Retratação: Naruto não me pertence, e isto é um trabalho de fã, sem fins lucrativos, portanto, não queiram me processar. Ahã, que coisa mais séria TT.
N/A: revisei novamente o prólogo, além deste capítulo é claro, então, se vocês vieram diretamente pra cá, retornem lá (se possível, claro) e releiam tudo, até porque, com essa demora toda, vocês já devem ter esquecido muita coisa (a não ser que alguém aí tenha memória de elefante, heheh). De qualquer forma, mesmo este capítulo não é inédito, eu já o havia postado antes e estou repostando agora (eu o tinha tirado do ar).
Mil Pássaros
Capítulo I – O pássaro e o relâmpago
Passado o susto inicial, Sasuke apagou de seu rosto qualquer indício de emoção. Apenas o anel negro ao redor dos olhos, devidamente disfarçado por maquiagem preta e marcante, traía a pose sisuda e insensível que ele fazia questão de sustentar.
Mesmo assim, tinha ciência de que não podia esconder muito de Orochimaru, pois, por mais que tentasse, sabia que não apenas as olheiras o trairiam, mas, principalmente, a maldita insegurança, a qual não sabia bem de onde vinha, entrega-lo-ia descaradamente.
No entanto, não podia evitar, este era o seu jeito de enfrentar as coisas, mesmo que agindo dessa forma o fizesse, inevitavelmente, enlaçar-se mais e mais nas pérfidas intenções do ex-sannin lendário.
Ele não queria admitir, mas dessa vez o golpe o acertara em cheio. Apesar da expressão ter-se apagado, seus interiores reviravam-se agitadamente, mostrando-lhe que não podia distrair-se. Orochimaru claramente o provocava, a cobra dos infernos fazia questão de lembrá-lo de que ainda não o havia superado e que ainda estava longe de fazê-lo.
Sasuke ruminou que talvez fosse seu comportamento por vezes impertinente e sempre arrogante que fez Orochimaru querer avisá-lo. Pois ressuscitar Yondaime, pensou e lançou um olhar por cima do ombro ao Hokage que o seguia, com certeza fora um aviso. Uma técnica complexa que ele ainda não era capaz de executar.
Mas não era só isso, a cobra poderia ter usado outra técnica qualquer, ou aplicado algum corretivo sádico, como costumeiramente fazia quando Sasuke realmente abusava de sua posição. Dessa vez fora diferente, a intenção não era uma só. Havia muito mais por trás disso, muito mais, observou.
De repente ficou impaciente. Por que Yondaime? Justo o Quarto Hokage de Konoha, o mais forte e admirado de todos... E como ele se parecia com Naruto!... A semelhança era assombrosa, não podia evitar o pensamento de vínculo sanguíneo. Mas, mais importante que tudo, não podia evitar o bolo em seu estômago causado justamente por essa semelhança. Não era Naruto, ele muito bem sabia disso, no entanto incomodava, mais do que aceitava.
No seu íntimo, compreendia que era por causa da semelhança que Orochimaru escolhera Yondaime. Era cedo, no entanto, para admitir isso.
- Um Uchiha? – indagou de súbito o pálido-azulado Hokage. – Não sei quanto tempo se passou desde minha morte, mas você lembra muito Itachi-chan... Seria ele você, ou seria o bebê Sasuke?
Sasuke fungou aborrecido, finalmente prestando alguma atenção ao corredor longuíssimo que percorria. As poucas luzes da noite refratavam pelos pequenos vidros vermelhos, e as velas meio derretidas pouco iluminavam o caminho, dando-lhe uma sensação estranha e desconhecida, mas talvez não fosse a luz, talvez fosse a pergunta que tentou ignorar.
Sasuke parou de andar, a interrogação finalmente surtindo efeito. Itachi? Não... Inferno. O quão irônico isso podia se tornar?
- Uchiha Sasuke. – disse apenas e tomou fôlego, ordenando mentalmente que suas pernas se movessem, com sucesso.
