Amor de Meia-Noite
Tradução (autorizada) da fic "Amor de Medianoche" (reeditada)
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Autora: Lady Verónica Black
Tradutora: Inna Puchkin Ievitich
Capítulo Oito
Hermione permanecia de pé à margem da empoeirada estrada, observando como a lua ocultava-se por trás de umas negras e ameaçadoras nuvens. A escuridão enchia o bosque e o vento silvava em seus ouvidos.
Tremendo, esperou que a lua aparecesse outra vez para que desse um pouco de luz ao ambiente. As nuvens haviam estado acumulando-se durante a última hora e cada vez punham-se mais escuras, o que fazia com que o medo de Hermione fosse aumentando. Já deveria ter chegado à rodovia principal. Harry havia-lhe dito que sua cabana estava um pouco mais de um quilômetro e meio de distância dela, mas estava segura de já ter caminhado, no mínimo, uns dois quilômetros. Ainda podia ouvir o murmúrio do riacho ali abaixo, e supôs que ele costeava a rodovia até chegar à auto-estrada.
Obviamente fora uma suposição errônea. A estrada devia desviar-se em alguma parte para conectar-se à outra. Tinha que retornar e buscar a forma de chegar na auto-estrada. Não fazia idéia até onde devia caminhar ou a que distância encontrava-se, mas sabia que tinha que fazê-lo antes que amanhecesse. Mais que tudo, antes que Harry descobrisse que não estava.
Não o culpava, claro. Se inclusive um computador do governo dizia que estava casada com Draco Malfoy, por que Harry haveria de crer nela, uma mulher que não apenas havia perdido a memória, senão também o juízo?
A lua apareceu de novo, derramando sua luz prateada sobre a estrada empoeirada, e apressou-se a retomar sua caminhada. Fazia muito frio, e apesar de que levava o jeans, as botas, um pulôver grosso de lã e uma jaqueta de inverno de Harry, não podia deixar de tremer.
Odiava ter partido sem despedir-se de Harry. Ele salvara-lhe a vida, havia-lhe cuidado. Porém, teria sido demasiado para ela dizer-lhe adeus... mais porque sabia que ele não a compreenderia.
Mas ela sabia que o que sentia por Harry era muito mais que simples gratidão e carinho, era algo muito mais intenso e forte. Inclusive quando ele a beijou e ela o correspondeu, teve que negar a si mesma que seus sentimentos eram muito mais profundos do que ela queria entender.
Não sabia como, nem quando foi que surgiu esse sentimento nela, mas... o queria.
Havia apaixonado-se por ele como uma louca. Se isso era o que se podia chamar apaixonar-se numa situação assim. Sabia que apaixonar-se por um homem a quem mal conhecia era uma loucura. Uma loucura mais que demonstrava o quão "mentalmente instável" estava, tal como dissera Malfoy a Harry.
Porém, qualquer que fossem seus sentimentos por Harry, não tinha intenção de ir à nenhuma parte com Draco Malfoy, inclusive ainda que fosse realmente seu esposo. Estava disposta a lutar sozinha, se era necessário. Uma vez que chegasse à cidade quiçá poderia recordar algo, algum pequeno indício que a ajudasse a sair daquela situação.
Sobressaltou-se ao ouvir muito próximo o ulular de uma coruja.
- Meu Deus, meu Deus, meu Deus... - era o único que Hermione lograva dizer devido ao medo que lhe dava andar sozinha na floresta, não porque tivesse medo da escuridão ou do mesmo tenebroso lugar, mas sim porque temia encontrar-se com Malfoy ou com os que haviam tentado matá-la. - ... Ai meu Deus, ajude-me a encontrar a auto-estrada, por favor, meu Deus, meu Deus...
A lua voltara a esconder-se e a escuridão a impossibilitava de poder ver algo mais além de seus pés, apenas distinguia-se umas vagas figuras a uns metros dela.
As folhas rompiam-se a cada passo que dava e faziam com que se estremecesse, até aquele mínimo som a assustava. O vento sussurrava suavemente às suas costas.
"Acalme-se Hermione, acalme-se...", repetia-se ela uma e outra vez, mas encontrava-se mal ouvindo a si mesma acima da batida de seu apressado coração. Lentamente foi retrocedendo pela margem da estrada.
