Say farewell to the dark night
(Diz adeus á noite escura)
I see the coming of the sun
(Eu vejo o solm nascente)
Eu quero estar ao seu lado baby
Pra recomeçar
You came and bring the new life
(Tu voltas e trazes uma nova vida)
Into this lonely heart of mine
(Para este meu coração solitário)
One... meu sonho bom
Two... just wanna be with you
(só quero estar contigo)
Three... por muito tempo esperei
Preciso ouvir você dizer sim
Ivete Sangalo feat. Brian Mcknight - Back at one
Capítulo Dezoito
Ginny não conseguia dormir. Quando o relógio lhe disse que eram sete horas da manhã, ela decidiu se levantar. As malas estavam arrumadas, estava tudo preparado, ela só precisava contactar Charlie, pois não conseguiria enfrentar a família sozinha.
Ela foi até à cozinha e decidiu fazer o pequeno-almoço para Colin e Fabián. Preparou o seu último pequeno-almoço ali e esmerou-se por fazer tudo o que Colin e Fabián gostavam. Quando eram quase oito horas ela decidiu falar com Charlie. Por aquela altura ele já deveria estar acordado. Agarrou na sua varinha e concentrou-se por se lembrar da cabana do irmão. Materializou-se num quarto mal iluminado, desarrumado mas felizmente limpo. Ela viu luz por baixo da porta do quarto de Charlie e decidiu sentar-se á espera que ele saísse do quarto. O que não demorou muito. Viu o seu irmão sair do quarto, usando apenas umas calças de algodão que servia como pijama e com uma expressão de quem não se importava de poder dormir mais algumas horas. Tinha o cabelo todo despenteado e estava descalço.
-Bom dia!- ela disse. Charlie deu um salto para trás, e esticou o braço como se tivesse lhe apontando uma varinha. Ela riu.
-Que susto Ginny, pensei que fosse um ladrão ou pior!- ele disse. Depois, como se finalmente se apercebesse de quem estava realmente ali, esbugalhou os olhos em estupefacção e gritou- GINNY!?
-Voltei Charles! Quero dizer, vou voltar, está na hora de eu sair da minha toca e enfrentar a realidade mas preciso da tua ajuda, preciso que vás comigo, eu não consigo voltar sozinha, preciso de um apoio, o apoio de alguém que me conhece melhor do que ninguém... Posso contar contigo?
-Claro que podes Ginny! Podes sempre contar comigo. Pensei que soubesses disso e eu até esperava que viesses falar comigo quando desapareceste, esperei cinco anos e nada, mas felizmente voltaste!- ele disse e correu para ela, como fazia quando ela era mais pequena e pegou-a ao colo sem esforço nenhum. Ginny riu e ele voltou a colocá-la no chão.
-Eu passo cá antes do jantar para ires comigo até a toca, pode ser?
-Claro, mas já vais? Não queres tomar o pequeno-almoço comigo?
-Desculpa, mas fica para a próxima, tenho um pequeno louro resmungão á minha espera.
-Ok, eu vou falar com a mãe...
-Não lhe digas que eu vou voltar, não quero que saibam, quero fazer uma surpresa!- ela disse, mas a verdade é que tinha medo que se Molly soubesse, Draco pudesse descobrir. Ela queria voltar, mas primeiro queria falar com a sua família, explicar o sucedido, arranjar aliados para então enfrentar o dragão.
-Como queiras! Então até logo Gin.
-Adeus Charlie!- ela disse, deu-lhe um beijo na bochecha e materializou-se na casa de Colin.
-Onde foste?- ela ouviu uma voz autoritária mas infantil perguntar-lhe.
-Fui visitar uma pessoa.- ela respondeu sorrindo ao seu filho.
-Posso saber quem?- ele voltou a perguntar. Ginny tentou esconder o riso. Fabián tinha os braços cruzados, uma expressão muito séria na cara e a sobrancelha direita ligeiramente arqueada, uma expressão que ela tinha visto Draco Malfoy usar muitas vezes.
