Amor de Meia-Noite
Tradução (autorizada) da fic "Amor de Medianoche" (reeditada)
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Autora: Lady Verónica Black
Tradutora: Inna Puchkin Ievitich
Capítulo Seis
Quase havia anoitecido quando Harry voltou à cabana. O ar estava cheio do aroma do bosque e algo mais, algo definitivamente delicioso e incrivelmente maravilhoso. Deu-se conta, então, que alguém estava cozinhando pão. Wolf seguiu-o até a cabana e, farejando, dirigiu-se rapidamente para a porta da cozinha que estava na parte traseira da cabana. Para esse animal a lealdade deixava de ter sentido quando se tratava de comida, pensou Harry, sacudindo a cabeça, divertido, sem dúvida alguma nisso os machos não diferiam muito, fossem da espécie que fossem. Não era que o culpasse por isso, se ele não tivesse se comportado de uma maneira tão estúpida naquela tarde teria se apressado a correr atrás de Wolf.
Mas comportara-se de forma estúpida e imatura com ela. Hermione estava sozinha, sentia-se vulnerável e confusa. Ela voltara-se para ele em busca de ajuda, não para que a seduzissem e a usassem. Em algum lugar tinha uma vida, uma família, e, talvez, um namorado ou marido. Ele não tinha nenhum direito de aproveitar-se de sua pessoa ou de sua inocência.
E Hermione era inocente. Havia advertido sua inexperiência naquele primeiro dia em que ela despertou e tocou-a. E tanta era sua inocência que disparara o desejo de Harry por ela, de um modo quase animal. Cometera um erro que não tinha intenção de repetir. Uma vez que conseguisse de Ron o informe das impressões digitais, a enviaria de volta à sua casa, aonde quer que pertencesse, junto aos seus.
- Harry?
Chamou-o da cozinha, e Harry surpreendeu-se ao perceber a forma como se acelerava o pulso ao escutar o som de sua voz. Ele nunca tivera uma casa, um lugar para o qual voltar, um lugar onde alguém o recebesse com os braços abertos... nunca tivera uma mulher em sua vida que o esperasse com um sorriso, ao término de cada dia.
Sentindo um estranho calor no peito, deu-se conta que nesse momento estava sorrindo.
Mas seu sorriso evaporou-se. Hermione, como aquela cabana, era algo temporal. Qualquer outra coisa era uma pura fantasia. Um fogo acolhedor e o aroma do pão caseiro eram luxos aos quais não podia permitir-se. Dispôs-se a voltar, pensando em sair para que o ar fresco aclarasse a mente. Mas quando viu Hermione no umbral de sua cozinha, não pode fazê-lo.
Havia tirado o suéter e voltara a por sua camisa branca, com as mangas enroladas até os cotovelos, que lhe ficava gigante, fazendo um claro contraste com suas ajustadas calças azuis. Também havia trocado as botas por um par de grossas medias cinzas. Ao vê-la ali, com seu olhar tímido e as bochechas ruborizadas, ficou tão impactado quanto se houvessem-no golpeado com um porrete.
- A janta já está quase pronta. - disse, com tom vacilante - Vou servi-la depois de você se lavar.
Harry assentiu e, quando ela desapareceu no interior da cozinha, foi ao banheiro para lavar as mãos e pentear um pouco o cabelo, ação que, obviamente, tal como esperava, não teve um bom resultado. Ao regressar à cozinha, viu-a colocando um prato de cenouras frente a um prato cheio de carne assada condimentada. Junto à porta traseira, Wolf estava ocupado devorando a comida que ela havia-lhe preparado.
- Não tinha por que ter feito isto. - disse-lhe Harry, acercando-se a ela.
- Precisava fazer algo. - replicou Hermione, apressando-se em desviar o olhar. - Você não somente salvou-me a vida, Harry, você curou-me as feridas, cuidou de mim, e deu-me de comer. Agora que já estou melhor, o menos que posso fazer é preparar-lhe uma comida decente.
Harry teve, por um momento, um breve e lascivo pensamento sobre as várias coisas que Hermione poderia fazer para agradecer-lhe, e nenhum incluía preparar comida.
