Holding on to memories
Often scared
Of what I'd see
And then you came
And rescued me
And I'm okay
Anastacia – In your Eyes
Capítulo Trinta e Um
-E sabes, estou farto de fingir ser quem não sou. Eu sou um Slytherin, ser Ministro, fazer o bem não é para mim. No meio disto tudo a única verdade é que eu amo Ginny e amo o meu filho. Desisti do cargo de Ministro para poder dedicar-lhes o meu tempo. E também porque ser Ministro acarreta certas regras.- Draqco deu mais um passo.- regras que me impediriam de estar aqui agora com a intenção de fazer o que quero!
-E vais mesmo me matar? Achas que em Azkabban terás muito tempo para dedicar á tua família?
-Tal como tu, eu sei jogar este jogo! - Draco disse. Nott foi surpreendido pelo feitiço que Draco lhe lançou silenciosamente.A varinha do moreno saltou da sua mão e caiu mesmo em frente de Draco.- Wingardium Leviosa!- a varinha levitou e Draco agarrou-a.- Devias estar mais atento Nott.
-Tu não és capaz de me matar! Ela saberia que és um assassino, achas que ela perdoaria um assassino?
-Há maneiras de eu te matar sem deixar rasto! Muitas maneiras...- Draco sibilou como uma serpente.
Nott não respondeu. Ficou olhando o seu oponente com cara de quem era capaz de estrangular Draco. Este simplesmente sorria desdenhosamente.
-Mas antes de te matar, quero que me digas...só curiosidade. Porquê matar Pansy, torturar Ginny? Bastava apagares a memória. Se não a tivesses torturado talvez o teu Confundus tivesse resultado!
-Porque não ha nada neste mundo que te afecte mais do que Ginny! Eu seria o salvador dela, eu a ajudaria a não ir para Azkabban e tu continuarias o marido infiel. Irias te matando aos poucos, ias caindo aos poucos, te afogando aos poucos... já vi muitos se suicidarem por um amor não correspondido!
-Então conheces-me muito mal! Devias saber que o que não me mata, torna-me mais forte!- Draco sorriu. Aproximou-se do outro tão repentinamente que Nott nem teve tempo de reagir. Agarrou-o pelo pescoço, empurrou-o contra a parede e apontou-lhe a sua própria varinha.
-Qual seria a sensação de ser morto pela pessoa que mais odeias e ainda por cima pela tua própria varinha?
-Uma sensação que nunca terei, porque tu não me vais matar!- Nott repetiu-se, sorrindo malevolamente. Aquela tranquilidade de Nott estava quase fazendo Draco perder a cabeça. Nott deveria estar petrificado de medo, mas continuava calmo.
-Porque tens tanta certeza que não te vou matar?
-Porque tu não és estúpido de te arriscar a ficares sem a tua querida mulherzinha e filhinho para matar-me! Para ti, eu não valho tanto esforço!- Nott disse, continuando a sorrir.
-Eu matei muitas pessoas antes e não fui preso por isso... desta vez não seria diferente.- Draco sibilou.
-Se tivesses que me matar, já o terias feito!- Nott disse rindo.- Teria sido a primeira coisa que terias feito quando entrasses aqui.
-Crucio!- Draco não aguentou mais. A sua voz saiu carregada de ódio. Desta vez os gritos de Nott ecoaram pela sala toda. Ele caiu no chão e contorceu-se de dor. O feitiço fora tão forte que em pouco tempo o nariz do moreno começou a jorrar sangue. Draco sentiu uma vontade demoniaca de usar as artes negras para fazer Nott sofrer. Fazê-lo vomitar sangue se necessário. Ele estava ficando insano. Só pensava em matar Nott.
-Avada...- ele começou dizendo mas parou a meio. Não era esse o plano. Não podia matar Nott já. Mas onde raio estava ele?
Draco quebrou a maldição Cruciatus e Nott olhou para ele e sorriu.
-Eu disse que não eras capaz de me matar...
-Aspiratius Oppilare!- Draco gritou.
Nott deixou de respirar. Draco viu o homem á sua frente tentar desesperadamente fazer o ar entrar na sua garganta e encher os seus pulmões. Nott agarrou o pescoço, ainda sentado no chão.
Draco sentiu um enorme prazer, como não sentia desde que fora Devorador da Morte, ao ver Nott desesperado.
-Indolentia!- Draco murmurou e viu Nott respirar fundo várias vezes. Antes que este se pudesse recuperar. Draco deu-lhe um pontapé no estômago. E depois outro, e continuou chutando até que viu o homem que estava no chão cuspir sangue.
