Some people want it all
But I don't want nothing at all
If it ain't you baby
If I ain't got you baby
Some people want diamond rings
Some just want everything
But everything means nothing
If I ain't got you
Alicia Keys - If I Ain't Got You
Capítulo Trinta
Draco carregou Ginny nos braços, correndo pelo corredor. Atrás de si, Hermione corria também. Já tinha chamado enfermeiras e pedido uma maca, mas naquele hospital parecia que ninguém queria trabalhar justo naquele dia. Finalmente apareceu a maca, e Draco descansou o corpo pálido da ruiva. Hermione lançou-lhe um último olhar desconfiado antes de entrar na sala ao fundo do corredor.
Draco encostou a cabeça á parede e fechou os olhos. Sentiu a culpa fazer-lhe um nó na garganta. Mas em poucos segundos a culpa foi substituida por uma raiva que ele nunca pensou sentir, um ódio tão grande que até doia. Ele fechou os punhos e apertou-os com força. Teve vontade de sair dali e ir caçar Nott. Sim, caçá-lo, torturá-lo e matá-lo quando ele já não aguentasse mais.
Mas afastou essa ideia da cabeça. Por mais que quisesse se vingar de Nott e fazê-lo pagar por tudo o que ele tinha feito, a saude de Ginny era mais importante. Ele olhou para a porta da sala em que ela tinha entrado, pálida, inconsciente e fraca.
Uma enfermeira saiu da sala e Draco aproximou-se dela. Ia começar a falar mas ela adiantou-se.
-Não posso adiantar nada. A Doutora Weasley está fazendo tudo o que pode! Talvez devesse ir para a sala de espera, pode demorar.- E foi-se embora. Mas Draco não saiu dali, tinha que estar ali perto, tinha que saber que estava perto dela, mesmo que não pudesse fazer nada para ajudá-la. Sentou-se no chão, encostado á parede, encolhido.
A culpa corroía-o por dentro. Se acontecesse alguma coisa a Ginny ele nunca se perdoaria, mas fora a única maneira de descobrir a verdade. E tinha descoberto mais do que imaginaria. As memórias do casamento de Luna encheram-lhe a cabeça. Ele tinha passado grande parte da noite com Nott, o único Slytherin além dele ali, por isso, e apesar de não gostar dele tinha ficado com ele, Nott tinha lhe dado uma bebida, que agora ele sabia que deveria ter alguma poção. Ele tinha sido tão estúpido. Sentiu o ódio aumentar ainda mais. Como tinha se distraido daquela maneira, deixar Nott drogá-lo? Tinha se deixado invadir pelo ciúme de ver Ginny e Harry juntos. E depois, isso junto com a droga qualquer que nott tinha lhe posto na bebida... Draco deu com o punho no chão com força que sentiu que os seus ossos iam partir.
-Não vale a pena te magoares agora, o mal já está feito.- Draco olhou para cima e viu Hermione olhando para ele com cara séria. Ele levantou-se rapidamente.
-Como está ela?
-Muito mal! O que fizeste Draco? A mente dela está muito danificada, ela pode ficar com amnésia. Tu forçaste-a, tu entraste na mente dela não foi? Seu desgraçado, tu podes ter feito com que ela ficasse demente! Tu podes ter destruido a vida dela, Draco!
-Eu sei... mas era a única maneira...
-Eu espero que tenhas conseguido o que querias porque... só me apetece ir até casa dos nossos sogros e dizer-lhes o que fizeste a ela, e espalhar a todos os irmãos dela para que te matem, porque é isso que eles vão fazer...
-Nott matou Pansy!- Hermione calou-se e ficou olhando para ele surpreendida.- Ele matou Pansy, torturou Ginny e alterou-lhe a memória. Não sei o que ele quer com isto, mas eu vou descobrir e vou matá-lo...
-Draco, tu és o Ministro da Magia. Acredito que estejas zangado, mas a justiça encarrega-se dele...
-Talvez...- mas não foi convincente.