- Tenho uma torta de chocolate acabando de ser preparada no forno, estará pronta em um par de minutos. - apressou-se em dizer ela. - Espero que goste do purê de batatas, embora tenha saído demasiado pastoso porque não sabia se tinha batedeira elétrica, e não queria que pensasse que eu estava bisbilhotando em suas coisas, mas a carne e as cenouras estavam na geladeira e...
Enquanto tirava a torna do forno, Hermione continuou falando sem cessar, acerca da preparação da carne, pedindo desculpas adiantadas porque o mais seguro é que houvesse saído muito seca e que à ela não importaria que não comesse. Durante sua precipitada explicação, evitara cuidadosamente olha-lo na cara, Harry deu-se conta que estava muito nervosa ao notar o tremor de suas mãos e a mania constante que tinha de morder-se o lábio inferior. E sabia perfeitamente porque estava nervosa.
Num impulso, Harry tomou-a da mão quando ela acabava de pôr uma jarra de suco na mesa. A jovem retesou-se de imediato ante o seu contato.
- Hermione – disse-lhe, com tom suave que não sabia que tinha. - Creio que será melhor que falemos sobre o que aconteceu está tarde, ou senão nenhum de nós poderá desfrutar da ceia.
- Eu sinto. - replicou ela, logo após concordar com a cabeça. - Não sei o que me passou, de verdade lamento muito.
Harry olhava-a assombrado. Acaso ela estava-lhe pedindo desculpas?
- Estou segura de que eu, antes, não era assim. - continuou - Quem sabe, o golpe que me dei na cabeça converteu-me numa mulher lasciva, em algum tipo de ninfomaníaca ou pervertida.
"Uma mulher lasciva? Ninfomaníaca? Pervertida?, repetiu-se Harry, incrédulo. Era evidente que ela estava falando a sério, mas teve que fazer grandes esforços para conter o riso. Conhecera mulheres "lascivas" e "pervertidas" em sua vida, e definitivamente Hermione não se encaixava nesse tipo de mulher. Perguntava-se que cara poria ela se confessasse-lhe que nunca em sua vida uma mulher, lasciva ou não, havia-lhe feito perder o controle sobre si mesmo daquela forma, que estivera a ponto de toma-la ali mesmo no bosque, apesar de que sabia que o mais seguro é que pertencesse a outro homem, apesar de que não tinha direito de fazê-lo...
- Hermione, olha, você está equivocada...
- Eu já sei. Eu... eu pensei que você queria me beijar. Pensei que você... bom, que você queria, que estava, ehhmm... – ela se interrompeu ruborizada.
- Que eu estava o quê?
- Você sabe. - desviou o olhar ao passo que apenas emitia um suave murmúrio. - Excitado.
Enquanto contemplava seus lábios, Harry não desejava outra coisa que aproxima-la mais de seu corpo e demonstra-la o quão correto era o que dizia. Que ela tinha toda a razão ao pensar isso, porque ainda agora, apesar de ter transcorrido horas do episódio, ainda sentia seu sangue correr rapidamente por sua veias, como o calor apoderava-se de sua mente até deixa-lo praticamente cego à razão alguma.
- Lancei-me sobre você como uma louca. - Hermione fechou os olhos e exalou um longo e profundo suspiro. - Nem sequer quero pensar o que você estará pensando de mim.
Obviamente, pensou surpreso Harry, não podia imagina-lo. E se a abraçasse nesse mesmo instante, pouco espaço restaria para a imaginação, já que o que estava pensando estava sendo mais que notório em seu corpo. Mas naquele dia já havia aprendido a lição, e sabia que se voltasse a fazê-lo já não poderia deter-se, apesar das conseqüências não poderia deter-se.
- Hermione, não estou acostumado a explicar ou justificar minhas ações, e menos ainda a desculpa-las. - replicou ele, em tom firme. - Mas quero que escute com atenção - deslizou um dedo sob seu queixo e obrigou-a a olha-lo nos olhos. - Você é uma mulher muito bonita...
