I'm gonna miss all the things we'll never do
Vou sentir falta de tudo que não vamos fazer
I just can't believe you left me here alone
Nem acredito que me deixaste aqui só
How in this world can I make it on my own
Como poderei, neste mundo, sobreviver sozinho
Kelly Clarkson(feat. Kalan Porter) - Turn Back The Hands Of Time
Capítulo Treze
Draco Malfoy chegou a casa passavam poucos minutos das sete da tarde. Passára a tarde pensando nas palavras de Blaise e pela primeira vez em muito tempo, ouvindo o seu coração. Ele também já não aguentava aquele frio todo, aquela distância, aquela crueldade com Ginny. Ele queria poder falar com ela, pelo menos, sem ela tentar arrancar-lhe a cabeça e sem ele ser frio com ela.
Subiu as escadas e dirigiu-se ao seu quarto. Estava decidido a falar com ela, arranjar uma maneira de pelo menos conseguirem viver em paz. A noite anterior tinha sido um passo nesse caminho. Quando pensou que fosse cair novamente nos braços de um mulher que não gostava, encontrou-se pensando na sua mulher e saiu do quarto, sem dar qualquer explicação a Pansy. Saiu e quando Snape lhe disse que Ginny já tinha ido para casa, ele decidiu ir para outro lugar, um lugar que ele já tinha ido antes, há umas noites atrás e ficou lá a noite toda. Foi aliviante mas ainda assim sentia o seu coração encrustado com gelo. Aquela tarde tinha o feito mudar de ideias. Ele não podia viver o resto da vida assim.
Abriu a porta do quarto e encontrou-o vazio. Ela deveria estar no quarto de Fabián. Fechou a porta e entrou no quarto em frente. Também este quarto estava vazio. Talvez tivesse saido visitar a sua família. Noutro dia ele teria ficado chateado por ela ter saido sem o avisar, mas nada neste dia ia estragar o seu humor. Não agora que ele estava disposta a tentar fazer alguma coisa de bom por ela e pelo seu filho. Ele desceu até á cozinha para falar com Nukky.
-Viste Madame Malfoy?
-Não mestre! Nukky não ver madame desde almoço. Nem ela nem bebé.
-Ela não disse se ia sair, onde ia?
-Nukky não saber nada.- o elfo disse.
Draco começou a ficar preocupado mas não se deixaria ficar preocupado em vão. Harry tinha ido a ver naquele dia, talvez ela tivesse saido com ele. Draco materializou-se na porta do apartamento do Rapaz-Que-Sobreviveu e bateu á porta. Harry apareceu na porta e abriu-a.
-Malfoy?- Harry disse um pouco surpreso apesar de naquele momento não ser grande surpresa.
-A Ginny está aqui?
-A Ginny?! Não, não a vejo desde esta tarde! Mas porquê?
-Ela não está em casa...- desta vez ele estava ficando mais preocupado. Mas não queria pensar no pior. Talvez ela estivesse em casa dos pais, ou de Hermione.
-Não sei, não falei muito com ela mas...
-Deixa para lá!- ele disse e desmaterializou-se.
Apareceu no jardim dos Weasleys, ainda se lembrava da noite em que beijára Ginny naquele mesmo jardim. Não sabia como seria a recepção dos Weasleys, provavelmente não a melhor, tendo em conta a maneira como ele tratára a Weasley mais nova nestes últimos meses. Encheu-se de coragem e bateu á porta. Foi Molly Weasley quem abriu.
-Draco?!- a mulher parecia surpresa. Pelos vistos Ginny também não estava ali.
-Uh... a Ginny não está cá pois não?
-Não mas... ela não está em casa? Houve algum problema? Vocês brigaram?- Molly perguntou deveras preocupada.
