And I wanna believe you
E eu quero acreditar em ti
When you tell me that it'll be okay
Quando dizes que tudo irá ficar bem
Yeah, I try to believe you
Sim, eu tento acreditar em ti
But I don't
Mas não acredito
Avril Lavigne - Tomorrow
Capítulo Vinte e Cinco
Depois de Harry ter falado com Molly Weasley e ela lhe ter dito que Fabián estava lá, Ginny foi para a Toca e passou grande parte da amanhã com o filho. Por mais que quisesse ver Draco e perdir desculpa por ter sido tão bruta com ele na noite anterior, ela estava cheia de saudades do filho. Quando finalmente ganhou a coragem suficiente para falar com Draco, ela pediu á sua mãe para ficar com o neto mais algum tempo. Ginny materializou-se no Ministério, não sabia se Draco estava lá ou na empresa, mas ia começar por ali. Dirigiu-se ao gabinete do Ministro. Estava a poucos metros da porta do gabinete quando a porta se abriu. Ginny sorriu, imaginando que Draco saíria dali mas quem ela viu sair do gabinete do homem que ela decidira perdoar na noite anterior fê-la sentir-se tão estúpida quanto se tinha sentido quando Draco a tinha afastado há algumas horas, na Mansão Malfoy.
Draco levantou-se, visívelmente aborrecido. Pansy notou a raiva nos olhos dele. Ele passou por ela, esperando a resposta á pergunta que lhe tinha feito e fechou a porta.
-Então, Pansy? Que diabo fazes aqui?- ele perguntou novamente, cada vez mais irritado.
-Eu...- ela disse. Parecia que ela nem sabia bem o que fazia ali. Estava nervosa, e com medo dos olhos de Draco que pareciam querer lhe lançar uma Avada Kedavra a qualquer segundo.- Já se passaram cinco anos. Eu tenho saudades...
-Cala-te! Não quero ouvir. Já te disse ha cinco anos e digo novamente: eu não te quero ver, não te quero ouvir, estou farto de ti. És chata e eu não quero saber de ti! Será que não percebes que só te usei para me divertir? Para libertar as minhas frustrações? Tu foste um passatempo e um dos maiores erros da minha vida.
-Tu não sabes o que dizes! Tu amas-me. Em Hogwarts voltavas sempre para mim, depois da guerra voltaste para mim, acabarás eventualmente voltando para mim agora!- ela disse, confiante, sentando-se na cadeira em frente de Draco.
-Tu és burra ou só estás te fazendo? Acabou Pansy! Agora por favor sai que eu quero trabalhar!
-Não! Eu sei que tu ainda sentes alguma coisa! Eu sei!- ela disse teimosamente.
-E sinto. Sinto arrependimento por me ter envolvido contigo quando amava outra pessoa, agora desaparece!
-Tu não amas ninguém, Draco, a não ser tu mesmo! O que sentes por aquela Weasley estúpida é obsessão. Estás obsecado porque ela te rejeitou, mais nada!
Pansy começava a fazê-lo ter pensamentos homicidas. Ele só queria poder agarrar na sua varinha e fazer aquela mulher desaparecer de uma vez. E que ideia era aquela. Ela tinha estado cinco anos afastada, porquê agora chateá-lo?
-Porque fazes isto agora? Durante estes cinco anos mantiveste-te afastada, porquê agora?
-Porque acho que cinco anos é tempo suficiente para pores a tua cabeça em ordem e perceberes que sou eu quem tu queres.
-Mas não és tu quem eu quero! Agora sai e não voltes mais!
-Tu ainda vais voltar para mim, Draco!- ela disse, com um olhar magoado mas confiante. Levantou-se e foi até á porta. Antes de passar por ela olhou para trás e disse- Ela vai te fazer sofrer mais do que imaginas!
Ela abriu a porta e saiu. Aquela conversa tinha sido em vão. Mas nem tudo foi mau, ao sair do gabinete, Pansy viu Ginny e sorriu. Pelo que conhecia a ruiva, ela iria ter conclusões precipitadas e tudo o que Pansy queria ter feito com Draco ma snão fez foi como se tivesse feito na cabeça da antiga Gryffindor. Pansy passou confiante por Ginny e desmaterializou-se.
Draco respirou aliviado quando viu Pansy sair. Que vida a dele. Já não bastava Ginny teimar em não acreditar nele, também Pansy tinha que fazer a vida dele pior do que estava.
Ginny viu a sorridente Pansy passar por ela com olhar de desdém. Ginny queria poder dar-lhe uma bofetada mas em vez disso deixou se ficar. Afinal Draco mentira a todos mesmo. Ela não deveria ter baixado as suas defesas. Ela correu até á porta do gabinete e entrou, sem sequer ligar ao que Sandy dizia. Fechou a porta com força e viu Draco olhar para ela surpreso.
-Seu canalha! Como é que eu pude sequer pensar em te perdoar? Em acreditar em ti? Eu ia te dar uma segunda chance mas ainda bem que vi aquela vagabunda sair daqui antes que cometesse esse erro! Eu sou tão estúpida!- Ginny disse tentando conter os soluços e as lágrimas que ameaçavam sair. Ela não podia dar-se ao luxo de chorar. Porque é que sempre que se aproximava dele, ela acabava por chorar?
-Ginny, calma, não é o que pensas!
-Ai não? Após cinco anos e ela ainda te vem visitar ao Ministério? É o quê? Tenho a certeza que nestes cinco anos vocês mantiveram-se juntos...
-Não! Ela veio cá tentr voltar para mim mas eu afastei...
-Que conveniente! Deixa-me adivinhar. Ela este longe estes cinco anos e só hoje decidiu vir cá? Eu não sou parva!
