Could you cry a little
Você poderia chorar um pouco
Lie just a little
Minta apenas um pouco
Pretend that you're feeling a little more pain
Finja que você está sentindo um pouco mais de dor
I gave now I'm wanting
Eu dei agora eu estou querendo
Something in return
Algo em retorno
So cry just a little for me
Então chore um pouco por mim
Faith Hill – Cry
Capítulo Dez
Ginny acordou cansada, com a cabeça doendo e sentindo que um gigante tinha passado por cima dela. Ela levantou-se lentamente e tomou um duche. Draco não dormira em casa, provavelmente tinha feito o que ela dissera, tinha ido procurar o que queria no corpo de outras mulheres. Julgou que constatar isso a magoasse mas surpreendeu-se pela dor não ser tão grande. Se calhar já estava habiatuada ou talvez as lágrimas da noite passada tivessem lavado algumas feridas. A verdade é que hoje sentia-se mais forte, era como se as mesmas lágrimas que lavaram, tivessem gelado em torno do coração dela. Ela vestiu-se e desceu para tomar o pequeno almoço. Draco não tomou o pequeno almoço em casa. Ela depois subiu e passou maior parte da manhã com Fabián. Era quase hora de almoço quando ouviu a campainha tocar. Estava já descendo as escadas para a entrada quando Nukky, o elfo doméstico abriu a porta.
-Onde está o teu Mestre?- ela ouviu uma voz feminina dizer arrogantemente.
-O Senhor Malfoy não está!- Ginny respondeu pelo elfo.
-Eu não te perguntei nada Weasley!- Pansy respondeu.- Diz-me sua criatura miserável.- Pansy dirigiu-se para o elfo que parecia muito assustado.
-Menina Parkinson agradecia que não tratasse o MEU elfo doméstico dessa maneira. Está dentro da minha casa logo agradecia que me respeitasse.- Ginny disse demasiado calma para o seu usual humor.
-Esta casa é do Draco não tua e eu exijo falar com ele!
-Caso te tenhas esquecido Parkinson eu sou uma Malfoy, logo esta casa também é minha e a não ser que queiras que eu te expulse com um Bat-Bogey, vais baixar essa arrogância.
-Como queiras!- Pansy disse.- Onde está ele?
-Diz-me tu, ele passou a noite fora de casa, como sempre!
-Não mintas Wealsey...
-Senhora Malfoy!- Ginny corrigiu, sorrindo maliciosamente ao notar a maneira como Pansy respirava fundo de irritação com o facto de Ginny estar casada com o seu amante. De uma maneira estranha, estava se divertindo com aquela conversa, Pansy estava fora do seu habitual estado de Slytherin e Ginny pelo contrário parecia ter sido possuida pelo Barão Sangrento de tão Slytherin que se estava sentindo.
-Não sei o que lhe fizeste, se lhe lançaste uma Imperius, se tomaste alguma poção de sedução, não sei, mas vou descobrir e o teu planozinho vai ir por agua abaixo. Tiveste que lhe implorar para casares com ele, tiveste que usar a gravidez para fazê-lo voltar para ti e mesmo assim ele continua fugindo para os meus braços. És patética.
-Pelos vistos ele não foge sempre para os teus braços, caso contrário não estavas cá á procura dele!- a ideia de que Draco tinha outra amante além de Pansy deveria magoá-la mas não o fez. Ela já sabia que ele não a amava e que ela não era nada para ele. Saber que afinal Pansy também não significava muito para ele dava-lhe uam sensação estranha de satisfação.
Pansy correu pelas escadas acima e Ginny seguiu-a calmamente.
-Aparece Draco! Eu sei que estás aqui!- ela disse no corredor. Entrou pelo quarto de Ginny e encontrou-o vazio, foi até a casa de banho igualmente abandonada. Ginny observava a mulher calmamente com um sorriso digno de Draco Malfoy nos lábios. Não sabia o que se passava consigo hoje. Talvez tivesse sido necessário Draco quebrar as suas defesas para ela conseguir erguer umas novas e muito mais fortes.
-Onde está ele Weasley? DIZ-ME!
-Já te disse que não sei! Ele não dormiu em casa, ele nunca dorme em casa!- Ginny disse fingindo inocência. Pansy pareceu ainda mais irritada e desesperada. Saiu do quarto e foi até á biblioteca.
Ginny seguiu-a mas parou antes de entrar. Não se tinha recordado ao certo na noite passada até chegar ali. Por momentos esqueceu Pansy e duvidou das novas barreiras que havia erguido. Seriam suficientemente fortes para suportar as memórias completas da noite passada. Só havia uma maneira de saber.
