Meu coração

Sem direção

Voando só por voar

Sem saber onde chegar

Sonhando em te encontrar

E as estrelas

Que hoje eu descobri

No seu olhar

As estrelas vão me guiar

Ivete SangaloSe Eu Não Te Amasse Tanto Assim


Capítulo Dezanove


Draco olhou surpreso para a criança que Charlie tinha sobre o seu braço. Uma onde de alegria percorreu-lhe o corpo. Viu a criança ser posta no chão e caminhar até ele. Não sabia bem o que fizesse, sonhara tanto com aquele momento mas não fazia ideia de como devia reagir com Fabián. Este pelo contrário mostrava-se muito á vontade. Quando chegou ao pé de Draco, sorriu, estendeu a mão e disse:

-Olá papá! Eu sou o Fabián!

Draco sorriu e apertou a mão do seu filho, ele portava-se como um adulto e Draco riu. Não conseguiu se conter e pegou no filho ao colo.

-Olá Fabián, eu sou Draco Malfoy!

-Sabes quem eu sou não sabes?- Fabián perguntou receoso que Draco não o reconhecesse.

-Claro que sei! És a pessoa que eu mais queria conhecer neste mundo!- Draco sentiu os braços da criança rodearem o seu pescoço e sentiu que iria explodir de alegria. Fechou os olhos e apertou o filho.

Ginny ouvia a conversa toda atrás de Charlie. Estavam todos concentrados na cena que se passava entre pai e filho e Ginny sentia um nó na garganta. Não só por estar ouvindo as palavras que pai e filho trocavam, que não era nada do que ela imaginou mas também porque não esperava que ele estivesse ali. A voz dele provocou uma centena de diferentes sensações dentro de Ginny. E foi como se aqueles cinco anos não tivessem passado. Foi invadida por um turbilhão de sentimentos contraditórios. Odio e amor, raiva e saudade, tristeza... Ela fechou os olhos. Não queria sair de trás de Charlie mas era inevitável. Enquanto os outros ainda não se tinham recomposto da surpresa, Charlie aproveitou para se afastar e revelar Ginny, no entanto ainda demorou a notarem que ela estava ali. Foi Draco, que quando abriu os olhos se deu conta que havia mais alguém com Charlie. Os seus olhos cinzentos apanharam o olhar de uns castanhos chocolate que ele tanto sentira falta. Ele sentiu o seu coração dar um salto.

-Ginny!- ele murmurou. Nesse momento todos os olhares dirigiram-se a Ginny e o barulho irrompeu pela sala dos Weasleys.

-Meu deus Ginny, onde estiveste?

-Que aconteceu?

-Porque não deste notícias?

Ela foi bombardeada por uma dezena de perguntas. Harry, Hermione e os outros Wealseys cercaram-na, eram tantas perguntas que ela nem percebia o que diziam. Sentiu o seu temperamento Weasley, que havia estado adormecido por cinco anos acordar com mais força que nunca.

-PAREM!- ficou satisfeita por ver que todos se calavam. Ela afastou-se da lareira, afastando-se da multidão que a cercava mas sem olhar para a única pessoa que não a tinha cercado e que ainda tinha Fabián no colo.- Está melhor! Eu vou explicar tudo, mas não agora! Gostaria de jantar e depois então conto tudo!- ela disse. Viu olhares insatisfeitos mas acharam melhor dar-lhe espaço. Ela não iria falar á frente de Draco, não podia, não lhe ia revelar o lugar onde se escondera. E se precisasse se esconder novamente?