O loiro sorriu, Sasuke pôde ver. Um sorriso tão característico... de Naruto. O rapaz desviou os olhos e fechou-os com veemência, apertando o passo. Os anos ali não seriam em vão. Não mesmo. Não seria uma mera semelhança com um antigo companheiro que o desviaria de seu caminho. Malditas lembranças que o assombravam!
Apenas breves pensamentos, breves recordações, nada que devesse afetá-lo, pois sempre estivera firme em suas convicções. Contudo, ele não podia subestimar o poder de uma simples lembrança, porque lembranças eram seu fardo, a condição de sua existência, eram parte de suas forças.
Mas não estas lembranças.
Tomando uma respiração funda, tentou colocar os pensamentos que se haviam embaralhado em ordem, revendo suas metas, trancando seu enleio e, principalmente, apagando mais uma vez qualquer sinal de fraqueza que houvesse em seu rosto ou postura. Os quase três anos que estivera vivendo sob o olhar de Orochimaru haviam-no ensinado melhor que o tempo em Konoha sobre o quão importante era manter-se neutro, frio e inexpressivo como uma estátua de mármore, e utilizar-se de escárnio quando tudo isso falhasse. Não funcionava muito com Orochimaru, mas com todos os outros trabalhava muito bem. Ele sabia como era ter seus sentimentos e fraquezas expostos e usados contra si. E como sabia...
Carranqueou grossamente e lançou um olhar irritado por cima dos ombros ao Hokage. O homem mais velho piscou em clara confusão, e Sasuke riu em desdém incontido ante tão evidente mostra de emoções.
Estúpido. Tão estúpido quanto Naruto. Era difícil acreditar que fosse um Hokage.
oooo
Foi em uma atmosfera quase pastosa que avançaram em silêncio por mais algum tempo até chegarem no quarto o qual Sasuke decidiu que o loiro ficaria. Foi um tempo curto, mas, de alguma forma, esticou-se em uma aflição irritante para o garoto que sequer notou a falha em seu intento: esquecer Naruto.
Era incrível como, de repente, tudo em que pensava o arrastava até Konoha, até o loiro tumultuoso que tantas vezes o tirou do sério e que tantas vezes o fez sorrir.
Sasuke não conseguia compreender os próprios sentimentos, ele sequer sabia lidar com eles, por isso não era de estranhar que ele empurrasse tudo o que o incomodasse para algum lugar e o ignorasse até que se enchesse até a borda e explodisse. Não era hora de pensar nessas coisas, ele tinha um propósito, uma ambição forte demais para ser atropelada por algo tão sem importância como aquela emoção incompreensível.
- Este é o seu quarto. – disse ao abrir uma pesada porta de carvalho entalhado e postar-se na entrada com garbo de um mordomo rígido. Finalmente chegara, o trajeto nunca lhe pareceu tão longo.
- Eu não deveria ficar com você?
- Não. – deu as costas, o símbolo do clã em evidência, e prosseguiu pelo corredor, balançando suavemente a manga do quimono. O Hokage contraiu as sobrancelhas, mas deixou Sasuke ir. Olhando de soslaio, indagou à figura atrás de si.
- E quem é você?
- Yakushi Kabuto. – respondeu o rapaz aproximando-se, tinha um sorriso cínico estampado na face, e os olhos brilhavam por trás dos óculos redondos. – Hum, interessante, esse jutsu sempre me surpreende... – comentou ao examinar Yondaime atentamente.
- Vejo que é um iryou ninja.
- Perfeitamente. – concordou e fez menção de continuar a andar, mas permaneceu imóvel. – A propósito, Hokage-sama, você foi ressuscitado para fazer companhia a Sasuke-kun. Por que não está com ele?
- Ele queria ficar sozinho.
- Ah, sim. – sorriu novamente, estreitando os olhos. – Então nos vemos por aí... – despediu-se e finalmente continuou a seguir pela direção que Sasuke havia tomado. O Hokage ficou observando Kabuto até este virar o corredor e, mordendo o lábio inferior, entrou no quarto, fechando a porta pesada atrás de si.
