Eu dei, eu dei sem receber nada

E ainda sou conduzida por algo que não sei explicar

Não é um caminho, é uma escolha

Não consigo deixar de ouvir a voz dele

Só gostava de a ouvir e não me sentir envergonhada

Amanda MarshallLet It Rain (tradução)


Capítulo Oito

Faltavam cinco minutos para o casamento. Ginny estava sentada na cama de um dos quartos da Mansão Malfoy. Olhou para o jardim. Draco tinha conseguido transformá-lo maravilhosamente, estava perfeito, na verdade estava quase tudo perfeito, excepto eles. A única coisa que faltava era o essencial, o amor entre eles. Ginny engoliu em seco enquanto via os ponteiros dos segundos correrem depressa demais. Os convidados estavam todos lá em baixo, o juiz também. Faltava muito pouco. Ela também conseguia ver Draco lá em baixo, já á espera dela. Na verdade ela já devia estar a descer mas não queria quebrar a tradição das noivas chegarem atrasadas.

-Precisas te acalmar Ginny!- ela ouviu Hrmione dizer.

-Eu sei mas... sinto-me como se fosse para a forca e não para o meu casamento. Isto é muito mais do que imaginei e no entanto muito menos do que queria. Sempre sonhei com um casamento grandioso, e ele conseguiu mais que isso. Mas também sempre imaginei que eu fosse casar com o homem que amava... e até estou casando com o homem que amo mas... era suposto ele me amar também...- Ginny sentiu os seus olhos humedecerem.

-Vá lá Ginny, eu sei que tu mereces muito mais que isto e tu mereces alguém que te ame. Por isso queres mesmo sweguir em frente com isto?

-A minha resposta não mudou desde ontem. Eu vou casar com ele mesmo que ele não goste de mim. Eu não posso pensar em mim. Há uma criança dentro de mim e eu não lhe conseguiria dar o que ela precisa.

-Ela precisa de carinho, achas que ele lhe vai dar isso? Achas que Draco Malfoy é capaz de acarinhar alguém, de demonstrar algum sentimento?-Hermione perguntou.

As memórias de Ginny levaram-na para alguns meses atrás, quando ela acreditou que Draco realmente a amava e as lágrimas que ameaçavam cair cairam mesmo. Ginny sentiu os braços de Hermione em volta dela.

-Vá lá Gin, não chores, desculpa ser tão bruta, mas eu só uero que sejas feliz e sei que aquele miserável vai fazer a tua vida num inferno.

-Eu não me importo Mione, desde que esteja com o meu filho e que ele esteja seguro e bem.

Hermione sorriu.

-Já sabes que podes contar comigo para qualquer coisa, com o Harry também e até mesmo com o parvo do teu irmão que eu tanto adoro.

-Estão prontas?- Harry perguntou do lado de fora do quarto.

-Já vamos!- Hermione respondeu. Ajudou Ginny a corrigir a maquilagem que havia borrado com as lágrimas e desceram. Artur Weasley aceitara em acompanhar Ginny até ao altar e esperava no Hall de entrada da Mansão. Ele ainda não acrditava que a sua menina ia casar com aquele verme mas infelizmente os acontecimentos tinham saido do controlo de Artur e agora ele só podia rezar para que a sua filha não saisse magoada daquela história toda. Ele tinha falado com Ginny quando ela foi anunciar o casamento. Pediu-lhe desculpa, ele sabia que tinha reagido muito mal á gravidez da sua filha, mas a ideia de saber que o seu neto teria sangue de um Malfoy tinha-lhe feito perder a razão toda. Logo depois tinha se arrependido mas o orgulho fora mais forte. No entanto, quando Ginny aparecera lá em casa ele engoliu o orgulho e fez as pazes com a filha.

E lá estava ela, a sua pequenina Ginny usando um longo vestido creme, digno da princesa que ela era, usava os cabelo preso, com apenas alguns caracois ruivos soltos, ela trazia um sorriso na face mas qualquer coisa nele parecia triste.

