Houve um tempo em que julguei
Que o valor do que fazia
Era tal que se eu parasse
o mundo à volta ruía
Agora em tudo o que faço
O tempo é tão relativo
Podes vir por um abraço
Podes vir sem ter motivo
Tens em mim o teu espaço
Rui Veloso – Todo o Tempo do Mundo
Capítulo Vinte e Oito
Draco esperava impacientemente do lado de fora do quarto de Ginny. Ela estava lá dentro, sozinha com Theodore Nott e Draco não se conformava com o facto de ter sido exactamente aquele homem a salvá-la. Havia qualquer coisa ali que não batia certo. Talvez ele fosse desconfiado demais, ou talvez fosse simplesmente o facto dele detestar aquele homem que o fazia desconfiar, mas mais valia manter um pé atrás.
Ele estava andando de um lado para o outro, imaginando o que estaria a sua mulher falando com o seu antigo colega de escola. Será que Ginny ficaria tão grata aquele homem que acabaria se apixonando por ele? Não, claro que não! Mas lá no fundo ele não tinha tanta certeza. E isso fazia-o sentir-se zangado. Não ter certeza de nada. Era uma sensação horrível.
-Papá!- uma voz de criança gritou do fundo do corredor e a atenção de Draco foi desviada da conversa do outro lado da porta. Fabián correu até ao pai e abraçou-o.- como está a mamã?
-Está um pouco dorida, mas vai ficar boa!- Draco tranquilizou o filho. Fabián era tudo o que le precisava naquele momento, não só por ser a única coisa de que ele tinha a certeza que fazia sentido na sua vida mas também por ser a desculpa perfeita para interromper Ginny e Nott.
Draco bateu á porta levemente e foi o homem de cabelos negros quem abriu.
-Fabián quer ver a mãe!- Draco disse friamente para Nott. Fabián nem esperou resposta. Saltou dos braços do pai e correu até á cama. Ginny sorriu e sentiu-se bem pela primeira vez naquele dia.
-Oh, Fabián, ainda bem que estás qui!- ela murmurou, enquanto o filho dava-lhe a mão e sentava-se na cadeira ao lado da cama.
-Eu tive medo! Pensei que fosses morrer! Ninguém me disse nada mas eu sabia que tavas sofrendo!- ele disse.
Draco olhou sentiu o seu coração aquecer ao ver a cumplicidade entre mãe e filho. Era um sentimento estranho, era raro ele se comover com cenas assim. Geralmente causavam-lhe indisposição. Sempre achara que coisas destas eram para Huflepuffs. Eram coisas capaz de enfraquecer a carapaça de um homem que sewmpre se habituara a ser duro. Mas desde que Ginny entrara na sua vida, havia sempre um momento destes, em que ele se lembrava que não era só gelo.
Depois notou que Nott sorria ao ver Ginny e Fabián e sentiu a raiva crescer dentro dele. Teve vontade de tirar-lhe aquele sorriso da cara com uma maldição Crucio.
-Que queres dela?- Draco perguntou, repetindo-se.
-Já te disse, mas se queres a minha opinião, neste momento eu sou a última coisa com que te deves preocupar.- o outro disse, atirando-lhe o Profeta Diário para o peito. E depois saiu sem mais dizer, com um sorriso desdenhoso.
Draco abriu o jornal, que estava dobrado, e na primeira página a negro, umas grandes palavras diziam: Primeira Dama ou Primeira Suspeita?
A foto de Ginny estava em baixo, e, logo depois, o artigo que dizia:
Ginevra Malfoy, a mulher do nosso primeiro ministro, que reapareceu recentemente, após cinco anos ausente, foi encontrada durante a tarde de ontem, no Beco Knocturn, inconsciente. Ao seu lado estava o cadáver de Pansy Parkinson.
É de conhecimento geral que estas duas mulheres se odiavam e arazão é conhecida a todo o mundo. Sendo Parkinson a ex-namorada de Draco Malfoy, actual Ministro da Magia, é óbvio que a primeira-dama não gostasse de qualquer relacinamento entre o seu marido e Parkinson. Também correm rumores de que Malfoy e Parkinson tiessem sido amantes, após o casamento de Malfoy com a única rapariga filha de Artur Weasley e Molly Weasley.
