This time, this place

Este momento, este lugar

Misused, mistakes

Mal usado, erros,

Too long, too late

Demasiado tempo, demasiado tarde

Who was I to make you wait

Quem sou eu para te fazer esperar

Just one chance

Só uma chance

Just one breath

Só um fôlego

Just in case there's just one left

Só no caso de haver algo que restou

Been far away for far too long

Estive longe por demasiado tempo

Nickelback - Far Away


Capítulo Dezasseis


Ginny estava sentada no jardim da pequena casa em que vivera os últimos cinco anos. O sol começava apor-se atrás das montanhas, transformando o céu numa redoma laranja e violeta. Alguns pássaros davam som àquele espectáculo da natureza. Ginny viu uma folha da árvore a que estava encostada cair no chão. O Verão chegava ao fim, o Outono começava a fazer-se notar. Ela viu ao longe um bando de andorinhas fugirem para países mais quentes. Depois olhou para a pequena casa que parecia ter saído de um daqueles contos de fadas dos Muggles. Ela chamava a pequena habitação A Casa Dos Sete Anões. Parecia mesmo o refúgio da Branca de Neve, mas neste conto era ela a Branca de Neve e não havia príncipe encantado para salvá-la. No entanto já estava longe há muito tempo, estava desaparecida demasiado tempo, mais do que ela imaginara que iria precisar, mas sempre que decidia voltar, um pavor apoderava-se dela e ela perdia a coragem. Mas não desta vez, agora ela tinha mesmo que voltar, e se ele quisesse tirar-lhe o filho ela enfrentá-lo-ia, ou fugiria de novo.

Aquela pequena casa isolada nos arredores de Trento em Itália tinha sido a sua casa por demasiado tempo e ela não podia abusar mais da hospitalidade do seu anjo da guarda ou do seu Sete Anões como o chamava muitas vezes. Não ia embora só por causa disso. Estava na hora de Fabián conhecer a sua família, e por mais que a custasse, a hora dele conhecer o pai. Era esse o momento que ela mais receava, não sabia como Draco iria reagir, não sabia como Fabián iria reagir, mas o que ela mais temia era a maneira como ela iria reagir. Durante todo aquele tempo tinha se convencido que já esquecera o seu marido, que já não o amava, mas era fácil falar quando ela tinha estado longe dele durante tanto tempo e o tinha abandonado com toda aquela raiva. Mas e quando o voltasse a ver? Como estaria ele? Será que ainda estava com Pansy? Que tinha ele feito da vida dele?

Ela podia ter tido novidades de Inglaterra mas tinha proibido ao Sete Anões de falar qualquer coisa que fosse sobre o lugar de onde ela fugira. Não fazia ideia de como estava a sua família, os seus amigos ou o seu marido. Achava injusto afastar Fabián de todos eles mas se ela entrasse em contacto com alguém Draco poderia encontrá-la. Mas na noite anterior tinha tomado uma decisão: iria voltar!

Na noite anterior, quando ela fora deitar Fabián, ele agarrou na mão dela e olhou-a fixamente.

-Mamã, o Sete Anões é o meu papá?- a criança disse tristemente.

-Não querido, o Sete Anões é um grande amigo da mamã, nada mais!- ela disse, sentindo o seu coração encolher-se ao ver a tristeza nos olhos do seu filho.

-Então quem é o meu papá?

-O teu papá vive muito longe...

-Ele não gosta de mim?

Ginny controlou-se para não chorar. Não podia dizer ao seu filho que o pai dele o desprezara nos seus primeiros meses de vida e por isso ela tinha fugido dele.

-Claro que gosta! Ele só está...ocupado.

-E eu posso vê-lo um dia destes?

Ginny não disse nada. Sentiu a pequena mão do seu filho apertar a sua. Como podia ela negar isso a ele? Ele tinha o direito de ver o pai, mas também não queria que Draco partisse o pequeno coração do seu filho com desprezo. Ela não queria que o seu filho de apenas cinco anos enfrentasse já a dor de ver as suas expectativas e esperanças pisadas como se fossem nada pelo pai dele.

-Talvez. Um dia querido!

-Quando?

-Não sei.

-Tu não gostas do papá?

-Eu...- ela não sabia o que dizer.

-Ele é mau?

-O teu pai é... diferente to Sete Anões! O teu pai foi educado de maneira diferente e os pais dele foram muito rígidos com ele por isso ele é um pouco duro, mas não é mau querido! Foi a melhor explicação que ela conseguiu arranjar.