A lua voltou a sair a tempo de surpreendê-la com a sombra de uma obscura e grande silhueta, que parecia dirigir-se rapidamente até ela. Aterrada, gritou e retrocedeu velozmente até que sentiu que seus pés perdiam apoio e escorregava, havia chegado à beira do barranco. Pôde agarrar-se ao ramo de um arbusto que sobressaía da terra, mas quase mal conseguia sustentar-se, abaixo dela ouvia a correnteza de um riacho em meio à escuridão, como a boca faminta de um grande monstro esperando que caísse para devorá-la de uma só abocanhada. Ainda por cima, a sombra parecia acercar-se cada vez mais rápido.
A raiz rompeu e Hermione emitiu um gritou enquanto deslizava uns centímetros abaixo, antes de conseguir agarrar-se a uma rocha que excedia. Suas botas resvalam na terra úmida, e podia ouvir o ruído que faziam as pedras ao cair na água.
"Não a deixe escapar, maldição, mate-a se é necessário, mas não a deixe escapar!... Os relâmpagos iluminavam o rosto do homem que estava sobre ela. Era o demônio em pessoa, com uns olhos furiosos e sombrios... Puxou-a pelos braços, atraindo-a para cima... e ela arremeteu contra ele, o mordia na mão e conseguiu dar-lhe uma joelhada quando o homem logrou pará-la na margem do barranco, mas este, furioso, a soltava e... em seguida, apenas o vazio..."
- Hermione!
Lutou contra as mãos que a agarravam, lutava com as últimas forças que lhe restavam, mas ele era muito forte. Arrastou-a para cima, longe do barranco. Desesperada, lançou-se sobre ele e cravou-lhe os dentes nos dedos.
- Hermione, maldita seja, pára! Sou eu, Hermione! Sou Harry... Harry!
"Harry?", perguntou-se. Confusa, sentiu o seu cálido e forte corpo contra o seu próprio, quando ele a atraiu para seus braços, e giraram juntos até a margem da estrada. Hermione gritou de novo quando Wolf jogou-se sobre ela e lambeu-lhe a cara. O animal obedeceu, resistente, no momento em que Harry ordenou-lhe que se sentasse.
- Em que diabos estava pensando ao fugir em meio a noite? - disse-lhe Harry precipitadamente, ao tempo que estreitava-lhe fortemente entre seus braços e apoiava sua cabeça no ombro dela.
Hermione apoiou a testa em seu forte peito, respirando agitadamente e sentindo a batida acelerada do coração dele em sua cabeça.
- Você não pode me levar a esse homem, por favor não o faça, Harry... por favor, não me leve até ele... - sussurrou Hermione entre ofegos e soluços, enquanto grossas lágrimas não paravam de sair de seus olhos.
- Não o farei, Hermione. - ele a abraçou com mais força, ao tempo que acariciava-lhe as costas e dizia-lhe suaves palavras ao ouvido, para que se tranqüilizasse.
Aliviada, a jovem deixou de chorar e escondeu o rosto no pescoço dele, como se absorvendo o aroma de Harry a força voltasse à ela e acalmasse.
- Hermione, devemos regressar à cabana. Vai chover a qualquer momento.
Sacudindo a cabeça, ela enfiou ambas as mãos nas abotoaduras do casaco dele.
- Harry, você tem que me escutar.
- Não a levarei até ele. - repetiu-lhe. - Eu prometo, você tem minha palavra, Hermione.
- Não, não é isso. Você não compreende. - apartou-se dele e olhou-o nos olhos. - Minha memória... - acrescentou com voz trêmula. - Minha memória... eu recordo, Harry. Recordo tudo.
- Meu nome é Hermione Jane Granger, tenho vinte e três anos e trabalho há nove meses na biblioteca estadual do condado de Los Angeles. Estudo Literatura na UCLA, e sou licenciada em Filosofia e Letras, e também sei falar cinco idiomas. Vivo na Avenida Bedford 5234, Valencia, no bairro privado de RoseHill. Sou solteira e não tenho família. Vivo sozinha, bom, com exceção de meu gato, Crookshanks. Minha avó presenteou-me com ele quando eu tinha treze anos.
A chuva repicava no telhado e, de vez em quando, um trovão fazia tremer os muros da cabana. A chuva havia-os surpreendido e já tinham se empapado quando chegaram na cabana. Hermione pusera sua saia azul e uma das camisas brancas de Harry, e ele vestira-se com uma das calças de esporte negras e uma camiseta de algodão vermelha. Sentada próxima ao fogo com Harry a seu lado, Hermione sentia-se muito mais segura do que sentira-se a muito tempo.
