Amor de Meia-Noite

Tradução (autorizada) da fic "Amor de Medianoche" (reeditada)

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Autora: Lady Verónica Black

Tradutora: Inna Puchkin Ievitich


Capítulo Sete

Harry contemplou, detalhadamente, a fotografia. Levava o cabelo recolhido na nuca e parecia um par de anos mais jovem, mas indubitavelmente tratava-se de Hermione. Em seguida voltou a olhar o tipo que tinha diante de si.

"Este tipo não faz o estilo de Hermione... bah, eu é que sei de que homens gostam."

O homem olhava-o fixamente, vendo cada reação de seu rosto. Disso Harry não gostou nem um pouco.

O de cabelos loiros e curtos deveria medir um metro e oitenta e cinco, Harry tinha que aceitar que o homem era atraente, demasiado para seu gosto, era todo um "menino bonito". O homem sorriu mas seu sorriso não chegou até seus olhos de cor cinza-metálico. Haviam dois tipos atrás, a vários metros de distância, próximos de um carro azul. Todos usavam roupas de caçador novas.

- Chamo-me Draco. - o homem estendeu-lhe a mão amistosamente - Draco Malfoy. Estou alojado na cabana Kramer, encontra-se a vários quilômetros daqui.

Enquanto Harry estreitava-lhe a mão, recordou a cabana que encontrava-se a uns nove quilômetros dos arredores de Pinewood. Observou que tinha a palma da mão suave e os dedos frios. Era algo estranho... o homem tinha contextura de atleta, mas as mãos de um auxiliar de escritório. De imediato percebeu uma sensação de rechaço. Decididamente algo nesse homem não lhe agradava.

- Perdeu sua esposa?

- É um pouco difícil de explicar. - comentou, ligeiramente incômodo. – Você verá, ela... Hermione, minha esposa... não se encontra muito bem, de modo que meu irmão, meu primo e eu decidimos passar uns dias nas montanhas... - apontou aos dois homens parados atrás de si que lhe sorriram, ou ao menos isso tentaram porque o resultado foi uma estranha careta torcida. - Bom, pensei que, talvez, o ar puro da montanha a relaxaria e lhe descontrairia a mente. Ela tem estado um pouco alterada ultimamente.

- Ah, sim? - Harry devolveu-lhe a foto.

Draco guardou-a no bolso da jaqueta e suspirou pesadamente.

- Esteve internada em... em uma clínica desde que perdeu nosso bebê quatro meses atrás, mas já se ia um mês que não sofria nenhuma crise, de modo que pensei que o melhor seria que voltasse à casa para fazer sua vida de sempre.

Harry sentiu um nó de tensão no estômago. Cruzando os braços, apoiou-se no rincão da porta, evitando cuidadosamente que esses homens conseguissem ver o interior da cabana.

- Crise?

- Paranóia – explicou o loiro, meneando a cabeça. - Ela imagina que é outra pessoa, e que as pessoas a querem machucar, creio que é uma defesa inconsciente que adota para mitigar a culpa de ter perdido o bebê. Normalmente está bem quando toma sua medicação, mas temo que já fazem vários dias que não o toma e... estou preocupado por ela.

"Isso explicaria muitas coisas: sua perseguição, a perda da memória...", pensou Harry, obrigando-se a manter uma atitude amistosa e tranqüila.

- Quanto tempo leva desaparecida? - inquiriu, olhando novamente os dois homens. O mais baixo e fornido dos dois tinha posto uma luva de couro na mão direita. Mentalmente anotou o número da placa do carro.

- Hoje se completa o quarto dia. - respondeu Malfoy, com o que lhe parecia angústia. - Ela me disse que tinha ouvido na rádio que iria estourar uma tempestade, e que não queria permanecer na montanha enquanto durasse. Comentou-se que ela havia falado com uma amiga para que a pegasse, e foram passar uns dias juntas em Santa Bárbara. Os telefones não funcionaram durante a tempestade e meu celular não tinha sinal, de forma que pude me comunicar com a amiga de Hermione ontem... e esta me disse que minha esposa nunca fora vê-la, e aí me inteirei que levava três dias desaparecida. Sigo buscando-a desde esse momento.

