Quando é que este rio de lágrimas vai deixar de cair

Para onde posso correr para não me sentir só

Não posso fugir quando a dor continua chamando

Tenho que continuar a partir daqui sozinha

Mas é tão difícil te esquecer...

Christina MilianUntil I Get Over You


Capítulo Doze


Ginny olhou em volta, procurando uma mancha de cabelo louro. Mas Draco não estava no salão. Theodore era muito simpático, provavelmente o único Slytherin que era capaz de ter uma conversa com uma Weasley. Ela perguntára-lhe porque ele agira assim, porque falava com ela. Ele só dissera que só porque os outros não gostavam dela não queria dizer que ele não pudesse. Ele não era como os outros, ele não seguia o padrão deles e ela parecia ser a única pessoa suficientemente inteligente e sincera naquele salão inteiro. Ginny não acreditára muito mas era sempre bom ter alguém com quem conversar.

Já passava da meia noite e Ginny ainda estava sentada, na mesma mesa, sozinha. Nott já se tinha ido embora, na verdade, restavam poucas pessoas no salão e nem sinal de Draco. Ela fartou-se, fartou-se de esperar por ele, fartou-se de ser ignorada. Levantou-se e dirigiu-se para a porta sem se despedir de ninguém, sabendo que ninguém se importava com isso. Ela abriu os portões que davam para o Hall de Entrada e seguiu em frente, cheia de raiva, sem sequer olhar para o caminho. Havia mil e um pensamentos dentro da cabeça dela. Se não fosse por Fabián, ela ja estava a quilómetros de distância. Se não fosse pelo seu filho ela tinha a sensação que já tinha arrancado o coração de Draco com as mãos para ver se era mesmo feito de gelo e para, pelo menos uma vez, tero coração dele para ela. Como podia ela ser tão estúpida e ainda amar aquele canalha. Isso fazia ela odiar-se a si mesma, era revoltante. Uma dúzia de pensamentos contraditórios fazia ela sentir-se aind amais zangada. Ele tinha-a deixado completamente sozinha, num local onde ela não conhecia ninguém. A única coisa que a tranquilizou foi a lembrança de Theodore. Ele era diferente do que ela imaginára que ele fosse. Nem todos os Slytherins seguiam o padrão e pelos vistos, nem todos os Slytherins veneravam Draco.

Ela dirigiu-se para a porta a passos rápidos sem sequer olhar para ninguém. Tinha os olhops fixos na porta, cobertos de lágrimas carregadas de raiva. Estava tão imersa nas suas angústias que nem viu que alguém passava á sua frente e, inevitavelmente, chocou contra essa pessoa. Pediu desculpa e olhou para ver quem era. Deparou-se com uns olhos negros como a noite, frios e duros como o aço e tão chamativos e destruidores como um buraco negro fixaram os dela. O cabelo que uma vez fora negro, agora manchado de cinzento, caia sobre os ombros de um homem que ela não via á muito tempo.

-Tantos anos e continua a mesma Menina Weasley, ou devo dizer, Senhora Malfoy! Sempre a correr, sempre agitada, sempre sem atenção!- a voz de Severus Snape estava mais cansada mas ainda era capaz de causar arrepios de medo descerem pela sua coluna.-Nem vale apena eu lhe dizer para ter atenção da próxima vez porque se sete anos lhe dizendo não resultaram, não será esta vez que irá resultar!

-Desculpe professor Snape!

-Está perdida?

-Não, oh não! Eu...uh... estava procurando o meu marido, ele parece que se perdeu...

-Ou foi encontrado por outra pessoa!

-Desculpe? Sabe onde ele está? Quero ir para casa!

-Aconselhava-a a ir sozinha! Vi o Draco há pouco com Pansy Parkinson e não me parece que ele a vá largar tão depressa.- ele disse, sem pinga de sentimento naqueles olhos feitos de sombras.

Ginny não disse mais nada. Dirigiu-se novamente para a porta e uma vez na rua, materializou-se no jardim da Mansão Malfoy. Entrou e foi até ao quarto de Fábian, sentou-se no sofá ao lado do berço e ficou olhando para o bebé dormindo pacificamente. Eram aqueles momentos que a faziam encher-se de coragem para viver mais um dia daquela maneira.

-Se eu não te amasse tanto assim... e se eu não amasse o teu pai como, infelizmente, amo... seria tudo tão diferente. Se pelo menos eu pudesse sair daqui, levar-te comigo e sermos feliz longe deste sofrimento...- ela murmurou.

Acabou adormecendo lá. Só acordou quando Nukky entrou para verificar o bebé. Ginny levantou-se e foi até ao quarto para tomar um banho e mudar de roupa. Quando entrou, verificou que a cama estava feita. Draco não dormira em casa. Ela tomou o banho e desceu para tomar o pequeno almoço sozinha. Depois foi ter com Fabián e mais uma vez passou a manhã na companhia adorável do seu filho. Era um criança linda e sorridente, raramente chorava e Ginny tornára-se uma mãe babada. Eram quase horas de almoço quando Nukky apareceu.