É desconhecido também o paradeiro de Ginevra Malfoy, durante os últimos cinco anos. O seu desaparecimento foi repentino e ninguém conhece as suas razões. O Profeta Diário pode estipular que Ginevra se tivesse cansado das traições do marido e decidisse separar-se dele.
Poderia ter falado com ele, mas todos nós conhecemos o passado do nosso actual Ministro. Draco Malfoy foi um Devorador da Morte, filho de um dos mais fiéis seguidores Daquele-Cujo-Nome-Não-Deve-Ser-Dito, e responsável por muitas mortes. É compreensível que a jovem mulher tivesse medo da reacção de Malfoy. Naquela altura ainda ninguém tinha a certeza de que lado estaria ele. Se teria realmente mudado ou se estaria apenas fingindo para ser perdoado pelos seus crimes horrorosos.
Ginny Malfoy, desapareceu então, sem deixar rasto, levando o filho com apenas alguns meses de vida.
Depois disso, Draco Malfoy não foi mais visto na companhia da sua suposta amante. Atéb ontem, de menhã. Pansy Parkinson foi vista saindo do gabinete do Ministro. Faz-nos pensar se Parkinson e Malfoy alguma vez se separaram mesmo ou se conseguiram ser suficientemente discretos para que ninguém desconfiasse.
Mas são apenas expeculações. A realidade é que Ginevra estava no ministério pela mesma hora e encontrou a sua rival. E, depois de uma discussão com o seu marido, ela desapareceu.
Foi encontrada, como já referido, no beco Knocturn, aqcompanhada do cadáver de Pansy Parkinson.
Acreditamos que as duas se debateram em duelo e que, eventualmente, Ginevra acabou matando Pansy Parkinson, pelo motivo mais antigo de todos: Ciúme. Será que o nome Malfoy foi feito para assassinos? Ginevra sempre foi uma rapariga dócil, amiga de Harry Potter, fez parte da Ordem da Fénix. Como terá se transformado numa assassina fria e cruel? Será que o nome Malfoy está amaldiçoado? E será que o nosso ministro terá mesmo se afastado das artes negras?As acções da sua mulher dizem o contrário. E esperemos que o poder de Draco Malfoy não influencia o juiz no julgamento de Ginevra Malfoy, e que ela seja julgada com justiça, e não seja ilibada pelo simples facto de ser a Primeira Dama.
Draco olhou para Ginny e Fabián. Os seus problemas acabavam de aumentar. Ele nem estava preocupado com o facto da sua carreira como Ministro estar em perigo, ele estava preocupado com Ginny. Ela estava fraca, aquelas acusações não a ajudariam. Ele tinha que a proteger. Draco despediu-se de Fabián e foi tentar resolver alguns dos muitos problemas que haviam surgido nas últimas vinte e quatro horas.
Depois de passar a tarde com o seu filho, Ginny pôde finalmente descansar.
A conversa com Nott não lhe saia da cabeça. Ele tinha a salvo mas ainda conseguia provocar-lhe arrepios. Ela lembrava-se apenas de partes do que havia acontecido, algumas lembranças eram ainda incoerentes. Nott tinha lhe dito o que acontecera exactamente depois dele ter aparecido, mas antes disso, as memórias eram muito vagas. Depois de Nott ter conseguido segurar Pansy, esta tinha a ameaçado, ameaçado Fabián e conseguira escapar das mãos dele. Nott tentou lançar-lhe um feitiço mas ela conseguira se proteger de todos. Ginny ta,mbém tinha conseguido agarrar a sua varinha e lançara-lhe todos os feitços que conseguira, mas mais uma vez, Pansy conseguira desvia-los. Pansy preparou-se para matar Ginny, e ela percebeu que só havia uma maneira de quebrar a barreira de Pansy e então, conseguindo se rmais rápida que a ex-Slytherin, Ginny matou Pansy Parkinson com um Avada Kedavra. Depois disto, Ginny caira inconsciente no chão e ele tinha a levado até St. Mungo's. Nott também dissera que testemunharia por ela, que a ajudaria a provar que tinha morto Pansy porque era aúnica maneira de se defender. Ginny estava grata por isso, e apesar dos arrepios que o olhar dele lhe provocava, ela não podia negar que afinal ela estava enganada em relação a ele. Talvez ele a amasse mesmo, talvez ele tivesse sido sincero. Afinal, o que ganharia ele em defênde-la?
