I'd like to see you, thought I'd let you know
Gostaria de te ver, achei que deverias saber
I wanna be with you everyday
Quero estar contigo todos os dias
Cause I've got a feeling that's beginning to grow
Porque tenho este sentimento que está começando a crescer
And there's only one thing I can say
E só há uma coisa que eu consigo dizer
I'm ready - to love you
Estou pronta - para te amar
Bryan Adams - I'm ready
Capítulo Vinte e Quatro
Ginny sentiu as lágrimas começarem a cair-lhe e misturarem-se com a chuva. Queria que a chuva lavasse toda aquela dor que ela estava sentindo, queria que a água levasse todas as memórias que ela tinha. Sentia um peso sobre o seu peito como há muito ela não sentia. Era como se algo estivesse esmagando o coração. Ela sentia vontade de gritar, de se perder, de dar uma bofetada em si mesma por ser tão parva e fraca. Ele tinha brincado novamente com ela e ela tinha deixado. E pior, ele sabia que ainda conseguia pô-la fraca. Mas nunca mais. Ela não se ia deixar enganar nunca mais. Mas ela também tinha dito isso e, no entanto, ele tinha feito ela de parva mais uma vez.
Ela olhou oara o céu, no meio da rua e deixou que o frio da água a acalmasse, mas não o fez. Não havia nada que conseguisse levar aquele sofrimento de dentro dela. Ficou feliz por não ter Fabián com ela. Não queria ir para o hotel, não queria estar sozinha, precisava de um ombro, um ombro para chorar, alguém que a ouvisse, mas Colin estava tão longe. Hava um, um que ela julgava traidor, mas naquele momento ela não queria saber se ele acreditava em Draco ou nela, ela so precisava abraçá-lo. Queria tanto poder ainda sentir por ele o que sentia na adolescência. Tinha a certeza que Harry nunca a magoaria daquela maneira. Porque é que nunca amamos quem queremos mas sim quem o coração quer? E porque é que o coração escolhe muitas vezes a pessoa errada? E porque é que mesmo sendo machucado mil vezes, o coração volta sempre para as mãos da mesma pessoa? Porque o coração dela era um estúpido e ela era uma parva que se deixava levar por ele e pelas mentiras de um homem que brincava com ela sem remorso.
Ela subiu olhou para a porta da casa de Harry Potter. Ela não devia ter vindo, era muito tarde e que ela esperava que Harry fizesse? Um milagre? Não, ela só queria que ele a abraçasse e a deixasse chorar nos braços dele. Encheu-se de coragem e bateu á porta. Ninguém abriu. A casa estava silenciosa e escura. Ele provavelmente estava dormindo ou se calhasse, nem estava em casa. Mas ela precisava tanto dele. Bateu com mais força e viu uma luz no andar superior acender-se. Harry tinha comprado aquela casa alguns anos antes.
-Quem é?
-É a Ginny! Abre por favor!- ela disse entre soluços. Harry abriu logo e olhou para a amiga completamente encharcada, com cara de quem carregava o mundo ás costas. Ginny jogou-se nos braços dele e ele não se importou. Abraçou-a. Tinha tido saudades dela, de ter a sua melhor amiga ali, conversar com ela. Desde que Hermione e Ron casaram, que ele tinha sido deixado de parte. Mas Ginny nunca o deixava de parte. Ele apertou-a contra o seu tronco nu, pois ele usava apenas umas calças de pijama, afinal ainda estava meio dormindo quando abriu a porta. Ver a sua amiga naquele estado lastimável tinha o acordado de vez.
-Desculpa! Mas eu só me lembrei de ti!- ela murmurou com a cabeça descansando sobre o ombro dele. Ela puxou-a lentamente para dentro e fechou a porta.
-Não tens que pedir desculpas, Gin!- ele tranquilizou-a.- Agora acalma-te, por favor. Estás muito agitada, completamente molhada e podes ficar doente.
-Eu não me importo! Que fique doente, que meu coração para, esse trairdor cruel que tanto me faz sofrer...