Ela entrou na biblioteca e por vagos segundos sentiu um aperto no coração mas foi rapidamente substituido pelo divertimento que dava ver Pansy Parkinson num estado lastimável.
-Onde o escondeste?
-Queres que veja no bolso das minhas calças?-Ginny disse sorrindo.
-Eu sei que ele está aqui, não pode estar noutro lugar! Ele não estava no escritório nem na minha casa, ele só pode estar aqui!
-Será que ele está com a outra?
-Não há outra!- Pansy disse tentando dizê-lo com convicção mas sem resultado.
-Não pareces acreditar nisso! Afinal quem tem uma amante pode perfeitamente ter duas ou três...
-Cala-te sua miserável!- Pansy disse.
-É horrivel ser-se trocada não é?
-Ele não me trocou! Eu não sou como tu, ele ama-me!
-E julgava eu que tu não eras ingénua!- o olhar de Pansy tornou-se capaz de gelar um deserto. Foi como se a velha Pansy tivesse ganho forças e se erguido novamente.
-Eu não sou como tu Weasley! Ele vai voltar para mim, ele acaba voltando sempre para mim, já em Hogwarts, ele tinha as suas aventuras mas acava voltando para mim! E eu não tenho que implorar nada, não tenho que engravidar, ele volta por livre vontade!- ela disse numa voz calma.
-Então porque estás aqui?- Ginny disse, também ela muito séria. O clima naquela sala tinha gelado. Os olhares das duas mulheres era mortífero. O ódio não pdia ser mais evidente, mas, no entanto, ao contrário das outras vezes, Ginny sabia que seria ela a sair triunfante.
-Porque sei que tu lhe fizeste alguma coisa. Utilizar a magia é truque baixo Weasley, devo admitir que nunca tinha pensando que fosses capaz de tamanha baixaria, geralmente são os Slytherins a usar esse tipo de jogadas!
-Então sabes perfeitamente que eu não usei magia. Sou uma Gryffindor! Eu quando perco alguma coisa, admito e sigo em frente. Não vou rastejar por ninguém!- ela disse mas as memórias dos últimos meses invadiram-na. Ela não tinha rastejado mas tinha sido tão estúpida. Mas depois uma face angelical apareceu-lhe no pensamento. Ela não tinha sido estúpida. Ela tinha o feito pelo bem do filho e assim, sem mais nada, as barreiras cairam-lhe. Ela não podia pensar nela, ela tinha Fabián, tinha se esquecido dele, tinham feito barulho, ele deveria ter acordado e ela ali preocupada em ofender uma mulher que não merecia a sua atenção.
-Não! Tu engravidas e usas o bebé como desculpa!
-Não o usei como desculpa! Quem me obrigou a casar foi Draco e tu sabes! Agora sai porque o meu filho está dormindo e tu estás fazendo demasiado barulho!
-Eu não saiu daqui enquanto não falar com Draco!
-Então fala!- uma voz masculina veio da porta. Ambas as mulheres olharam para o homem louro de olhos cinzentos e gelados que estava encostado á porta. Estava de braços cruzados, como se estivesse ali há já algum tempo, apenas esperando a sua deixa.
-Draco!- Pansy disse caminhando até ao pé dele.- Finalmente te encontro.
Ginny revirou os olhos e saiu sem dizer nada. Mas não deixou de reparar nele. Ele estava pálido, não tanto quanto ela, mas estava mais pálido que o habitual. Na sua cara notavasse cansaço, embora fosse quase imperceptivel. Provavelmente não tinha dormido nada durante a noite, mas ela tinha certeza que não tinham nada a ver com as razões que também a deixaram acordada.
Ela desceu até á cozinha, depois de verificar Fabián. Gostaria de ser uma mosca para saber o que conversavam mas sabia que não devia se martirizar por aquilo. Ainda ha poucos momentos estava tão forte e agora sentia-se fracassar. Era por Fabián, ela não ia se transformar em gelo, ela não ia dar ao filho uma mãe cruel, sem calor humano, ela não ia se transformar num Draco Malfoy em versão feminina. Ela preferia sofrer, preferia se humilhar a deixar que o filho tivesse uma mãe fria.
Ela estava acabando de tomar o pequeno almoço quando Nukky a avisou que tinha uma visita. Ela não estava á espera de ninguém e aquele não era o melhor momento para visitas. Pansy ainda estava falando ou fazendo sabe-se lá o quê com Draco na biblioteca.
