Baby, just have a heart

Baby, tem coração

I'm begging you

Estou te implorando

Let me show you know much I need you

Deixa-me mostrar-te o quanto preciso de ti

Baby, just have a heart

Baby tem coração

This much is true

Isto tudo é verdade

I miss your touch

Sinto falta do teu toque

I'm still in love with you

Ainda estou apaixonado(a) por ti

Celine DionHave a Heart


Capítulo Vinte e Um


Fabián insistira em ficar em casa dos avós o resto do dia e passar lá a noite. Ginny não teve coragem de negar aquele pedido ao filho. Ela tinha o privado de cinco anos de convivência com a família, era o mínimo que podia fazer. Além disso ia lhe fazer bem estar sozinha durante algum tempo. Ela tinha muito para pensar, tinha a sua cabeça para ordenar, tinha que decidir o que fazer. A sua vida tinha virado de cabeça para baixo e ela não sabia que caminho seguir.

Ainda tinha raiva saindo por todos os poros da sua pele. Entrou no hotel um pouco depressa, mas ela só queria chegar ao seu quarto, jogar-se para a cama e esquecer, esquecer a noite passada, esquecer aquela manhã. Ia tão distraída que nem reparou que alguém saía do elevador que ela ia entrar e chocou, inevitavelmente com um homem. Ficou um pouco atordoada e depois percebeu o que se passara. Olhou para o homem e pediu desculpa, sem sequer reparar quem era mas depois olhou para ele como se tivesse visto um fantasma.

-Não faz mal, Senhora Malfoy! Na verdade até foi bom encontrá-la.- Theodore Nott disse sorrindo. Ela não gostava do sorriso daquele homem, nem dos olhos dele. Ela tinha sempre a sensação que escondiam algo obscuro.

"É como todos os Slytherins." ela pensou, claramente se lembrando de Draco. Mas não, não eram todos os Slytherins que a faziam sentir aquilo. Por mais mentiroso e cruel que Draco fosse, ela não tinha aquela estranha sensação de que Theodore escondia algo. Aquele homem causava-lhe arrepios, mas não como os que Draco lhe causava. Aqueles arrepios eram de medo.

-Ai sim?- Ginny disse, forçando um sorriso. Ele nunca lhe tinha dado razões para ela desconfiar dele por isso ela não ia ser mal-educada só porque estava furiosa com Draco Malfoy.

-Queria fazer-lhe um convite. Gostaria que jantasse comigo esta noite.- ele disse com um brilho nos olhos.

-Desculpe Senhor Nott, mas apesar de separada de Draco, eu continuo casada com ele não fica bem jantarmos juntos e...

-É só um jantar, não estou lhe convidando para passar a noite comigo. É um simples jantar de amigos. Só quero falar um pouco consigo, conhecê-la melhor, saber o que fez estes cinco anos.- ele disse sorrindo.

Ginny não sabia como dizer não. Tinha a certeza que fosse qual fosse a desculpa que arranjasse, ele iria dar-lhe a volta. Por isso, e contra a sua vontade ela balbuciou:

-Tudo bem!

-Óptimo! Passo por cá às oito para buscá-la!- ele disse, agarrou-lhe na mão e beijou-a.- Tenha uma boa tarde Senhora Weasley. E depois foi embora.

Ginny entrou no elevador e subiu até ao seu quarto. Que queria aquele homem dela? Qual o interesse de Nott numa Weasley? Estaria realmente apaixonado? Não, não estava, ela conseguia perceber isso, não era parva. Então que interesse obscuro teria Theodore Nott na mulher de Draco Malfoy? Ginny não sabia mas bem poderia usar aquele jantar para descobrir.

Faltavam poucos minutos para as oito. Ela estava ansiosa, não porque iria jantar com Nott mas sim porque queria descobrir a razão de todo aquele interesse dele por ela.

Ela usava um vestido preto discreto, o cabelo apanhado e nem usava maquilhagem. Não se esmerara muito na sua figura, mas também não precisava. Não ia jantar com Nott para o conquistar nem o surpreender. Ia descobrir qual o segredo obscuro por detrás daquele homem.