- Não tem que me dizer essas coisas para que eu me sinta melhor, Harry.
- Agora deixe de me interromper, Hermione. Você é uma mulher preciosa, acredite ou não, você é muito bonita e NÃO se lançou sobre mim como uma louca. Eu também queria beija-la.
- É sério? - Hermione olhou-o fixamente, com seus inocentes olhos castanhos.
"Deus meu, que não me olhe dessa maneira", rezou, em silêncio, o de olhos verdes.
- Queria beija-la e fazer-lhe muitas coisas mais. - explicou, acariciando-lhe lentamente a bochecha com o polegar, já incapaz de conter-se em toca-la. - Mas entenda que não posso fazê-lo.
- Não pode?
- Não.
Harry aspirou aquele aroma tão peculiar de Hermione, um aroma que suscitava uma reação quase dolorosa nele. Sua pele tinha o toque da seda sob seus dedos, e esteve a ponto de voltar a perder o controle quando viu que ela aproximava-se lentamente. "A sedução perfeita", pensou, então, e esse pensamento chegou acompanhado da dúvida. Hermione era demasiado perfeita. Era como se um computador houvesse analisado suas fantasias para modelar a mulher de seus sonhos. Uma mulher forte, valente, mas por sua vez terna e doce, inocente e apaixonada. Uma mulher com a qual podia sentir-se cômodo. Uma mulher em quem podia confiar.
"Mas eu não confio nela... eu..."
Ele não podia confiar em ninguém, e inclusive se pudesse fazê-lo isso não mudaria nada. Ela não ficaria com ele. Não podia ficar com ele. Suspirou pesadamente e deixou pender a mão de um lado.
- Hermione, você se irá em breve. Se antes eu lhe houvesse feito amor ou se o fizesse com você aqui mesmo... apenas estaria aproveitando-me de você. Eu lhe proporcionaria um alívio físico, um momento prazeroso. E seja o que for que você pense de si neste momento, estou seguro que deitar-se com um homem apenas para ter sexo não é algo ao que esteja habituada. E, ao final, quando recobrar a memória, acabaria odiando-me por ter-me aproveitado de sua confusão.
"Eu fiz outra vez", pensou Hermione entristecida. "Outra vez me comportei como uma idiota". Estava jogando-se sobre ele como se fosse uma ninfomaníaca. Quase tinha medo de recuperar a memória e recordar que tipo de mulher era ou devia ser.
- Não, claro que não. - murmurou - Apenas estou um pouco... desorientada com tudo o que está me passando, isso é tudo. - avançou torpemente e sentou-se diante da mesa. - Por que não comemos isto antes que esfrie?
Harry sentou-se frente à ela e serviu-se um prato, aparentemente sua apetite estava pouco afetada pela recente conversa que haviam mantido. Comeu com avidez, e quando provou o pão fresco que ela fizera inclusive emitiu uma exclamação de deleite.
"Ao menos gosta da minha comida", pensou Hermione, suspirando dissimuladamente. Pensou em preparar-lhe mais adiante um frango ao alho com um creme francês que o derrubaria de costas. Sorriu ante a imagem, mas de repente ficou imóvel. A visão nublou-se e uma pesada e surda dor atravessou-lhe a cabeça. Como havia adquirido esse talento para cozinhar?
"Uma cozinha... Toalhas de mesa de encaixe branco… móveis de pinho... cortinas azuis... Violetas na mesa..."
- Hermione?
Ouviu que Harry a chamava, mas não se moveu.
- O que é? - disse-lhe, com tom suave. - Diga-me o que está vendo...
- Minha... casa - sussurrou. - Minha cozinha... Minha sala. Bagagem… vou a algum lugar... de viagem.
- Aonde?
Hermione fechou os olhos. A dor pulsava-lhe as têmporas.
- Às montanhas? - respondeu, mas em seguida negou com a cabeça. - Não... ao mar.
"Havia guardado no bolso um traje de banho de duas peças, rosa brilhante. Acabava de regar as plantas... chamavam à porta... seu táxi? Foi abrir, mas se deteve ao ouvir um baixo e profundo grunhido..."
