I'd never hurt you (If I could turn back)
Eu nunca te magoaria (Se pudesse voltar atrás no tempo)
And never leave your side (If I could turn back)
E nunca sair do teu lado (Se pudesse voltar atrás no tempo)
If I could turn back the hands
Se eu pudesse fazer o tempo andar para trás
There'll be nothing I wouldn't do for you (If I could turn back)
Não haveria nada que eu não fizesse por ti (Se pudesse voltar atrás no tempo)
Forever honest and true to you (If I could turn back)
Para sempre honesto e fiel a ti (Se pudesse voltar atrás no tempo)
If you accept me back in your heart, I love you
Se me aceitares de volta no teu coração, eu amo-te
If I could turn back the hands
Se eu pudesse fazer o tempo andar para trás
R.Kelly - If I Could Turn Back The Hands Of Time
Capítulo Vinte
Ginny acordou no dia seguinte ainda se sentindo confusa. Ela abriu as cortinas e tomou um duche. Depois telefonou para o serviço de quartos para pedir o pequeno-almoço. Fabián ainda dormia quando a comida chegou. Ginny acordou o filho suavemente e pela primeira vez ele não fez manha para se levantar.
-Vamos visitar o papá hoje?- foi a primeira coisa que ele disse logo que abriu os olhos. Ginny sentiu-se a pior mãe do mundo quando disse:
-Não, não vamos ver o teu pai hoje, vamos sim ver a tua avó.
Fabián perdeu o brilho que tinha no olhar, trocou de roupa em silêncio e tomou o pequeno-almoço sem dizer nada ou sequer olhar para Ginny. Ela sentiu-se mal pelo filho, mas ainda não estava preparada para ver Draco, tinha ainda que por os seus sentimentos em ordem. Ela pensou que uma noite bastaria mas percebeu que a tempestade dentro dela era mais forte do que ela imaginara.
Depois de acabarem o pequeno-almoço, Ginny e Fabián foram até a Toca. Felizmente já tinham saído todos, só lá estava Molly e Phill. Fabián deu-se bem com o mais novo membro da família Weasley e ficaram entretidos a um canto. Finalmente ela teve oportunidade de falar com a sua mãe.
-Então querida, vais me contar o que aconteceu?
-Sim, mãe. Foi para isso que vim.- Ginny disse e respirou fundo. Estava na hora da mãe dela saber o canalha que Draco Malfoy era.- Mãe, eu fugi por causa de Draco...
-Oh, eu sei querida, todos nós sabemos!- Molly disse. Ginny olhou para ela desconfiada.
-Sabem? Como? O que sabem?
-No dia que desapareceste Draco virou Londres ao contrário á tua procura, quando não te encontrou veio até mim e contou-me tudo o que se passou entre vocês.- Molly explicou.
Certamente ele não tinha dito tudo a Molly, ele não seria capaz de ter dito que a violara, que a desprezara, que a ameaçara. Ela estava convencida que ele tinha inventado uma história qualquer para explicar o desaparecimento dela, tinha inventado uma discussão qualquer entre eles e provavelmente tinha mentido acerca dela, provavelmente tinha dito que ela exagerara na reacção, o mais provável é que ele tivesse feito com que parecesse que a culpa era dela. Ela estava convencida disso porque se ele tivesse contado a verdade Molly não estaria tão tranquila nem Draco estaria vivo, tinha sido assassinado pelos seus irmãos de certeza.
-E o que foi que ele contou?- Ginny disse curiosa. Qual seria a mentira que Draco inventara?
Molly sentou-se numa das cadeiras da cozinha e fez sinal para Ginny se sentar ao seu lado. Ginny sentou-se e Molly segurou-lhe uma mão.
-Ele disse o que aconteceu na noite do casamento de Luna, foi horrível, ele estava tão arrependido, chorou como nunca tinha visto ninguém chorar, era tanto a culpa e a dor nos olhos dele, é claro que fiquei furiosa com ele mas os olhos dele não mentiam...
-A mãe acreditou?- Ginny disse levantando-se com brusquidão e afastando-se de Molly.- Acha mesmo que ele estava arrependido? Ele só estava fingindo, tentando ganhar a vossa confiança para que vocês dissessem onde eu estava para ele poder ir atrás de mim e tirar-me Fabián...
-Não querida...
-Sim mãe, não sei quantas mais mentiras ele vos contou, para todos o adorarem, mas ele é um canalha, a mãe não faz ideia da maneira como ele me tratava depois do casamento, não faz ideia do desprezo, do ódio, do divertimento que ele tinha ao ver-me sofrer! Ele é um canalha!- Ginny gritou.
-Eu sei de tudo o que ele fez, ele disse-me e explicou-me. Sei que ele foi cruel, que foi frio Ginny mas ele foi criado assim, tu lembras-te de Lucius Malfoy, não lembras querida, pois Draco criou uma carapaça parecida ao pai para abafar a dor...- Molly falou suavemente, tentando acalmar Ginny.