Quando viu Hermione entrar ficou mais tranquila.
-Olá Ginny! Espero não vir em má altura.- Hermione disse sentindo que Ginny estava inquieta.
-Oh não! Só não esprava que fosses tu, Pansy está lá em cima e...
-Eu não sei como continuas aguentando isto! Sinceramente Ginny- Hermione disse sentando-se á mesa com ela- isto não é para ti. Já te olhaste ao espelho? Estás miserável, aquele canalha está te matando e tu não fazes nada!
-Mas...
-Nem mas nem meio mas. Ginny tu deixas o teu marido estar na vossa casa com a amante e não digas que não te perturba que eu sei que te sentes o pior dos seres. Ginny, vê no que te estás transformando. A Ginny que eu conheço não ia se sujeitar a isto, a Ginny que eu conheço já tinha agarrado no Fabián e saido daqui.
-Mas se eu sair, que vida vou dar a ele, eu não tenho nada!
-Diz-me Ginny! Alguma vez foste infeliz só porque eras pobre? Alguma vez te faltou carinho, conforto, amor, divertimento em casa dos teus pais?
-Não...
-Então não digas que não sabes que vida lhe podes dar!
-Mas Draco disse que o tirava de mim...
-Ele não tem esse direito!
-Olha á tua volta, achas mesmo que neste mundo os direitos valem muito? Ele comprará esse direito, ele é o filho de Lucius Malfoy, acredito que ele é capaz de tudo.
Hermione apertou os lábios. Caracteristica única de Hermione quando ela queria dizer algo mas não o fazia para não magoar ninguém. Ginny sabia o que ela queria dizer.
-Podes dizer eu bem te avisei! Eu ainda me lembro daquela noite, daquela festa, das tuasd palavras, da minha estupidez. Dá-me raiva Hermione, como consegui ser tão ingenua?
-Eu tentei Gin, mas admito que cheguei a acreditar que ele tivesse mudado! O teu irmão anda desconfiado de qualquer coisa, ele acha que estás infeliz. Ainda a semana passada meteu na cabeça que tinha que ter uma conversa com o Malfoy, foi quase impossível demove-lo mas consegui. Ele pode ser um pouco distraido mas ele sabe que não estás bem e realmebnte, olha para ti. Este casamento está te matando, por dentro e por fora. Estou preocupada contigo, com a tua saúde, por isso vim cá. Quero que passes um dia destes no consultório, tu e o Fabián. Ele é uma consulta normal, mas tu, estou muito preocupada...
-Isto é so cansaço, Herms, a sério!
Hermione respirou fundo. Ginny era teimosa e não ia deixar Hermione convênce-la nque precisava de ajuda.
-Como queiras, mas passa por la na mesma para ver o Fabián...- Hermione calou-se ao ouvir pessoas descendo as escadas atrás de si. Viu Ginny olhar por cima do seu ombro.
Pansy saiu da Mansão sem sequer olhar para mais nada. Ginny não conseguiu interpretá-la, saber o que tinha acontecido na biblioteca. Pouco depois, Draco apareceu, descendo as escadas.
-Acho que está na hora de me ir embora!- Hermione disse levantando-se- Não te esqueças do que te disse!
-Claro!
-Estou falando a serio, se não lá fores venho eu aqui! A mulher de cabelos castanhos disse apontando o dedo a Ginny como Molly fazia muitas vezes.
-Sim Mãe! Tens que passar menos tempo com a Senhora Molly Weasley! Obrigado Hermione!
-Não tens que agradecer querida!
Hermione abraçou Ginny e dirigiu-se á saida, sem sequer desviar os olhos da porta enquanto Draco passava por ela. Passou arrogantemente pelo antigo Slytherin. Draco fez o mesmo, passou por ela como quem passava por um objecto. Sentou-se á mesa e pediu aos elfos que o servissem. Pelos vistos também estava disposto a ignorá-la. Ginny tinha esperanças que a sua renuncia o tivesse magoado de alguma forma, nem que fosse no orgulho, que ele ficasse chateado com ela, que a ofendesse, ela não se importava, mostraria que ele tinha sido afectado, mas pelos vistos não o afectara. Draco estava igual aos outros dias e ela, só mais uma ferida que quase a transformára igual a ele.
N/A: Digo sinceramente, não é o meu capítulo preferido mas tem de ser. Espero que gostem mais do que eu e já estou trabalhando no próximo e estou adorando. Beijos e obrigado pelas reviews.
