Deixa-me sonhar
Só mais uma vez
Pensar que vais ficar sempre junto a mim
Faz-me acreditar
Só mais uma vez
Que eu ainda sou tudo para ti

Rita Guerra - Deixa-me Sonhar


Capítulo Vinte e Dois


Ginny passou a noite em claro. Por um lado sentia-se com raiva de si mesma. Como podia ela ter sido tão fraca ao ponto de quase se render a Draco Malfoy? Por outro lado aquele brilho assuatdor dos olhos de Nott não saiam da cabeça dela. Sentia que aquele homem era capaz de tudo. Se acontecesse ela conseguir dormir, tinha a certeza que ia acabar tendo um pesadelo com Nott como persinagem principal. E ainda tinha o facto daquela ser a primeira noite que passava longe de Fabián. Ela sabia que ele estava bem mas não deixava de ser estranho.

Quando os primeiros raios de sol entraram pela janela, ela desistiu de rebolar na cama tentando dormir e levantou-se. Pediu para lhe trazerem algo para comer e um café bem forte. Depois de comer e de se sentir com um pouco mais de energia preparou-se para ir buscar Fabián. Quando estava a sair do hotel ouviu chamarem-na. Ela voltou-se um pouco assustada, receosa que fosse Nott mas respirou aliviada ao ver Ron caminhando na sua direcção.

-Ron, o que fazes aqui?

-Queria falar contigo antes de ir trabalhar. Ainda não tivemos oportunidade de falar depois de voltares.

-Eu ia agora buscar Fabián, porque...

-Não!- ele disse adiantando-se - quero falar contigo sozinho.

-Porquê? Algum problema?

-Sim! O teu marido é o problema. Ele deu a volta á nossa família, incluindo Hermione e até o Harry. O teu marido ficou visto como um mártire. Mas eu continuo achando que ele é o mesmo canalha que sempre foi!

-Pelo menos alguém que concorda comigo!

-Anda, vamos ali ao café!- saíram do hotel e foram até um café que havia lá perto.

-Agora diz-me onde estiveste? Com quem estiveste? Porque não nos disseste nada?

-Calma Ron. Eu estive em Itália, não vos disse nada com medo que Draco desconfiasse do meu paradeiro. Apesar de Colin ser o meu Guardador Secre...

-O QUÊ?- Ron explodiu.- eu sabia, eu disse a Hermione que ele não convencera, mas ela não me deixou deitar Verisaterum no copo dele! Devia ter deitado!- Ginny riu com o seu irmão.

-Mas agora já passou! Voltei e isso é que importa!

-Decidiste voltar porquê?

-Porque Fabián tem o direito de conhecer o pais, os avós, os tios, os padrinhos... Eu não podia mantê-lo escondido, eu não tinha o direito de privá-lo de conhecer as pessoas mais próximas dele e tenho que admitir que estava morrendo de saudades vossas!

-E sabes que se precisares de ajuda para por o Malfoy no seu lugar, podes contar comigo! Ele bem pode vir cantar para o meu lado mas ele até pode estar arrependido que isso não apaga o que ele fez. Se não fosse a mãe, ele já era um homem morto, ás vezes ainda me apetece...- Ron fechou os punhos num acto de violência.

-Eu sei que posso contar contigo! E se precisar que dês cabo do Malfoy eu chamo.- ela brincou.

Ron olhou para o relógio. Já estava atrasado, despediu-se de Ginny á pressa e desapareceu pela porta fora. Ginny saiu do café e materializou-se no jardim da Toca.

-Mãe! Olha!- Ginny ouviu a voz de Fabián mas não o viu no jardim. Quando olhou para cima quase teve um ataque cardiaco. O seu bebé estava no ar. Ele podia cair, e se magoar ou pior. Ela começou a tremer.