- O que temos pela frente?... – e suspirou.
oooo
Por algum motivo, naquela noite, os corredores do castelo de Orochimaru pareciam mais longos, caliginosos e úmidos. Era algo estranho de se reparar, pois nunca prestara muita atenção nas paredes cinza ou nos candelabros de metal espalhados ao longo do caminho.
Aos olhos de Sasuke, tudo parecia distorcido, as cores estavam saturadas e uma nuvem embaçadora flutuava como neblina ao seu redor, desfocando as imagens como se ele tivesse adquirido miopia. Era quase como estar sob efeito de um genjutsu. Sentia o peito pesado e a mente confusa e não sabia por quê.
Não podia ser por causa dos acontecimentos da noite. Era um exagero estar sentindo-se dessa forma por algo tão banal como ter diante de si um Hokage morto há quinze anos, quando ainda era um bebê.
Talvez fossem as novas drogas que Kabuto estava testando em si havia alguns dias... Sim, era isso. Só podia ser. Maldito Kabuto e malditos efeitos colaterais.
Vendo que se aproximava dos aposentos de Orochimaru, tratou de afastar todos os pensamentos, tentando deixar a mente limpa, livre de qualquer coisa que Orochimaru pudesse usar para atacá-lo com genjutsu, pois não era raro a cobra recebê-lo dessa forma. Mesmo que pudesse se livrar da ilusão rapidamente, uma única fração de segundo poderia deixá-lo sem dormir por noites seguidas devido a pesadelos que sempre o deixavam atordoado. Sasuke não precisava de genjutsus para ter maus sonhos, suas noites já eram ruins por conta.
Abriu a porta silenciosamente, sem bater. Fazia parte de sua insolência, não havia motivos para ter modos.
- Ora, ora, Sasuke-kun... Por que está tão desalinhado? Sabe que gosto de vê-lo arrumado, principalmente o cabelo. – Orochimaru falou suavemente, ainda que sua voz arranhasse os ouvidos de quem a ouvisse.
De pé, o garoto ficou a fitar a parede, com uma expressão entre entediada e indelével que poderia ser facilmente confundida com frieza ou indiferença, contudo, uma observação atenta revelaria uma ligeira hesitação... Ele não estava mesmo bem esta noite.
- Por que está tão transtornado? Não gostou do meu presente? – perguntou, enquanto alisava o cabelo embaraçado de Sasuke. – Vamos, sente-se. – e forçou-o levemente sobre a poltrona pequena, de frente para um espelho de dimensões exageradas e borda de prata talhada.
Sasuke permaneceu mudo, agora fitando sua própria imagem.
Assim ele teria permanecido, no entanto, aos poucos sua imagem se turbou, embaçou, até que perdeu a noção do tempo e esqueceu-se de tudo. Suas preocupações esvaíram-se da mesma forma que sua figura no espelho se desfez por completo; e aconteceu tudo tão naturalmente e rápido que mal sentiu e, dessa forma, não teve como reagir, perdendo-se em sua própria consciência, fechando-se para a figura que o encara de volta a olhos vidrados e sonolentos. Sasuke não via mais nada, ainda que permanecesse de olhos bem abertos.
Com um sorriso acintoso, Orochimaru penteou os fios longos e lisos de Sasuke, visivelmente satisfeito.
- A cada dia mais bonito... – sussurrou rente à orelha do moreno, enquanto colocava algumas mechas de lado, abrindo acesso para o pescoço delicado.
Devagar, os olhos de Sasuke se cerraram, mas logo se abriram arregalados. Acordara de sua incoerência ligeiramente sobressaltado ao sentir lábios molhados em sua garganta.
Sua respiração rapidamente se alterou. Irritado – e assustado – com o deslize, começou a praguejar mentalmente, brigando consigo mesmo por distrair-se na presença da serpente. O que diabos havia acontecido?
- Acalme-se, já devia estar acostumado. – falou o mais velho segurando o queixo de Sasuke e puxando-o em sua direção.