-Desculpa ter sido tão bruta contigo, mas não devias ter forçado. Nunca te imaginei capaz...
-Imaginaste sim, tu só julgaste que eu tinha virado um Gryffindor... mas eu sou um slytherin, nunca vou deixar de o ser, posso ter deixado a minha carapaça para trás mas continuo Draco Malfoy.
-Eu sei... mas...
-Mas um Slytherin nunca morre...apesar de eu estar morrendo de culpa...
-Eu fiz tudo o que podia, mas não garanto nada, ela ainda corre muitos riscos... só posso dar uma certeza depois de ela acordar e começar o tratamento. Mas tu não devias...
-Foi a única maneira!
-Não acredito que ela acorde antes do amanhecer. Devias ir para casa, descansar, ver como está Fabián e amanhã passar por aqui. Eu vou guardar o teu segredo, Draco, não vou contar aos Weasleys porque acredito que o fizeste para que ela não fosse presa.
-Obrigado.- ele disse. Hermione foi-se embora e Draco decidiu seguir o conselho dela. Materializou-se em casa, á porta do quarto de Fabián. Entrou cuidadosamente para não o acordar.
-Onde está a mamã?- ele ouviu o pequeno vulto que estava perto da janela dizer. Draco olhou para os olhos do filho que brilhavam na escuridão com a leve luz que entrava pela janela vinda da lua. Tinha a certeza que os seus brilhavam da mesma maneira.
-A mamã está doente. Teve que v oltar para o hospital.- Draco disse com cuidado.
-Eu sabia que tinha acontecido alguma coisa...- Fabián murmurou. Draco percebeu que a ligação entre o filho e mãe era tão forte que ele pressentia o que acontecia á mãe. Draco abraçou o filho.
-Eu prometo que ela vai ficar bem.- as lágrimas de Fabián molharam a sua camisa. Ele apertou o filho.
-E se ela não ficar?- a criança sussurrou entre soluços.
-Então eu faço muito mal a quem a pôs assim!
-Ele é um homem mau e não gosta de ti!- Draco afastou-se um pouco para olhar para Fabián.
-Tu conheces o Senhor Nott?
-Não. Mas eu sei. Ele não gosta de ti e ele quer fazer-te mal!
-Como sabes isso?- Draco viu o filho encolher os ombros revelando que não sabia como sabia aquilo. Simplesmente sabia.
O louro adulto levantou o louro pequeno e levou-o até á cama. Deitaram-se os dois e Draco deixou o filho descansar a cabeça no seu ombro. Pouco depois Fabián dormira. Draco no entanto passou a noite acordado. Dividindo as horas entre olhar para o seu filho e pensar no que iria fazer com Nott.
Os primeiros raios de sol entraram pela janela. Draco levantou-se lentamente e chmaou Nukky para que ela vigiasse Fabián.
Depois materializou-se no Ministério. Durante a noite tinha decidido muitas coisas. Aquele ia ser um dia muito longo. Tinha muito para escrever, muitas pessoas para falar e tinha que ir a St. Mungo's para verificar Ginny sempre que podia.
Passou algumas horas lá. Ainda não havia muita gente lá, apenas as suficientes para fazer o que tinha a fazer. Quando começaram a chegar as restantes pessoas, quando o Ministério começou a encher ele decidiu ir ver Ginny.
-Ela acordou!- Hermione disse, quando ele chegou ao pé dela.
-E como está?
-Não posso dizer que está bem, porque não está. Não se lembra dos últimos dias, por ela, ainda deveria estar em casa de Colin, mas julgo que é passageiro. Com um descanso e ajuda da familia e amigos ela consegue recuperar. Agora vê lá se não fazes mais nenhuma destas ou ela não resistirá!- Hermione avisou.
-Nunca! Só de imaginar que ela podia ter ...
-Mas não acnteceu nada de grave. Ainda me custa acreditar que lhe fizeste isto! Eu devia estar furiosa contigo e devia ter dito tudo ao Ron para que ele te amaldiçoasse daqui até ao Inferno... - ela disse com um voz fria, mas depois a sua voz suavizou.- mas és o pai do meu sobrinho, e eu sei que mudaste, e estavas desesperado, no entanto isso não justifica...