-Não, não és. Mas estás tirando conclusões precipitadas! Não aconteceu nada!
Ginny tinha se convencido tanto durante aquele tempo de que Draco era cruel, custava-a acreditar que ele estava dizendo a verdade. Mesmo depois de saber o que Harry lhe tinha dito, era difícil ela acreditar que Draco realmente não tinha nada com Pansy Parkinson.
-Eu não consigo acreditar!- ela disse e virou-se para a porta. Draco saiu detrás da secretária e correu até ela.
-Ginny, ouve...
-Deixa-me...- ela disse, afastando o braço quando ele tentou tocá-la.- Só hoje eu decidi que devia te dar uma segunda oportunidade., agora acontece isto, eu não estou preparada. Não sei se devo acreditar em ti. A minha razão diz que me estás mentindo mas o meu coração quer acreditar em ti e eu não sei em qual devo confiar. Adeus!- ela disse, sinceramente. Ela estava confusa. Ela queria acreditar nele, para bem de Fabián. Mas e ela? Seria seguro acreditar nele?
Ela saiu deixando um Draco completamente devastado. Maldita Pansy!
Ginny materializou-se em Diagon-Al, foi tomar um sumo de abóbora e pensar. Pensar no que devia fazer, no que devia acreditar. As palavras de Harry não lhe saiam da cabeça, mas a imagem de Pansy também não. Ficou lá a tarde toda, sem sequer se aperceber das horas passando. Depois do sumo, decidiu passear pela rua. Deambulou, sem se dar conta por onde ia. Isso até ver ao longe duas pessoas que lhe chamaram a atenção. Ela aproximou-se devagar para ter a certeza que via bem e a sua desconfiança para com duas pessoas aumentou ainda mais. Theodore Nott e Pansy Parkinson. Estava os dois entrando no beco Knocturn. Olharam ambos para os dois lado e depois entraram desaparecendo da vista de Ginny. Era um comportamento estranho. Ginny sentiu aquele arrepio de medo ao ver Theodore Nott. Aquele homem escondia alguma coisa e Ginny tinha a certeza que Pansy Parkinson tinha alguma coisa a ver. De repente, mil e uma repostas apareceram na sua mente. Será que Parkinson e Nott estavam juntos? Será que aquela visita de Pansy a Draco tinha alguma coisa relacionada com o que Ginny acabava de ver? Estaria Draco realmente inocente? Mas porque estaria Pansy ajudando Nott, quando este só queria destruir Draco e toda a gente sabia que em Hogwarts, ela era louca por Draco?
Ela não ia ficar ali e pensar no assunto. Tinha que descobrir o que se passava. Ela caminhou até á entrada do beco. Viu o suspeito casal ao longe e novamente Ginny tremeu. Nott tinha uma mão no pescoço de Pansy e ela tinha ar de quem tinha visto Voldemort á sua frente.
Ginny aproximou-se silenciosamente do local onde eles estavam e conseguiu se esconder num pequeno beco lá perto. Ela tinha o seu coração batendo depressa, sentia as suas mãos a tremerem e respirava com dificuldade. O pavor tomava conta dela mas estava determinada a saber o que se passava.
Fabián entrou na sala desesperado:
-Onde está a mamã?- ele disse, ofegante.
Molly assustu-se um pouco mas recompos-se e sorriu, enquanto agarrava um prato de biscoitos para oferecer ao neto..
-A tua mãe já volta!- ela disse, dando uma olhadela ao relógio. De repento prato caiu no chão e Molly teve que se segurar ao balcão para não cair. O ponteiro de Ginny apontava: Perigo Mortal. Molly conseguiu se recompor e correu até á lareira. Nem teve a certeza de quando jogou pó de Floo para lá.
-Escritório do Ministro!- ela disse e colocou a cabeça entre as chamas verdes. Olhou em volta, não estava no escritório do Ministro. Retirou a cebça e respirou fundo três vezes. Estava demasiado alterada que gaguejara ao dizer o local para onde queria ir.
-Escritório do Ministro!- ela disse calmamente. Depois voltou a colocar a cabeça lá. Desta vez acertou e viu Draco levantar-se preocupado da sua cadeira e caminhar até á lareira.
-Boa tarde Sra. Weasley! Passa-se alguma coisa?- Draco perguntou com cuidado. A expressão da mulher dizia-lhe que realmente tinha acontecido alguma coisa. Além do mais, não era normal Molly Weasley aparecer assim sem avisar para falar com ele.
-Oh Draco, estou tão assustada... Ginny está em perigo, o ponteiro dela diz que está em perigo mortal, e eu... Fabián...- a mulher estava tão assustada que nem conseguia falar bem. Draco lembrou-se do estado em que Ginny tinha saido dali. Onde estaria ela? Para onde tinha ido?
-Calma Sra Weasley, eu vou procurá-la. Não se preocupe, eu encontro-a! Agora trate de se acalmar e fique com Fabián!
-Oh meu Deus, Fabián, ele sabe de alguma coisa, foi ele que apareceu na cozinha assustado perguntando pela mãe!- Draco olhou para a sua sogra. Ele sabia que o seu filho tinha uma ligação forte á sua mãe mas ligações daquele género eram raras. Mas ele não tinha tempo para pensar nisso, tinha que encontrar Ginny. A primeira pessoa que lhe passou pela cabeça foi Pansy. Ginny provavelmente tinha ido falar com ela, Pansy era uma Slytherin e estava com raiva de Ginny, podia fazer-lhe mal. Mas mesmo assim, Draco nunca vira Pansy como alguém capaz de matar alguém só por raiva, sabendo que não receberia algo em troca. Mas era a única coisa que lhe ocorria naquele momento. Tinha que ir até casa dela.