Harry maldisse o silêncio, aquilo fazia sentido, demasiado.

- Crê que ainda esteja por aqui?

- Não sei. Ela já fugiu antes, mas nunca foi tão longe e por tanto tempo. Ainda não avisei à polícia porque estou seguro de poder encontrá-la, mas estou começando a temer que tenha lhe acontecido algo...

"Está começando a temer?", perguntou-se Harry, furioso. A esposa daquele homem desaparecia na montanha por quatro dias, e ele simplesmente estava "começando a temer que lhe tenha acontecido algo"? Pensou em Hermione e em seu lamentável estado quando resgatou-a da margem do riacho... e enfureceu-se mais com esse sujeito. Desejava protegê-la mais que nada no mundo.

Porém, logo se disse que não tinha direito em albergar esses sentimentos. Não, se realmente estava casada com aquele homem. E estava, não é?

- Você tem algum número telefônico ao qual possa chama-lo se a vejo? - perguntou-lhe Harry.

- Ainda continuamos na cabana Kramer - disse-lhe Draco, tirando um cartão do bolso de sua camisa -, mas me passam as chamadas de meu escritório.

Harry leu o cartão: Importações Malfoy S.A.. Los Angeles, Califórnia. Havia um endereço e um número de telefone. Enrijeceu a mandíbula, tudo o que dizia-lhe aquele homem tinha muito sentido. O trauma de haver perdido seu bebê poderia ter desequilibrado Hermione psiquicamente. E se estava tão desequilibrada, como dizia esse homem, era muito possível que estivesse vagando pela estrada na noite da tempestade, e que houvesse caído acidentalmente pelo barranco. O golpe recebido, junto com seu estado emocional, poderia ter disparado a paranóia, e a amnésia.

Contudo, embora todas as peças se encaixassem perfeitamente bem naquela explicação, em alguma parte havia algo estranho. Ou, acaso, ele estava buscando uma explicação diferente porque dessa não gostava, apesar de que fosse verdade? Dizia-se que não devia deixar a atração que sentia por Hermione obscurecer seu julgamento. O lógico era que a chamasse de imediato para devolvê-la à sua família. Mas seu instinto não o deixava. E se havia algo ao que ele sempre seria fiel era a seu instinto...

- Espero que a encontre. - disse com naturalidade, enquanto estreitava-lhe a mão.

- Obrigado, senhor. - Draco sorriu e voltou-se para partir. Mas o deteve o som de um vaso ao romper-se, seguido de um pequeno grito de mulher. Estreitando os olhos, Draco voltou-se para olhar Harry, tenso.

Sem perder em nenhum momento a calma, Harry gritou por cima do ombro:

- Está bem, amor? - ouviu uma resposta abafada e voltou-se, em seguida, para Draco. - É minha esposa.

- Talvez poderia falar com ela. - o loiro olhou-o com dureza. - Apenas para o caso de que ela tenha visto...

- Creio que o único que ela viu na última semana foi a mim e à minha cama... - sorriu, com gesto zombeteiro. - Acabamos de nos casar, e, além do mais... - Harry piscou-lhe com cumplicidade - ... este não é um bom momento... Se entende ao que me refiro.

Draco pôs-se a rir, e os outros dois acompanharam-no sorrindo, seguindo-o na piada.

- Sinto incomoda-lo. Felicito-o.

- Obrigado, o chamarei se souber algo de sua esposa. - Harry lhe fez um gesto com a cabeça e fechou a porta, tranquilamente.

Após fechar a porta, esteve olhando pela janela até que o carro azul afastou-se. Quando voltou-se viu Hermione de pé, pálida e trêmula, no umbral da cozinha.

- Derrubei um copo da mesa. – replicou com uma voz apenas audível.

- Escutou a conversa?

- Sim.

- Um homem de aproximadamente trinta anos, alto, loiro e de olhos cinzas. - entregou-lhe o cartão - Também tinha uma foto sua.

A mão de Hermione tremeu quando pegou o cartão. Em seguida, ergueu o olhar para o rosto de Harry e perguntou-lhe em voz baixa:

- Por que não disse a ele que eu estava aqui?

