te ajude com esse filho vais ter que casar comigo. Não quero um bastardo, os Malfoys nunca tiveram bastardos, eu não vou ser o primeiro!

-Mas e Pansy Parkinson? Algum dia ás de querer formar família com ela...

Draco riu ironicamente.

-Não sejas ingénua. Achas que uma mulher como Pansy quer mesmo ter filhos? Ela morreria antes de sequer pensar nisso. Ser mãe não é para mulheres como ela.

-E que tipo de mulher é ela?- Ginny perguntou mesmo sem saber se queria ouvir a resposta.

-É do tipo de mulher que qualquer homem quer na cama de um motel mas não na cama da sua casa. É do tipo de mulher que quer beleza, sexo e dinheiro.

-E que tipo de mulher achas que deve ser mãe?

-As mulheres tipo tu.- ele disse sinceramente. Ele tinha a certeza que Ginny seria uma óptima mãe.

-E que tipo de mulher sou eu?

-Uma Griffyndor!- ele disse simplesmente.

-Isso quer dizer o quê?

-Que te preocupas mais com os outros do que contigo! Isso para mim chega para saber que o meu filho estará seguro.

-Nosso filho!- ela corrigiu. Não sabia se deveria tomar o que ele dissera como um elogio ou como uma ofensa.

-Como queiras!

-E se eu um dia quiser...se um dia eu me apaixonar?

-Que isso não aconteça, porque serei obrigado a te tirar o meu filho!

-Nosso filho!- ela corrigiu. Ela não imaginava se apaixonar mais nenhuma vez na vida. A dor que ela sentia agora seria suficiente para impedi-la de voltar a confiar em mais alguém. Além disso, não lhe parecia provável que ela conseguisse esquecer aquele homem que caminhava com ela ao longo dos corredores vazios da clinica.

-Podes começar a escolher o vestido de casamento e avisar a tua família. Casamos daqui a duas semanas.

-O quê?

-É o que ouviste. Casamos dentro de duas semanas, preocupa-te com os teus convidados e com o teu vestido. O resto trato eu.- ele disse e olhou para ela. Conseguia ver uma questão nos olhos dela.- E não te preocupes com o Copo de Água, eu arranjo alguém para tratar disso!- ele respondeu á pergunta silênciosa.

Ginny ficou um pouco mais feliz mas a felicidade desvaneceu-se. Ele iria pedir a Pansy para organizar a festa. Ou talvez não. Como reagiria Parkinson a tudo o que se passava. Será que Draco já lhe tinha contado?

-Já avisaste a tua noiva que vais te casar comigo?

-Ela não precisa saber. A vida é minha e ela não é minha noiva, é apenas uma mulher com quem eu tenho sexo!- ele disse num tom de voz calmo e frio, como sempre.

E as duas semanas passaram sem que ela se apercebesse. A sua familia não reagira da melhor maneira, mas pelo menos ela teria um marido para a apoiar. Estavam todos conformados, excepto Hermione e Harry. Eles eram os apoios de Ginny e nas duas semanas que se passaram, ela passára mais tempo com eles do que era costume. Tinha os escolhido para padrinhos do casamento mas Draco dissera que não, os padrinhos seriam dois amigos dele que Ginny nem conhecia.

E assim foi, em menos tempo do que imaginára, as duas semanas haviam acabado e era véspera do seu casamento. Nessa noite Ginny não dormiu. O dia que deveria ser o mais feliz da sua vida, iria ser o ínicio de um pesadelo sem fim.


N/A: E este capítulo não é o meu preferido, mas a partir daqui já vos poderei dar mais a perspectiva de Draco Malfoy.