I walk these halls
Caminho por estes salões
In search of sin
Procurando o pecado
It drags me down
Arrastando-me para o fundo
But I won't give in
Mas não vou desistir
I'm reaching out
Estou te procurando
I need your touch
Preciso do teu toque
I'm standing strong
Estou me mantendo forte
But all alone
Mas completamente sozinho
Won't you come to me
Não virás ter comigo
Reamonn - Come To Me
Capítulo Quinze
Draco sentou-se no sofá dos Weasleys. Molly tinha ido preparar-lhe um chá, ela notara como ele estava tenso. Não estava mais ninguém em casa, mas ele esperaria. Após uns torturantes minutos, Molly voltou com duas chávenas nas mãos.
-Aqui está Draco!- ela entregou-lhe a chávena.- Eu acho que temos que conversar!- ela continuou, sentando-se no sofá em frente dele.
-Eu sei. É por isso que aqui estou, quero falar consigo, na verdade com todos...
-Oh não, não. Eu acho que temos que falar só os dois.- ela explicou.- Ginny nunca foi uma pessoa que se abria para muita gente e lá vai o tempo em que eu era a pessoa para quem ela corria quando se magoava. Eu sei que ela não tem andado bem, vi isso nos olhos dela quando a vi pela última vez. Não sei o que se passava, julguei que fosse cansaço, cuidar de um bebé não é fácil. Mas agora sei que não é por causa de Fabián. E julgo que tu tens alguma coisa a ver com o desaparecimento dela, não estou a dizer que a raptaste, não. Longe de mim. Só que sinto que vocês não eram felizes.
-Eu estou aqui para explicar mas gostaria de falar com todos...- ele tentou mais uma vez.
-Oh meu querido, o resto da família está pronta a te amaldiçoar mal consigo ver uma madeixa desse cabelo louro. Fred e George até inventaram um feitiço novo. Não estás a perceber que eles só iram complicar mais. É por isso que quero ser eu a falar com eles, podes estar comigo, mas preciso saber o que se passou antes de tentar domar os meus filhos e o meu marido.
-Claro...- ele disse e caiu um silêncio na sala de estar dos Weasleys que fez Draco quase perder a coragem mas não perdeu.- Não é fácil eu falar disto. Não é fácil colocar em palavras todas as maldades que eu fiz com a sua filha... eu sinto-me arrependido de tudo mas, apesar de não ser desculpa, e não é para isso que cá vim, não vim pedir desculpa por uma coisa que não pode de maneira nenhuma ser perdoada, porque nem eu sou capaz de me perdoar...- Molly conseguiu ver o desespero nos olhos dele e também ela começou a ficar mais preocupada do que estava, talvez fosse mais grave do que imaginava.- Há um ano atrás, no casamento de Luna Lovegood e Neville Longbottom, eu vi Ginny abraçando Harry Potter, ainda tenho essa imagem bem presente na minha memória. Fiquei louco de ciúmes e acabei bebendo mais do que deveria, ultrapassei os meus limites e no caminho para casa eu...- ele respirou fundo, ele não iria conseguir dizer o nome da monstruosidade que ele tinha feito á mulher que amava.- Eu... cometi o maior erro da minha vida, eu tornei aquela noite na pior noite da vida de Ginny, eu ataquei-a mas não estava em mim, eu estava louco de ciúmes, eu...- uma lágrima escorregou pela bochecha pálida do homem que estava em frente de Molly.-...sou um monstro, eu tirei a pureza da sua filha numa violência que eu nunca julguei ser capaz. Ginny era tão delicada e eu manchei-a...
Molly tentava se permanecer calma, mas sentia vontade de dar uma bofetada na cara do homem que estava à sua frente. Ele acabava de lhe confessar que tinha violado a sua filha e ela sentia-se capaz de expulsá-lo de casa. No entanto a sombra que ela viu no olhar dela fê-la pensar melhor. Era uma sombra escura, uma tristeza e arrependimento imenso. Ela respirou fundo e continuou ouvindo o seu genro falar.