-O teu tio Charlie!- ela disse e viu o seu filho sorrir. A postura séria e adulta que ele tentava manter foi-se embora.
-Aquele que cuida de dragões?
-Esse mesmo. Antes de irmos para casa da avó vamos passar com o tio Charlie!- ela viu o sorriso de Fabián abrir-se ainda mais.
-Não podemos ir já?
-Ias-te embora sem despedir de mim?- Colin apareceu na porta do corredor e fingiu uma expressão magoada.
-Claro que não. Eu ia te dizer adeus depois íamos. Não vejo a hora para ver os meus tios e o meu pai!
-Eu mal vejo a hora é de devorar a deliciosa tarte de maçã que eu fiz ainda há pouco. Quem quer uma fatia?
Os dois homens correram até á cozinha e lançaram-se á comida. Ginny sorriu e juntou-se-lhes. O dia passou tranquilamente, aproveitaram as últimas horas na companhia de Colin, passearam juntos, almoçaram juntos, brincaram juntos e na hora de partir Fabián já não estava tão alegre quanto antes. Ele foi até perto de Colin e disse:
-Vou ter saudades tuas, Sete Anões!- ele disse com a voz tremendo. Ginny sabia que Fabián queria chorar, mas o filho era orgulhoso e não ia deixar que nem Colin nem ela o vissem derramar uma lágrima.
-Eu também, meu principezinho!- Colin disse, colocando-se á mesma altura da criança. Fabián rodeou o pescoço do Sete Anões com os seus pequenos braços, num abraço que fez também Ginny se render á sua tristeza por abandonar aquela casa. Ela caminhou até os dois homens que lhe haviam feito companhia naqueles cinco anos e abraçou-os.
-Mas que lamechas que nós somos!- Colin disse afastando-se. Ela sabia que o amigo também tentava esconder a tristeza.-Mas vá, despachem-se, ou vão chegar atrasados para o jantar maravilhoso que Molly Weasley prepara.
-Adeus Colin, prometo que te vimos visitar!- Ginny disse.
-Eu vou cobrar essa promessa! Adeus Branca de Neve! Adeus principezinho!
Ginny pegou no filho ao colo, as malas já tinha sido enviadas para a cabana de Charlie.
-Adeus Colin!
-Adeus Sete Anões!
E os dois desapareceram da sala de Colin, que ficou olhando para o local onde antes tinham estado duas das pessoas que ele mais gostava no mundo. Ele, durante aqueles cinco anos tinha se convencido que a estadia deles era passageira, para que quando eles fossem embora ele não sofresse, mas não lhe valeu de nada pois continuava doloroso. De repente a casa estava demasiado vazia, demasiado silenciosa. A realidade finalmente embateu contra ele. Nunca mais ia ouvir os gritos de Fabián pela casa, ou as suas risadas, ou as suas brincadeiras. Nunca mais iria ouvir a voz doce da sua melhor amiga, ou o seu sorriso. Estava só, mais uma vez.
Draco agarrou nos papéis que acabava de assinar e enfiou-os dentro da gaveta. Mais um dia sem conseguir adiantar quase nada. Outro dia em que não se conseguira concentrar. Estava inquieto, aborrecido, com péssimo humor. Talvez jantar com os Wealseys o fizesse se acalmar um pouco. Molly tinha o convidado para um jantar e ele aceitou. Estar com os Wealseys era a única maneira de se sentir perto de Ginny, mesmo sem saber onde ela estava. As suas relações com os familiares da sua mulher melhoraram bastante nos últimos cinco anos. Artur já o tratava com respeito e até admiração. Os gémeos já o suportavam muito bem e Molly adorava-o. Só Ron ainda mantinha uma certa agressividade e desconfiança para com ele. Mas Draco não se importava, era a li que se sentia bem, na casa onde Ginny vivera quase toda a sua vida. Quando lá estava era como se ainda conseguisse ouvir a sua voz, o seu riso, sentir o seu cheiro.
