Essa é uma história que se passa quando Rukia já havia sido mandada para a Soul Society, um pouco antes dela conhecer Renji e os outros. Fic sem Spoilers, contando como Rukia se tornou tão obsessiva por coelho, como ela parece ser.
Aliás, BLEACH não me pertence. O que é uma pena
O Começo dos Coelhos
Rukia caiu na neve com força. Seus olhos ardiam com lágrimas por causa dos garotos mais velhos que riram quando a empurraram. Ela mordeu seu lábio inferior, levantando seu corpo trêmulo do chão. O garoto mais velho do grupo a empurrou novamente antes de sair correndo. Rukia apenas continuou sentada no chão com seu sujo vestido azul se encharcando com a água da neve que dissolvia ao seu redor.
Tremendo de frio, ela engatinhou até a casa mais próxima, na qual ela sabia que pertencia a um velho desagradável, que ficava furioso toda vez que via crianças brincando ali perto. Mas mesmo assim, encostada na cerca de madeira em frente à casa, Rukia se sentia um pouco mais segura.
A neve começou a cair novamente. Quando a pequena garota tentava escapar da água e dos flocos de neve, se encolhendo, ela viu um bonito e branco animal andando sobre a neve. O corpo do animal era tão pequeno que andava sobre a neve dos dias anteriores sem afundar. Rapidamente, um segundo animal seguiu o primeiro. Rukia sorriu, esquecendo-se do frio, e avançou lentamente para mais perto dos animais.
Então, um terceiro os seguiu, e assim também um quarto. Rukia batia palmas de excitamento com suas pequenas mãos e mordia sua língua entre os dentes. Atrás do quarto animal apareceu um quinto, menor ainda, e depois mais um, bem maior. Muito maior do que os outros. Surpresa, Rukia recuou na neve.
De repente, um dos pequenos animais caiu. O maior, o qual Rukia supunha ser a mãe, correu até sue bebê e rapidamente tirou-o da neve com sua boca, ajudando-o e dando-lhe uma leve cutucada para que continuasse andando. A pequena garota sorriu, assistindo os animais, os quais tinha ouvido que se chamavam 'coelhos', andando sobre a neve. Mais alguns caíram também, e a mamãe coelho continuava a levanta-los, colocando-os de volta no caminho antes de andar atrás de seus filhotes.
Num instante Rukia perdeu-os de vista. A mamãe coelho seguiu seus filhotes, erguendo-os quando caiam e os empurrando através da neve, ansiosa para voltar onde eles estavam indo; provavelmente para casa.
Rukia sorriu tristemente. Ela não tinha casa, e também não tinha uma mãe para erguê-la quando caísse, ou insistir que ela continuasse sempre em frente na vida. Ela era apenas Rukia, a garota sem ninguém que a protegesse.
Quando Rukia se pôs de pé, desejando ir a algum lugar quente, ela olhou para baixo, surpresa quando viu algo se movendo.
Era um dos pequenos bebês coelhos!
Alegremente, Rukia o pegou com seus dedos e o colocou na palma de sua mão, cuidando para não machuca-lo.
"Eu te devolverei para sua mamãe!" Rukia exclamou, puxando-o para mais perto de si, para que ela protegesse o coelho. Assim, ela começou a correr através da neve, tentando achar onde haviam ido os outros coelhos. Muitas vezes seus pés descalços escorregavam na neve e ela caía, mas mesmo assim continuava a proteger o pequeno coelho. Ela não sabia o porquê fazia aquilo tão naturalmente, mas ela acreditava que era porque nunca havia sido protegida por ninguém. Então, no lugar de ser protegida, ela queria ser a protetora. Isso parecia certo... certo?
Tremendo, Rukia desistiu de procurar pela mamãe coelho e finalmente entrou em um pequeno celeiro. Seus pés estavam vermelhos pelo frio e não conseguia mais senti-los. Seu nariz estava escorrendo e suas mãos começavam a adormecer em volta do corpo morno do minúsculo coelho.
"Como eu devo te chamar?" perguntou Rukia, olhando para o coelho. Diferente dos outros, ele era... diferente. Em vez de ser um coelho totalmente branco, ele tinha uma pequena mancha marrom na cabeça, em forma de um diamante. Havia também algumas manchas em sua barriga. "Eu acho que vou te chamar de..."
Rukia estava emersa em seus pensamentos, tentando forçar a névoa fria que estava em sua cabeça para conseguir encontrar um nome para o pequeno coelho. Finalmente, um sorriso iluminou seu rosto e ela ergueu o animal na altura de seus olhos. O coelho apenas piscou seus minúsculos olhos.
"Eu vou te chamar de Speckles (A/N: algo como "pintado"; "manchado"), porque você tem pintinhas na sua barriga!" Rukia anunciou feliz. Sacudindo sua cabeça, ela se apoiou onde estava sentada. O minúsculo coelho se sacudia firmemente nas suas mãos. Ela apenas fechou seus olhos desejando que o frio fosse embora.
Ela não podia mais sentir suas mãos e a força com que segurava o coelho parecia acabar. Seus olhos se fecharam e sua mão caiu ao seu lado. O coelho escapou e Rukia, que percebendo a fuga, viu que não podia fazer nada, pois uma queda daquelas, ainda que fosse pequena, poderia matar o bebê coelho.
Mas ele nem atingiu o chão
Rukia ergue os olhos e viu um pequeno garoto ao seu lado. Ele tinha o cabelo com um colorido estranho e não tinha os dois dentes da frente. Ele havia pego o coelho em suas mãos. Sorriu e devolveu o animal a ela. Rukia piscou seus olhos tentando mantê-los aberto.
"Q-quem é v-v-você?" Ela perguntou. Seus lábios congelados de frio.
"Eu sou seu protetor. E de Speckles também, eu acho."
Isso foi tudo o que o pequeno garoto disse. Ele tirou sua jaqueta e cobriu o corpo de Rukia, colocando o coelho no colo dela antes de andar até a porta.
"Não, p-p-por favor! Não me d-deixe aqui!" Rukia gaguejou. Ele apenas sorriu.
"Eu estou sempre com você. Eu sempre te protegerei. Mas agora alguém está vindo ajudar. Eu contei a eles onde você está. Você ficará bem." O pequeno garoto disse.
Quando Rukia se esforçava para escutar, ele ouviu duas vozes. Ela não conseguia entender o que eles diziam, mas eles estavam ali. E iriam ajuda-la.
Rukia olhou de volta para ver o garoto sorrindo abertamente, mostrando claramente que estava banguela. Seu cabelo laranja estava cheio de neve.
"Até mais, Rukia"
Rukia olhou de relance para a porta do celeiro, quando viu uma luz brilhante atrás do garoto, percebendo que ele havia ido embora. As duas pessoas entraram e a ajudaram, embrulhando-a em suas capas para mantê-la aquecida. Um deles a questionou, tentando fazer com que respondesse, então berrou para o homem mais novo para chamar um médico.
Rukia não ouviu mais nada depois disso. Ela adormeceu e o coelho continuou protegido em suas mãos.
Ela tinha um protetor.
E ele estava sempre ao seu lado.
Então...? O que acharam?