Sasuke puxou o ar mais intensamente, de repente parecia apavorado. Mas já estava tão acostumado... Por que seu peito não parava de bater desordenadamente e sua respiração estava tão ruidosa? Orochimaru não podia continuar achando que estava assustado, ou as conseqüências não seriam agradáveis... Tomando uma decisão rápida, tratou de controlar-se, e lançando um olhar rápido para os lábios brancos do mestre, colocou uma mão na nuca do mesmo e a outra no ombro, atraindo-o para si e, com o olhar mais sensual que era capaz de fazer naquele momento, encarou os olhos amarelos antes de colar sua boca a outra.
Fendendo os lábios, de imediato o rapaz sentiu a língua comprida de ofídio invadi-lo e tomar todo o seu ar, sufocando-o miseravelmente. Em reflexo, apertou Orochimaru com força em seus braços para, em seguida, afastá-lo de si, quebrando o beijo da forma mais contida possível. Um fio fluido de saliva escorreu pelo canto de sua boca entreaberta que despejava uma respiração rota.
- Quando este corpo for inteiramente meu, vou usá-lo exatamente como ele é, sem máscara, sem transformação... – Orochimaru disse alienadamente, alargando o sorriso.
Com um certo asco, Sasuke deixou-se beijar de novo e de novo e, despindo-se, entregou-se à cobra maldita.
A noite estava apenas começando.
oooo
Olhos de cobra, sorriso alienado... Ah, o sorriso alienado...
A visão rodopiava, as imagens embaralhavam, tudo se turbava...
Por quê? Por que não tinha controle de seu corpo? O que acontecia com sua mente?
Não importava... Realmente não importava... Era apenas um mau sonho, um pesadelo.
Apenas um sonho ruim.
Os olhos azuis, radiantes como o Sol... Uma luz ofuscante. Ofuscante. Ofuscante...
E tudo ficou branco.
Estava cego? Seus olhos escarlates não funcionavam? Não sentia chakra fluir... Por quê?...
Por quê?... Apavorou-se. POR QUÊ?
E finalmente acordou. A respiração rasgada, difícil. Estava realmente sufocando.
Sorriso de serpente oblíqua e ardilosa...
Sua visão retornou, e seus olhos enfim ficaram vermelhos, entrando em foco.
Apenas um sonho ruim?
- Orochimaru, desgraçado... O que fez?
- Teve um bom sonho? Não é sempre que tem a oportunidade de ver Naruto-kun... – riu-se.
Os olhos escarlates estreitaram-se perigosamente.
- Você repetiu tantas vezes o nome dele, Sasuke-kun. É realmente excitante tê-lo em meus braços gritando o nome dele. – sorriu, lambendo os próprios lábios. – Na-ru-to...
Sasuke grunhiu, estava realmente irritado, e avançou em Orochimaru. "Merda, meu corpo está lento..."
- Não tente fazer o que não pode... Kabuto o alertou sobre efeitos colaterais. – Orochimaru facilmente segurou os braços de Sasuke, girando-o consigo e invertendo as posições.
"Maldito Kabuto!" O garoto se debateu, sentia a força voltando para o corpo, o chakra fluindo aos poucos, mas novamente. Fitava o outro furiosamente.
- Com esses olhos, este genjutsu pode se tornar muito eficiente... – sorriu, e Sasuke silenciou imediatamente. – Bom garoto.
oooo
A lua branca, enquanto minguando desfocada no céu nebuloso, refletia uma tênue luz cujos raios não atravessavam o teto parcamente foliado da copa arbórea, no pátio abandonado. Serpentes se contorciam por entre os galhos tergiverseis e pouco viços. Videiras e outras trepadeiras arrastavam-se pelo chão e se misturavam com as pedras escorregadias pelo lodo, escondendo pequenos seres incógnitos. Abaixo do vale corria o rio Viride, negro e limoso e repleto de ervas daninhas. A construção ao centro, velha e carcomida pelo tempo, obscurecia-se com a vegetação e a podridão do charco ao redor que acerbavam o sentimento de solidão e estranheza. As altas torres erguiam-se de forma funesta aos céus, impondo sua presença na madrugada escura. O assovio do vento, o farfalhar das plantas e a certeza de vida naquele lugar tenebroso quebravam o silêncio de cemitério, deixando no ambiente a repulsiva sensação de estar sendo observado.
