Mentiras

O que você faria, se fosse surpreendido pela afirmação de que os últimos nove anos de sua vida não passaram de uma mentira? Que foram apenas uma invenção de sua imaginação conturbada? Que o homem a quem você ama esta morto e o filho que tiveram juntos nunca existiu?

Fic Yaoi

Casal principal: Duo e Heero

Gênero: Drama/ Mistério/ Ficção

Universo alternativo

Sinopse: Após um acidente de carro, Duo desperta em um manicômio e é surpreendido pela afirmação de seu psiquiatra e de seus amigos, que as lembranças que ele tem dos últimos nove anos de sua vida não passam de uma mentira inventada por sua mente conturbada e confusa, após a morte de Heero em um acidente de avião, e até mesmo Solo, o filho que ele acredita ter tido com Heero, também não passaria de uma invenção.

Inconformado com sua suposta "loucura", Duo vai atrás da verdade tentando descobrir o porquê de seus amigos tentarem convencê-lo de que Heero está morto e que Solo nunca existiu, e provar a si mesmo que suas preciosas lembranças realmente são reais e não um fruto de sua loucura.

Obrigado a Blanxe por fazer a revisão \o/

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Mentiras

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Capítulo 1: Despertar

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- Duo... Duo abra os olhos.

Duo tentava reconhecer a voz que queria despertá-lo. Esforçava-se para abrir os olhos, mas luzes fortes o impediam. A voz parecia distante e irreconhecível. Seu corpo todo doía fortemente e não conseguia movimentá-lo, nem mesmo as pálpebras dos olhos. Seus pensamentos voavam soltos e desconexos, as lembranças passavam como relâmpagos em sua mente, e seu corpo tremia muito.

-Por favor, Duo, abra os olhos.

A voz continuava a chamá-lo e se misturando a essa voz ouvia outra de timbre baixo, tentava reconhecer a voz baixa que ecoava a seus ouvidos.

"Foge Duo! Corre o mais rápido que puder...".

De repente a voz baixa se fez presente em sua mente, o forçando a reagir, mas seu corpo não respondia aos comandos.

-He... Heero... – os lábios pálidos do americano tentaram se mover, mas sua voz fraca e rouca saiu como um sussurro.

-O que você disse Duo? Por favor, acorda.

Novamente a voz tentava despertá-lo, se tornava familiar e amigável. Aos poucos abria os olhos, mas não conseguia focalizar imagens somente uma intensa luz branca.

- Por Alá! Você finalmente abriu os olhos. Doutor, ele acordou. – a voz agora animada comemorava o despertar.

Os olhos de Duo, ainda dilatados, captavam imagens distorcidas de um homem loiro. Sua mente confusa ouvia varias vozes ao mesmo tempo, entre elas, a voz de timbre baixo que mandava que fugisse rapidamente. Reconheceu a tal voz.

- HEERO! – Duo se levantou bruscamente agitado, mas suas pernas falharam e ele caiu novamente no chão. Só então percebeu que seus braços estavam atados, presos a seu corpo por uma camisa de forca branca.

-Por favor, não se mova Duo.

O americano levantou os olhos em direção a voz e só então focalizou o rosto de um homem loiro, de olhos azuis claros, que lhe sorria docemente. Por fim reconheceu o rosto de seu bom e velho amigo.

-Quatre?

-Por Alá, você me reconheceu!! – Quatre o abraçou fortemente, porém, Duo não pode retribuir o abraço.

- Quatre, por favor, se afaste e deixe-me examiná-lo.

Um homem desconhecido, com roupas de médico, se aproximou de Duo para examiná-lo com uma pequena "lanterna". Ele analisou a reação de dilatação e contração de suas pupilas.

- Doutor, não seria melhor desamarrá-lo? Ele parece muito assustado. – Quatre indagou.

- Eu não sei Quatre, talvez ele possa voltar a reagir agressivamente como da outra vez.

- Eu não creio doutor, dessa vez eu estou aqui para acalmá-lo. Ele está melhor e até me reconheceu.

Enquanto Quatre e o médico conversavam, Duo analisou o lugar onde estava. Era uma pequena sala vazia, com as paredes e o chão revestidos com espumas totalmente brancas e com uma intensa luz de mesma cor. Era um lugar melancólico e morto. Olhou para si próprio e viu que estava trajando, além da camisa de forca, uma espécie de vestimenta de hospital que lembrava um pijama, também branco. Não se recordava o motivo de estar ali, ou a quanto tempo.