-Os fins justificam os meios!- ele murmurou.
-Para os Slytherins talvez. Havia maneiras de fazê-la recuperar a verdadeira memória.
-Vá lá, Hermione, todos acreditaram que ela estava dizendo a verdade! Ninguém desconfiava de nada, a não ser eu, nunca se dariam ao trabalho de verificar se era verdade e também quando se descobrisse a verdade podia ser tarde demais.
-Não vamos discutir. Queres vê-la? Acho que está dormindo mas pelo menos podes vê-la.
-Claro que quero vê-la!
Entraram os dois em silêncio. Ginny descansava numa cama ao centro. Dormia pacificamente. Como era linda. Ele aproximou-se dela e tocou-lhe a face. Hermione saiu para deixá-lo sozinho.
-Desculpa-me... nem sei porque peço desculpa, não é que esteja arrependido, era a única maneira e espero que entendas... eu só precisava saber a verdade... e nem imaginas... aquele canalha... ele torturou-te, ele fez-me magoar-te, por causa dele eu manchei a tua pureza, eu virei gelo... tudo por causa daquele sacana e eu nem sei se alguma vez irás te lembrar... se me irás perdoar eu quase te matar, por esta terrível obsessão, para encontrar algo contra o Nott...- a voz dele sumiu. Eram raras as vezes que Draco Malfo chorava mas vê-la naquele estado, sentir-se tão culpado fez com que uma lágrima caísse do seu olho. Agarrou a mão dela e sentiu os dedos dela apertarem levemente.
-Não sei porque estou assim...- ele ouviu-a murmurar ainda de olhos fechados.- nem sei porque sinto que confio em ti, mesmo depois de tudo o que me fizeste, eu não me lembro...
-Não precias falar... descansa.- ele disse.
-Eu deveria te odiar. Mas não odeio mais, eu deveria tew expulsar do quarto, mas há algo que me diz para não o fazer e ao mesmo tempo uma parte de mim tem medo de ti...
-Desculpa. Fui eu que te pus aqui, mas eu não queria que...
-Eu quero acreditar mas ainda há uma parte de mim que não confia em ti...- ela continuou de olhos fechados.
-Eu amo-te!- ele murmurou. Ele viu-a sorrir e ela abriu os olhos.
-Eu não devia mas acredito em ti! Mas não... ainda não sei se as feridas que me causaste começaram a sarar... ainda as sinto abertas e...
-Não fales. Não digas nada. Só quero que saibas que eu abdicaria de tudo para te ter de novo ao meu lado.
Ela sorriue voltou a fechar os olhos. A força que ela exercia na mão dele suavizou-se e ela adormeceu novamente.
Agora que falara com ela, ele podia fazer o que planeara toda a noite. Saiu do quarto em silêncio e materializou-se no portão da Mansão Nott. Estava na hora dele conversar com Theodore.
Foi recebido por um elfo doméstico. Esperou que este chamasse Nott.
-Boa tarde!- Nott disse quando entrou. Draco não respondeu com a mesma simpatia fingida.
-Eu era capaz de te matar!
-Desculpa?- Nott fingiu surpresa.
-Não finjas mais. Eu sei que tu torturaste Ginny e mataste Pansy! Eu sei que tu colocaste qualquer coisa na minha bebida no casamento do Longbottom, sei que pagaste a Pansy para me seduzir! Também sei que foste tu que forneceste as informações para aquele jornalista do Profeta. Já sei de tudo, Nott. Não mintas mais.