Jantaram em silêncio. Ela conseguia ver os olhares que a família e amigos lhe lançavam e sabia que eles estavam se contendo para não lhe fazerem perguntas, mas o olhar que mais a fazia sentir-se desconfortável era o do seu marido. Ginny sentou-se entre Charlie e Harry, o lugar mais distante de Draco que ela havia encontrado mas mesmo assim ele estava demasiado perto. Ela sentia arrepios sempre que sentia o olhar dele colar-se nela. Sentia raiva dela mesma, sentia frustração e humilhação. Ela tinha se convencido que qualquer sentimento que nutria por Draco Malfoy estava morto e enterrado mas era tudo ilusão. Todos os sentimentos tinham estado apenas adormecidos pela distância mas agora voltavam todos e ela sentia vontade de fugir dali. Ela não estava preparada para o ver, ela não o queria ver, ela não se tinha preparado para aquilo, ela não esperava ele ali, ele não devia estar ali, ele não podia estar ali. Porque estava ele ali? Porque estava Draco Malfoy na casa dos Weasleys? E porque agiam todos tão cordialmente com ele? Que acontecera naqueles cinco anos? Um milagre de certeza ao ver que o seu pai e Draco se tratavam tão bem.

O jantar passou depressa demais, e era hora de enfrentar todas as perguntas chegou antes que ela estivesse preparada. Antes que todos pudessem atacá-la novamente com perguntas, Molly disse algo que Ginny não gostou nada de ouvir.

-Eu sei que estamos todos curiosos e cheios de saudades mas Ginny tem assuntos importantes para falar com alguém e tem de ser a sós, por isso quero todos na cozinha imediatamente! Ginny e Draco têm que falar.

Ginny sentiu-se desesperar, sentiu vontade de gritar, de agarrar um deles e implorar que ficasse. Mas eles desapareceram pela porta da cozinha sem que ela tivesse tempo de abrir a boca. Ela não queria estar só com Draco, ela não podia estar só com ele e ela certamente não tinha nada para lhe dizer.

Ele olhava para ela, não sabia o que dissesse. Tinha milhares de perguntas para lhe fazer mas não conseguia, não a queria assustar, não podia deixá-la fugir novamente.

-Ginny...- ele disse suavemente.

-Não digas nada!- ela disse friamente. A voz dele, mais uma vez fê-la sentir-se um ratinho enfrentando um tigre. Isso avisou-a de que tinha que se manter firme e não deixar ele perceber que a afectava. Ela podia ainda estremecer com a presença dele mas as memórias eram bem dolorosas e ela não era mais a frágil e doce Ginny que ele conhecera.- Não temos nada para falar! Eu fugi do teu pé e agora voltei, mas não para ti! Voltei porque Fabián queria te conhecer e ele tem esse direito, mas eu quero distância de ti e daquela mansão! Eu não quero ouvir as tuas palavras nem quero saber nada de ti por isso agora, se não te incomodar, eu tenho que ir falar com a minha família!

Draco sentiu-se pior do que nunca. Sabia que ela tinha razão para estar assim, ia suportar, ia tratá-la com respeito e ia tentar manter a distância, mas queria o amor dela de volta. Só que sabia que não iria ser fácil, porque naquele momento, ela provavelmente o odiava. Mas não era fácil lidar coma frieza dela e um sentimento de derrota tomou conta dos seus pensamentos, mas ele não podia desistir, era a mulher que amava que estava em causa.

Ginny foi até á cozinha e todos olharam para ela um pouco surpresos. Esperavam que ela demorasse mais na sala. Ela abriu a boca para falar mas perdeu a coragem. O encontro com Draco tinha a alterado, tinha os nervos á flor da pele e não estava em condições de explicar nada a ninguém, muito menos sabendo que ele estava a poucos metros dela

-Desculpem mas eu... eu estou cansada e preciso ficar sozinha. Amanhã falamos! Vamos Fabián?

-E o papá?

-O papá vai para a casa dele, nós vamos para o hotel!

-Mas eu quero ficar com o papá!- Fabián insistiu.

-Ele pode ficar comigo!- ela ouviu Draco dizer atrás de si. Sentiu a respiração dele perto do seu pescoço, ele estava a poucos centímetros dela e ela não gostava da proximidade, fazia-a sentir-se vulnerável. A voz dele estava diferente, tinha uma nota de tristeza, mas era mais forte do que ela se lembrava.

