I know theres something in the wake of your smile

I get a notion from the look in your eyes ya

You built to love but that love falls apart

Your little piece of heaven turns to dark

Listen to your heart

When hes calling for you

Listen to your heart

Theres nothing else you can do

I don't know where your going

And I don't know why

But listen to your heart

Before you tell him goodbye

DHTListen To Your Heart


Capítulo Vinte e Nove


Ginny apertou a mão do filho ao entrar na mansão. Não conseguiu evitar recordar-se dos momentos solitários que passara ali. Olhou para Draco e encontrou o olhar dele. Ginny estremeceu ao ver aquele olhar. Algures nos seus olhos cinzentos ela encontrou algo que conhecia mas não sabia bem de onde. Ele pareceu sentir-se desconfortável e desviou o olhar.

-Vais ficar no quarto de hospedes ao lado do nosso qu... do meu quarto. Fica perto do quarto de Fabián e do meu. Julgo que te sentes mais segura assim e eu também.

-Claro.- ela disse distraidamente. O olhar dele fixara-se na cabeça dela. Havia qualquer coisa nele, um desconforte tão pouco caracteristico dele.

Ele levou a mala dela até ao quarto. Vagueram por corredores que ela conhecia muito bem, passaram inclusive pelo lugar ond etrocaram o último beijo e ela sentiu um calor percorrê-la. Imaginava o que teria acontecido se Draco não a tivesse afastado.

-Precisas de ajuda para arrumar as coisas?- a voz dele, interrompeu os seus pensamentos. Pensamentos que deabulavam já por zonas que ela preferia nem pensar co Fabián por perto.

-Obrigada, mas eu consigo fazer isso, além disso o Príncipe Encantado vai me ajudar!- ela disse olhando para Fabián. Ela viu Draco erguer uma sobrancelha sem perceber nada.- O Príncipe Encantado é Fabián!- ela explicou e ele sorriu.

-A mamã é a Branca de Neve !- Fabián disse sorrindo- O papá é o quê? A bruxa má? Não pode ser!- Fabián continuou, com ar indignado. O ppapá tinha que ser alguém importante, afinal era o papá dele.

-Não sei. O que achas que o teu pai deveria ser?

-Podia ser o Rei!- Fabián disse entusiasmado. Ginny sorriu, pois Rei era uma alcunha que Draco deveria gostar muito.

-Por mim tudo bem.- Draco disse sorrindo.- Eu vou estar na biblioteca, se precisarem de mim chamem por...

-Nukky!- Ginny terminou a frase por ele.

-Exactamente. Boas arrumações.- ele disse, dando uma plamada suave nas costas do filho quando passou por ele.

Ginny e Fabián passaram uma tarde animada, desarrumando mais do que arrumando. Fabián adorava bagunça, mas na hora de colocar as coisas no sítio, ele fugiu, foi para o seu quarto brincar, mas ela não se importou. Arrumou o quarto e depois foi verificar o filho. Ele brincava com um pequeno elfo chamado Finky. Ginny ficou observando um pouco e depois fechou a porta. Andou um pouco pela mansão, imersa nas suas recordações. Sentia um pouco de dores de cabeça, mas era como se uma estranha força a puxasse. Quando se deu de conta, estava em frente á porta da biblioteca. Ela sabia que Draco estava lá dentro, conseguiu ouvir os passos dele no interior, que depois pararam. Ela queria abrir a porta, sentir a presença dele, o calor dele, mas tinha medo de estar a sós com ele. Ela tinha medo do que ela mesma poderia fazer. O corpo dela queria-o mas asua razão ainda mantinha um pé atrás. Ainda se recordava da conversa com Harry, mas também se lembrava das palavras de Pansy antes desta a torturar e nem sabia no que deveria acreditar.

"Talvez devas deixar de ouvir os outros e ouvir o teu coração!" uma vozinha dentro da cabeça dela aconselhou. Mas seguir o coração era tão difícil e ela lembrava-se do quanto se havia machucado por ter seguido o coração.

Sem conseguir se controlar ela abriu a porta, e entrou. Draco estava olhando pela janela, com um copo de firewhisky na mão. Ela aproximou-se dele ate ver-lhe a cara. O olhar dele estava perdido no horizonte. Os últimos raios de sol iluminavam-lhe a cara. Ginny teve vontade de acariciar a face dele mas conteve-se. Havia qualquer coisa nele, uma aura estranha que o envolvia. Ele fechou os olhos e na expressão dele havia medo. Era isso que se passava com ele, pela primeira vez na vida, Ginny via medo em todos os traços do corpo dele.