- Hermione!
Abriu os olhos e ouviu que voltavam a chamar à porta. Mas nessa ocasião, não era em suas recordações, alguém estava chamando à porta da cabana. Wolf grunhiu de novo e Harry ordenou-lhe com um gesto que se acalmasse.
Harry estava muito sério e tenso, quando voltou-se para ela, para dizer-lhe:
- Quero que fique aqui, não faça nada. Não se mova nem faça ruído. De acordo?
Ela fitou-o com os olhos muito abertos e depois assentiu lentamente. Harry fechou a porta da cozinha. Tremendo, Hermione aproximou-se da porta e abriu-a um par de centímetros, para poder ver o que ocorria na sala. Harry pegou sua arma de cima da prateleira da chaminé e guardou-a na cintura da calça, enquanto cobria-a com as bordas da camisa, antes de abrir a porta.
A jovem não podia ver o recém-chegado, porque o impedia a grande figura de Harry. Apenas pôde ouvir uma voz que parecia-lhe ligeiramente familiar.
- Boa tarde, senhor. Sinto incomoda-lo, mas estava me perguntando se você teria visto esta mulher.
Com a respiração contida, Hermione observou como Harry pegava a fotografia que oferecia-lhe o desconhecido e a examinava com atenção.
- Quem é?
- Hermione Malfoy – respondeu o homem. - Minha esposa.
Nota da Tradutora:
Finalmente, eis o 6º capítulo de AdM! Vejam só como as coisas são: eu volto de viagem na madrugada do dia 17 de setembro e quem sai ganhando o presente de boas-vindas são vocês. ;-)
Aliás... quem será o suposto marido de Hermione, hm? ;-)
Bueno, quero pedir desculpas (atrasadas) por ter tardado com a atualização, mas, como vocês puderam imaginar, eu estava viajando (a trabalho) e passei uma semana fora. Agora é que comecei a retomar as traduções, e tenho quase certeza que o próximo capítulo não vai demorar muito em sair. Portanto, fiquem antenados. ;-)
Para quem vem acompanhando a tradução, meu muito obrigado de sempre, e para quem deixou review, meu obrigado redobrado! Obrigadão a Pink Potter (São ao todo 15 capítulos, e ela já está concluída. Quanto ao jeitão sem jeito do Harry, ahauahuahaua, dê um desconto para o moço: ele é apenas um pobre agente da inteligência secreta do governo, em crise hormonal, vendo-se obrigado a seguir os dilemas castradores de sua profissão. É como disse Al Pacino diabolim em O Advogado do Diabo: "Olhe, mas não toque. Toque, mas não prove. Prove, mas não engula..." Baba, baby, bala. ;-) Quanto a não demorar, vou me esforçar um pouco mais, juro. ;-) Beijos e até o próximo cap., lindona!); FAFA (ahauahuahau, fogo é o que não falta nesses dois! Aliás, nas histórias da Lady Verónica, Harry e Hermione faíscam fogo pra tudo quanto é lado. É tanto calor vindo do baixo ventre, que nem toda a água das cascatas do Niagara dão jeito. ;-) E que bom que gostou do capítulo anterior. Vou tentar não atrasar com a atualização do próximo capítulo. Beijos e até!); e MiaGranger28 (Garanto a você que você não está errada: AdM promete mesmo. ;-) Quanto aos erros de configuração, é estranho mas não encontrei nenhum. Pedi para um amiga averiguar e ela disse o mesmo. Do primeiro ao sexto capítulo postados está tudo em ordem. Mas acho que sei o que é isso: As vezes, não é o texto que está desconfigurado, mas o FFNET que desconfigura quando abre a página. Mas como o texto que está salvo no arquivo não contém erros, das outras vezes em que a página abrir, os erros de desconfiguração "criados" pelo FFNET automaticamente deixam de existir. Mas mesmo assim, valeu pelo toque. ;-) Beijos e até o próximo capítulo!).
Acreditem, os próximos capítulos prometem. ;-)
Hasta pronto, galera!
Inna