Ela deu um passo em frente para se afastar dele. Aquele homem ainda tinha a capacidade de fazê-la querê-lo e odiá-lo ao mesmo tempo. Ela sentiu-se humilhada, como é que ela podia ainda sequer conseguir ter sentimentos bons em relação a Draco. Ela nunca admitiria isso, mas ainda assim ela sentia que era vergonhoso, depois de tudo o que ele fizera. Mas a raiva era mais forte e ela não iria se deixar enganar novamente.

-Não Fabián! Tu vens comigo, amanhã vês novamente o teu pai!- ela disse, não queria discutir com o filho, mas precisava sair dali, afastar-se de Draco, fugir mais uma vez, mas não para tão longe nem por tanto tempo. Ela só precisava de uma noite para erguer as suas defesas que foram apanhadas de surpresa.

-Podes ficar aqui querida, o teu quarto ainda está como deixaste e Fabián pode ficar no quarto de Ron!- Molly informou.

-Obrigada mãe, mas eu vou para o hotel! Amanhã eu volto! Vamos Fabián!

-Mas...- ele tentou dizer mas a expressão na cara da sua mãe fê-lo fazer o que ela dizia. Ginny despediu-se rapidamente da família, sem olhar para Draco e foi até ao jardim, de onde se materializou no hotel.

Uma vez no seu quarto e com Fabián dormindo, ela deitou-se na cama e sentiu a raiva tomar conta dela. Quis gritar. Era raiva de Draco mas principalmente, raiva dela mesma. Sentia-se estúpida por se aperceber que Draco ainda lhe causava sensações além de ódio. O cheiro dele ainda a fazia se deliciar, a voz dele ainda a fazia estremecer, o calor dele ainda a arrepiava, o olhar dele ainda a prendia, o corpo dele ainda a atraia. Ela agarrou na almofada e jogou contra a parede.

"Não!" a mente dela gritou. Ela não se ia deixar levar pelos sentimentos parvos que tinham decidido acordar após cinco anos de distância. Ela não iria sucumbir ao charme dele mais uma vez. Ela ainda se lembrava perfeitamente como sofrera e algumas das feridas ainda estavam bem abertas. Ela não iria perdoá-lo. Não agora nem nunca. Ele podia ter dado a volta á sua família mas não a ela, mesmo que ele tentasse ela não iria acreditar nem em uma única palavra saída da boca dele. Por ela, ele até podia ser o Ministro da Magia que continuaria sendo o cruel e frio Draco Malfoy com quem ela casara cinco anos antes.

Draco Malfoy deitou-se na cama sentindo-se desiludido. Tinha passado cinco anos imaginando o que diria a Ginny quando a visse, se a visse, mas quando teve o momento foi como se a sua mente se esvaziasse. Depois, quando finalmente encontrou as palavras que lhe queria dizer ela jogou-lhe um balde de água fria, nem lhe deu oportunidade. Ele olhou para o lugar vazio ao seu lado na cama, onde cinco anos antes ela se tinha deitado e chorado noites sem fim. O ódio que ele sentiu nas palavras que ela lhe havia dito quase fê-lo querer desistir, mas ele não passara aqueles cinco anos á espera e a procurando para a gora desistir, nem que ele tivesse que ir ao inferno e voltar, ele iria conseguir conquistá-la e fazê-la feliz, como ela merecia. Ele nunca fora um homem de desistir de nada, não seria agora, que enfrentava a luta mais importante da sua vida, que ele se iria render. Mas Ginny jamais iria perdoá-lo, e mais uma vez ele sentiu-se derrotado. Agora que ele finalmente tinha Ginny perto dele, sentia uma contradição dentro da sua cabeça. Ele queria lutar, mas ao mesmo tempo sentia que era uma luta em vão. Ginny odiava-o e esse era o único sentimento que ela seria capaz de nutrir por ele. Se pelo menos ele não tivesse destruído todos os sentimentos bons que ela uma vez nutrira por ele?

Draco fechou os olhos mas não conseguiu dormir, passou a noite tentando decidir o que deveria fazer.