There've been mornings when I couldn't wake up
Houveram manhãs em que não conseguia acordar
There've been evenings when I couldn't sleep
Houveram noites em que não consegui dormir
My life will be fine for months at a time
A minha vida esteve bem durante alguns meses
Then I'll break down and cry for a week
Mas depois eu ia abaixo e chorava durante uma semana
These years after you
Durante estes anos atrás de ti
Linda Davis - Years After You
Capítulo Dezassete
Cinco anos haviam passado, cinco anos procurando as duas pessoas que mais amava no mundo e nem sinal delas, nem um rasto que ele pudesse seguir, nem um sinal, nada. Ele estava sentado no grande cadeirão do seu escritório. Ele tinha chegado tão longe naqueles cinco anos, tinha alcançado tanto na sua carreira e para ele não lhe adiantava de nada. Nem o cargo de Ministro da Magia tinha sido suficiente para ele descobrir onde estava a sua mulher e o seu filho. Depois da conversa com os Wealseys, apesar de ele sentir um sentimento de impotência ele não desistiu de procurar, mas foi tudo em vão. Concentrou-se no seu trabalho e acabou sendo convidado a ser o responsável pelo Departamento de Cooperação Mágica Internacional quatro anos antes do presente. Dois anos depois conseguiu o cargo de Ministro da Magia. Ele finalmente conseguira provar que era um homem diferente do seu pai e era uma figura muito poderosa na sociedade mágica, inspirava confiança e lá no fundo, todas as pessoas tinham uma certa compaixão por ele, Draco Malfoy apesar de sempre simpático e discreto, tinha uma sombra no olhar que não escapava a ninguém e todos sabiam porquê apesar de ninguém comentar. Ele não era só o Ministro da Magia, era também o dono da empresa Malfoy, era mais rico do que o seu pai fora, mas apesar de todo o seu sucesso financeiro, sentia-se vazio.
A mansão estava vazia, mas ele era incapaz de sair daquele lugar, ás vezes, quando pensava em Ginny ainda sentia o cheiro dela, quase conseguia ouvir a voz dela, e depois ouvia os soluços dela, eram momentos angustiantes aqueles em que ele recordava as vezes que a tinha ouvido chorar durante a noite e ele não fizera nada mais do que fingir que dormia. Sentia raiva dele mesmo e sentia-se impotente por não a conseguir encontrar. Tinha até enviado Aurores a ver se a descobriam, mas nem assim. Tinha entrado em contacto com todos os colegas dela de Hogwarts mas nenhum sabia dizer onde estava Ginny. Os seus amigos mais íntimos continuavam sem saber onde ela estava. Nem Luna, nem Harry, nem Hermione, nem a sua família. Falara com pessoas que ele nem sabia que tinham passado por Hogwarts enquanto ele lá estava. Tinha falado com muitos que haviam ido para o mundo dos muggles durante a guerra, tinha viajado para outros países mas nem sinal dela. Acabou chegando à conclusão que ela provavelmente tinha um Guardador Secreto e que era uma pessoa que confiava muito, por tanto, não lhe iria dizer onde ela estava. Talvez fosse Harry, ou Hermione, ou um dos irmãos mais velhos, Luna, Colin Creevy, passaram-lhe uma centena de nomes pela cabeça mas não adiantava de nada, fosse quem fosse era fiel a Ginny e jamais lhe diria uma palavra. Foi aí que percebeu as palavras de Charlie e de Bill naquela noite em que as suas esperanças se tinham afogado perante a cruel verdade: Ginny só voltaria quando quisesse. Ele havia esperado, dias, meses, anos e ela não voltara. A cada minuto que passava ele sentia as suas esperanças desaparecerem. Começava a acreditar que ela não voltaria, e ele nunca iria conhecer o filho que tanto queria poder abraçar.
Draco levantou-se e materializou-se na sua mansão. Eram já quase horas de jantar. Ele sentou-se à mesa e foi servido por Nukky. Comeu sozinho como sempre e depois vagueou pelos corredores abandonados até ao seu quarto vazio. Nunca sentira aquela casa tão fria, nem durante a sua infância aquela casa havia sido tão oca.