-Nem digas isso! Tens um filho, tens a tua família, tens amigos que te adoram. Como achas que ficavam? Como achas que Fabián ficaria?
A mensão do filho trouxe-a para a realidade. Ela não podia se deixar ir abaixo daquela maneira por um omem que não merecia. Harry tinha razão, ela tinha que pensar no seu filho. Ela afastou-se e limpou as lágrimas e a água da sua cara.
-Desculpa, eu só me deixei...nem sei... eu baixei as defesas e de repente parecia impossível erguê-las... está doendo tanto que eu parecia não ter forças para me recompor.- ela disse tentando controlar os soluços.
-Tudo bem. Mas o que se passou, o que aconteceu...? ONDE ESTÁ FABIÁN?- ele apercebeu-se de repente e quase gelou de medo.
-Fabián está óptimo, está em casa do pai...- ela murmurou, tranquilizando o padrinho da criança.
-Que susto. Mas então o que aconteceu?
-Não quero falar sobre isso, não consigo... mas doi tanto, parece que esfaquearam meu coração novamente... deixa-me ficar aqui, esta noite. Posso?
-Sabes que sim. Agora leva-me esse rabo até á casa de banho, toma um duche quente que eu fico aqui preparando um chocolate quente. Vai antes que fiques doente.
Ginny sorriu e fez o que ele lhe disse. Quando acabou o duche, tinha a sua roupa seca, Harry provavelmente tinha feito um feitço para a secar. Ela vestiu-se e desceu. Harry estava sentado no sofá com duas canecas de chocolates quente á sua frente. Ela sentou-se e pegou numa. Encostou a cabeça no ombro de Harry.
-O que correu mal entre nós?- ela disse, fechando os olhos.
-Não sei. Talvez nada, simplesmente a guerra afastou-nos, provavelmente o que sentiamos não era o que julgavamos sentir.
-Talvez... Serias tão mais fácil de amar...- ela murmurou. Harry riu.
-Draco não deve ser difícil de amar. Já pensaste que tu podes estar tornando tudo ainda mais difícil?
-Agora não Harry. Não fales dele, não o defendas, não quero brigar contigo nem quero tocar em feridas que ainda vertem sangue.
-Desculpa...- ele disse, tomando o gole de chocolate quente.
-Sabes o que tenho saudades?
-O quê?
-Um bom jogo de xedrez feiticeiro. Colin bem se esforçava mas ele não sabia jogar.
-Os seus desejos são ordens!- Harry disse. Ginny afastou-se dele para ele ir buscar o tabuleiros de xadrez.
Jogaram xadrez, depois sentaram-se a assistir Tv Muggle que Harry tinha. Era muito interessante. Ela acabou adormecendo sobre o peito dele.
Acordou na manhã seguinte muito melhor. Olhou á sua volta. Estava no quarto de Harry, ele provavelmente tinha-a a trazido ao colo enquanto ela dormia e ela nem dera por isso. Levantou-se e desceu até á cozinha. Harry já lá estava lhe preparando o pequeno-almoço.
-Bom dia.
-Bom dia!- Harry disse virando-se para ela.- Mais calma hoje?
-Sim...
-Vais me dizer o que aconteceu?- ele disse, colocando uma chavena de café em frente dela, que se havia sentado na mesa e agarrado numa tosta.
-Eu... eu fui enganada por ele mais uma vez!- ela disse.
-Por Draco?
-Quem mais me engana?- ela disse, revirando os olhos.
-Ele enganava-te. Acredita que ele mudou Gin...
-Não comeces Harry!- ela disparou.
-Ginny ouve-me!- ele disse autoritariamente.- Sei que tens muitas razões para não acreditar nele mas...
-Não. Harry ele fez-me coisas horríveis. Ele traiu-me sem remorso algum, ninguém me garante que ele já não a vê...
-Ginny, ele não te trai. Quando te foste embora, ele já não queria nada com ela...
-Eu sei que ele estava com ela na noite da festa de Millice...
-Ele esteve aqui!- Harry disse. Ginny demorou a perceber o que ele disse.
-O quê?