- Onde estou? – perguntou, com a voz fraca.

Quatre desviou sua atenção do médico e se voltou para Duo. Ao olhar para o amigo naquelas condições, usando uma camisa de forca e internado em um manicômio, sem consciência plena da realidade, sentiu pena e compaixão, tentou soar o mais calmo e amigável possível.

- Duo, você esta em um sanatório.

- Por quê? Eu não estou louco!

- Escute Duo. Eu sei que você não está louco, só está internado aqui porque ficou um pouco doente depois do acidente.

- Heero… onde ele está?

- Você não se lembra Duo? – Quatre soltou as amarras da camisa de força, deixando os braços de Duo livres para se movimentarem e se virou para o doutor. – Por favor, doutor. Deixe-nos a sós.

- Você tem certeza Quatre?

- Sim, doutor.

O médico se levantou e foi até a saída da sala.

- Estarei lá fora. Se precisar me chame. – deixou a sala.

- Então você não se lembra? – Quatre se voltou para Duo, sorrindo receptivo.

- Sim, eu me lembro. Heero e eu estávamos no chalé da casa de inverno, e eu saí com o carro porque ele me mandou fugir e depois... Depois... Eu não me lembro eu... Que dia é hoje?

- Hoje é dia dois de junho.

- Junho? Nos estamos em junho? – Quatre confirmou com um aceno de cabeça ao olhar interrogativo de Duo. - Então hoje faz exatamente dois meses que... Onde está o Heero? Ele não vai me tirar daqui?

- Duo... – Quatre engoliu a seco, tentando encontrar a melhor maneira de se expressar. - Heero não esta mais aqui.

- Como assim?

- Ele está... Está morto agora. Você não se lembra?

- Morto?!? É mentira! Ele não pode estar morto! Como? Quando? – Duo se levantou assustado e desesperado se apoiando em Quatre, procurando compreender as terríveis palavras.

- Faz um ano e dois meses, ele morreu no acidente de avião quando sobrevoava o oceano.

- Não, isso é mentira. Quem morreu no acidente de avião foi Solo. Até a um mês atrás, Heero estava comigo no chalé de inverno.

- Quem é Solo?

- Solo? Meu filho. Você esqueceu?

- Duo, você nunca teve filhos.

- Como assim? Por que você esta dizendo isso? Você não se lembra que Heero e eu tivemos um bebê? O Solo, seu afilhado. Ele foi fazer uma viajem escolar de avião, mas o avião caiu no mar.

- Duo, você esta fantasiando coisas. Você e Heero nunca tiveram filhos, muito menos um chamado Solo.

- Não, não, não, não. – Duo andava de um lado para o outro, descontrolado batendo uma das mãos na cabeça, parecendo realmente um louco. - VOCÊ ESTA MENTINDO! – gritou. - Por que está dizendo que Solo nunca existiu? Solo não é uma fantasia ele é real. REAL! Eu não estou louco.

Devido aos gritos de Duo dois enfermeiros e o médico entraram na sala dispostos a aplicar sedativos.

- Não! Esperem! Não apliquem nada nas veias dele. – Quatre impediu. - Ele não esta doente só não quer aceitar a morte de Heero. Dê um tempo a ele.

- Quatre eu sou o psiquiatra aqui e eu sei que Duo não está bem. Nos últimos onze dias ele estava agressivo e estava o tempo inteiro com uma boneca nos braços dizendo ser esse tal de Solo, um filho que ele nunca teve.

- Eu não quero que você o drogue. – Quatre se colocou entre o doutor e o americano. - Esses remédios só o estão fazendo piorar, eu acho melhor levá-lo para casa, talvez lá ele entenda tudo o que ocorreu.

- Quatre, por favor, vamos conversar em minha sala.

- Está bem. – sem outra alternativa para salvar o americano, o loiro aceitou. – Duo, me espere aqui eu vou te tirar desse lugar e poderemos conversar melhor sobre Solo. – o árabe tentou tranqüilizar.

- Levem-no para seu quarto. – o doutor ordenou aos enfermeiros.