Ele foi pontual, oito horas ligaram da recepção para avisá-la de que o cavalheiro com quem iria jantar já a esperava. Ginny dirigiu-se para o Hall e lá encontrou Nott, com o seu ar misterioso e ao mesmo tempo arrepiante. Ele usava um fato negro com uma gravata azul que fazia o azul dos olhos dele sobressaírem entre o negro do seu cabelo e a tez morena da sua face.

Ginny respirou fundo e foi ter com ele. Ele sorriu e beijou-lhe a mão. Depois conduziu-a até ao restaurante do hotel e sentaram-se numa mesa discreta. Ginny ficou satisfeita por isso. Não queria ser vista na companhia dele. Já bastava o facto de ela ter reaparecido após tanto tempo sumida, e ainda por cima ser a mulher do Ministro da Magia. Os jornalistas deveriam andar eufóricos para descobrir o que acontecera com ela, e ela ser encontrada com Nott, iria perfeitamente fazer as delícias de muitos jornalistas.

Pediram a comida e Nott não perdeu tempo.

-Agora falemos! Estou curioso, porquê Colin Creevy? Porquê fugir sem deixar rasto? Draco Malfoy magoou-a assim tanto?

-Sim, falemos, mas que tal falarmos de si?- ela disse tentando esquivar-se às perguntas- Afinal parece saber mais sobre mim do que eu sobre si, Senhor Nott. Porquê este interesse súbito em mim?

-Não é súbito, já dura á cinco ano.- ele disse depois de sorrir.

-Vou ser sincera, não acredito que esteja apaixonado por mim, por isso gostaria de saber porquê este interesse na minha pessoa.

-Pode não acreditar, mas os meus sentimentos são sinceros. Posso te tratar por Ginny?- ele perguntou. Ela afirmou com a cabeça- Ginny, provavelmente pensas que não estou apaixonado por não transparecer isso, mas eu sempre fui muito reservado, sempre guardei tudo para mim, nunca soube deixar os meus pensamentos ou sentimentos serem percebidos pelos outros, digamos que tenho dificuldade em confiar em alguém. Só confio em mim, ou confiava! Tu mudaste isso.

Ela deu uma gargalhada sarcástica.

-Eu não burra, Nott! Tu queres algo de mim e não é o meu amor, isso eu posso te garantir.- ela viu um sorriso escarninho surgir-lhe nos lábios, mas não era um sorriso como o de Malfoy, era um sorriso quase diabólico. Que tinha aquele homem de tão assustador, que a fazia querer fugir dali como o diabo foge da cruz?

-Nunca disse que eras burra, nem me passou pela cabeça, mas gostaria que acreditasses nos meus sentimentos. Mas tens razão, não é só isso que quero de ti.- ele disse ainda sorrindo. O empregado trouxe a comida mas Ginny nem lhe tocou, Nott também não. Tinham os olhares fixos um no outro. Ginny tinha o queixo ligeiramente erguido em modo de desafio, Nott ainda mantinha o sorriso escarninho nos lábios e um brilho no olhar.

-Então ilumina-me. O que queres de mim?

-Quero o teu marido!

Ginny olhou para ele sem perceber o que ele dizia.

-Eu explico.- ele continuou reparando que ela não o entendera.- Nós temos uma coisa em comum. Draco Malfoy!

-Não entendo...

-Tu odeias Draco Malfoy pelo que ele te fez. Tem raiva dele por ele ter conseguido mentir a tanta gente. Desde que ele começou com esta farsa que tenho tentado desmascará-lo. Mas ele tem uma mentira com bases fortes. Custa-me ver uma pessoa que foi um Devorador da Morte ser ministro e ninguém se preocupar com isso. Estou preocupado com a sociedade mágica. Que negócios pode estar Draco fazendo encoberto pelo seu título? Eu sou um homem de negócios, Ginny, eu preocupo-me com o futuro do meu negócio, e não confio no Ministro. Eu quero preservar o que tenho, quero defender o meu património. Para isso, quero afastar Draco do seu cargo actual. Mas ele tem uma farsa bem construída, preciso de algo que consiga fazer aquela muralha ruir. Preciso de ti!