- Há vários dias - continuou, - três agentes do FBI chegaram a meu apartamento perguntando por um amigo meu, Marcus Burke, um crítico de arte com quem eu saía de vez em quando e a quem, amiúde, ajudava com suas investigações na biblioteca. Ambos nos conhecemos numa exposição de Joseph LeBrake há uns meses em Nova Iorque, nos fizemos muito amigos, ele foi uma pessoa muito especial em minha vida...
- Foi? - perguntou Harry um pouco receoso, pelo tom doce e o olhar brilhante que tinha ela ao falar desse tipo.
- Bom, Marc... ele faleceu há três semanas, foi em um acidente. Ou ao menos eu acreditei que foi um acidente. Agora já não estou tão segura.
Harry ofereceu-lhe um copo de whisky. Hermione bebeu um trago e começou a tossir.
- Não costumo beber whisky… bom, na verdade não bebo álcool.
- Não é preciso que o diga, já me dei conta. - replicou ele, arqueando uma sobrancelha e em seguida lançando um olhar irônico, e estalando a língua enquanto movia a cabeça de forma negativa disse-lhe: - Novatos, não sabem apreciar um bom copo de whisky.
- Muito engraçado, Harry. Ha, ha, para sua informação minha avó não aprovava bebidas alcoólicas - sorriu. - Você tinha razão, me criei na Inglaterra até os doze anos, até que tive que vir para viver com minha avó nos Estados Unidos porque meus pais morreram em um acidente de carro em Londres. Mas no pouco tempo de vivência com a avó Maggie, ela ficou enferma e tive que cuidar dela, até que morreu há dez meses. Trasladei-me, então, para uma pequena casa de minha propriedade e voltei a sentir-me sozinha como quando era menina; estava assustada e ao mesmo tempo excitada pela nova vida que teria. Comprei, inclusive, uma garrafa de champagne para festejar minha independência, embora estou segura de que minha querida vovó teria levantado da tumba se houvesse se inteirado.
- Que rebeldia. - disse Harry, com um pequeno sorriso.
Hermione sabia que ele estava zombando dela, mas estava tão contente de ter recuperado a memória que nem sequer lhe importou.
- De fato... - ergueu o queixo, orgulhosa - ... bebi meia garrafa sozinha.
- E...?
- E vomitei toda a noite, claro.
Harry quitou-lhe o copo e o pôs sobre a prateleira da chaminé.
- Melhor que não beba mais, porque limpar vômitos de tapetes em pé não me cai muito bem, digamos.
- Harry… - disse Hermione, repreendo-o por zombar dela.
- Harry, nada. – disse-lhe ele; pondo-se sério, agregou. - Fale-me dos agentes.
- Eram três, queriam que eu respondesse à suas perguntas. Quem dirigiu o interrogatório foi Malfoy, o agente especial Draco Malfoy. Alto, magro, cabelo curto e loiro, olhos cinzas, de uns trinta anos, mais ou menos.
- Esse é o nosso homem. - disse o de olhos verdes, enrijecendo a mandíbula.
- Queriam falar-me de Marc. Eu lhes disse que naquela manhã me dispunha a viajar ao México para visitar uns amigos. Depois da morte de Marcus, havia decidido sair de férias por um tempo, estava emocionalmente esgotada. Eram as primeiras férias que eu tirava desde que minha avó faleceu. Já tinha feito as malas, havia alugado uma pequena casa na praia, em Puerto Vallarta. Inclusive havia comprado o meu primeiro biquíni. - riu-se de si mesma, e em seguida desviou o olhar - Uma autêntica mulher do mundo, hã?
Harry sabia que havia mulheres que sacrificavam seus próprios desejos e necessidades pelos seres a quem queriam bem, e diante de si tinha uma delas.
- O agente Malfoy mostrou-se muito insistente. - continuou Hermione. - Assegurou-me que não demoraria muito e que me traria de volta à casa em um par de horas. Eu não podia me negar a um pedido do FBI, não? De forma que não tive opção.
"Claro que podia ter-se negado", pensou Harry. Ele o havia feito milhares de vezes. Mas também sabia o fácil que era intimidar a um simples cidadão com um simples distintivo. Especialmente a uma jovem como Hermione. Não estava orgulhoso disso, mas ele próprio fizera o mesmo mais de uma vez.