Como faltava pouco para o jantar, ele materializou-se no jardim dos Weasleys. Fred e Harry estavam lá com Philipe, o filho de três anos de Ron e Hermione. Estavam tentando ensiná-lo a voar numa vassoura de criança. Phill ria às gargalhadas sempre que caia. Draco sorriu e foi ter com eles.
Algum tempo depois, Molly chamou-os.
-Já nos podes dizer porquê queres que esteja tudo perfeito para nem nos deixares entrar em casa?- Fred perguntou à mãe.
-O Charlie vem para jantar e disse que trazia alguém com ele. Parece que o vosso irmão vem apresentar a namorada à família Molly respondeu, sorridente.
-Está louco! Já não bastava o Bill e o Ron a perderem o que mais belo se tem na vida, que devo dizer é a liberdade, agora também o Charlie!- Fred comentou. Draco e Harry riram-se. Fred olhou para Harry muito sério- Tu, promete-me que não te vais deixar que uma mulher te enfeitice, promete-me, Harry! Tens que prometer que não te deixas levar por falinhas mansas de nenhuma mulher!- Fred fingiu desespero.- Ate o George já está quase assassinando a sua linda e deliciosa liberdade!- ele concluiu dramaticamente.
-Não sejas parvo, Fred! Ter uma relação e um compromisso com outra pessoa não é o fim do mundo!- Molly disse. Nesse momento, Hermione, Ron, George e Angelina materializaram-se no jardim.
-Chegaram os loucos!- Fred disse. Harry e Draco riram, mas os outros nada perceberam e ficaram olhando para Fred ofendidos.
-Não lhes liguem!- Molly disse- Agora só falta Artur! Espero que ele não demore. Charlie deve estar quase chegando!
E não demorou, pouco depois Artur entrou na sala onde todos se tinham colocado. Molly olhava impacientemente para o relógio. Estavam todos em silêncio, excepto Phill e Harry que brincavam num canto.
-A qualquer minuto!- Molly murmurou, mas como a sala estava imersa num silêncio quase absoluto, todos a ouviram.
E de repente a sala encheu-se de fumo verde. Viram uma figura erguer-se da lareira carregando algo nos braços. Charlie sorriu para todos, mas os olhos dos restantes que estavam na sala estavam fixos na criança loura, de olhos cinzentos que estava nos braços de Charlie.
Ginny olhou para o irmão. Estava super nervosa, não sabia bem porquê, afinal era a sua família, era só o tempestuoso Ron, os divertidos gémeos, os seus pais, provavelmente Hermione e Harry também lá estavam. Pessoas que ela adorava, não havia razão para aquele nervosismo. Mas havia qualquer coisa que a enervava, a fazia recear o regresso á Toca.
-Pronta?- Charlie disse, segurando Fabián, que passara a adorar o tio, no colo.
-Não! Mas se for para esperar que eu esteja pronta nunca mais volto.- ela disse.
-Podiamos materializarmo-nos lá, sabes!
-Prefiro pela Floo, é mais seguro para Fabián, já corri o risco de deixá-lo para trás quando me materializei aqui, mas não sabia a tua morada!
-Ok, se é isso que queres! Vamos?
-Vai tu á frente, eu sigo-te!- ela disse. A sua intenção era ter a enorme figura do seu irmão a escondê-la quando aparecesse em casa. Teria tempo de respirar fundo antes de se revelar aos familiares.
Charlie disse: a Toca! E desapareceu entre as chamas verdes. Ginny seguiu-o. Quando se deu de conta estava na sala de estar da Toca. Charlie estava á sua frente, com Fabián num braço e a mala dela na mão oposta. Ginny carregava a bolsa de Fabián. Ela respirou fundo e preparou-se para se revelar á família mas a voz do seu filho petrificou-a:
-Olá papá!