A sua mente estava nublada. Sentia-se confusa e mal conseguia pensar direito. No meio daquela confusão, fechou os olhos. Antes que se apercebesse estava dormindo.
Nott aproximou-se de Ginny o suficiente para poder tocar-lhe na face. Ginny conseguia vê-lo sorrindo parea ela mesmo no meio da escuridao.
-Não esperava ver-te aqui, minha pequena!- ele continuava acariciando a cara dela. Ginny sentiu vontade vomitar a cada toque dele.
-Sim... eu tenho que fazer alguma coisa!- Nott disse levantando-se. Ela ouviu o som dele andando e depois viu o vulto dele baixar-se novamente. De repente Ginny foi percorrida por uma sensação de perigo, de pavor. Ele iria fazer alguma coisa. Ela só queria poder gritar, chorar, espernear. Sentia-se tão inútil e impotente. Era horrível. Ele ia fazer-lhe alguma coisa e ela não podia fazer nada.
-Avada Kedavra!- ele murmurou. Ela viu um raio de luz verde sair da varinha, mas não era dirigido a ela. Ouviu um corpo cair no chão. Meu deus, ele tinha morto Pansy! Por mais que Ginny odiasse aquela mulher, não seria capaz de a matar, e sentia pena dela.
Ele afastou-se dela e voltou pouco tempo depois. Apontou-lhe uma outra varinha.- Crucio!
-AHHHHHH!- ela abriu os olhos, gritando. Tinha suor frio em toda a sua testa. Mas estava no hospital, e Nott não estava a lançar-lhe uma maldição. Tinha sido tudo um pesadelo, um pesadelo incoerente e confuso. Ela tinha visto apenas flashes, como se partes do pesadelo tivessem sido apagadas, como se ela tivesse saltado capítulos. Era tão estranhoe no entanto parecera tão real.
A porta abriu-se e uma pequena luz, vinda do corredor iluminou o quarto escuro, mas não o suficiente para mostrar quem acabava de entrar.
-Quem está aí?- ela perguntou. O vulto aproximou-se dela, ela sentiu a sua pulsação aumentar.
-Sou eu, Gin.- ela ouviu a voz de Draco. Era tão reconfortante ouvi-lo. Mas nunca admitira isso.
-Assustaste-me!
-Tu é que me assustaste. Fui á rua beber qualquer coisa e oiço-te gritando. Que aconteceu?
-Foi só um pesadelo.- ela murmurou. Mas as lembranças do pesadelo assustavam-na.
-Tens a certeza?
-Tenho.
Caiu um silêncio entre eles. Ela conseguia ver os olhos cinzentos dele brilhando no escuro com os pequenos raio da lua que entravam pela janela encantada. Naquele momento ela só desejou que ele a abraçasse. Um abraço forte e reconfortante, um sentimento que só nos braços dele ela encontrava. Ela queria senti-lo perto dela, queria sentir o seu poder, naquele momento em que ela estava tão fraca. Ela queria que ele fosse a força dela.n Mas sacudiu estes pensamentos da cabeça. Ela acabara de matar uma pessoa por causa dele e isso assustava-a. Congelava-a por dentro, fazia a sentir-se a pior pessoa do mundo. E ao mesmo tempo era assombrada por um pavor que não conhecia, nem tinha razão de ser.
-Hermione vai dar-te alta amanhã...- Draco quebrou o silêncio e Ginny agradeceu-lhe em silêncio por isso.
-Que bom.- ela comentou. Na verdade não queria sair dali, tinha medo de sair dali. Como se lá fora houvesse um lobisomem negro prestes a atacá-la.
-Pensei que... quero dizer, Fabián pediu... Fabián quer ir morar para a Mansão e eu achei que podias ficar lá enquanto recuperas. Não estás pensando voltar para o hotel sozinha pois não?
Não, ela não queria ficar só. Era aúltima coisa que ela queria fazer quando estivesse lá fora. Ficar só aterrorizava-a. Mas ir morar com ele, viver debaixo do mesmo tecto, dormir tão perto dele, podia levá-la a fazer coisas que não queria, especialmente quando se sentia tão fraca.
-Eu...- ela começou a dizer mas as palavras perderam-se ao sentir o toque de Draco na sua face. Como ele era quente, e aquele poder que emanava dela fazia-a sentir-se tão segura. Mas não, Pansy tinha quase a morto por causa daquele homem. Um homem que a tinha violado, a tinha traido, e ignorado. Essa era uma ferida que demorava a curar. E Pansy tinha confirmado que, naqueles cinco anos, Draco e ela tinham sido sempre amantes. Pelo menos era isso que Ginny se lembrava.