-Até é um alívio já saberes de tudo. Estava farto de rir nas tuas costas, te ver cair do cavalo vezes sem conta. Também foi divertido ver a tua mulherzinha tonta julgar que estava apaixonado por ela. Devo dizer que ela surpreendeu-me quando fugiu de ti, sempre a julguei demasiado fraca para isso, não pensei que tivesse a inteligencia ou a coragme para isso. E depois, tu seres tão afectado por isso, foi delicioso. Draco Malfoy, o rei da frieza, o mestre da crueldade, o prícipe dos Slytherins mostrar fraquezas tão gryffindóricas. Foi hilariante e deu-me tanta satisfação. Eu, o simples e sozinho Theodore Nott conseguiu derrubar Draco Malfoy. E sabes que mais, eu espero que ela morra. Não era esse o meu plano, queria te torturar mais um pouco, mas já que sabes a verdade, eu espero que ela morra, para que tu morras aos poucos de culpa. Espero que ela morra e apodreça naquele hosp...
-Crucio!- Draco não aguentou mais. A maldição acertou Nott em cheio. As ao contrário do que Draco esperava, Nott não gritou, nem se contorceu de dor. Caiu no chão e sorriu. Draco quebrou a maldição.
-Podes torturar o que quiseres Malfoy, não há dor nenhuma que consiga superar a satisfação que sinto por te ver tão fora de ti. Que diria o teu pai agora? Que diriam os teus apoiantes de Ministro agora?- Nott disse ofegante. Ele podia não ter gritado, mas tinha sofrido.
Draco deu uma gargalhada sarcástica.
-Achas mesmo que eu viria aqui, pronto para te matar se fosse ministro? Pedi a demissão hoje. Podes te vagloriar. Não era isso que querias?
-Isso e muito mais, mas o teu cargo de Ministro não era o mais importante! No entanto a notícia agrada-me!
-Mas não o fiz por ti. Fi-lo por ela.
-Por ela?- Nott disse e depois começou ás gargalhadas, levantando-se com dificuldade.- Ela é uma tonta e tu ficando mais tonto que ela.
-Avad...
-Vais me matar? Tu não és capaz Draco. Tu enfraqueceste, tu perdeste o Slytherin dentro de ti por causa dessa paixão absurda. Tu morreste.- Nott escarneceu.- Eu já nem quero, nem preciso ver-te cair. Já não és o Draco Malfoy que eu invejei. O Draco que sempre teve a sorte do lado dele, que sempre me deixou furioso. O Slytherin mais conhecido, mais poderoso, apesar de eu ter melhores notas. O convidado pelo próprio Voldemort a juntar-se aos Devoradores da Morte, mesmo quando eu era mais forte e muito mais maduro do que ele. E que, depois de tudo o que ele cometeu, depois dos crimes, das mortes, da dor que ele espalhou, conseguiram perdoar e torná-lo no homem mais poderoso de Inglaterra. Eu que sempre me mantive de lado na guerra, nem fui convidado a me juntar ao ministério. Acaba sendo um pouco frustrante, mas não te odiava só por isso, não. Odiava-te porque julgavas que tinhas tudo isso por mérito, quando foi pura sorte, e compaixão, devo dizer. Tu só foste quem foste por causa dela, por isso queria tanto que ela se mantivesse longe. Mas já não és nada. Só dependes dela, viraste um fungo que precisa dela para viver. Se ela morre tu destrois-te. Espero que aquela cabra morra!
Desta vez foi Draco quem sorriu. Um sorriso que Nott não via há muito tempo.
-Podes estar enganado Nott! Tens a certeza que o Slytherin em mim morreu?- Draco disse com um brilho no olhar. Nott não conseguiu responder á pergunta pois já não tinha a certeza. E apesar de nunca admitir isso, o Draco que se encontrava á frente dele assustava-o como só voldemort tinha assustado. Aquele Draco era o legendário Draco, o Devorador da Morte, de quem ouvira falar durante a guerra. O homem que matou e torturou sem remorso nenhum encontrava-se agora á sua frente.- Eu se fosse tu não tinha tanta certeza!- Draco sibilou.
N/A: e este é a minha prenda de Natal. Podia ser melhor mas a minha inspiração evaporou como água no deserto. Tenho agarrado cada momento em que a imaginação volta para escrever. Desejo a todos um Bom Natal.