-Vem Madame, problema...- Nukky parecia assustada, mal conseguia falar.

-Calma N ukky, o que foi?

-Alguém caiu armadilha de Mestre!

-Armadilha? Que armadilha?

-Nukky não ter certeza mas saber que mestre fazer feitiço por causa de madame.

Ginny levantou-se e foi até á entrada. Abriu a porta e por momentos ficou olhando sem reconhecer a pessoa que estava á sua frente. A pessoa tinha sido transfigurada ou coisa parecida, tinha a cabeça onde deveria estar o braço direito, tinh o nariz no lugar da boca, as orelhas no lugar dos olhos. Foi tão estranho ver os lábios se mexerem na testa. Foi ái que ela reparou que onde deveria estar a boca, estava uma cicatriz em forma de raio.

-Oh meu Deus Harry! Que aconteceu?

-Acho que o teu marido pôs algum feitço anti -intrusos muito engraçado na Mansão!- Harry disse rindo.

-Aquele... desculpa Harry, deveria ter te avisado, ele não queria que viesses cá enquanto ele não estava mas nunca pensei... eu vou já ao escritório dele, espera aqui! Não, melhor entrares, senta-te...- ela parou, era impossível ele se sentar, o seu corpo estav uma completa confusão.- Entra de qualquer maneira. Tukky, ajuda-o! Eu vou matar aquele canalha! Como é que ele se atreve a fazer-te isto!

-Calma Gin...

-Eu não tenho calma Harry. Ele não podia ter feito isto. Ele é... impressionantemente maquiavélico.- a esta hora Ginny era capaz de matar alguém. Ela estava uma pilha de nervos, estava mais irritada do que nunca. - Eu já volto!

Ginny foi até ao jardim e materializou-se na porta do escritório de Draco. A secretária quase saltou de susto.

-Senhora Malfoy!- ela disse

Mas Ginny não ouviu ia abrir a porta mas a secretária impediu-a.

-O Senhor está ocupado.

-Não quero saber!- Ginny afastou a mão da rapariga morena com alguma brutidão e virou a maçaneta mas a porta estava trancada- Alohomora!- a porta destrancou-se ela entrou. Draco estava sentado no seu cadeirão, com um copo de uisque na mão, os pés sobre a mesa e uma expressão divertida na cara. Á sua frente estava Blaise Zabini.- Desculpem incomodar, mas tenho que falar contigo!

-Não tens o direito de entrares assim no meu escritório- Draco disse, endireitando-se na cadeira, colocando os pés no chão e apagando a expressão divertida.

-E tu não tens o direito de transformares o Harry num mutante! Que lhe fizeste? Eu mato-te se canalha, já não basta transformares minha vida num inferno tinhas que fazer aquilo ao Harry?! Eu mato-te!- ela disse deixando a raiva que acumulava há um ano tomar conta dela.

-Eu disse que não queria o Harry perto de ti quando não estivesse em casa.- ele disse levantando-se, mas ele não parecia zangado, na verdade parecia que só se lembrava agora que tinha posto o feitiço na casa.

-Vais comigo até casa e vais desfazer aquilo!

-E porque haveria eu de fazer isso?

-Porque senão o fizeres eu juro que a próxima vez que adormeceres ao meu lado já não acordas!- ela disse numa voz assustadoramente séria. Ela aprendera alguma coisa durante todo auele tempo sobre o telhado da Mansão Malfoy. Aprendera a ser um pouco mais como os Slytherins.

-Tu não fazias isso, eras incapaz de matar quem quer que fosse, mas tudo bem, eu vou lá tratar do Potter senão não me deixas em paz! Blaise eu já volto, como vês tenho um pequeno contratempo! Serve-te do que quiseres.

Draco materializou-se na Mansão. Realmente ele tinha se esquecido que tinha colocado aquele feitiço. Na altura achara piada ver o famoso Harry Potter com sua famosa cicatriz num local menos próprio, mas agora mudára de opinião e ficára um pouco arrependido por ter feito aquilo ao rapaz de cabelo negro. Após reparar o que havia feito, voltou para o escritório. Blaise ainda lá estava.

-Então, o Potter já voltou ao normal?

-Já!- Draco respondeu sentando-se. O seu humor já não era divertido.

-E a tua mulherzinha já se acalmou?

-Já!

-Sinceramente Draco, como aguentas aquela Weasley miserável? Tu tens Pansy, uma mulher linda e charmosa e que te adora e tu pelos vistos também não lhe és indiferente. Porque aguentas aquela mulher estérica?

-Pansy é só mais uma mulher, não gosto dela, só tenho sexo com ela...

-Isso não explica porque continuas com aquela... Gryffindor!- Blaise disse a ultima palavra como se fosse a pior c oisa que uma pessoa pudesse ser.- E não digas que é por causa do teu filho porque eu sei que tu nem sabes o nome do bebé!

-Fabián!

-O quê?