Em cima da cama estavam os papéis em que ele tinha trabalhado a noite anterior. Theodore Nott tinha passado lá para lhos entregar no dia anterior. Draco não gostava de Theodore, nunca havia gostado mas aquele homem era o único Slytherin suficientemente esperto para lhe fazer frente e isso fazia Draco respeitá-lo, apesar de não simpatizar com o homem, e Theodore era um homem influente, por isso Draco preferia tê-lo por perto. Theodore aparecera muito bem-disposto, conversaram pouco, mas Theodore, durante toda a conversa tinha um ar de troça que Draco não conseguiu perceber. Aquele homem planeava alguma coisa. Essa conversa tinha ocupado a sua cabeça durante grande parte daquele dia. Entre as memórias de Ginny e a preocupação com Nott, Draco não fizera muito no ministério naquele dia. Tinha sido um dia perdido, não sabia porquê, sempre conseguira se concentrar no trabalho, afastava-se dele mesmo, separava as suas emoções da sua razão e conseguia fazer o seu trabalho como ninguém antes, mas naquele dia sentia-se estranho, inquieto, como se algo fosse acontecer, mas era parvoíce da cabeça dele, eram só as memórias que estavam afectando-o demasiado.
Longe dali, num país mais a sul, Ginny tentava esconder a sua surpresa.
-Boa noite Senhora Malfoy!- Theodore Nott disse a Ginny.
-Boa noite...- ela disse ainda demasiado surpresa para conseguir dizer fosse o que fosse.
-Tenho a certeza que se pergunta o que faço aqui? Pois bem, devo dizer que foi difícil encontrá-la, mas cinco anos de pesquisa conseguiram me conduzir até aqui...
-Como...? O que faz...?- ela ainda não sabia o que dissesse. Muitas vezes imaginou que alguém a encontraria. Harry, Hermione, Bill, Charlie, até Ron, mas Theodore Nott não fazia parte dessa lista.
-Tudo a seu tempo. Foi difícil encontrá-la, foi preciso muitas pesquisas, imaginei que realmente tivesse um guardador secreto que a protegeria do seu marido, pois ele, sendo quem é, não a conseguiu encontrar e devo dizer que hoje em dia ele consegue muita coisa, mas não estou cá para falar dele, estou cá sim para oferecer-lhe a minha ajuda.
-Não percebo?- Ginny finalmente encontrara a razão.- A sua ajuda? Como me encontrou e o que quer de mim?
-Lembra-se daquela nossa conversa, cinco anos atrás, na festa de Millicent?
-Sim...vagamente!
-Nesse dia eu achei-a a mulher mais encantadora deste mundo, e a maneira como o seu marido a tratou foi repugnante. Como é que um homem podia fazer tal coisa a uma mulher como você? Isso tocou-ma ainda mais, a força que você demonstrou, o amor que tinha pelo seu filho. Posso ser um Slytherin mas como lhe disse eu não sou como eles, e admiro mulheres como a senhora. Naquela noite apaixonei-me por você, e quando soube que desaparecera fiz de tudo para encontrá-la. O seu marido ajudou-me, sem ele mesmo saber claro. Ele falou com todos os seus antigos colegas, incluindo Creevy quando este foi a Inglaterra visitar o irmão, todos negaram saber de si. Mas eu sabia que um deles estava mentindo e lembrei-me de me ter dito que Colin Creevy, um grande amigo seu tinha saído do país durante a guerra. A mim pareceu-me que era a melhor pessoa para procurar. O seu amigo escondeu-se muito bem, foi difícil saber onde ele estava, esconde-se muito bem este seu amigo, mas eu consegui, ontem durante a tarde o meu braço direito disse-me a notícia que fez valer cinco anos de procura: Colin tinha sido localizado, sabiam a morada dele e eu tinha a certeza que era aqui que se escondia.
-Só não percebo como me quer ajudar?- Ginny estava desconfiada de toda aquela conversa de Theodore. Uma vez tinha confiado num Slytherin e arrependera-se, não ia cometer o mesmo erro novamente.
-Draco está mais perto do que imagina, sendo quem ele é, não desconfio que demore muito a encontrá-la, ele pôs Aurores atrás de si, está disposto a encontrá-la e ao seu filho de qualquer maneira. Tenho a certeza que lhe quer tirar Fabián.