No meio do pátio, entre raízes velhas e poeira úmida, Uchiha Sasuke fitava o céu escuro e denso ansiando como uma criança à chuva que em breve despejaria sobre sua cabeça. O garoto esperava por uma tempestade elétrica e ruidosaque lavasse por uma vez mais sua confusão e levasse os demônios que o assombravam para longe, bem longe.
Ao fechar os olhos pensou em como odiava aquele lugar. Sempre escuro e fétido, em nada lembrava a bela e luminosa Konoha, lugar que tanto sentia falta, por mais que tentasse negar. E ele sabia por que negava. Negava para não sofrer, negava para não se arrepender e para manter sua cabeça no lugar.
Por várias vezes sentira vontade de explodir junto à enxurrada de sentimentos que o transbordava. Por várias vezes gritara enlouquecido na chuva fria enquanto afundava na lama pegajosa e humosa. Tantas vezes... Tantas vezes havia esperado pela chuva, a mesma chuva que abafava seus gritos e o consolava com suas lágrimas.
Sentia falta da vila, sentia falta de seus amigos e professores, sentia falta de Naruto. Em todos esses anos nunca se sentira tão desolado, pois nunca havia admitido tais sentimentos. Orochimaru era um sádico maldito que alimentava sua tristeza e o afogava na dor pelo simples deleite de vê-lo sofrer. E só agora Sasuke via que de nada adiantava fingir que estava tudo bem, de nada adiantava fingir que era uma estátua inorgânica, de nada adiantava seus esforços. A cobra peçonhenta sabia como e onde atingi-lo, estava claro que ela conhecia seus medos e fraquezas. Estava claro... Muito claro.
O Hokage... Era tão óbvia a semelhança. Sasuke sabia que Orochimaru queria atingi-lo, mas por quê? Ele não sabia onde o ex-sannin queria chegar. Já estava se cansando de fazer-se esta pergunta. Por quê?
Um presente de aniversário. Seu último aniversário em total domínio de seu corpo.
Era apenas isso mesmo?
Sasuke não podia acreditar que não havia intenções pérfidas na atitude de Orochimaru. Mas também não podia aceitar. Não podia aceitar que era por Naruto.
Apenas não podia aceitar que um garoto idiota daqueles o influenciasse tanto.
Ainda olhando para o céu, verificou que não havia vestígios de estrelas, havia apenas o azul-negro e cinza da imensidão... Subitamente, como se o pensamento brotasse do nada, perguntou-se como seria o outro mundo, de onde Yondaime viera. Será que ele se lembrava?...
Sorrindo cinicamente baixou a cabeça, para erguê-la novamente num riso desvairado. Chamando o loiro de estúpido, nem percebera que o mais estúpido ali era ele mesmo.
Estúpido, sim.
E o Hokage estava irritando.
Ficou sério novamente, sério demais.
Sasuke não pensara que seria tão difícil ignorá-lo. Tudo bem, não tivera tempo para pensar muito sobre o assunto. Há apenas algumas horas o homem estava vivo e trocara somente brevíssimas palavras com ele, mas sua simples existência o incomodava. A nova situação havia-o pego mesmo de surpresa, isso era certo. Ponto para Orochimaru.
Há tempos que Sasuke havia percebido a influência de Naruto sobre sua vida, ele não era tão tolo como Itachi dizia a ponto de não perceber algo tão óbvio, apesar de ter demorado.
Ah sim, ele havia percebido e reconhecido a estranha influência, mas ainda assim se revoltava, não podia aceitar. Há muito tempo havia decidido que Naruto seria o melhor amigo que assassinaria para conseguir o Magenkyou Sharingan, e Naruto seria o melhor e único amigo apenas para isso, pois Sasuke não precisava de mais ninguém.