-O nome do meu filho é Fabián!

-A sério? Pelo menos ela escolheu um bom nome para o filho!

-Fui eu que escolhi!

-Ah! Estava estranhando! Mas não percebo, dizes que não queres ver o bebé, que querias estar a milhas de distância da tua mulher, no entanto não fazes nada para te afastar deles. Não é por nobreza nem para fazer a coisa certa. Não é porque os Malfoy não têm bastardos como tu lhes disseste, pelo que eu sei, o teu tio tem uns poucos filhos espalhados por toda a Inglaterra. Então é o quê?

Draco não disse nada. Ele tinha feito aquelas mesmas perguntas a si mesmo e inventara mil e uma respostas só para não admitir que por mais que lhe doesse estar perto de Ginny e Fabián ele não se conseguia afastar deles. Ele amava Ginny e adorava o seu filho, mas aquele amor dele era destrutivo. As memórias da noite do casamento de Luna e de Neville atormentavam-no a todos os minutos. Ele queria se afastar dela para não a magoar novamente. Achava que se mantendo á distância ela não iria sofrer tanto. Além disso, lidar com o ódio dela por ele não era fácil, nem mesmo para ele, que sempre conseguira ignorar os seus sentimentos.

-Não ias perceber.- ele disse finalmente.

-Experimenta!

-Eu... olha esquece Blaise!

-Opk, eu não insisto mais, mas deixa-me te dizer uma coisa! O teu pai podia ser frio e distante, mas ele pelo menos casou com uma mulher que ele amava. Tu nem isso, pensa o que vais fazer da tua vida, não a desperdisses com uma mulher que odeias e com um filho que não ligas.- Blaise disse e saiu, deixando Draco Malfoy entregue ás suas culpas.

Ginny olhopu para Harry.

-Estás mesmo bem? Tens a certeza?

-Tenho Ginny. Não te preocupes.

-Eu queria odiar aquele homem. Eu já não aguento esta confusão dentro de mim, ele magoa-me faz-me sentir raiva dele, faz-me querer esmurrá-lo mas nem assim eu odeio-o! Ele é um canalha e mesmo assim eu gosto daquele... monstro!

-Vá lá Gin, calma. Ele se calhar não é assim tão mau...

Ginny não podia ter ficado mais surpreendida.

-Estás te ouvindo Potter?

-Sim, estou! Ele pode ser assim porque talvez nunca soube ser de outra maneira. Se calhar ninguém o deixou ser de outra maneira. Talvez quando ele quis ser de outra maneira ninguém o aceitou, ou ele achou ninguém o aceitaria.

Ginny não conseguia acreditar nos seus ouvidos.

-Tu nãos estás bem, ele deve ter feito alguma coisa ao teu cérebro, ele alterou-te a memória, ele deve ter feito alguma coisa com os teus pensamentos...

-Ele não fez nada ...

Tu estás defendendo Draco Malfoy!

-Não estou defendendo ninguém, só estou dando hipoteses!- ele disse.

-Mesmo assim! Só podes estar doente, deves ter alguma sequela do feitiço.- ela disse, desconfiada.

-Já disse que não, estou óptimo! Só estava tentando te ajudar a tirar essa raiva de dentro de ti- ele improvisou, já tinha feito asneira.

-Não me enganas Harry Potter, eu conheço-te bem. Tu estavas mesmo defendendo aquele miserável! Fazes ideia do que ele me faz? Ele trás as amantes para casa, ele abandona o filhoe amulher para ir com outras, ele finge que nós nem existimos e quando se lembra é para brigar, para fazer a minha vida num inferno! E tu defendes?

-Calma Gin! Sei que tens andando um pouco irritadiça mas tens que te acalm...

-E achas que eu não tenho razxão para estar assim? Eu já não aguento mais Harry! E pensei que podia contar contigo mas tu vens e defendes o homem que acabou de por os olhos no local onde devia estar o teu traseiro! Eu pensei que podia confiar em ti!- ela disse exagerando, mas sentia-se tão perdida e desorientada que já nem sabia o que dizia.- Sai Harry, deixa-me só!- ela disse.

Harry não queria ir, mas ela estava confusa, seria melhor ficar só e organizar os pensamentos. Então ele saiu.

Ginny foi para o seu quarto, com lágrimas de raiva caindo, ou seriaqm lágrimas de dor. Ela já nem sabia porque chorava, simplesmente chorava e achava-se ridícula por isso, mas não conseguia parar. Draco estava a pondo louca, ela estava enlouquecendo com aquilo, ela tinha que sair dali mas não podia, ela tinha que pensar em Fabián. Só lhe apetecia agarrar no filho e desaparecer do mapa, sem deixar rasto, mudar de vida, de nome, de país, de planeta se fosse possível. Mas que vida iria poder dar a Fabián?


N/A: Peço desculpa pela demora mas o meu computador teve problemas. De qualquer maneira aqui está o novo capítulo e juro que o próximo será super emocionante. Eu estou adorando.