You don't know

Tu não sabes

Somebody's aching

que alguém está sofrendo

Keeping it all in

guardando tudo dentro de si

Somebody won't let go

Alguém não vai libertar

Of his heart but the truth is

o seu coração mas a verdade é que

It's painless

é indolor

Letting your love show

revelar o seu amor

SkyeLove Show


Capítulo Onze


Ginny voltou para o quarto de Fabián depois do almoço. Mas conseguia ouvir os passos de Draco na biblioteca. Ela daria tudo para saber o que ele e Pansy tinham conversado. Aquela conversa tinha mudado alguma coisa. Draco não costumava passar as tardes em casa, muito menos num dia de trabalho. E quando desceu ficou ainda mais estupfacta por o encontrar sentado á mesa esperando que ela chegasse para jantarem.

Ginny sentou-se silenciosamente. E foi servida pelos elfos. Comeram em silêncio, mas ela conseguia sentir o olhar dele nela. Sentia um estranho arrepio descer pelo seu corpo. Era como ser observada por um tigre, imponente e perigoso. Ela sentiasse uma presa, prestes a ser atacada. Mas sabia que não passava da sua imaginação. Ele não a iria atacar, nem sequer se daria á massada de falar com ela. Então porque não tirava os olhos dela?

Ela finalmente decidiu olhar para ele. Reparou que ele não tocára na comida.

-Passa-se alguma coisa?- ela perguntou num tom de voz vazio de sentimento algum.

-Não!- ele respondeu no mesmo tom mas continuou olhando para ela. Não havia qualquer calor nos olhos dele, nenhum sinal de carinho ou sequer de repulsa. Olhava-a como quem olha para as pessoas que vão no mesmo comboio que nós todos os dias, como quem olha para o cão que vagueia pelas ruas da cidade, como quem olha para o empregado da loja onde compramos o diário, como se ela não fosse ninguém especial na vida dele.

-Então podes parar de olhar para mim?

-Incomoda-te?

-Talvez!

-Porquê?

-Se queres olhar, olha!- ela disse quando viu que não sabia lhe explicar porque a incomodava.

-Amanhã temos uma festa!- ele dissa após uns minutos de silêncio.

-Temos?

-É a festa de aniversário de Millicent Bulstrode, é uma festa patética de uma mulher que ainda está encerrada nos seus oito anos de idade. De qualquer maneira, todos os Slytherins vão, não vejo porque não ir.

-E porque não vais com Pansy Parkinson? Eu não serei a convidada mais bem recebida da festa de certeza.

-Serás recebida como minha mulher, respeitar-te-ão o suficiente. Não te preocupes que o nome Malfoy consegue mudar muita coisa na tua vida.- "só se for para pior!" ela pensou quando ele fez uma pequena pausa.- e não vou com Pansy porque vamos aparecer em público e para todos os efeitos és minha mulher.

Ginny deu uma gargalhada muito incaracteristica dela.

-Nunca foi problema vosso aparecerem em público juntos. Nunca tiveram qualquer problema em mostrar a todos que eu era a mulher traida, a mulher que ficava em casa cuidando do bebé enquanto tu te divertias com ela. Então porquê agora? Ainda por cima os vossos amigos ficariam radiantes por não me ver contigo. Poderiam passar a noite falando mal de mim e rindo da minha cara. Tenho a certeza que qualquer pessoa naquela festa prefere que vás com Pansy do que comigo.

-Provavelmente mas eu nunca fiz nada só porque agradaria aos outros!

-Fazes para te agradar! Dá na mesma, tu preferias ir com ela do que comigo. Preferias ir com outra qualquer do que comigo. Explica-me porquê eu!- ela teimou. Na verdade preferia mesmo que ele fosse com uma das amantes. Se fosse ia se sentir um ratinho rodeado de gatos esfomeados. Um Gryffindor no meio de tantos Slytherins não era uma visão agradável. Além disso tinha a certeza que não poderia levar Fabián e nunca o tinha deixado sozinho.

-Porque eu digo quie vais comigo e ponto final! És minha mulher, fazes o que eu te mando!- ele disse, mantendo a mesma voz vazia.

-Agora lembras-te que sou tua mulher? Ainda há poucas horas fingias que nem existia. O que se passa? Estás carente? Pansy deu-te com os pés?- Ginny disse. Cada vez tinha mais a certeza que algo se passára naquela biblioteca.

-Não, nada disso e não te devo explicações. Já te disse o que tinha a dizer, se precisares ir ás compras vais, deixas na minha conta. Boa noite!- ele disse e levantou-se.

A curiosidade dela estava no auge. Que se passava com ele? Ginny não percebia nada, alguma coisa tinha mudado, ela só não sabia o quê. E nem sabia se importava. Algo na vida dele podia ter mudado, mas na dela continuava o mesmo, ela era a mulher ignorada e ele continuava não a querendo.