-Eu nunca me arrependi tanto de nada na vida, eu arrependi-me de me juntar a Voldemort, arrependi-me de soltar Devoradores da Morte dentro de Hogwarts, mas nada me consome tanto a alma como o facto de eu ter...- ele fez uma pausa mas não precisou dizer as palavras, Molly sabia perfeitamente o que ele não disse.- Eu vim pedir desculpa, mas ela não me quis ouvir, eu senti que o mundo desabava sobre mim, senti que não tinha razão para viver e virei uma pessoa que lutei muito para não ser. Fiquei consumido pela dor e pelo ódio a mim próprio. Virei um homem como o meu pai, frio e distante. Acabei me envolvendo com Pansy Parkinson quando ela voltou para esquecer a sua filha porque Ginny não queria me ver nem pintado de ouro...
-E com razão!- Molly não se conteve. Draco sentiu o seu coração encolher-se mais, se fosse possível, e mais lágrimas caíram-lhe dos olhos. Ele sentia-se humilhado por estar chorando como uma criança, mas não se importava, já nada importava a não ser encontrar a sua mulher e o seu filho. Agora que ele baixara a sua armadura, a dor tornara-se insuportável e as lágrimas eram impossíveis de conter.
-Depois, numa noite que fui falar com Harry Potter sobre assuntos do Ministério, ela apareceu lá, agarrou-se a ele e eu senti uma raiva de mim próprio por ainda ser afectado por ela e senti raiva dela por o estar a abraçar daquela maneira, senti-me enganado, senti que ela me enganara todo aquele tempo em que estivemos juntos. Depois soube que ela tinha sido despedida por causa de Pansy, não senti pena, senti raiva e achei que ela havia merecido, estava magoado e não estava em mim. No dia seguinte ela parece no meu escritório dizendo que espera um filho meu quando a vi abraçada ao Harry dois dias antes, não acreditei, pensei que ela estava apenas interessada no meu dinheiro, pensei que ela fosse uma mulher como Pansy e que eu me tinha apaixonado por uma oportunista. Pelo menos Pansy não escondia o que era. Claro que pouco depois arrependi-me dos meus pensamentos, mas os danos já estavam feitos, eu tinha a magoado. Ela odiava-me e eu não conseguia baixar as minhas defesas. Ameacei-a de lhe tirar o bebé se ela não casasse, eu estava louco, senti um egoísmo como nunca antes tinha sentido, se ela não era minha, não seria de mais ninguém. No dia do casamento, durante a festa, Pansy arrastou-me para a biblioteca, eu não queria, aquele dia era de Ginny, não o queria estragar, mas Pansy ameaçou fazer um escândalo e Ginny acabou nos vendo e mostrou-se tão fria, gelada, como nunca imaginei ver a sua filha e isso congelou-me por completo. A frieza dela magoava-me por isso afastei-me dela. Em todos este tempo de casamento, eu nunca toquei na sua filha, nunca lhe disse uma palavra carinhosa e só peguei no meu filho no dia em que ele foi lá para a mansão. Hoje arrependo-me de tudo. No dia em que decidi que não aguentava mais ver Ginny sofrer, no dia em que percebi que ou lhe dizia a verdade, lhe confessava que ainda a amava e que a queria ver feliz, descubro que ela fugiu, fugiu de mim, da minha crueldade, da minha mentira. Eu não sei viver sem a sua filha...- ele soluçou e escondeu a cara entre as mãos. Naquele momento, qualquer controlo que ele tivesse sobre ele mesmo foi dissipado, ele deixou-se levar pela dor e pelo desespero. Sentiu a mão de Molly sobre o seu ombro e olhou-a nos olhos. Julgou que iria ver raiva e ódio nos olhos da mulher, mas só encontrou compaixão.
-Não posso dizer que o que fizeste merece perdão e que não estou com raiva de ti, mas sei que tu tiveste uma educação fora do normal, eu conheci um teu pai muito antes dele se casar com a tua mãe, o teu pai teve oportunidade de ser uma pessoa melhor mas o destino não o deixou e ele acabou se tornando no que viste, um homem que apesar de amar a sua mulher, não o revelava. Tu tiveste uma oportunidade e por causa talvez da maneira que te ensinaram a ser, cometeste um erro, mas tens uma nova oportunidade, mais difícil que a primeira mas acredito que só precisas de um apoio. Eu estou disposta a te dar a minha confiança, eu estou disposta a acreditar no teu amor pela minha filha e vou ajudar-te a encontrá-la mas se me mentes Draco, não haverá nada que consiga impedir o meu marido e os meus filhos de te matarem.- Molly disse, olhando Draco nos olhos. Ele agora sabia de onde vinha a bondade de Ginny, a confiança dela e a força e amor pelo filho que ela tinha.