-Eu?

-Sim. A mulher desaparecida, a esposa desprezada. Tu sabes da verdade, tu conheces o verdadeiro Draco Malfoy, tu podes fazer todo este teatro acabar, tu podes arrancar a máscara de Draco aos poucos!

-Draco não é Ministro á mais de três anos, tenho a certeza. Então porquê me procurar nos dois anos anteriores?

-Já lhe expliquei que me apaixonei. Eu gostaria de juntar o útil ao agradável. Ter ao meu lado uma mulher que amo e a arma para conseguir defender o que é meu.

Ginny olhou para ele. Ainda não estava convencida de tudo o que ele dissera, mas o facto de ele ter dito que a procurar também por ela conseguir ajudá-lo nos seus negócios foi um ponto a favor dele. Ela sabia que os Slytherins eram gananciosos e por mais diferente que este Slytherin pudesse ser, esta característica era comum a todos. Ela acreditava que ele a quisesse para afastar Draco do Ministério, e que queria ter a certeza que não perderia dinheiro, mas ainda assim, ela sentia que lhe escapava qualquer coisa.

Jantaram em silêncio. Ela não queria falar mais. Tinha a certeza que não iria arrancar mais nada dele e ficou satisfeita por ele não lhe fazer perguntas. Depois do jantar, ela despediu-se e viu-o sair do hotel. Depois começou a caminhar em direcção ao elevador. Tinha a sua cabeça a andar à roda com tantas dúvidas e informação. Nott queria afastar Draco do Ministério, mas seria só isso que queria fazer a ele? Também queria conquistá-la, mas seria mesmo que ele estava apaixonado por ela? E será que era só por negócios que Nott queria que Draco não fosse mais Ministro?

Uma mão agarrou-a pelo ombro. Ginny soltou um pequeno grito de susto. Voltou-se de repente e deparou-se com um par de olhos cinzentos olhando para ela.

-Com que então agora dás-te com Theodore?- Draco disse com um tom sarcástico mas forçou-se a se acalmar, não podia cometer o erro de se deixar levar pelo ciúme novamente.

Ginny viu a fúria fugir dos olhos dele e ser substituída pelo que lhe pareceu dor. Ela sacudiu esse pensamento da cabeça dela. Ele só queria pô-la fraca, ele só queria a enganar. Ela sabia como aqueles olhos podiam ser mentirosos.

-Não tens nada com isso! Agora por favor larga-me e deixa-me ir embora!- ela disse, tentando se libertar, mas apesar de ele não a estar agarrando com muita força, era suficiente para que ela não se conseguisse afastar. Ela queria fugir dali, não só porque tinha raiva dele mas também porque o contacto da pele dele na dela desapertava um furacão de sensações que ela queria afogar. Ela não queria sentir aquilo, ela não queria que o corpo dela desejasse o dele. Estaria assim tão carente para quase sucumbir à beleza de um homem que a magoara tanto?

-Eu ainda sou o teu marido.- ele disse, mas não com autoridade ou ciúmes. A voz dele estava fraca. Como ele sabia fingir! Para ela era tudo teatro.

-Agora lembras-te disso? Há alguns anos atrás agias como se não fosses! Agora larga-me antes que faça um escândalo!- ela ameaçou, mas não iria fazer, só queria que a largasse. A última coisa que ela queria era discutir ali e chamar a atenção de outras pessoas, principalmente jornalistas.

-Ginny, por favor ouve-me. Não confies em Nott, ele é perigoso...

-Não mais do que tu, e ele pelo menos presta-me atenção! Tu desprezaste-me durante um ano e agora esperas que eu acredite que és outra pessoa? Vai ver se eu estou escrita nos Burros Anónimos!- ela disse cruelmente.

-Ginny, por favor. Não te estou mentindo. Nem imaginas o quanto sofri estes anos, tu não fazes ideia do que esperei pelo dia em que voltarias. E nem sabes o que sofri por te ver jantando à luz das velas com um homem como Nott. O que ele quer de ti?