- Não gostei do seu penteado, muito fora de moda. - respondeu secamente Harry.

- Não é meu marido, Harry. - disse Hermione, com gesto suplicante, aproximando-se e tocando-lhe um braço. - Pode ser que eu não saiba quem sou, mas sei que não posso estar casada com esse homem, e não creio que tenha estado grávida.

Se ela havia estado traumatizada, pensou Harry, com gesto sombrio, a negação teria sido sua melhor defesa... A negação de que estivera casada ou grávida. Olhou-a fixamente durante um longo tempo.

- Ele a conhece.

- Sim. - Hermione assentiu lentamente e retirou a mão. - Encontramo-nos antes, disso estou segura. Ouvi antes sua voz, mas me assusta... Eu teria medo de meu próprio marido?

Harry disse que já era suficiente para o momento. Se Malfoy era seu marido e havia-lhe machucado, assegurar-se-ia que não voltasse a fazê-lo outra vez. Ao ver que Hermione se abraçava, enternecido, fez um gesto de aproximar-se dela, mas em seguida se deteve. Não se atrevia a tocá-la. Se o fazia não sabia do que era capaz e isso o intimidava.

- Vou ao povoado - disse, em tom áspero -, para fazer perguntas. Não saia nem abra a porta. - pegou sua jaqueta e encaminhou-se para a porta mas, de repente voltou-se para ela. - Hermione.

- O quê?

Ao ver o medo que se refletia em seus olhos, Harry esteve a ponto de mudar de idéia e permanecer com ela.

- Há uma arma nessa gaveta. - apontou a mesa que estava ao lado do sofá. - Se precisar dela não duvide em usá-la.

Hermione sentou-se diante da chaminé e ficou contemplando o fogo com gesto ausente. Wolf dormia a seu lado, com sua grande cabeça negra apoiada em suas patas dianteiras. Harry havia saído há quase três horas e cada minuto parecia-lhe uma eternidade. O relógio de cuco que estava sobre a prateleira da chaminé marcava as dez.

Perguntou-se se estaria louca. Havia assegurado a Harry que não era uma lunática fugida de alguma instituição psiquiátrica, mas, nesse momento, não estava tão segura. A confusão pairava sobre ela como uma densa névoa. Durante todo o dia estivera escutando as palavras desse homem em sua cabeça: "Minha esposa… perdeu o bebê... paranóia…"

Seria verdade? Emitiu um longo e trêmulo suspiro e abraçou os joelhos. NÃO! Negava-se a aceitar que aquele homem... Draco Malfoy... fosse seu marido. E como poderia ter esquecido que havia perdido seu filho? Esse homem estava mentindo. Mas por quê? Por que alguém haveria de inventar uma história como aquela? Devia ter uma razão muito poderosa.

"Maldita seja, tenho que recordar algo!"

E a voz, sua voz. Fechou os olhos com força e pressionou os ouvidos, ansiando deixar de ouvir aquelas palavras em sua cabeça.

"Paranóia… paranóia… minha esposa… perdeu o bebê… paranóia… mate-a… minha esposa… mate-a… mate-a…"

Abriu os olhos, assustada. Teria ele pronunciado essas palavras, ou era apenas mais um jogo de sua mente? Era possível que fosse ele aquele que tentou mata-la? Com o coração acelerado, olhou fixamente as chamas,ansiando relaxar-se... recordar...

Chuva. Relâmpagos. Trovões. Tudo aquilo estava claro em sua recordação. E a escuridão. O frio que gelava-lhe os ossos. Os faróis que penetravam na noite, como lanças iluminando apenas uns metros. " Os faróis!" Estava num carro... três homens... uma explosão, não, uma roda furada. E em seguida ela começava a correr, resvalando-se no barro. Um homem a agarrava, ela o mordeu, deu-lhe um chute e em seguida... apenas caía.

"Mate-a... mate-a... mate-a..."

E de um golpe tudo era escuridão e silêncio.

- Hermione?

A jovem gritou, retrocedendo e levantando um braço como para proteger-se, antes de dar-se conta de que era Harry que estava a seu lado, ajoelhado. O coração se havia acelerado. Ele agarrou-a pelos ombros, para sustê-la.