Draco percebeu que a familia de Ginny não fazia ideia da maneira como ele a tratava. Isso fez o seu coração enconlher-se. Ele era a pior pessoa do mundo. Ele sempre detestára Lucius por ser frio, sempre tentara ser melhor que ele e tornára-se numa pessoa pior. Pela primeira vez em muito tempo ele sentiu os seus olhos humedecerem. Fora naquele mesmo lugar em que ele estava que ele havia derramado a última lágrima, quando viera pedir desculpa a Ginny pela monstruosidade que lhe tinha feito, ele nunca se arrependera tanto como se arrependera do que lhe fizera. Mas ela nem quis falar com ele e desde aí ele voltou a ser o que era em Hogwarts ou pior. Nesse dia ele percebeu que por mais que ele tentasse acabaria sendo sempre um monstro, por mais que ele fizesse para ser melhor, iria acabar sempre fazendo um erro e seria crucificado por isso. Ele sabia que o que ele fizera não tinha perdão e não esperava que ela o perdoasse. Ele só chegou á conclusão que o problema estava também nele, ele sempre fora mau, todos o achavam mau e ele acabava sempre fazendo alguma coisa errada. Por isso não valia a pena ser bom, principalmente quando a razão pela sua bondade acabára de lhe fechar a porta e lhe partir o coração.
-Desculpe o incomodo Senhora Weasley! Tenha uma boa noite!- ele disse e desmaterializou-se sem sequer ouvir a preocupada mulher dizer:
-E Ginny?
Só havia uma pessoa que podia saber de Ginny: Hermione Granger. Mas ele não sabia onde ela vivia. Foi até St Mungo's e ficou aliviado por encontrar a mulher morena a sair do consultório.
-Granger...- ele disse um poucop ofegante. Tinha a visto a sair e correra até a panhar.
-Malfoy?!- ela disse.
-Ginny...viste-a?
-Não mas... ela desapareceu?
-Já procurei por todo o lado e não a encontro. Ela saiu com Fabián...
-Aleluia. Já era hora de ela te dar com os pés!- Hermione disse com desprezo. Mas estava preocupada. Ginny não lhe tinha dito nada e no estado que ela andava não convinha ela desaparecer sem avisar ninguém.- Mas porquê a preocupação? Que vais fazer agora? Enclausurá-la numa masmorra da mansão? Chicoteá-la por ter fugido? Qual a tua próxima crueldade Malfoy?
As palavras magoaram-no como nunca Hermione Granger conseguira magoá-lo, nem o murro que ela lhe dera no terceiro ano fora tão doloroso.
-Não! Só quero pedir desculpa!
Hermione surpreendeu-se por notar sinceridade nas palavras de Malfoy. Mas ela não era estúpida, ninguém mentia melhor do que aquele canalha.
-Mas eu não sei dela, e mesmo que soubesse não te diria.- Hermione disse virando-lhe as costas e caminhando. Draco ficou lá ainda uns segundos mas acabou se materializando no seu quarto. Atirou-se para a cama e só aí é que reparou que o guarda-fato estava quase vazio, não haviam roupas de Ginny. As gavetas dela também estavam vazias, a única coisa que restava ali era o cheiro dela. Ele respirou fundo tentando se perder no cheiro dela para sempre. Ela estivera sempre ali mas ele estava demasiado distante agora ele pagava por isso. Ele queria encontrá-la, ir atrás dela, fazê-la voltar, mas será que ele tinha esse direito? Não, não tinha, não depois de tudo o que ele lhe tinha feito. Não depois da maneira desumana que ele a tinha tratado, não depois do que lhe tinha feito por causa do alcool e dos ciumes, não depois do que ele tinha feito por orgulho e egoismo, traindo-a á frente dela. Ele não tinha qualquer direito sobre ela, mas o seu coração dizia-lhe para correr atrás.
Sentiu uma lágrima correr pela face. Ele chorára poucas vezes na vida e só quando ele se sentia mesmo fraco. Naquele momento ele tinha a certeza que se dores de coração matasse ele estaria morrendo mas também apercebeu-se que se matasse mesmo, Ginny já estaria morta há muito tempo. E depois havia Fabián, ele mal tinha visto seu filho de três meses. As poucas vezes que ele vira o bebé foi quando, sem se conseguir controlar, ficára olhando Ginny da porta, nos poucos momentos de felicidade que ela tinha. Eram esses pequenos momentos, em que ela era feliz que o gelavam mais por ele saber que durante o restante tempo ele fazia a vida infeliz. Era esquisito, e agora ele percebia como tinha sido estúpido. Mas agora era tarde.
E ele não sabia como iria sobreviver sem ela.
N/A: Este capítulo foi cortado. O que cortei será o próximo capítulo. Decidi deixar para o próximo porque gosto de deixar perguntas no ar. Para onde será que Ginny foi, que não avisou ninguém?.lol. Espero que gostem.