-Primeiro, já disse que não vale a pena tentares usar essa história comigo porque eu não acredito em ti. E segundo, o que Nott quer de mim sou eu mesma, algo que tu nunca quiseste. Agora por favor larga-me.

-Não. Tu tens que acreditar em mim!- ele disse teimosamente. Ginny sentiu o cheiro a álcool na respiração dele. De repente sentiu-se aterrorizada. Sabia muito bem do que ele era capaz quando bebia demais, a memória daquela maldita noite fez com que ela ficasse tensa e sentia um grito preso na garganta. O mínimo indício de que ele a queria magoar e ela gritava sem se preocupar com que pudesse aparecer.

-Draco, larga-me!

-Diz que já não sentes nada por mim! Diz-me que não restou nada do que sentias! Deve haver alguma coisa aí!

-Estás bêbedo. Já nem, sabes o que dizes.

-Não estou bêbedo. Se te cheira a álcool é porque acabei de beber um copo de firewhisky, ainda anão deu tempo de o cheiro desaparecer. As estou sóbrio.

Ginny olhou-o nos olhos pela primeira vez em muito tempo. Olhou bem fundo nos olhos dele e ele parecia dizer a verdade. Não estava bêbedo, estava falando a sério. Ela sentiu um arrepio fazer toda a sua pele quase queimar. Um desejo de beijá-lo começava a aumentar dentro dela. A sua cabeça gritava não, mas toda a razão parecia estar tão longe. E ele estava tão perto, e ela sonhou tanto com aquele momento. Ele estava ali dizendo que a amava. E se ele tivesse falando a verdade? E se tivesse mudado mesmo? E se ele realmente sentira a sua falta?

-Diz-me que não resta nada! Eu preciso saber. Só quero saber o que tenho que enfrentar Ginny. Se é ódio, ou se ainda resta algo mais?!- ele disse aproximando-se dela.

Naquele momento ela sentia as suas defesas caírem por terra. Ela sentia o perfume dele embriagá-la com desejo. Ainda havia uma voz tentando chamá-la á razão mas o seu corpo já não ouvia nada. Ela queria beijá-lo, abraçá-lo, senti-lo. Essa era a única certeza que ele tinha naquele momento. A certeza que lá no fundo ainda o amava e ainda o desejava.

-Diz-me...- ele sussurrou perto dos lábios dela. A respiração quente dele fez com que os cabelos da sua nuca se arrepiassem e o corpo dela tremesse ligeiramente. Ela fechou os olhos e quase se rendeu ao desejo de se deixar levar pelas sensações que ele despertava nela. Mas nesse momento ela sentiu a mão dele largar o seu braço e isso acordou-a. Foi como se o contacto com ele a enfeitiçasse e o facto de já não sentir o calor dele nela tivesse quebrado o feitiço.

-Adeus Draco!- ela disse, forçando-se a olhá-lo com desprezo e correu para o elevador.

Draco ficou olhando para ela, sentido a frustração tomar conta dele. Por momentos pensou que ela ia deixá-lo beijá-la, que ela iria dizer que ainda restava um pouco do amor que sentira por ele mas depois tudo se foi. O brilho dos olhos dela havia se esfumado. Mas no entanto uma esperança crescera dentro dele. As palavras dela podiam não lhe ter dito nada, mas o corpo dela não mentira. Ela ainda o desejava e isso para ele era tranquilizante. Ela podia já não o amar mas ele sabia que ainda a conseguia afectar. Ele ainda conseguia fazer com que pelo menos o corpo dela o quisesse. E daí ele podia conseguir chegar até ao coração dela. Finalmente tinha como lutar por ela.

E depois um pensamento assombrou a sua cabeça: Theodore Nott. Que quereria Not dela? Será que ele dissera a verdade e ele tinha que competir com Nott pelo amor dela? Ou será que ela mentira para magoá-lo e ele teria que descobrir as verdadeiras razões daquele jantar que ele presenciara? De qualquer das maneiras ele teria que estar atento. Ele nunca confiara em Theodore e aquela era só mais uma razão para aumentar as suas suspeitas.