- Não... não ouvi você entrar.

- Você está bem? - perguntou-lhe, preocupado.

Hermione assentiu suspirando, e Harry sentou-se a seu lado. A luz do fogo criava sombras em seu rosto e distorcia-lhe os traços. Não havia calidez alguma em seus olhos, mas sim uma intensa frieza e escuridão. Não parecia o mesmo homem que horas antes havia-lhe beijado e acariciado, nem o homem que docemente havia tentado fazê-la sentir-se melhor, não... mas bem parecia um desconhecido furioso. Extremamente furioso.

- Diga-me. - pediu-lhe ela, num sussurro.

Harry buscou seu olhar e Hermione sentiu um calafrio, que gelou-lhe até os olhos.

- Já sei de tudo, Hermione. – disse, em voz baixa. - Draco Malfoy é seu marido.

Harry não tinha sais, certamente não havia esperado precisar deles nas montanhas. Teve que recorrer a um pano molhado e aplica-lo na testa de Hermione. Havia segurado-a em seus braços quando tão somente minutos antes desvanecera, e, em seguida, delicadamente, a tinha deitado no sofá. Sentira-a tão pequena e frágil em seus braços... E o olhar que lançou-lhe antes de perder a consciência... recordara-lhe o de um coelho assustado, encurralado por um urso faminto.

E ele sem dúvida era o urso. Foi até a cozinha, encheu um copo de brandy e voltou para a sala. Estava tão quieta, respirando tranquilamente, com sua tez tão pálida como a luz da lua... Estendeu uma mão para recolher um cacho de seda atrás da orelha, e em seguida delineou docemente, com um dedo, a suave forma de sua mandíbula. Sentiu uma opressão no peito ante esse contato, e apressou-se a retirar a mão. Como poderia sequer atrever-se a toca-la, sabendo que pertencia a outro homem?

Harry se repetia que não tinha direito algum sobre Hermione. Ela não era um gatinho ferido a quem ele havia encontrado abandonado e machucado num beco escuro, era um mulher. E uma mulher casada. Desde o princípio soubera que tinha outra vida, que existia a possibilidade de que tivesse um namorado ou um marido. Pensou em Malfoy e se encolheu-lhe o estômago. Não podia crer que esse homem fosse seu marido, mas Ron havia revisado tudo detalhadamente, havia-o deixado muito claro, estavam casados. Maldisse em silêncio.

De repente, Hermione moveu-se, gemendo. Harry sentou-se ao seu lado, no sofá, e quando viu que ela queria abrir os olhos tirou-lhe o pano molhado da testa. Recompondo-se lentamente sobre um cotovelo, a jovem olhou o copo que Harry tinha entre as mãos.

- Espero que isto seja suficientemente forte para desperta-la.

Harry acercou-lhe o copo aos lábios e ela bebeu num sorvo; quase de imediato começou a tossir ao sentir o amargo líquido queimando-lhe a garganta. Ele, com um só gole, tomou o que restava no copo.

- Não é verdade. - disse ela, com voz rouca - Não poder ser verdade.

- Um amigo analisou suas impressões digitais e deu de cara com sua ficha policial. Seu apelido de solteira é Granger, e o que usa atualmente, que é o de seu marido, é Malfoy. Vive na Avenida Bedford 5234, RoseHill, California. Não tem condenação ou prisão alguma, mas há umas horas a polícia foi alertada para que chame o... - Harry duvidou por uns segundos - ... seu marido, caso a encontrem ou saibam algo de você.

- O que mais? - perguntou Hermione, abraçando-se e fechando os olhos.

- Está qualificada como mentalmente instável. - respondeu ele, retesando a mandíbula ao dizê-lo.

Hermione abriu os olhos e a dor e o medo que Harry viu neles cravou-se nele com um punhal no coração. Lutou com cada fibra de seu ser para não abraça-la e beija-la.

- Paranóia. - foi ela quem pronunciou essa palavra, que pareceu ficar suspensa no ar.

Harry olhou-a fixamente, assentindo.