-Draco, trá-lo para baixo, ele pode cair!- ela suplicou. Draco estava montado na sua antiga firebolt e estava agarrando Fabián. Ela tinha a certeza que Draco o estava segurando bem mas mesmo assim sentia o coração quase saindo pela boca. E se por algum azar Fabián caísse?

-Não! Eu quero voar com o papá!- Fabián respondeu teimosamente, mas Draco desceu e colocou Fabián no chão para grande tristeza da criança.- Estás a ver? Por tua culpa já não posso voar!- Fabián disse, quase sem olhar para Ginny e correu para dentro de casa. Provavelmente agarrar-se ás saias da avó como ela fazia quando era pequena. Molly tinha se apaixonado pelo neto mais velho e era incapaz de lhe ralhar. Fabián adorava os mimos.

-E qual é a tua ideia de por o meu bebé a voar? Não sabes que ele podia cair, ele podia se magoar gravemente...- Ginny estava tremendo, tinha a voz aguda e era capaz de estrangular o marido.

-Calma Ginny! Eu estava o segurando bem, além disso coloquei um feitiço de segurança! Não ia acontecer nada.- Draco tranquilizou-a calmamente. Havia qualquer coisa nele que a punha desconfortável, mais ainda do que antes. Ele parecia ter sido invadido por uma confiança que ela não vira antes. Era como se ele estivesse mais tranquilo e certo de alguma coisa.

-Mesmo assim podia ter acontecido alguma coisa... e que fazes aqui?

-Vim passar a manhã com o meu filho. Acho que tenho esse direito?!

-Não tens que ir para o Ministério?

-Passei dois anos me dedicando ao Ministério, cheguei a passar noites a trabalhar. Acho que mereço um descanso.

-Claro!- ela disse.- Fazes bem! Fabián precisa de ti.- ela disse, apesar de lhe custar admitir isso. Depois virou-se e dirigiu-se á porta da casa.

-Ontem não me chegaste a responder.- ela ouviu ele dizer. Ginny parou e voltou-se para Draco.

-O quê?

-Não chegaste a dar a resposta á minha pergunta. Ainda resta algo mais dentro de ti sem ser ódio?- ele esclareceu com um brilho no olhar. Começou a se aproximar dela, andava como um felino prestes a atacar. Ginny sentiu-se a presa. Ele estava confiante, tinha um sorriso nos lábios, era quase como soubesse o turbilhão de sensações que despertava nela, como se ele soubesse que quase a conseguia fazer ela se render á atracção que sentia por ele. Será que ele sabia que ela ainda estava atraida por ele? Não, ele não podia, ela tinha o tratado com frieza sempre, excepto na noite passada. Mas não, ela não acreditava que ele soubesse e mesmo que ele desconfiasse ela iria quebrar qualquer esperanças que ele tivesse. Assim como a atracção por ele não tinha sido esquecida, as crueldades que ela sofreu nas mãos dele também não.

-Acho que não preciso responder a isso!- ela disse firmemente e caminhou novamente até a porta.

-Porque não és capaz de me dar uma resposta? Sim ou não, é tudo o que quero.- ele insistiu, aproximando-se dela até agarrar-lhe no pulso e volta-la para ele lentamente. Ela não conseguiu oferecer resistência nem afastar o braço dele como a sua cabeça lhe ordenava. Mais uma vez o contacto com a pele dele fazia com que ela não conseguisse ter controlo sobre o seu corpo. Só aquela sensação de se querer render a fazia mexer-se.- diz-me, Gin, Sim ou não?- ele continuou o tormento, aproximando os lábios dele dos dela. Ela conseguia sentir o fôlego quente dele roçar os seus lábios. Ela queria tanto poder tocar-lhes.

"NÂO! Não faças isso!" a cabeça dela gritava-lhe e ela teve que reunir toda a sua força e determinação para conseguir se soltar e empurrá-lo.