E no dia seguinte Ginny estava pronta para se meter na toca do lobo. Quando entrou, juntamente com Draco, sentiu os olhares dirigirem-se todos para ela e o burburinho começar. Sentia vontade de fugir dali. Correr para casa, para o quarto de Fabián e agarrar-se á unica coisa que a mantinha sã: o seu filho. E pensando nele, ela interrogou-se se ele estaria bem. Tinha o deixado com o elfo doméstico que sempre a ajudava com ele mas mesmo assim tinha receio. Talvez tivesse sendo estúpida mas nunca tinha estado longe dele.

Draco conduziu-a até a uma mesa, onde Millicent indicara. Ginny sentou-se e quando olhou para o lado, já Draco estava do outro lado da sala conversando com um grupo de Slytherins que Ginny reconheceu como a antiga equipa de Quidditch. Ginny viu-se completamente só. E a pior solidão é estar-se rodeada de pessoas e ainda assim sentir-se sozinha. Ela sentia-se uma peça deslocada daquele sitio. Conhecia todos, todos os que ali estavam tinham sido colegas dela em Hogwarts, mas as únicas palavras que haviam trocado eram ofensas entre duas casas rivais. Naquekle momento ela gostaria de ser uma Animagus, transformar-se numa borboleta e fugir dali para fora sem que ninguém reparasse.

Draco conversava com os seus antigos colegas de equipa mas não tirava os olhos da ruiva que estava sentada na mesa do outro lado do salão. Tinha que se afastar dela mas não conseguia deixar de pensar nela. Achava que iria dar em doido. Por mais que se afastasse, por mais que tentasse esquecer, não havia maneira de se distanciar dela nem de esquecer fosse o que fosse. Ela parecia ter-se cravado no seu coração, ter-se colado a ele para não largar mais. Ele tinha quer viver com a culpa todos os dias, com a imagem dela, numa noite de chuva, rasgada, fugindo dele, da monstruozidade que ele lhe tinha feito por uns estúpidos ciúmes do Potter e uns copos a mais. Ainda por cima tinha que viver com a presença do fruto daquela noite e isso magoava-o mais. Fabián fazia-o lembra-se do que ele tinha feito. Era por isso que ele queria distância. Distância dela, do bebé, do passado. E depois ela tinha-o mandado embora, não o tinha ouvido, nem lhe dado oportunidade e ele ficára pior do que alguma vez estivera. Nem ter o peito aberto pelo Potter quando era um adolescente arrogante e mesquinho o magoára tanto. E ele congelára, transformara-se num cubo de gelo. Era a maneira que ele tinha para lidar com a dor, ficar tão frio até que quase se sentia dormente e quase não a sentia, mas ela estava lá dentro dissecando o seu coração.

E quando, ela o tinha rejeitado, tinha o ferido mais que tudo, ele sabia que ela o devia odiar, que queria distância dele, mas a constatação era horrível. Nessa noite fugiu, fugiu dela, da dor, fugiu dele próprio, das suas convicções, dos seus ódios e encontrou quem não esperava. No dia seguinte, voltára a congelar, era a sua armadura e a maneira que ele tinha de não sofrer tanto.

Tentou se concentrar na conversa que estavam tendo e se abstrair de Ginny Weasley, mas ao ver, de relance, um homem sentando-se ao lado dela não pode deixar de olhar desconfiado. Todos os Slytherins detestavam os Weasleys por isso era estranho, ver um homem daquela festa tentar ter uma conversa com a sua mulher, no entanto, não ficou surpreendido ao ver Theodore Nott sorrindo e galanteando a bela ruiva.

Uma onde de ciúmes percorreu-o, sentiu uma raiva crescente dentro de si.

-Draco!- uma voz feminina disse atrás dele. Ela era a última pessoa que ele precisava naquele momento.- Podemos conversar?- Pansy perguntou.

-Não!

-Vá lá! Não te vou morder!- ela insistiu. Draco esteve para lhe dizer novamente não, mas ver Ginny sorrindo para Nott fê-lo mudar de ideias. A vontade de se afastar dali, de provar a si mesmo que não precisava de Ginny e de, ao mesmo tempo e inconscientemente, tentar convencê-la que ele não gostava dela e que ela não o afectava, fez com que ele aceitasse o pedido de Pansy. Agarrou-lhe na mão e tirou-a da sala, certo de que não iriam trocar só palavras.


N/A: Era suposto eu só dar a conhecer estes sentimentos de Draco mais tarde, mas decidi ser simpática e revelá-los agora, além disso, vou precisar desta parte que ele esconde nos próximos capítulos.