- Não há nada que eu possa fazer para convencê-lo, verdade? - baixou os ombros abatida, ao passo que fechava os olhos, tentando conter as lágrimas que ameaçavam sair.

- Está nos computadores, Hermione. Draco e você, os dois aparecem como marido e mulher. Inclusive o negócio de importações dele é real.

- Os computadores também podem mentir, Harry. Como o podem fazer as pessoas. - replicou a jovem, com voz ausente. - Vai me entregar, não?

Harry apertou o copo que segurava na mão, assentindo.

- Quando?

- Pela manhã.

- De acordo.

Hermione desceu os pés do sofá e levantou-se. Tremiam-lhe as mãos quando apartou o cabelo do rosto. Silenciosamente dirigiu-se para o quarto, mas se deteve quando abriu a porta.

- Eu teria morrido se não fosse por você, Harry. - disse, em voz baixa, sem voltar-se para vê-lo. - Quero que saiba que aprecio tudo o que tem feito por mim nestes dias e que eu... sempre estarei em dívida com você.

Entrou no quarto e fechou a porta atrás de si. Harry olhou o copo que tinha na mão e apressou-se em voltar a enchê-lo.

Vinte minutos mais tarde, prosseguia olhando o mesmo copo. Havia perdido a conta das vezes que o havia enchido, mas não era suficiente, não enquanto seguisse sentindo essa opressão no peito e continuasse vendo em sua mente os olhos de Hermione, olhando-o como se a houvesse traído.

Tinha que devolvê-la para sua família. Que outra coisa podia fazer? Seguira Malfoy e seus acompanhantes quando foi ao povoado aquela tarde, e os vira almoçar no Café Cougar. Malfoy havia interpretado muito bem o papel de marido preocupado. Havia mostrado a fotografia de Hermione a todo mundo, repetindo a mesma história que contara a ele, e também havia declarado à polícia o seu desaparecimento. Harry tinha certificado e revisado isso com o xerife.

Em seguida, voltara a chamar Ron, para pedir-lhe que revisasse os dados de Hermione e Draco Malfoy na Califórnia, com base no número da placa de seu carro. Ao mesmo tempo que recebia o informe sobre as impressões digitais de Hermione, segundo os computadores ela e Malfoy estavam casados há mais de dois anos. Harry também perguntara se havia alguma queixa de abuso no matrimônio. Mas não. Nada.

Hermione precisava de ajuda. Uma vez que recordasse quem era se encontraria bem, inclusive estaria feliz ao voltar a estar com seu esposo. Então, por que uma voz interior gritava-lhe, sem parar, que havia algo que não se encaixava em tudo aquilo? Mas... era uma voz interior ou outra coisa? Sentia-se atraído por Hermione, desejava-a, mas era apenas isso... nada mais. E estava completamente seguro de que ela não queria pertencer a outro homem mais que a seu esposo, inclusive até ele próprio sabia que ela nunca poderia ser dele.

Havia algo estranho em tudo aquilo, o sentira desde o mesmo segundo em que abriu a porta e viu Draco Malfoy e seus companheiros. "Eram agentes". Esse pensamento fulminou-o com uma flecha luminosa. Seria possível? Parecia evidente em suas maneiras, em seus olhares. Sobretudo Malfoy e o tipo de luva na mão direita. E Hermione dissera-lhe que havia mordido um homem na mão, até sentir o sabor de sangue em sua boca. Acaso seria isso o que o uso de uma só luva ocultava?

Passou a mão pelo rosto e sacudiu a cabeça. Aquilo era improvável, pouco plausível. Pensou que havia estado trabalhando para o governo demasiado tempo, por isso acreditava ver conspirações criminais em um simples drama conjugal. Tudo havia sido revisado. Impressões digitais, a polícia, o negócio. Não tinha nenhum direito em meter-se nos assuntos dessa família.

"Os computadores também podem mentir, Harry. Como o podem fazer as pessoas."

Semi-cerrou os olhos enquanto repetia as palavras de Hermione. De repente, ergueu-se, se as pessoas mentiam claro que também podiam fazer as máquinas. Um agente do governo tinha acesso às fichas dos cidadãos. Os dados dos computadores e seus discos eram fáceis de manipular, ele mesmo o havia feito várias vezes em momentos de necessidade.