Draco conseguiu se recompor até à hora de jantar. Ficou sentado na mesa da cozinha enquanto Molly fazia o jantar. Draco fixava os olhos no relógio dos Weasleys. O ponteiro com o nome de Ginny apontava para Paradeiro Desconhecido (N/A: não sei se existe esta opção no relógio mas era me conveniente ter) . Felizmente não estava em Perigo Mortal. Estava fixando o ponteiro da sua mulher quando viu outro se mexer e ao mesmo tempo ouviu o som da porta da rua abrir-se. Artur Weasley estava em casa. Molly largou o que estava fazendo e foi até à sala receber o marido, depois Draco ouviu murmuros e sentiu-se ficar tenso. Artur entrou na sala e fixou o louro com um olhar ameaçador mas nada fez. Sentou-se na mesa em frente Draco e não disse nada. Era melhor que tivesse dito, Draco sentia-se um rato sendo olhado por um leão. Algo que ele não estava habituado a sentir, geralmente sentia-se superior mas desde que conhecera Ginny, muitas coisas tinham mudado.
Pouco depois, chegaram mais Weasleys, Molly conseguiu acalmar os gémeos, Ron não foi necessário, estava demasiado calmo para Draco, isso era mau sinal, ele sabia lidar com um Ron furioso e temperamental, não com um que se comportava tão calmamente e o olhava cheio de raiva. Estava todos sentados em volta da mesa. Draco olhou para Molly esperando que ela começasse a conversa que tinha que ter com a familia mas ela fez-lhe sinal para ter calma. Estava ela à espera de mais alguém?
Pelos vistos sim. Ela olhou para o relógio e disse:
-Vamos para a sala!
Todos a seguiram, ninguém disse nada. Os Weasleys sentaram-se no sofá mas Draco foi se encostar a um canto da sala, perto da janela e ficou olhando para a rua. Queria se esconder, mas todos os Weasleys estavam o olhando fixamente. Molly foi para perto da lareira e ficou olhando para o relógio.
-A qualquer minuto...- foi interrompida por um fumo verde que invadiu a sala e uma figura ergue-se da lareira, seguida por outra, de cabelo longo. Por momentos Draco julgou que fosse Harry e Hermione mas as suas esperanças dissiparam-se ao ver que eram ambos homens. O fumo verde desapareceu e revelou dois homens de cabelo ruivo. Draco reconheceu os irmãos mais velhos de Ginny. Ambos cumprimentaram os seus pais e irmãos e depois notaram uma figura loura encostada à parede, junto à janela, mas não pareciam surpresos. Bill encostou-se à lareira e Charlie sentou-se ao lado do seu pai.
-Julgo que todos sabemos porque estamos aqui. A nossa Ginny desapareceu sem dizer nada a ninguém e eu quero encontrá-la...
-E que faz ele aqui?- George perguntou.
-Ele é uma parte interessada em encontrar Ginny, é o marido dela...
-Foi por causa dele que ela fugiu!- Fred interrompeu a mãe
-Eu sei mas existe mais atrás desta história do que vocês imaginam e antes de eu contar o que sei eu quero que vocês os quatro- apontou para os gémeos, Ron e Artur- me prometerem que não fazem nenhuma asneira, nem atacam Draco nem nada parecido. Prometem?
Os quatro Weasleys olharam para Draco capaz de o matar só com o olhar mas todos acenaram afirmativamente com a cabeça.
-Muito bem!- disse Molly. Draco olhou para ela e ela deu-lhe um sorriso. Ele sentiu-se um pouco mais aliviado. No entanto tinha a certeza que os homens ali presentes não iriam confiar nele tão facilmente.