-Por favor. Eu só quero cuidar de ti, mais nada. Quando te sentires melhor podes ir embora.- ele disse, colocando a mão dele sobre a dela.
-Tudo bem.- ela concordou. Não tinha forças para discutir com ele, por isso mais valia deixar-se ir.
Draco sorriu na escuridão. Pelo menos poderia tratar dela, poderia protegê-la e enquanto ela estivesse na Mansão Nott não se aproximaria dela e Draco poderia descobrir se realmente o que Nott e ginny diziam que havia acontecido era realmente verdade. Algo dizia-lhe que não, e depois daquela tarde, passada na redacção do Profeta Diário ele tinha cada vez mais certeza que estava certo.
Ele falara com o jornalista que tinha escrito o artigo sobre Ginny. O pobre rapaz latino, quando o viu parecia ter visto o próprio Voldemort erguer-se dos mortos. Draco não conseguira esconder a satisfação que lhe dava ver que ainda conseguia impor respeito e até mesmo assustar. Gostava daquele tipo de poder.
O jornalista, não perdeu tempo em pedir desculpa e justificar-se, dizendo que era o trabalho de um jornalista, dar a conhecer á sociedade o que realmente acontecera, e que ele próprio acreditava que Draco era uma boa pessoa e que Ginny era inocente, mas que factos eram factos e ele só relatara os factos. Draco ouviu o rapaz atentamente, e após um longo discurso, Draco perguntou:
-Quem te forneceu as informações?
O rapaz ficou em silêncio, espantado por não ter sofrido nenhuma maldição.
-Um bom jornalista não revela...
-Eu já conheço a história. Quanto queres para me dizeres o que preciso saber?- os olhos do rapaz esbugalharam-se como se tivesse ofendido, mas o tilitar dos galeões de ouro dentor d eum saco de veludo que Draco levava no bolso, mudaram a expressão do rapaz. E não foi necessário muito. Descobriu que foi um homem muito bem parecido, alto, moreno, de olhos azuis e com ar aristocrático que tinha lhe fornecido a informação. Também disse que já vira o homem várias vezes, mas como era epsnhol, e viera para o Profeta Diário á pouco tempo, ainda não conhecia a sociedade. Draco não ficou com qualquer dúvida de que foi Theodore Nott quem havia feito aquilo. Nott acabava de dar um passo em falso. Embora Nott conseguisse se manter sempre nas sombras, se mantivesse sempre á parte, essa era provavelmente uma das razões porque o rapaz não conhecia Nott, Draco sabia muito bem andar pelas sombras, ele conhecia o escuro tão bem ou melhor que Nott.
Draco sentira o seu espirito Slytherin se enraivecer por dentro. Sentiu aquele antigo sentimento de malvadez dentro dele, aquele que quando era jovem o comandava, acordar. Mas conseguira mantê-lo afastado. Tinha que o fazer por ginnt. Mas sabia que se queria descobrir as intenções de Nott, teria que ir buscar um pouco do seu lado maquiavélico. E não seria muito difícil, porque naquele momento, o velho Draco Malfoy estava mais perto do que nunca.
Um movimento de Ginny trouxe-o para fora dos seus pensamentos. Ela adormecera novamente, apertando a sua mão. Ele sorriu, lembrando-.se porque, mesmo indo buscar o velho Draco, ele não podia se deixar dominar por ele. Ginny não merecia, Fabián não merecia. Ele teria que conseguir separa as coisas. Mas como, se Ginny, naquele momento era a única maneira que ele tinha para descobrir a verdade? Deveria ele fazer o que queria fazer? Valeria a pena correr o risco quando ela estava tão fraca? Mas se esperasse que ela se fortificasse, não conseguiria fazer o que queria. Na sua mente apareceu uma frase que Lucius lhe dizia: Muitas vezes, os fins justificam os meios.
N/A: Só quero agradecer pelas reviews e dizer que eu sei que não tem havido muita interacção D/G mas prometo que no próximo capítulo haverá mais. E deixem review, não há nada mais estimulante do que ver um capítulo cheiinho de opinioes, sejam boas ou más.