-Tens medo de quê?- ela perguntou sem se conseguir conter.

Ele abriu os olhos de repente. Não tinha notado a presença dela até ela falar. Estava demasiado distraido com os seus proprios pensamentos que não a tinha ouvido entrar. Os olhos dele fixaram os dela mas ele manteve-se em silêncio. Pousou o copo na mesa ao lado da janela, sem tirar os olhos dos dela, e aproximou-se. Tocou-lhe com um dedo na cara. Os olhos dele estavam escuros, carregados de preocupação.

-Tenho medo de te magoar...- ele murmurou, acariciando o pescoço dela. Ginny fechou os olhos para desfrutar o toque dele.

-Porquê?- ela perguntou suavemente, sem conseguir abrir os olhos e implorando que ele não deixasse de a tocar.

-Porque eu já te magoei demasiado... e não o quero fazer novamente... - ele murmurou, aproximando-se dela. Ela sentiu a respiração quente dele roçar-lhe os lábios.

-Porquê?- ela insistiu.

-Porque... - ele sussurou perto do ouvido dela. As suas mãos seguravam agora acintura dela. Ginny permanecia imóvel e de olhos fechados. O corpo dele estava mais perto do dela do que nunca.- ... eu não sei o que fazer...

-Porquê?

-Porque tudo isto é estranho... porque...- mas as palavras dele perderam-se quando ele tocou com os seus lábios nos dela, no beijo mais doce que ambos haviam experimentado. Ginny sentiu uma sensação de alegria e uma vontade de se perder no corpo dele percorrê-la.

Mas antes que ela tivesse tempo de conseguir distinguir todos os outros sentimentos que haviam despertado dentro dela, ele afastou-a delicadamente.

-Desculpa... ele murmurou. Ginny não teve coragem de abrir os olhos.- Desculpa-me por todo o mal que te fiz...

Ela abriu finalmente os olhos e encontrou os dele, tão perto dela, tão cheios de remorso, implorando para que ela o perdoasse. Aquilo não podia ser mentira. Todos aqueles sentimentos, nuns olhos que haviam sido tão frios não podia ser mentira.

-Desculpa-me por todas as lágrimas que demarraste... desculpa-me por todas as noites que passaste sozinha... desculpa-me por todo o desprezo, por todas as palavras que não disse e devia ter dito e por todas as que disse e que devia ter calado... desculpa por todas as traições... e por todos os insultos... desculpa o desrespeito...- a voz dele estava ficando trémula. Draco sentia um aperto no coração. Transformar tudo aquilo em palavras era mais doloroso do que ele imaginava. Ele lutou por não se transformar em gelo como sempre havia feito. Desta vez ele tinha que conseguir mostrar tudo o que sentia, não esconder nada, ele tinha que ser transparente, deixá-la vê-lo realmente.

E ela viu. Ela viu-o por completo. Ela viu a dor, o arrependimento, a sinceridade nas palavras dele.

-Eu acredito... - ela murmurou. Sentiu as suas próprias lágrimas correrem pela sua face.

-Papá...- Fabián bateu na porta. Draco e Ginny afastaram-se e ela secou as lágrimas.

-Entra.- Draco disse. O pequeno Malfoy entrou na biblioteca.

-Não sei onde...ah estás qui!- Fabián disse sorrindo para Ginny.- andei á tua procura. Queria que visses o Dragão que desenhei. É aquele que o tio Charlie disse que tinha lhe queimado as calças.- Fabián disse tentando esconder as gargalhadas, ao imaginar o tio Charlie com o traseiro das calças queimado fugindo de um dragão.

-Vamos lá ver esse dragão.- Ginny disse dirigindo-se para a porta. Agarrou a mão do filho e saíram. Draco ainda ouviu Fabián dizendo no corredor:

-Depois podemos enviá-lo ao tio Charlie?

Draco encostou-se á janela, pousando a testa contra o vidro frio para arrefecer. Ele esteve tão perto. Se Fabián não tivesse entrado...

Ele agarrou no copo com firewhisky e bebeu-o todo de uma vez. Depois sentou-se na sua secretária e olhou para o livro que estava aberto á sua frente. Ele fixou a palavra que mais o assustava: "morte". Valeria a pena correr o risco? Ela podia morrer e se isso acontecesse ele nunca se perdoaria, mas ele tinha que saber a verdade.