-Não!- ela balbuciou, desviando o seu olhar do dele. Ele sorriu, o seu famoso sorriso foi a constatação de que ele não acreditava nela. Ela sentiu-se humilhada. Ele sabia que ela ainda sentia algo por ele. Pois bem, ela iria tratar de enterrar qualquer sentimento ou atracção que nutrisse por ele. Ela tinha razões suficientes para não querer se aproximar dele e ia usá-las.- O que me fizeste matou qualquer chance de eu alguma vez me aproximar de ti novamente!

Ginny entrou na casa dos seus pais, deixando um Draco Malfoy magoado no jardim mas mesmo com as frias palavras dela, ele sabia que lá no fundo ela não queria se afastar dele. E ele agarrava-se áquela esperança para poder sobreviver.

Draco e Fabián passaram o resto da manhã brincando os dois no jardim até que uma pequena chuva de Outono começou a cair. Depois ficaram na sala os dois. Ginny nunca tinha visto o filho tão alegre.

-É um óptimo pai, Fabián adora-o!- Molly comentou ao apanhar a filha observando a cena da porta da cozinha.

-Pelo menos isso, já que não é bom marido!- Ginny replicou.

-Só porque tu não o deixas. Tenho a certeza que ele te poderia fazer muito feliz!

-Mas não apagaria os momentos que me deixou infeliz! Já tivemos esta conversa mãe. Eu não acredito nele e não o vou perdoar. Não insistas!

-É pena!- Molly disse e voltou para a preparação do almoço.

Almoçaram todos juntos, Artur e Fred juntaram-se a eles. Conversaram e Ginny acaboi contando o que fez naqueles cinco anos.

Depois do almoço, Draco despediu-se, para grande tristeza de Fabián.

-Desculpa, mas o papá tem alguém para visitar!- Draco disse, olhando para Ginny. O sorriso escarninho de Draco disse a Ginny quem ele ia visitar: Theodore Nott.

-Depois voltas?- Fabián disse esperançado.

-Claro que sim. Levo-te a ti e á tua mãe para jantar fora!- Draco prometeu, sabendo que Ginny não seria capaz de lhe dizer não por causa de Fabián. Ele sabia jogar aquele jogo muito bem. Seria a sua oportunidade de estar com ela sem que ela fugisse.

Fabián sorriu.

-E é hoje?- Fabián perguntou, olhando para o pai.

-Pergunta á tua mãe?- Draco respondeu, sorrindo. Ginny sentiu o seu temperamento Weasley ferver dentro de si. Draco estava-a colocando entre a espada e a parede. Ele sabia que ela era incapaz de negar aquilo a Fabián. Era um golpe baixo, mas ele era um Slytherin, era de esperar que fizesse aquele tipo de jogadas.

-Hoje...- Ginny tentou dizer que naquele dia não dava mas a cara de Fabián não lhe deu outra escolha senão aceitar o jantar com o marido- ...está óptimo.- ela acabou de dizer, completamente derrotada.

Draco saiu sorrindo, depois de dar um beijo a Fabián. Ginny sentiu vontade de arrancar aquele sorriso da cara dele com uma bofetada. Ela sentiu-se tão impotente. Ela não queria aquele jantar mas Fabián queria tanto. E Draco estava se aproveitando do filho para se aproximar dela. Mas porquê? Porque queria ele tanto que ela voltasse para ele? "Para poder te controlar e te fazer sofrer!" a cabeça dela respondeu-lhe. Mas lá do fundo surgiu uma voz que ela nunca ouvira: "Ou será que ele está mesmo arrependido e quer me fazer feliz?". E por mais que ela se convencesse que a sua primeira resposta era a correcta, aquela dúvida não se afastava da sua mente, e ela não gostava nada. Aquela dúvida podia deitar por terra todas as barreiras que ela construira.


N/A: Só quero pedir desculpa pelos muitos erros que irão encontrar mas nem conseguiu ler depois de escrever. Só tou pondo o capítulo porque meu computador vai para consertar e não sei quando poderei actualizar. Espero conseguir postar próximo capítulo cedo.