Mas não era tão fácil separar sentimentos e classificá-los como classificava jutsus durante as aulas na academia. Sentimento era algo volátil, mexia-se a sua maneira e passava por frestas, por menores que fossem. E foi isso o que aconteceu.
Naruto tornou-se importante demais. Percebeu então que não valia a pena assassiná-lo apenas porque Itachi o havia dito. Ele não conseguia. Ele não conseguiu.
Olhou novamente para o céu.
- Tudo por causa de uma semelhança estúpida... – suspirou.
Deitou-se então no chão sujo e tentou empurrar para longe o incômodo e o tumulto que se formava e adensava-se em sua mente. Fechou os olhos e concentrou-se no ruído do vento que espancava seu corpo com força e fazia folhas soltas atropelarem-no. Esqueça, disse a si mesmo. Ignorou a ardência suave provocada pela picada dos grãos de areia e das mechas revoltas que chicoteavam e se concentrou, também, nos trovões longínquos que se aproximavam ferrenhos. Esqueça...
Finalmente as agulhas d'água começaram a cair sobre a terra, engrossando rápido, tornando-se uma violenta tempestade.
Esqueça. Com uma respiração funda, Sasuke levantou-se e, de cabeça baixa, esperou a chuva lavar um pouco da sujeira de seu corpo enquanto numerosos relâmpagos cortavam os céus e enraizavam-se na terra.
Executando selos específicos e concentrando mais chakra na mão direita que no resto do corpo, mil pássaros nasceram chiando ensandecidos e luminosos como raios ao mesmo tempo em que orbes negros injetavam-se em vermelho vivo.
No instante seguinte, correu na chuva fria e escalou a mais alta das árvores: estava pronto para enfrentar a natureza e repetir o feito de Kakashi.
(continua...)
O pássaro e o relâmpago... Fim
OooooooooooO
#notas:
Iryou ninja: ninja médico.
Magenkyou Sharingan: o mais avançado estágio conhecido do Sharingan. Fiquei com uma repentina preguiça de verificar se a grafia está correta, então, se tiver erro, perdoe esta pobre preguiçosa de memória podre.
Revisão: Janeiro de 2007 (A primeira vez que este cap. foi postado data de Julho de 2006, não que isso importe, enfim)
N/A: (nota enOOrme, prepare-se ) Bem, a princípio havia ficado meio desanimada com o fato de yaoi não ser muito popular aqui na seção de Naruto em português, mas no fim acabei me conformando. Yaoi sempre chega devagarinho e no fim... Domina! Heheh. Vide seção de Saint Seiya e Gundam Wing . Não é só por isso, no entanto, que demorei tanto tempo com algo que já estava parcialmente escrito, como escrevi lá encima, cheguei até a postar este capítulo e tirá-lo do ar... Eu é que sou relapsa mesmo, preguiçosa e relapsa (e desanimada). Peço desculpas a quem está acompanhando (parece que vou pedir desculpas até o final da fic, se ela tiver um... TT). Tentarei não sumir... Obrigada, sinceramente, a quem revisou.
Outra coisa, eu não estava, e continuo sem estar, satisfeita com a fic... ¬¬' Às vezes, Sasuke me parece emotivo demais, tudo bem que a narração é onisciente na maior parte (isso deixa a ferida exposta, creio eu), e o Sasuke é de fato emotivo (fala sério, ele é o maior emo que já vi na vida, tá ok, eu já me olhei no espelho... TT). Apesar das pessoas/ficwriters gostarem de pintá-lo como um cara cool de tão sexy e frio, na minha humilde opinião, se ela conta, ele é mó bundão!
Mas enfim, precisava postar, ou não postava mais... (eu sempre vou acabar editando uma parte ou outra, ou quem sabe a fic inteira... mas por ora estou sossegada )
E por favor, não me deixem na mão que não vos deixarei sem atualização! Ó, que chique, que tal se usar isso pra pedir review? É apelativo o bastante? Heheh
Brincadeiras à parte, vocês sabem o qto receber comentários é importante pra mim, não?
Até o próximo capítulo.
Raku-chan
Janeiro de 2006.
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Tenham um ano feliz 8D