Depois de jantarem juntos, Ginny e Draco foram por Fabián a dormir. O rapaz insistira em que mabos o pusessem na cama. Gostva de os ver juntos. Ginny sorrira quando Fabián tinha dito isto. No entanto Draco permanecera sério. Ele estava estranho, já não era só medo, ela reconhecia uma sombra nos olhos dele, um frio que ela já vira antes. Ela lembrava-se daquela sombra. Era a mesma sombra fria que havia nos olhos dele quando... quando ela lhe dissera que esperava um bebé dele, quando eles casaram, quando viveram juntos durante um ano e que ele a desprezara...

Draco sentiu os olhos de Ginny nele durante todo o percurso até ao quarto de Fabián. Ele só rezou para que ela não desconfiasse de nada, que ela não notasse, que ela não reconhecesse nele a armadura que ele havia erguido. Era a armadura que ele erguia quando tentava esconder o que realmente sentia, quando se forçava a fazer algo que ele lá no fundo não queria fazer, era armadura que ele usára fazia cinco anos e que a magoára tanto. Mas ele tinha que fazê-lo mesmo não querendo, pois podia magoá-la.

Quando Ginny fechou a porta do quarto de Fabián, ao saírem, ela agarrou-o pelo braço levemente. Ela teria agarrado com amis força de a tivesse, mas estava tão fraca.

No entanto, ele parou e olhou para ela.

-O que se passa?- ela disse as palavras que ele não queria ouvir.

-Nada.- ele disse. Ginny deu um passo atrás. Aquela palavra saíra tão fria. Será que tudo o que ele dissera antes era apenas encenação?

-Eu não...- ela não conseguiu acabar de falar. Uma forte dor de cabeça atacou-a. Ela ouviu-se soltar um gemido de dor e as suas pernas fraquejaram. Draco agarrou-a pela cintura e ecostou a cabeça dela ao seu peito. A sua mente ficou escura e de repente...


-Espero bem que sim. Eu não me arrisquei tanto para tu agora deitares tudo a perder!- Theodore baixou a voz, Ginny aproximou-se um pouco mais para conseguir ouvir.- Eu não droguei Draco Malfoy, não gastei uma fortuna contigo para o afastares da Weasley, não me aproximei dela para tu deitares tudo a perder agora! Seduz Draco, enfeitiça-o, faz o que quiseres, até podes lhe lançar uma maldição, mas eu quero-o longe dela!

-Pois, isso não estava nos planos mas isso resolve-se. As crianças são fáceis de manipular. Concentra-te no teu queridinho Draco que eu concentro-me em Ginny!


Estava de novo na mansão Malfoy, com a cabeça encostada ao peito de Draco.

-Estás bem?- ele perguntou.

-Eu...- ela olhou-o nos olhos. Que tinha sido aquilo, de onde tinham vindo aquelas memórias. Seriam memórias? Quando tinham acontecido? Ficou ainda mais confusa. Ele segurava-a ainda. Ela sentia-se tão fraca. Ele percebeu e soube que aquele era o momento, mas tinha medo de arriscar. Sentiu toda a sua frieza criar um escudo dentro dele, contra o seu medo e disse.

-Desculpa pelo que vou fazer...- ele disse. E sem que ela pudesse perguntar o que ele queria dizer com aquilo, a mente dela foi invadida por ele. Viu as suas memória serem viradas como páginas de um livro mas ela não tinha força de o afastar. E as imagens que acabára de ver repetiram-se, o seu pesadelo repetiu-se e ela finalmente percebeu. Tinha sido enganada. Nott não a sálvara, Nott tinha-a... mas não conseguiu pensar em mais nada. Apagou-se tudo. Ficou escuro e Draco foi expulso da mente dela violentamente. Ele agarrou-a com mais força, evitando que ela caísse no chão inconsciente.

Por momentos não soube o que fazer. Ginny estava inconsciente e ele finalmente sabia o que tinha acontecido. Teve vontade de matar Nott, mas tinha que levar Ginny a Hermione. Que tinha feito ele? Forçar a entrada na mente dela com ela tão fraca podia custar-lhe a vida. Ele tinha passado grande parte da tarde lendo sobre o que podia acontecer num caso como aqueles e tinha medo de ter feito um dano demasiado grave na mente de Ginny que a tivesse debilitado fatalmente.

Encostou-a com força a si e materializou-se em St Mungo's.