-Nessa noite é verdade que ele saiu com Pansy mas ele não fez nada com ela. Ele veio cá, passou a noite aqui, comigo. Ele esteve desabafando. E na noite que tu o rejeitaste ele veio para cá também. Estava completamente bêbedo, começou a disparatar, a dizer que te amava e que queria morrer por todo o mal que te fez mas que ele não sabia o que fazer, nunca o ensinaram a lidar com esses sentimentos. Ele estava uma lástima. Nem parecia Draco Malfoy!
Ginny estava sem palavras. Não sabia o que dissesse. Aquela revelação ia contra algumas razões porque tinha construido aquela muralha em torno dela.
-Isso não muda o que ele fez antes, nem o que fez ontem!- ela disse, quando conseguiu recuperar a voz.
-E o que foi que ele fez ontem?
-Beijou-me e depois... ia tudo tão bem e de repente ele afastou-me, usou-me e deitou fora...
-Ele parou? Ele impediu que vocês dessem um passo precipitado? Ele fez com que não fossem para a cama e tu depois te arrependesses? E dizes que ele te usou?
As palavras de Harry faziam sentido. Ela tinha estado tão convencida que Draco só quisera brincar com os sentimentos dela que nem tinha visto as coisas por aquele lado. E parecia lógico o que Harry dizia.
-Mas...- ela murmurou.
-Ele não queria fazer nada que depois te arrependesses, ele fez o mais certo e parou antes que ultrapassassem o limite.
-Talvez... - ela disse, mas sabia que ele tinha razão. Mas aquela versão dos factos não encaixava na imagem que ela tinha de Draco e ela tinha medo. E se ele tivesse mudado mesmo? Ela não o conhecia daquela maneira e tinha tanto medo de se enganar.
-Dá-lhe uma oportunidade, Gin!
Ginny olhou para o amigo. Sim, ela deveria dar uma oportunidade a Draco. Só esperava não se arrepender. Mas tantas pessoas do lado de Draco não podiam estar erradas.
Draco não conseguiu dormir. Tinha ido até ao hotel mas disseram-lhe que Ginny ainda não tinha voltado. Ele ficou desesperado mas não entrou em pânico. E se ela fugira novamente? Afastou essa ideia pois Fabián ainda estava ali e ela não fugiria sem o seu filho.
Quando Fabián acordou, ele voltou ao hotel e ainda não havia sinal de Ginny. Ele decidiu levar Fabián para a Toca. Molly recebeu-os muito bem, como sempre e Draco aproveitou para tomar o pequeno almoço. Ninguém sabia de Ginny e ele ficou ainda mais preocupado. No entanto não disse nada a Molly. Não queria preocupar ninguém em vão. Quando acabou o pequeno almoço decidiu ir trabalhar. Devia estar se preocupando sem razão e não valia a pena ir ver Ginny pois ela era bem capaz de lhe lançar um Bat-Bogey. Seria melhor dar-lhe espaço. Mas e se ela fugia novamente? Ele não aguentaria.
Entrou no seu escritório e sentou-se. Concentrou-se nos problemas do ministério e não nos seus. Passou uma manhã atribulada. Tinha acabado de falar com o chefe do Departamento de Acidentes Mágicos e Catástrofes, quando a sua secretária bateu á porta.
-Desculpe Senhor, mas está aqui alguém para falar consigo!- ela disse, numa voz um pouco trémula.
-Quem é?- ele disse preocupado.
-Sou eu, querido!- uma voz que ele preferia nunca mais ter que ouvir disse, empurrando Sandy, a secretária, para o lado e entrando no gabinete do Ministro.
Draco olhou espantado para a mulher que acabava de entrar. Que diabo ela fazia ali. Será que ela não tinha entendido, naqueles cinco anos que ele não a queria sequer ver?
-O que fazes aqui, Pansy?- ele bufou.
N/A: Finalmente meu computador voltou. Já não via a hora de o ter. Bem este é o novo capítulo. Prometo que os próximos serão mais emocionantes e estarão recheados de respostas para muitas coisas.
