Don't leave me in all this pain

Não me deixes nesta imensa dor

Don't leave me out in the rain

Não me deixes lá fora á chuva

Come back and bring back my smile

Volta e trás meu sorriso contigo

Come and take these tears away

Vem e tira-me estas lágrimas

I need your arms to hold me now

Preciso dos teus braços a me segurarem agora

The nights are so unkind

As noites são tão rudes

Toni BraxtonUnbreak My Heart


Capítulo Catorze


Ginny apertava Fabián contra o seu peito. Estava desesperada. Quando finalmente se vira longe da Mansão ficára sem saber para onde ir. Tinha pensado em Hermione mas ele a encontraria. Tinha pensado em Neville e Luna mas também seria facilmente encontrada. O que ela queria era fugir mesmo, sair dali, ir para um local onde ninguém a conhecia, ou quase ninguém. Foi aí que tomou uma decisão. Felizmente durante a guerra conseguira autorização para poder se materializar onde quisesse, desde que não houvesse protecção anti-materialização. Concentrou-se o mais que podia, tentando esquecer o facto de já estar anoitecendo, de estar chuva e e vento e materializou-se no único local que pensou que estaria segura. Mas sabia que teria que fazer mais do que isso, precisava de um Guardador Secreto e só havia uma pessoa que ela confiava o suficiente.

Bateu á porta da casa que estava á sua frente. Se antes estava frio, ali estava congelando, ela tapou o bebé o mais que pôde até que a porta se abriu e uma cara familiar apareceu-lhe á sua frente.

-Ginny?- foi a única coisa que o homem que estava á sua frente conseguiu dizer, surpreendido pela pessoa que encontrava á porta da sua casa.

-Desculpa, mas eu não sabia para onde ir!- ela disse num fio de voz.

-Entra, deves estar gelada e Fabián. Meus Deus, que aconteceu?

-Nem perguntes! Deixa-me só ficar aqui e por favor preciso que sejas o meu Guardador Secreto.

-Claro que sim!

Ginny posou o bebé sobre o sofá e abraçou o homem que estava à sua frente. Como tinha saudades daquele abraço e daquela sensação de que enquanto estivesse assim nada conseguiria magoá-la.

Draco acordou ainda com a roupa do dia anterior vestida. Olhou para o lado e encontrou a cama vazia, a constatação de que Ginny o tinha abandonado. Ele tomou um banho, vestiu-se e nem desceu para tomar o pequeno-almoço. Ele tinha que encontrar Ginny e Fabián. Materializou-se no Ministério. Tinha que saber as últimas materializações de Ginny, ele só esperava que ela não tivesse pedido confidencialidade, porque, nesse caso, nem mesmo com os seus conhecimentos ele seria capaz de localizá-la. Falou com os responsáveis pelo Departamento de Transportes Mágicos, mas, para sua infelicidade, Ginny tinha confidencialidade, tinha lhe sido concedida quando ela entrou para a Ordem da Fénix. Mas ele não perdeu as esperanças, ela podia estar ainda perto, talvez não tivesse contactado ninguém antes com medo que ele a encontrasse mas naquela altura ela provavelmente já tinha entrado em contacto com alguém, não acreditava que ela tivesse fugido e não pedisse ajuda a ninguém. Era a sua última esperança, a esperança de que Ginny tivesse contado a alguém onde estava.

Ele materializou-se na porta do apartamento de Harry Potter. Ouviu vozes no interior e pensou em voltar mais tarde, mas reconheceu a voz masculina.

-Mas ela não disse nada a ninguém? Como é que ela desaparece desta maneira? A minha mãe está um saco de nervos ontem, imagino como está hoje!- Draco ouviu a voz do rapaz Weasley mais novo dizer num tom ligeiramente desesperado.

O louro respirou fundo várias vezes enchendo-se de coragem e depois deu dois toques na porta. As vozes no interior calaram-se. Ouviram-se passos até à porta a voz de Hermione dizendo: "Quem pode ser?". A porta abriu-se para revelar Draco Malfoy no exterior.

-Incendio!- foi a única coisa que Draco ouviu Ron dizer antes de sentir as suas calças aquecerem a uma temperatura crítica. Ron estava com a cara vermelha de raiva, ficara assim quando vira Draco aparecer na porta, à sua frente.

-Aguamenti!- disse Hermione, salvando Draco de ficar queimado.

-Eu vou te matar Malfoy!- o ruivo disse, quase se jogando para cima de Draco, com os olhos faiscando de ódio.

-Locomotor Mortis!- Hermione disse e Ron parou a meio caminho.

-Hermione!- o ruivo gritou.- Tira o feitiço para eu poder matar este canalha. Eu vou matá-lo! O que fizeste à minha irmã e ao meu sobrinho seu furão defeituoso...- Ron disse, dirigindo as palavras a Draco.

-Calma Ron!- Harry disse finalmente.- Vamos todos nos acalmar. Aqui o que está em causa não é quem é o culpado mas sim descobrir para onde foi Ginny e toda a ajuda é útil. Entra Draco!

Draco passou por Ron, que ainda estava imóvel a meio da sala. O ruivo esticou os braços numa tentativa de agarrar o cunhado, mas não chegou nem a um fio de cabelo louro. Baixou os braços sentindo-se impotente.

-Eu retiro o feitiço se prometeres que te acalmas Ron! Harry tem razão, por mais que detestemos Draco, temos que por as nossas divergências de parte. Depois de encontrarmos a tua irmã, eu até te ajudo a torturá-lo se quiseres, terei muito prazer, mas agora não!- Hermione disse. Draco tinha a certeza que ela falava sinceramente quando disse que ajudaria Ron a torturá-lo.