-Então, continuas julgando que não te vou matar?
-Tenho... a certeza!- o moreno disse ofegante, deitado no chão, agarrando a barriga.
O louro deu-lhe um pontapé na cara. Ouviu o nariz de Nott partir. Ele não sabia quanto mais tempo iria aguentar antes de matar aquele homem.
-Abscissum Venas!- a escuridão já tomara conta dos pensamentos de Draco, e os feitiços negros sucediam-se. Este, um dos mais crueis de todos, mas muito pouco conhecido, tinha sido criado pelo próprio Voldemort. Era um feitiço que para os mais inexperientes, podia ser confundido com uma maldição Cruciatus. Mas este não infligia apenas dor, este destruia muitos dos vasos sanguíneos da vítima, deixando a pele manchada de vermelho em vários sitios. Dependendo do tempo que a pessoa estivesse sob este feitiço, ele poderia tornar-se irreversível e era necessário muito pouco tempo para a pessoa morrer.
-Indolentia!- Draco disse novamente e Nott já tremia devido á dor. Tinha espasmos constantes.
-Podes me torturar... o que quiseres, mas... és incapaz... de... me matar!- Nott continuava dizendo. Naquele momento, Draco tinha a certeza que tudo o que Nott queria era que Draco acabasse de uma vez com aquele tormento e o matasse. Mas Draco não o mataria.
-Concremo Cerebrum!- novamente mais magia negra. Draco já não controlava. Tinha sido aquela sede de dor e sangue que o consumia que o tinha feito um temível Devorador da Morte. Ele tinha conseguido esconder aquele demónio dentro dele muito tempo mas agora saíra e precisava de infligir dor.
Nott levou as mãos á cabeça. Draco sabia que ele sentia como se o seu cerebro se estivesse queimando. Ele sorriu. Quando Draco acabasse, Nott imploraria para que ele o matasse, mas Draco não o faria. Havia maneiras piores de acabar.
Draco ergueu a varinha e Nott abriu os olhos.
-Que...diria a tua... mulher... se... se te...visse agora?- Nott disse, sorrindo.
-Mas ela não está vendo!- Draco disse, encostando-se á parede, ao lado de Nott, e olhando pela janela.- Sabes qual a pior maneira de acabar?
-Ser... como tu! Ter tudo e... me transformar... num nada!- Nott escarneceu. Draco soltou uma gargalhada. Ao longe viu o que esperava. Abriu a janela.
-Sabes que os Dementors nunca mais conseguiram ser controlados. Esconderam-se, mas alguns ainda andam vagueando por aí...- Draco disse, colocando a varinha de Nott sobre uma mesa.- Alguns também mantêm contacto com alguns ex-Devoradores da Morte. São esses que os mantêm vivos, fornecendo algumas pessoas felizes para eles se alimentarem...
Nott sabia o que Draco dizia. Nott nunca fora um Devorador mas havia sacrificado algumas pessoas para os Dementors.
-Tu não...- mas Nott não acabou a frase. Uma figura encapuçada entrou pela janela e o ar arrefeceu. Ele viu pelo canto do olho Draco sorrindo e depois ouviu uma gargalhada sonora. O Dementor aproximou-se de Nott. Pelos vistos já tinha ordens concretas sobre o que fazer. Nott nem sofreu muito. Foi rápido.
Draco viu a alma de Nott sendo sugada pelo Dementor e nem ficou lá mais tempo. Limpou a varinha de Nott, alterou a memória dos elfos domésticos e deixou a mansão.
Materializou-se na sua mansão e trancou-se na biblioteca. Tudo o que tinha feito parecia vindo de um sonho longínquo. Uma memória vinda do seu passado já quase esquecido. Na verdade ele nem sentia que tinha sido ele a fazer aquelas coisas a Nott. A imagem de ver a alma do seu antigo colega ser sugada para dentro daquele capuz não desaparecia da sua mente. Não sentira nem sentia qualquer remorso. No entanto, o que tinha feito, ele julgou nunca mais ter que fazer depois da guerra ter acabado. De repente ele sentia que a escuridão tinha acordado dentro dele novamente. Aquela escuridão que fora iluminada pela presença de Ginny tomava conta dele e ele teve medo.
Ele ergueu a sua manga esquerda e lá ele viu, num cinzento esbranquiçado, a marca de todos os seus crimes, excepto daquele. Ele nunca fizera nada daquilo depois de abandonar Voldemort.