Molly falou com cuidado. Explicou o que Draco lhe havia contado. Draco por sua vez não olhava para nenhum deles, era incapaz de encarar a família da mulher a quem ele tinha feito tanto mal. Olhava pela janela mas conseguia ver os reflexos na janela. Por várias vezes tinha visto alguém se levantar, provavelmente numa das partes em que Molly contava uma das muitas crueldades que ele tinha feito a Ginny. Ele nem ouvia o que a mulher dizia, sabia que ela falava, ouvia os outros interromperem mas não ligava. Os seus pensamentos estavam longe, estavam em Ginny e no seu filho. Estariam bem? Precisariam de alguma coisa? Que ironia, tinha estado tanto tempo com eles e nunca se tinha preocupado em saber se estavam bem, agora que já não os via sentia falta deles. Só quando sentiu uma mão sobre o seu ombro é que ele se voltou. Preparado para se defender de qualquer ataque, mas não foi atacado. Bill Weasley estava ao lado dele.
-Não posso dizer que gosto de ti, muito menos depois do que ouvi, mas a minha mãe confia em ti, e isso para mim é suficiente. Só espero que não a estejas enganando, porque eu não sou como os meus irmãos- Draco olhou o outro nos olhos e tinha a certeza que Bill falava a verdade. Ele não era como os outros irmãos Weasley, ele não era temperamental, era calmo e tinha uma dureza no olhar capaz de fazer muitos tremerem, um olhar parecido com o dele em tempos. Duro mas que inspirava confiança.- Eu vou atrás de ti, até ao fim do mundo e juro que te mato se alguma coisa acontecer à minha irmã e ao meu sobrinho.
-Eu acredito nisso, mas quando chegasses eu já estaria morto porque se alguma coisa acontece a Ginny ou Fabián eu morro.- Draco disse simplesmente.
-Muito bem. Agora que está tudo esclarecido, temos que falar, dialogar, e tentar descobrir para onde pode Ginny ter ido.
-Eu sabia que eles me escondiam alguma coisa. EU SABIA!- Ron disse.
-Quem te escondia o quê?- George perguntou.
-O Harry e Hermione. Eles sabiam disto tudo!- Ron disse.
-O quê? Eles encobriram aquele canalha?- Fred disse incrédulo.
-Tenho a certeza que eles tinham as suas razões e eu bem posso enumerar algumas- Molly defendeu os amigos da família.- Mas isso não está em questão. Temos que encontrar Ginny, é para isso que estamos cá.
-Não me parece que ela queria ser encontrada.- disse Charlie. Todos olharam para o rapaz que estava olhando a lareira.- Lembram-se de quando ela era pequena e fazia uma asneira, ela escondia-se e ninguém a conseguia encontrar. Eu acho que se Ginny fugiu mesmo, nós não a vamos encontrar se ela não quiser ser encontrada.
-Mas não podemos desistir.- disse Artur.
-Não vamos desistir, mas eu conheço a Ginny, lembro-me dela me confessar segredos em pequena e acreditem que ninguém escondia melhor coisas do que ela. Só a vamos encontrar quando ela quiser.
-Charlie tem razão. Ginny só aparecerá quando estiver pronta.- Bill concordou.
-Vocês falam como se soubessem algo que nós não sabemos.- disse Ron.- Estou farto que me escondam coisas!
-Enquanto vocês passavam o dia a praticar traquinices e a importuná-la, nós dedicávamo-nos a ouvi-la. Conhecemos melhor Ginny do que vocês.- disse Bill.- Ginny é esperta e eu acredito que ela tenha desaparecido do mapa.
-Mas ela tem que estar em algum lado!- Molly tentou.
-E está! Só não vai dizer a ninguém onde, ou pelo menos não a muita gente, se ela disser é a alguém em quem ela confia realmente e que não esteja envolvido nesta história toda, alguém que esteve distante durante algum tempo mas quem ela conhece há muito tempo!- Bill disse.
Todos olharam para ele. Draco sentiu-se afundar ao perceber que ele tinha razão. Ginny só voltaria quando quisesse e ele não sabia quanto tempo ela iria querer estar desaparecida. Que faria ele entretanto? Que iria ele fazer sem ela? Que iria ser da vida dele?