- Não! Me soltem! – Duo se agitou ao ser agarrado pelos dois brutamontes vestidos de enfermeiros e começou a se debater.

Quatre percebendo que logo aplicariam sedativos no americano tentou fazê-lo parar.

- Duo, me escute. Esses enfermeiros vão te levar para um quarto, mas não se preocupe que logo eu irei buscá-lo e levá-lo para casa. Apenas não se agite ou eles irão aplicar sedativos em você. – Quatre abraçou o amigo e ele concordou.

O árabe deixou a sala acompanhando o doutor e Duo foi levado para o quarto que ocupou nos últimos vinte dias.

Chegando na sala do psiquiatra.

- Sente-se, Quatre. – o doutor ofereceu. – Escute, eu sei que não é fácil pra você ver o seu amigo naquelas condições, sem consciência do que acontece a sua volta, mas eu não posso parar com o tratamento por causa disso. Ele esta em um estágio primário de demência, que é a negação da realidade, geralmente de fatos traumatizantes como no caso dele a morte de seu companheiro Heero. Depois ele começa a criar um mundo paralelo a sua volta, que no inicio ele sabe que é falso, mas quer acreditar nisso. Ele criou um filho, esse tal de Solo para se sentir mais protegido e próximo de Heero. Depois ele inventa a morte desse suposto filho, tentando assim evitar que neste mundo de fantasia que criou, Heero não morra. É como se uma morte substituísse a outra, entende?

- Sim doutor, isso eu compreendo, mas é que...

- O fato é que ele esta entrando no segundo estágio de demência. Ele está realmente acreditando nesse mundo de fantasia e não consegue entender porque nós não acreditamos nesse mundo, e essa fase é um estágio perigoso, pois ele pode se tornar agressivo como está ocorrendo e depois pode não ter volta, se sua mente apagar as verdadeiras lembranças dos últimos nove anos de sua vida e substituí-las pelas falsas. Ele pode nunca mais voltar a ter percepção da realidade e é isto que eu estou tentando evitar. Se você o levar daqui, eu posso não conseguir.

- Tudo que você me disse faz sentido, mas talvez se Duo voltar para sua verdadeira casa ver todos os álbuns de fotografia, ir a vários lugares que ele freqüentava com Heero, talvez ele possa perceber que em nenhum desses lugares ou nenhuma dessas fotografias, a imagem de Solo está presente. Talvez se chocando com a realidade, ele perceba que está criando uma muralha a sua volta. Convivendo com seus amigos, que são sua única família agora, ele aceite a realidade por mais dura que pareça.

- Talvez isso possa funcionar. É um ótimo método, mas talvez possa não funcionar e só piorar a demência de Duo. É muito arriscado e pode ser tudo ou nada.

- Eu sei que é arriscado, mas eu não suporto vê-lo trancafiado nesse sanatório, convivendo com pessoas loucas. Eu o quero perto de mim, recebendo todo o carinho que somente nós, Trowa, Wufei e eu, a sua verdadeira família, pode oferecer. Eu creio que ele vá se curar.

- Está bem, Quatre. Eu darei um tempo para você tentar, mas se isso não ocorrer, ele volta para o manicômio. Eu acompanharei tudo de perto e você tem seis meses para tentar.

- É pouco tempo, mas eu vou conseguir, estou certo disto.

- Então vamos buscá-lo. Espero sinceramente que você consiga.

Quatre deixou a sala com um sorriso no rosto. Estava confiante com a chance de trazer seu precioso amigo de volta a realidade. Acompanhando o médico até a ala onde o americano estava internado, ele ia fazendo planos.

Ao chegar ao quarto, viu através das paredes de vidro que compunham a frente do quarto, Duo encolhido em um canto da cama abraçando os próprios joelhos e olhando para o vazio. Quatre sentiu mais ânsia de ajudar o amigo. Aquele estado em que se encontrava era deplorável. Estava disposto a tudo, até mesmo deixar a presidência das empresas de seu falecido pai, para estar perto de Duo.

O médico abriu a porta da sala e o árabe entrou, tentando chamar a atenção de Duo.

- Duo, eu vim te buscar e te levar para casa. Você vai finalmente voltar para o seu lar. Vamos.