-Não! São tudo mentiras! Ele está mentindo e não sei como vocês podem acreditar nele. A mãe mesma disse, eu lembro-me de Lucius Malfoy, ele é como o pai dele, ainda pior, ele não quer saber de ninguém a não ser ele e o seu prazer. Tudo o que ele disse ou fez estes cinco anos para ganhar a vossa confiança é mentira!- Ginny gritou desesperada, não podia acreditar que a sua família tinha caído nas mentiras de Draco. Não a sua família que sempre odiara os Malfoys.- Vocês próprios me disseram quando comecei a namorar com ele, ele é um Malfoy, ele foi um Devorador da Morte, por causa dele Dumbledore morreu, Bill é um meio lobisomem, Hogwarts...- Ginny sentiu a voz sumir. Os soluços tomaram conta dela e lágrimas de desespero e raiva cairam pela sua cara. Molly levantou-se a abraçou a filha.
-Eu percebo que seja difícil para ti acreditares no que te estou dizendo, quem sofreu mais por causa de Draco foste tu, querida, mas ele ama-te...
-Não, não ama!- a raiva deu-lhe força para falar-. Ele só quer tirar Fabián de mim, ele quer me fazer sofrer e eu não vou acreditar em nada disto. Não vou! Não sei como ele vos conseguiu enganar mas ele já me enganou uma vez e não o vai fazer novamente mãe.
-Gin...
-Não digas mais nada mãe! Já vi que estás enfeitiçada pelas belas mentiras dele, mas eu não vou cair na armadilha. Ele conseguiu-vos como aliados, realmente ele foi muito inteligente mas ele não ganhou esta guerra!- Ginny disse, afastando-se da mãe. Deu uma volta á cozinha tentando se acalmar. Foi aí que viu o Profeta Diário sobre a mesa e a sua foto acenando sorridentemente. O título sobressaía a negro por cima da fotografia: A Mulher do Ministro da Magia Volta Após Cinco Anos. Ginny sentiu a sua cabeça andar á roda. Agarrou-se ao balcão da cozinha para não cair. As palavras "Ministro da Magia" faziam eco dentro da sua cabeça. Ministro?
-Ginny estás bem?- Molly disse preocupada.
-Mãe... Ministro?! Ele é o Ministro...?- Ginny mal conseguia articular as palavras. O choque era demasiado grande, pelos vistos Draco não mentira só á sua família. Como é que ele tinha conseguido manter uma farsa para toda a sociedade mágica? Como é que tinham posto um ex-Devorador Da Morte como ministro? De repente ela sentiu-se fraquejar. Aquele poder todo de Draco assustava-a. Não tinha força para lutar contra um ministro. Que podia ela fazer contra o Ministro da Magia?
-Sim querida! Draco é o ministro da Magia, não sabias?
-Não...- ela balbuciou. Ainda era difícil ela acreditar naquilo. Ele não podia ser ministro, não podia, isso não estava nos seus planos, ela não contára com aquilo, ele era o cehfe do Departamento de Cooperação Mágica, com isso ela conseguia lidar, mas Ministro? Não podia estar a acontecer.
Ela não tinha previsto nada daquilo. Era suposto a família dela ainda odiar Draco Malfoy, era suposto ela não o ter encontrado naquela casa na noite anterior e não era suposto ele ser mais poderoso do que era antes. Ela nunca imaginara que Draco Malfoy pudesse ser Ministro da Magia, quando á seis anos atrás as pessoas ainda o olhavam com desconfiança pelo que ele fizera enquanto Devorador da Morte.
Ela ouviu a voz do seu filho, chamá-la da sala de estar, mas parecia tudo tão longe. Ela precisava se sentar, ela precisava de um copo de água com açúcar. Ela deambulou até á cadeira, sentou-se e colocou a cara entre as mãos. Molly leu os pensamentos da filha e colocou um copo á sua frente. Ginny bebeu a água adocicada toda.
-Mãe, vê quem está aqui!- a voz de Fabián já não estava tão longe, era mais clara. Ginny levantou a cabeça e deparou-se com um par de olhos cinzentos que não eram certamente os do seu filho.
"NÃO! Ele não!" a sua cabeça gritou tentando se salvar daquele encontro. Mas Draco Malfoy estava mesmo ali e ela não tinha forças para fugir dali, mas também não tinha forças para enfrentá-lo. Que iria fazer? Mais valia ela ter perdido os sentidos alguns momentos antes. Ela fechou os olhos por uns segundos esperando que Draco não fosse mais do que uma visão causada pela baixa tensão. Mas não era, ele estava mesmo ali e ela teria que lidar com a situação.
-Draco! Que bom ver-te. Senta-te.- Molly disse. Era bom ele estar ali. Ginny não acreditara nela, mas se visse o que Molly tinha visto nos olhos dele, talvez acreditasse.
-Bom dia Senhora Weasley, eu não queria incomodar, mas precisava falar consigo...- ele disse numa voz um pouco atrapalhada.