Quando ela chegou ao pé dele, Artur colocoou o braço dela em torno do seu e caminharam para o exterior.

Ginny sentia-se pior do que nunca. O seu coração parecia saltar pelo seu peito, estava suando apesar de estarem em pleno Inverno, tinha a sensação que ia desmaiar a qualquer minuto. Quando chegaram ao jardim, a música do piano rodeou-os mas Ginny nem reparou. Ela sentia a sua cabeça andar á roda. Fixou a cara do seu futuro marido, tentando não cair ao chão. Draco usava um smoking preto com uma gravata verde escura e um sorriso falso nos lábios. Ele também tinha os olhos fixos nela. Ginny adoraria saber o que ele pensava naquele minuto. O persurso até ao pequeno altar montado no jardim foi demasiado longo. Quando finalmente chegou ao pé de Draco ela tinha a certeza que mais um passo e ela teria fugido dali para fora. A cerimónia pelo contrário correu e antes de Ginny ter se apercebido, estava presa ao homem que lhe segurava a mão.

-Declaro-vos marido e mulher!- o juiz disse- Pode beijar a noiva!

Ginny ptrificou. Iria Draco beijá-la? Iria ele se sujeitar a beijá-la para manter a mentira ou iria afastá-la e mostrar de uma vez por todas a todos aqueles que julgavam que aquele casamernto era verdadeiro a cruel realidade? Iria ele estragar a fantasia daquele dia? Iria ele...? Mas antes que o cérebro dela encontrasse respostas para aquelas perguntas, já os lábios de Draco estavam sobre os dela, num beijo suave e carinhoso. Durante aqueles doce segundos, todas as dúvidas desapareceram, todo o passado, todos os medos e a fantasia estava completa. Naqueles longos segundos, Ginny acreditou que ele a amava, que estariam juntos e felizes para sempre e que ela era a Cinderela. Mas quando os lábios dele afastaram-se e o frio da tarde de Janeiro embatendo nos seus lábios despertaram-na para a realidade, a fria e cruel verdade, onde ela acabara de casar com alguém que nem a queria ver.

O resto da noite passou de uma maneira que Ginny não previra. Draco não saia do seu lado, estava sempre sorrindo e sempre que ela sentia vontade de fugir, ele parecia conseguir ler os seus pensamentos e ela sentia a mão dele apertar a dela, dando-lhe protecção. Mas a dor de saber que era apenas parte da mentira fazia-a querer fugir ainda mais.

Depois dançaram a valsa juntos. Foi a pior parte, ter que senti-lo tão perto, sentir a respiração dele na sua pele, sentir o calor do corpo dele no dela, as mãos dele na sua pele, Ginny teve que fazer um esforço sobre-humano para não chorar. Várias vezes teve vontade de se deixar levar pelas mil sensações que despertava no seu corpo mas depois a sua razão chamava-a á realidade e mais uma vez ela sentia vontade de escapar daquela prisão de ouro em que acbára de se fechar. E dançaram outras quantas valsas juntos, trabalhando para que as pessoas acreditassem que eles se amavam profundamente.

Só quando ela precisou de ir á casa de banho é que ele a deixou. E foi aí que ela deixou de o ver. Não havia sinal dele quando ela saiu da casa de banho. Procurou-o por mais de meia hora. Quando os fotografos começaram a pedir para tirar as últimas fotos com os convidados Ginny já estava desesperada. Mas onde podia ele se ter metido. Ela decidiu entrar na Mansão e procurar por ele.

Não precisou procurar muito. Ouviu a voz dele na biblioteca, que ficava mesmo ao lado direito do Hall de Entrada.

-Não! Eu tenho que voltar para fora!