Foi interrompido pela coruja do Profeta Diário entrar pela janela. Ele já imaginava o que viria no diário. No entanto abriu e, na primeira página, estava uma foto dele, no dia em que foi eleito Ministro e ao seu lado uma foto de Harry Potter no dia em derrotou Voldemort. As letras brilhavam acima da foto, dizendo: Draco Malfoy cede Ministério a Harry Potter.
Harry Potter finalmente aceita o cargo de Ministro da Magia, cedido por Draco Malfoy. Após ter renunciado há quatro anos este cargo, o homem que derrotou Aquele-Que-Não-Deve-Ser-Nomeado aceitou ser responsável pelo Ministério da Magia quando o Sr. Malfoy decidiu deixar o Ministério. O que levou Malfoy a desistir do cargo não é ainda conhecido, mas podemos adiantar que terá alguma relação com o estado de saúde de Ginevra Malfoy, esposa do antigo Ministro, que deu entrada em St. Mungo's ontem há noite, em estado crítico. Recordemos que a Sra. Malfoy saiu do hospital apenas há um dia, indicando que o seu estado de saúde é delicado...
Ele fechou o jornal e encostou-se na cadeira. Fechou os olhos e deixou que a sua mente se acalma-se.
Ginny estava melhor. Hermione estava contente por Ginyn ser uma mulher tão forte. Caso contrário a sua recuperação iria demorar muito.
-Olá Ginny!- Hermione disse, entrando no quarto. Ginny estava sentada na cama, olhando fixamente para o Profeta Diário.
-Tu sabias disto?- a ruiva murmurou, mostrando o jornal a Hermione. Esta agarrou-o e deixou escapar um gemido de surpresa.
-Eu não fazia ideia...- Hermione disse.- Harry não me disse nada... e... ele não queria ser Ministro... ele disse que era muito novo, que acabara de começar a trabalhar como auror...
-Talvez ele julgue que já passou tempo suficiente...só não entendo porque Draco saiu do cargo...- mas calou-se, quando se lembrou das palavras do seu marido: "Só quero que saibas que eu abdicaria de tudo para te ter de novo ao meu lado."- Ele desistiu por mim... - ela concluiu.
-Mas... oh meu Deus!- Hermione também percebeu algo. Draco, como Ministro correria muitos riscos se quisesse se vingar de Nott, mas não o sendo, estaria livre de certas regras e...
-Herms?! Achas que Draco podia fazer alguma coisa a Nott?- Ginny também suspeitava do marido.
-Não é que ele não mereça! Espero que ele não faça nada, mas Draco não é burro. Se ele fizer alguma coisa, o que espero que não faça, ele não vai por a cabeça dele em risco. Ele sabe que tu e Fabián precisma dele! E ele ama-vos.
Ginny sorriu. Mas no seu interior ela estava apavorada pelo que Draco podia ter feito.
Um elfo doméstico bateu á porta e avisou Draco que o Sr. Potter queria falar com ele. Draco disse para que Harry entrasse.
-Devo te dizer que ainda continuo achando que o que fizeste não era o melhor. Ele deveria ter sido entregue ao Ministério...
-Mas mesmo assim ajudaste-me!- Draco disse.- Eu sei que isto não é nada do que tu ias fazer, mas agradeço teres encontrado o Dementor, eu sei que não gostas muito deles...
-Aprendi a enfrentá-los.
-... e agradeço teres aceite o cargo de Ministro. Não era para mim. Não fui feito para ser ministro, são demasiadas regras e demasiada bondade que tenho que cumprir.
-Eu imagino! Mas não foi só por isso que saiste.
-Saí porque a empresa já ocupa muito do meu tempo e o tempo que resta já não precisa ser preenchido. Ginny e Fabián ocupar-se-aõ de me distrair.- Draco sorriu e apertou a mão que Harry estendera.
-Eu nem quero saber o que fizeste com Nott. Vou te encobrir desta vez porque ainda não sou oficialmente Ministro! Mas nem penses que da próxima escapas!
-Não haverá próxima!- Draco sorriu e saíram os dois da biblioteca.
N/A: Penúltimo capítulo. Espero que gostem. Eu gostei de ver Nott sendo torturado. Deu-me prazer torturá-lo e ver quais as melhores maneiras de fazê-lo sofrer. Foi divertido inventar feitiços negros. O próximo já está sendo escrito. Não será muito grande, visto que isto já está quase tudo resolvido.