Ron olhou para ela contrariado mas acenou a cabeça afirmativamente.

-Finite Incantatem!

Ron deu um passo na direcção de Draco mas parou, deparando-se com o olhar ameaçador da sua noiva. Mudou de direcção e sentou-se no sofá, mas sem nunca tirar os olhos de Draco.

-Agora que estamos todos mais calmos podemos conversar. Sabes de alguma coisa?- Harry perguntou ao homem louro.

-Não! As roupas dela não estão em casa e não há maneira de saber para onde ela foi. Estava com esperanças que ela vos tivesse contactado entretanto...

-Ela não disse nada.- Hermione disse secamente.

-E os restantes Weasleys, já falaram com eles?

-Falamos ontem com os gémeos e com os pais, mas nenhum deles sabia de nada! Tentamos falar com Charlie e Bill mas não conseguimos.- Harry explicou.

-E hoje, já falaram com eles? E os amigos de Hogwarts?

-Ginny era amiga de quase toda a gente em Hogwarts!- Ron disse levantanto as mãos ao ar e revirando os olhos como se fosse uma coisa óbvia e que Draco já deveria saber.

-Ainda não falamos com mais ninguém, na verdade estivemos esperando que Ginny contactasse um de nós, julgamos que estando ela sozinha com Fabián, ela fosse pedir ajuda a alguém que... conhecesse a situação, mas não o fez!- Harry disse.

-Que situação?- Ron disse desconfiado. Pelos vistos nenhum Weasley sabia da verdadeira vida de Ginny. Harry e Hermione trocaram olhares cúmplices.- O que é que vocês sabem que eu não sei?- Ron continuou.

-Não sabemos de mais do que tu, Ron!- Hermione acabou dizendo.-E o que é que eu sei? Nada, eu não sei nada, não faço ideia porque é que a minha irmã desapareceu, sem deixar rasto, levando o filho ao colo e meia dúzia de roupas a tiracolo! Por isso diz-me o que é que VOCÊS sabem!

-Não sabemos de nada de especial, só sabemos que Ginny estava um pouco em baixo... mas nada de grave!- Hermione acrescentou, vendo a veia da testa do seu noivo começar a latejar de raiva. Se ele sequer desconfiasse de alguma coisa, Draco não sairia vivo daquela sala, e apesar de Hermione não ser contra o que Ron queria fazer, a verdade é que Draco poderia ser útil na busca.

-Eu finjo que acredito!- Ron murmurou.

-Talvez seja hora de contactar o Ministério!- Harry sugeriu.

-Eu já lá estive, não vale a pena, ela sabia que se desaparecesse não iria deixar rasto!- Draco informou. Hermione fixou os olhos dela nos cinzentos de Draco.

"Ela está fugindo por tua causa! Ela está fugindo de ti, ela levou o filho para longe para que não lho pudesses tirar como disseste que o ias fazer, eu devia ter deixado Ron de queimar vivo!" a voz de Hermione apareceu na mente do homem louro. Ele ficou um pouco surpreendido mas depois percebeu que, para uma pessoa tão inteligente como Hermione, ser Legilimens era fácil. Nem se surpreendeu pior ela conseguir entrar na mente dele. Ele estava se sentindo demasiado fraco para conseguir bloqueá-la, como geralmente fazia.

"Eu sei Granger! Mas quando disse isso foi só para a assustar, eu era incapaz de afastar Fabián dela." ele respondeu-lhe da mesma maneira.

"Mas ela não sabe pois não?! E eu tenho as minhas dúvidas se não serão essas as tuas verdadeiras intenções com esta preocupação em encontrar Ginny!"

"Acredita no que quiseres..."

-E então que fazemos?- Harry quebrou a conversa silenciosa de Draco e Hermione.

-Não sei. Sinceramente não sei. Acho que Ginny sabia muito bem o que fazia, ela teve um ano para pensar nisto e apesar de ter a certeza que a última coisa que ela quereria fazer era fugir, não viu outra opção.- Hermione disse.

O resto da conversa não foi animador. Nenhuma das quatro pessoas que ali estavam conseguiu adiantar alguma coisa sobre o paradeiro de Ginny Weasley. Quando voltou para casa, já quase à hora de jantar, Draco sentia-se desanimado e quase sem esperanças. Como iria ele encontrar Ginny? Que iria ele fazer agora?

Após muito reflectir depois do jantar chegou a uma conclusão. Estava na altura de ele falar com os Weasleys, todos eles. Chegara o momento de ele deixar de ser um rato para ser um homem. Enfrentar as consequências dos seus actos e abrir o jogo. Ele estava decidido a contar tudo à família de Ginny, iria enfrentar a fúria da família ruiva, iria se sujeitar a levar uns quantos feitiços e quem sabe até algumas maldições, mas se com isso conseguisse encontrar Ginny e Fabián, valeria a pena. Faria qualquer coisa para a encontrar.

Ginny acabara de adormecer Fabián. Ele estranhava a casa, o cheiro, as pessoas. Era tão diferente da Mansão. Ela sentia-se exausta e fraca, mas finalmente estava longe da Mansão, estava longe de Draco e longe do sofrimento. Então porque se sentia tão sozinha e tão vazia. Porque é que ainda se sentia triste e abandonada. Tinha sido ela quem o abandonara. Ela não deveria se sentir assim.

Sentou-se no sofá extremamente cansada e fechou os olhos.

-Agora vais me contar o que aconteceu?- ela ouviu uma voz masculina dizer atrás de si. Abriu os olhos e viu o seu salvador sentar-se ao seu lado. Estava na hora de ela lhe contar tudo.