-Pois chegou tarde Senhor Nott, porque eu estou de partida para Inglaterra e Draco vai mesmo conhecer Fabián!- ela disse firmemente. Por momentos Nott parecia perplexo e desconcertado mas recompôs a sua postura séria.
-Melhor ainda. Pois quero que saiba que estarei do seu lado, se quiser, precisará de muita força e alguém muito influente se quiser enfrentar o seu marido!
-Mas eu não penso enfrentá-lo, mas se tiver que ser, tenho muitas mais pessoas dispostas a o fazer.
-Eu não tinha tanta certeza, Draco Malfoy não é exactamente quem você pensa, muitas coisas mudaram nestes cinco anos!
-Tais como?
-Deixarei que veja com seus próprios olhos.- ele disse. Sim, era melhor que ela visse, assim o susto seria maior e ela não teria tempo para se recompor, iria ter com ele, e ele estaria lá para a ajudar.
-Então eu verei, agora se não se importa, está ficando tarde e eu gostaria de ir me deitar. Amanhã tenho um longo dia pela frente.
-Acredito que sim. Boa noite e boa sorte Senhora Malfoy!- Theodore disse com um brilho no olhar que fez Ginny sentir um arrepio descer-lhe pela espinha. Não sabia se podia confiar naquele homem, mas pior do que Draco ele não podia ser e estava disposta a ajudá-la embora as suas razões fossem suspeitas.
Theodore saiu e Ginny ficou só, na entrada pensando no estranho encontro com Nott. Colin acabou aparecendo com Fabián no colo.
-O que ele queria?
-Queria me oferecer ajuda.
-O quê? E eu que pensava que Draco o tinha contratado!
-Também pensei nisso. Mas Nott não me pareceu ser muito fã de Draco, jamais aceitaria ajudá-lo. No entanto não tenho a certeza se as razões dele serão verdadeiras...
-O que ele disse?
-Disse que estava apaixonado por mim.
-Ele...o quê? Estás brincando?!
-Não, antes estivesse. Sei o que homens como ele Draco são capazes de fazer e de dizer para conseguirem o que querem, no entanto também sei que ele é diferente dos outros Slytherins que conheço, só não sei se isso o torna melhor ou pior.
-Esperemos que seja melhor, acho que pior não pode ser. O pior é ele ser como Draco Malfoy.
-Pois...- Ginny disse pensativa- Falando em Draco, quando foste visitar o teu irmão, disseste que Draco fora falar contigo. Nott disse que Draco era alguém muito influente. Diz-me o que sabes? Sei que te pedi que não me dissesses o que se passava por lá mas agora quero saber.
-Oh!- Colin disse ficando ligeiramente corado- Eu só lá estive uma semana e já passaram três anos, mas Draco era o chefe do Departamente de Cooperação Mágica Internacional.
-Ele o quê?- Ginny não esperava aquilo.- Ele é... como?
-Não sei, já se passaram três anos desde essa altura. Ele talvez já nem seja o responsável pelo cargo. Vais ver que vai correr bem Gin. Tens a certeza que não queres que vá contigo?
-Obrigada Sete Anões mas esta é uma guerra que terei que enfrentar sozinha e tu já fizeste muito por mim. Obrigada por tudo.
-Eu faço tudo pela minha Branca de Neve e pelo meu querido Príncipe Encantado!- Colin disse referindo-se a Fabián que havia adormecido nos seus braços.
-É melhor ir deitá-lo, ele manhã terá um dia mais difícil que o meu, ele enfrentará um mundo que não conhece e um pai que ele venera e que provavelmente irá fazer os sonhos dele em pedaços.- Ginny tirou o filho dos braços do amigo e foi deitá-lo.
Quando colocou o cobertor sobre Fabián ele abriu um olho e sorriu.
-É amanhã, mamã!- ele sussurrou.
-Sim, é amanhã, querido!- ela disse e deu-lhe um beijo na testa. Fabián fechou os olhos e voltou a dormir. Ginny olhou para o seu principezinho e mais uma vez pediu a Merlin que o seu marido se tivesse tornado numa pessoa melhor e que o seu filho não sofresse como ela sofreu por causa de Draco.