Deixou o copo de brandy meio cheio na mesa e encaminhou-se para o quarto. Tinha que tenta-lo. Se fosse necessário ficariam acordados toda a noite. Revisariam detalhe por detalhe, até o mais mínimo deles, e somente concluiriam quando Hermione recordasse tudo.

Não chamou à porta, simplesmente abriu-a e entrou. Foi então quando descobriu que Hermione não estava. Havia fugido...


Nota da Tradutora:

Voilà! Com vocês, o 7º capítulo de AdM!

E então? Draco Malfoy é ou não é o marido de Hermione? O será um agente do governo? Ou será um agente do governo casado com Hermione? Por que Hermione sente que Malfoy é um homem perigoso? E se ele for mesmo um agente do governo, por que Hermione teria razões para temê-lo? O que realmente aconteceu no passado dela que tem ligação com o loiro? Bueno, amigos e amigas, só lendo os próximos capítulos para saber, já que euzinha não irei adiantar nada. Digam que sou má, mas é privilégio de tradutor. ;-)

A todo mundo que vem acompanhando a fic da Lady Verônica, em sua versão verde e amarela, meu muito obrigado. Tenham certeza que a autora agradece o carinho. :-)

Um alô especial a ... Miss Veronica ... (ahauahuahauahau, o mais engraçado de tudo é ver o conflito interno do Harry. De um lado, o anjinho dizendo "Comporte-se Potter! Você não pode abusar da inocência dela, não pode! Ora, coloque uma bolsa de gelo nas partes baixas, menino!", e do outro, o diabinho dançando congarena dentro do tachão de fogo dizendo "Wooooo hooooo! Vai que é sua, Haaaaaaaarry! Manda vê, meu filho! Vai com tudo, que no fundo ela quer mais é que você a pegue no colo, a jogue no solo e a faça mulé!". E o pobre Harry no meio, entre a eminência de uma ereção e o dever de jogar na cabeça um baldão de água fria, mwahau-mwahau-mwahau! ;- Mas, ele tem um sido um bom menino, não tem? Ele tem conseguido frear os impulsos hormonais antes do "inevitável". Oh sim, porque a explosão será inevitável e, acredite, ela não tardará tanto. ;-) Em breve, Hermione sentirá todo o impacto dessa... "fúria animal contida" de Harry e, óbvio, vai se derreter que nem manteiga ao fogo. ;- E quanto ao "homem desconhecido batendo à porta de Harry", quem diria que seria Draco Malfoy, heim? Mais ainda: quem diria que ele seria o "marido" de Hermione. Opa? Marido? Será que ele é? ;-) Hm, isso eu não direi. Sabe como é, minha boca é túmbalo! ;-) Entonces, como de praxe, vejo você, sentadinha numa das cadeiras da primeira fila, no próximo capítulo. ;-) Beijundas e até! P.S.: Oh sim, o mundo masculino particular da Inna é de tirar o fôlego... e outras peças incômodas do vestuário feminino. ;-) P.S.: Tenha só mais um pouquinho de paciência, que as primeiras ceninhas lemon já estão perto. ;-) Até lá, inspire e expire... inspire... expire... inspire... expire...) e Pati.nha (Você acompanha Pó de Chifre de Unicórnio também? Que legal! Você é mais um daqueles leitores que fazem a alegria da Julieta e da Lady Verônica! ;-) E não é que o Harry de AdM lembra um pouco o jeitão do Luke, do Gilmore Girls? É, lembra sim, o típico homem rústico, com corpo e fala de macho, mas que perto da mulher amada é um amor de simpatia, praticamente um ursão pandão de pelúcia. ;- Quanto aos seus elogios à tradução... generosidade sua. :-) Obrigadão! E volte sempre! ;-) Beijoca e até o próximo capítulo!)

Antes de ir, peço a compreensão de todos vocês para o fato de eu não ter revisado o capítulo como gostaria. Então, se encontrarem aberrações gramaticais ou erros de digitação, tentem relevar, sim? ;-)

Obrigadão e hasta la vista, meninos e meninas!

Inna