-Não faz mal, quero vê-lo na mesma!- Fabián disse com um brilho nos olhos que partiu o coração á sua pobre mãe. Ginny não podia prendê-lo ali para sempre. Talvez Draco tivesse mudado, talvez quisesse mesmo ver o filho, talvez o tivesse procurado, e talvez ela continuasse a mesma mulher ingénua que fora. Draco não se preocupara com eles quando eles estavam ao lado dele, porque se teria preocupado naqueles cinco anos em que ela estivera longe?

-Mamã!- a voz de Fabián tirou-a das suas memórias. Ela levantou-se e sacudiu da sua roupa algumas pequenas folhas que tinham caído da árvore.

-Sim querido?- ela disse, levantando o pequeno louro que acabava de sair da porta que ligava o jardim à casa a correr.

-Queres provar o bolo que eu e o Sete Anões fizemos para ti?

-Claro que quero!- ela disse olhando os olhos cinzentos do filho. Como ele era parecido ao pai, um pequeno Draco Malfoy em miniatura.

Entraram em casa e Ginny esperava ver o Sete Anões na cozinha, mas o bolo estava em cima da mesa, fumegando e emanando um cheiro que fazia crescer água na boca.

-É de chocolate, ele disse que era o teu preferido e que combina contigo que tens olhos de chocolate! É parvo, os teus olhos não podem ser de chocolate senão tinham "fomigas"!

-Fabián, já te disse para não chamares o Sete anões de parvo, fica feio!

-Mas tu chamas!- ele disse amuado.

-Mas eu sou adulta, tu ainda és criança!

-Tudo bem.- a criança disse e calou-se. De repente ficou muito interessado nas suas unhas, Ginny conhecia aquela reacção, era das poucas coisas que ele herdara dela. Ele queria lhe dizer alguma coisa.

-O que foi querido?

-Mãe, os teus olhos são da cor do chocolate, o teu cabelo é "vemelho" e tens pintinhas no "naliz". Tu dizes que eu tenho um cabelo da cor do sol, uns olhos da cor do céu quando vai cair neve e não tenho pintinhas no "naliz". Não sou parecido contigo, sou parecido com o meu papá?

Claro que era, até a maneira que ele levantava a sobrancelha quando ficava aborrecido e o sorriso escarninho que fazia quando fazia alguma brincadeira maldosa eram copiados do seu pai. -És muito parecido com o teu pai!- Fabián sorriu orgulhosamente. Ela rezou para que Draco não desfizesse as expectativas que Fabián estava criando.

-Ele também tem os olhos cinzentos?

-Iguais aos teus. Mas vamos lá partir o bolo?

Fabián assentiu e ela colocou-o no chão. Ele correu até á mesa e sentou-se. Ginny conjurou dois pratos e uma faca e partiu duas fatias de bolo.

-Sabes onde foi o Sete Anões?

-Ele estava aqui há pouco! Mas não sei onde foi. Acho que a "campinha" tocou!

-Campainha!- Ginny corrigiu e Fabián deu uma risada. Desde que ela lhe dissera que iria conhecer o pai que ele andava alegre como ela nunca o tinha visto. Ele já começara a fazer as malas. Ela também lhe disse que ele ia conhecer os tios de quem ela tanto falava e que iria conhecer os avós e Harry Potter. Ele ficou radiante por conhecer Harry Potter, ela tinha lhe contado toda a história do Rapaz-Que-Sobreviveu.

Fabián já ia na segunda fatia quando alguém entrou na cozinha. Ginny virou-se para ver um homem louro de olhos azuis a olhar seriamente.

-Que se passa, Colin? Estás com uma cara de quem viu Devorador da Morte!- ela disse levantando-se e aproximando-se do seu antigo colega de escola e seu anjo da guarda por cinco anos.

-É mais ou menos isso, Branca de Neve! Está ali alguém para falar contigo!

-Quem?- Ginny ficou mais pálida do que já era.- Não... Não é ele, quero dizer, não pode ser ele... ele não me conseguia encontrar! Tu não lhe disseste...- Ginny nem sabia o que dizia.

-Não é o Draco, Gin.

-Então?

-É melhor ires ver! Eu fico com Fabián.

Ginny olhou para o filho lambuzado de chocolate. Ele sorriu para ela e voltou a se consentrar em devorar o bolo. Ela olhou para Colin Creevy e depois saiu da cozinha e foi até á sala esperando encontrar qualquer pessoa menos a que viu ali, olhando para o jardim agora escuro.

-Tu?- foi a única coisa que ela conseguiu dizer, o homem olhou para ela e sorriu.


N/A: Próximo capítulo eu explico o que se passou com Draco nos últimos cinco anos. Por agora fico por aqui. Espero que gostem e obrigadão por todas a reviews, não ha melhor prémio e inspiração para mim do que ver que estão gostanto da fic. Bjs