Ginny olhou para ele com desprezo. Ele estava ali para inventar mais mentiras, para manter aquela farsa de bom samaritano. Ela sentiu uma raiva crescente dentro de si e ao mesmo tempo, ao vê-lo olhar para ela com aqueles olhos cor de tempestade, uma vontade de jogar toda a dor para trás e amá-lo atacou-a. NÃO. Ela não iria cair na armadilha. Não. Ela não ia sucumbir ao charme dele. E não. Ela não ia cometer o erro de acreditar nele e se entregar sem pensar nas consequências mais uma vez.
-Claro! Mas senta-te. Ginny não está se sentindo muito bem. Julgo que o regresso foi difícil para ela. Eu vou ver se tenho alguma coisa para ela se acalmar. Ficas com ela?- Molly perguntou a Draco, já saindo da cozinha.
-Não!- Ginny disse o mais alto que conseguiu. Ela não queria ficar a sós com ele. Ela não podia, estava demasiado fraca para conseguir aguentar.
-Eu não demoro.- Molly disse já subindo as escadas
-Que se passa mamã?- a voz de Fabián confortou-a. A voz do seu filho deu-lhe força para ela se levantar.
-Estou só um pouco fraca, mas já passa querido!- ela caminhou até ao filho, queria agarrar-se a ele, mas lembrou-se que Fabián estava no colo de Draco e ela não se atrevia a se aproximar dele. Aquele homem despertava demasiadas coisas dentro dela, sentimentos que ela preferia não sentir. Deixou-se ficar em pé, segurando-se na mesa da cozinha.
-Ginny, precisamos falar!- ela ouviu a voz forte do seu marido dizer.
-Nós não temos nada para falar!- ela respondeu agressivamente.
-Então deixa-me pelo menos eu falar!- ele insistiu, falando delicadamente.
-Não! Eu não quero ouvir as tuas mentiras!- ela disse friamente mas sem coragem de o olhar nos olhos- Podes ter conseguido enganar a minha família e todas as outras pessoas, podes ter conseguido fazer o mundo inteiro acreditar em ti, mas eu não acreditarei numa única palavra saída da tua boca. Eu sei que representas muito bem o papel de homem abandonado, triste e magoado com o desaparecimento da mulher que amavas, mas eu sei que é tudo teatro. Podes inventar o que quiseres, podes prometer o que bem te apetecer que eu não acredito em ti. Acreditei uma vez e paguei caro por isso, não cometerei o mesmo erro novamente!- ela disse firmemente. Sentia-se mais forte, o ódio estava lhe dando força para o enfrentar. O seu olhar era gelado, já não precisava da mesa para se manter em pé.
-Não é mentira...- ele tentou, mas ela não lhe deu oportunidade.
-Não vale a pena gastares o teu latim comigo! Guarda-o para todos os outros. Eu posso ser a única pessoa que não acredita em ti, mas sei que eu estou certa. Tu não prestas, és um canalha, sempre foste, eu não vi isso, mas tu fizeste questão de mo mostrar há cinco anos atrás e não acredito que mudaste assim, só porque eu decidi desaparecer. Não caio na história de teres percebido o quanto me amavas quando percebeste que eu já não estava ali. Até tenho a certeza que ainda te escondes com Pansy em algum motel barato para dares asas aos vossos des...- ela calou-se lembrando-se que Fabián estava ali. O filho estava quase chorando. Ela sentiu-se fraca novamente. No entanto, aproximou-se do filho e ele agarrou-se a ela. Enfiou a cabeça no ombro dela e chorou. Ele podia gostar muito do pai, mas ainda era a ela que ele corria quando se sentia triste. Ela afastou-se de Draco, afastando também a sua atenção dele e dedicando-se ao filho.
-Desculpa Fabián. A mamã não queria que chorasses!
-Tu... não gostas... do papá!- ele soluçou.
-Mas tu gostas e não faz mal que gostes e podes vê-lo quando quiseres! Eu prometo!- Ginny disse tentando tranquilizar o filho.
-Talvez seja melhor eu ir embora. Mas não vou desistir de falar contigo. Algum dia falaremos os dois, sozinhos, e não terás para onde escapar, e vais me ouvir Ginny, e vou te fazer acreditar, custe o que custar.- ele disse. Ginny quis interpretar aquilo como uma ameaça mas o tom das palavras dele não deixou que isso acontece. Não era uma ameaça, soava mais como um pedido, soava como a única esperança que lhe restava.
Ela viu-o desaparecer pela porta que ligava á sala e depois lembrou-se que Phill estava sozinho. Levantou-se e foi até á sala, preocupada com o sobrinho. Ficou aliviada ao encontrar a criança dormindo pacificamente sobre o sofá.
-Onde está Draco?- Molly disse com um frasco que continha um líquido rosa dentro.
-Foi embora!- Ginny respondeu. Molly percebeu que a filha estava alterada. Tinham discutido. Molly olhou para Ginny e sentiu-se triste. Ginny não iria perdoar Draco facilmente. Mas Molly acreditava que ele iria conseguir. Todo aquele tempo que ele havia esperado por ela não havia de ter sido em vão. Ela ainda tinha esperanças de que eles pudessem ser felizes.