Quatre agarrou as mãos de Duo, o fazendo se levantar. O americano parecia um boneco sem vontade própria, apenas acompanhava o loiro sem falar nada e tendo o olhar vazio. Passaram por duas portas de segurança antes de chegar até a recepção e passar por outra porta, até chegar ao estacionamento. Quatre quis deixar o local o mais rápido possível. Nem ao menos esperou que Duo trocasse de roupa, e este saiu com o uniforme do manicômio. No fundo o loiro tinha medo que o médico mudasse de idéia.

- Eu entro em contato com você, Quatre. Como o combinado, eu acompanharei tudo bem de perto.

- Certo, doutor. Até logo e obrigado pela chance que me deu.

Quatre abriu a porta do carro e colocou Duo sentado no banco de passageiro, passando o cinto de segurança. Rodeou o carro e se sentou no banco do motorista, colocou o cinto e sorriu, olhando para Duo. Finalmente o levaria para casa.

Durante todo o percurso, Duo não disse uma palavra, só olhava através do vidro do carro, reconhecendo algumas paisagens. Ao entrarem no bairro em que morava com Heero e Solo, reconheceu cada rua, cada casa, o lugar em que morou durante dez anos. Ao passarem pela rua onde ficava sua casa, distinguiu a praça onde ficava um pequeno parque, bem á frente de seu lar. Pode ver em sua mente várias imagens de seu filho brincando ali.

Solo era um menino lindo, tinha o mesmo cabelo rebelde e o mesmo tom de pele bronzeado que Heero. Seus os olhos eram violetas como os de seus. Meigo e inteligente, era uma criança adorável.

No meio de algumas crianças que brincavam na praça, Duo viu a imagem de seu filho correndo e sorrindo.

- Solo... – sussurrou.

Quando Quatre estacionou o carro, Duo não pensou duas vezes, soltou o cinto e abriu a porta, saindo correndo em direção a praça. Nem se preocupou ao atravessar a rua sem olhar e, por sorte, chegou até o local sem ser atropelado.

Quatre se assustou ao vê-lo correr em direção a praça e tentou alcançá-lo, mas foi impedido por dois veículos que passavam. Duo corria desesperado entre as crianças procurando encontrar Solo. Eram tantas, mas em nenhuma delas estava o rosto de seu filho.

- Solo, meu filho, cadê você? Solo? SOLO... – Duo gritava desesperado entre as crianças.

Quatre depois de algum tempo conseguiu atravessar a rua. Duo viu um garotinho de costas brincando com alguns carrinhos. O menino parecia muito com o seu filho.

- Solo, meu filhinho. – Duo tocou no garoto e este se virou revelando que não era Solo. – Você não é o meu filho. Onde Solo está? Diga-me, onde ele está! – Duo gritava com o garoto, que se assustou e começou a chorar. Sua mãe o abraçou tentando protegê-lo de Duo.

- Seu maluco, você esta assustando meu filho!

- Me desculpe, senhora. Ele não vai machucar o seu filho eu, garanto. – Quatre que acabara de chegar, tentava tranqüilizar a mulher que saiu correndo com seu filho.

- Solo, meu filhinho, onde você esta? Solo…

Duo chorava descontrolado sentado no chão, enquanto Quatre o abraçava tentando acalmá-lo, mas o próprio árabe estava assustado com a reação de Duo ao ver algumas crianças. O americano realmente acreditava ter um filho chamado Solo. Depois de quase meia-hora tranqüilizando o amigo, finalmente atravessaram a rua de volta e entrando na casa que pertencia a Duo.

- Finalmente chegamos ao seu lar.

Duo analisou a sala de estar tudo estava exatamente igual à última vez que estivera lá. Passou delicadamente a mão por alguns móveis, tentando sentir o cheiro e a presença de sua família naqueles objetos inanimados. Aquela casa tinha uma forte vibração de felicidade. Os dez anos que morou ali haviam sido os mais felizes de sua vida e em tudo naquele lugar existia carinho.

- Meu lar... – sussurrou.

Quatre observava o amigo com um quê de preocupação. Visivelmente ele não estava bem e a prova disso era a alucinação que tivera a pouco tempo atrás. Talvez não tivesse sido uma boa idéia trazê-lo de volta, mas Quatre pretendia insistir… precisava insistir.

- Você deve estar cansado agora, Duo. É melhor descansar um pouco, foram muitos acontecimentos nas últimas horas. Venha, eu te levo até o quarto.