-Vá lá Draco! Queres mesmo voltar para lá e ter que passar o resto da noite agarrado áquela pobretona ridicula que parece que entrou num conto de fadas? Fica comigo, vem divertir-te!- a voz de Pansy veio de trás da porta. Ginny sentiu um nó na garganta e um murro no estômago. As lágrimas encheram-lhe os olhos cor de avelã e ela agarrou na maçaneta da porta com força. Até no dia do casamento deles ele não era capaz de não a enganar. Aquele casamento podia ser uma mentira, ele podia não a amar, mas ele não a ia fazer chorar, não naquela noite. Ela encheu-se de coragem, enxugou os olhos e abriu a porta, colocando a expressão mais fria que conseguia.

-Desculpem interromper, mas os fotografos esperam-te Malfoy. E se realmente queres manter esta farsa, acho melhor largares a tua amante e vires tirar as fotos.- ela disse numa voz que nem ela reconheceu. Pansy estava estupfacta e um pouco embaraçada. Draco mantinha-se calmo. Largou os punhos de Pansy depois de os afastar do peito dele e dirigiu-se para a porta. Quando passou pela sua recente mulher disse:

-Não era suposto veres isto!

-Mas vi. Não te preocupes, nunca acreditei que houvesse alguma coisa verdadeira neste casamento por isso não mataste nenhuma esperança. Podes ficar de consciencia tranquila, se é que a tens.- ela disse na mesma voz de antes. Não sabia de onde vinha aquela frieza toda. Mas ao ver Pansy sorrir para ela com desdém, Ginny concluiu que a voz provinha do seu coração magoado e do seu orgulho ferido. Pansy conseguiria sempre magoá-la porque, infelizmente, Ginny ainda amava o homem que caminhava á sua frente, em direcção ao jardim.

Após todas as fotos tiradas, todas as mentiras ditas e toda a encenação acabada. Ginny entrou no Hall de entrada seguida de Draco.

-Qual o meu quarto?- ela perguntou.

-Antes disso, temos que esclarecer algumas coisas! Isto é um casamento de conveniência, tu não me mandas, não me controlas, eu tenho as mulheres que quero, quando quero e não te devo explicações. Mas tu, apesar de ser só no papel, és minha mulher, deves-me respeito e eu não quero meu nome manchado. Com isto quero dizer que não quero que me traias ou teremos problemas...ah e o Potter está proibido de entrar nesta casa quando eu não cá estiver. Agora, dormiremos na mesma cama, não quero os empregados comentando isso.

Ginny continuou calada. Estava demasiado cansada para discutir. Mas a verdade era que tudo aquilo a magoava. Como podia alguém ser tão canalha?

-Com tanta frieza, não te admires se eu procurar algum calor humano noutra cama!- ela disse não se controlando. Ela também sabia jogar aquele jogo.

-Se precisares de calor eu posso te dar mas se fores procurá-lo noutro lado, essa criança que tens aí não te vai ter como mãe.- ele disse com um olhar capaz de gelar o inferno.

-Onde é o quarto?- ela perguntou. Sabia que não valia a pena discutir, ele ganharia e ela só estaria se massacrando mais.

-Primeiro andar, segunda porta á esquerda.- ele disse. Ela dirigiu-se par as escadas.- Não vais te deitar?

-Não, ainda vou sair!- ele disse vendo-a subir as escadas.

"Vai ter a noite de núpcias dele com a amante!" Ginny pensou amargamente.

Essa noite ela não dormiu. E essa noite ele não a passou em casa. Só chegou na manhã seguinte, trocou de roupa sem sequer lhe dirigir a palavra e saiu novamente.

E foi o incio de uma vida vazia e dolorosa. Durante nove meses foi assim que ela viveu, apenas saindo de casa para visitar Hermione no consultório para saber como estava a razão pela qual se sujeitava a ser tratada abaixo de zero.


N/A: Eu sei que disse que iria dar uma perspectiva de Draco mas achei melhor acabar de contar como tinha sido o passado deles para poder fazer o que prometi. E desculpem demorar a escrever este capítulo, vou tentar escrever o próximo mais rápido.