Quatre agarrou as mãos de Duo e o conduziu até o segundo andar da casa, onde ficava o quarto do casal.

- Deite-se, eu vou pegar algo para você tomar.

O árabe deixou o quarto. Duo deitado na cama analisou o cômodo. Cada centímetro daquele lugar ainda mantinha vivo o cheiro e a presença de Heero.

- Por que você não está aqui?

Na cozinha, Quatre pegou um copo de água e um calmante em cápsula abriu a cápsula despejou o pó branco na água e misturou. A substância iria fazer o amigo dormir de qualquer jeito. Levou o copo até Duo e este tomou a água sem nem desconfiar que nela houvesse sonífero misturado. Quatre se sentou ao lado de Duo na cama e segurou sua mão, esperando que o remédio fizesse efeito.

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Três horas depois

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Quatre acabara por pegar no sono no sofá da sala. Já era noite quando a campainha tocou, fazendo-o despertar. Ele se apressou em atender. Ao abrir a porta deu de cara com três rostos conhecidos abriu mais a porta permitindo que as três pessoas entrassem e abraçou Trowa.

- Então Winner, onde ele esta? - foi a primeira pergunta de Wufei.

- Ele esta lá em cima no quarto dormindo. Eu dei um calmante para ele, pois estava muito agitado.

- Mas como ele está? – a terceira pessoa na sala se manifestou, só então sua presença foi notada por Quatre.

- Sally, você também veio?

- Me desculpe, eu sei que não sou tão amiga de vocês, mas eu estava preocupada com Maxwell.

- Não se preocupe, Sally. Você também é nossa amiga, além do mais, você é a esposa de Wufei. O Duo esta relativamente bem, um pouco perturbado, pois ele ainda insisti em acreditar que Heero está vivo e que teve um filho chamado Solo. Eu estou um pouco preocupado, mas creio que ele vá melhorar.

- Viemos o mais rápido que pudemos. Eu também concordo, meu anjo, que Duo deva ficar aqui perto de nós, que somos sua família agora. – Trowa abraçou o marido.

- Se Maxwell precisar de algo, pode me procurar sempre.

- Tenho certeza que ele agradeceria muito suas palavras, Wufei.

No andar de cima após um pesadelo, Duo despertou de seu sono. Levantou-se da cama e perambulou pelo corredor, enquanto seus amigos conversavam.

Ao sair, visualizou a porta do quarto de seu filho. Era uma porta azul marinho, sorrindo o americano a abriu. O cômodo estava escuro e procurou o interruptor, acendendo a lâmpada. Chocou-se ao constatar que o lugar estava diferente. Não havia mais as pinturas de peixinhos lembrando o fundo do mar que seu filho tinha pintado na parede á um tempo atrás. O lugar agora estava coberto por um papel de parede branco, com listras azuis marinho. Nada que pertencia a seu filho estava lá. O lugar não era mais um quarto e sim um escritório, onde havia uma escrivaninha e um computador.

Duo se desesperou. Por que estavam fazendo isso com ele? Por que retiraram todos os móveis que pertencia a seu filho? Chorando compulsivamente Duo não podia acreditar por que queriam apagar todas as lembranças boas de sua vida?

- Não, não, não, NÃAOOOOO...

Assustados com os gritos de Duo, todos correram para o andar de cima para socorrê-lo e o encontraram ajoelhado na entrada do cômodo chorando.

- Duo? – Quatre tentou se aproximar.

- Por quê? Por que fizeram isso? Onde estão os móveis do quarto de Solo? Por que vocês estão fazendo isso comigo? –Duo olhava enraivecido para todos. - Por que querem me tirar as coisas mais preciosas que eu tenho na vida? Por que querem apagar as lembranças das duas pessoas que eu mais amei? O que vão inventar agora? Que Heero também nunca existiu?

Duo vociferava contra todos, enquanto seus amigos o olhavam perplexo não querendo acreditar que o amigo realmente estava entregue a loucura.

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Continua...

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Cantinho da autora:

O que vocês acharam do primeiro capitulo? Espero sinceramente que tenham gostado! Espero comentários, por favor, não deixem de escrever review porque a opinião de vocês é muito importante para o desenrolar da historia.

Beijos da Asu-chan.