- Então, o que aconteceu? - perguntou-lhe.
- Disse-me que seria melhor que fôssemos ao seu escritório para que eu pudesse fazer uma declaração oficial, e que ele pessoalmente se encarregaria de me levar e me trazer de volta em casa. Quando vi que havíamos saído da cidade, e que nos adentrávamos no bosque, comentei-lhe minha estranheza, mas ele limitou-se a sorrir e disse-me que sua divisão do FBI tinha um escritório nas redondezas, que era secreto e que o utilizavam para os casos especiais.
Um relâmpago iluminou a cabana, seguido de um forte trovão que fez vibrar os cristais das janelas. Hermione deu um sobressalto e, instintivamente, Harry deslizou um braço por seus ombros. A jovem suspirou e voltou a relaxar.
- A mim me pareceu estranho isso de 'escritório secreto', se era tão secreto por que me levavam ali somente para declarar? - continuou. - O agente Malfoy conduzia, e eu estava a seu lado, no assento da frente. Era um carro azul muito caro e novo. Os outros dois agentes estavam atrás, o mais forte, de cabelo castanho e olhos saltados era o que mais me assustava, mas nenhum dizia nada, simplesmente limitavam-se a olhar-me fixamente. Havia algo estranho em seus olhos, era como se soubessem algo que eu desconhecia, algum segredo sobre mim e isso lhes divertia enormemente.
"Iam matá-la", pensou Harry furioso. Vira esse mesmo olhar antes, muitos homens expressavam um grande prazer no momento de assassinar. E quanto mais vulnerável fosse a vítima, mais gostavam e mais prazer sentiam. Não tinha dúvida de que haviam planejado algo mais que somente matá-la. Harry, com gesto sombrio, espantou essas idéias de sua cabeça, mas foi impossível, uma raiva cada vez mais poderosa ia crescendo em seu interior, enroscando-se com as mesmas chamas do inferno.
- Harry... – disse ela, esboçando uma careta de dor, - está me machucando.
De repente, deu-se conta de que estivera segurando-a com demasiada força pelos ombros. Lançando uma maldição, soltou-a e massageou suavemente a delicada pele que estivera a ponta de ferir. Confiante, ela apoiou a cabeça sobre seu peito, e Harry pensou que guardaria sua fúria para outro momento, para quando Hermione estivesse a salvo e fora de cena, então o agente Malfoy e seus capangas conheceriam o porquê de o chamarem o "Anjo Negro" quando estava na academia de treinamento do FBI. Esses desgraçados receberiam seu merecido. Esses malditos iriam desejar não ter tocado em um só fio de cabelo de sua Hermione, ou não se chamava Harry James Potter.
"MINHA Hermione?", pensou Harry, "É apenas a adrenalina da situação que me faz dizer essas coisas, apenas isso..."
- Continue, por favor, Hermione. - disse-lhe suavemente, retirando-lhe um par de cachos dos ombros com extrema delicadeza, e esquecendo-se de seus estranhos pensamentos.
- Houve uma explosão, como um disparo, e o carro sacudiu. A roda havia furado. Os dois homens detrás desceram do carro, mas Malfoy permaneceu comigo e começou a fazer perguntas sobre Marc: desde quando eu o conhecia, se éramos muito íntimos, se eu trabalhava com ele... Quando disse-lhe que Marcus e eu éramos bons amigos e que eu somente o ajudava ocasionalmente em suas investigações, pareceu muito interessado, até diria que ansioso. Queria saber que tipo de investigações estava fazendo, e se eu guardava arquivos dele ou disquetes que pudessem ser de suas investigações.
- Que tipo de investigações?
- Não sei. Mas disse-lhe que Marc e eu trabalhávamos em uma multidão de temas diferentes, e que ele sempre guardava tudo em seus próprios disquetes, inclusive quando usava os computadores da biblioteca. Ao que pareceu o agente Malfoy não gostou de minha resposta, porque se pôs furioso.
Um trovão fez estremecer de novo a cabana e Hermione abraçou-se a Harry. Wolf levantou-se de seu rincão e pôs-se a passear inquieto, grunhindo suavemente.
- É igual àquela noite - continuou ela. - Relâmpagos, trovões e muita chuva. Podia ouvir as maldições que diziam os outros dois enquanto trocavam o pneu. O agente Malfoy já não sorria, nem sequer fingia ser amistoso. Alçando a voz, se pôs a insistir que eu sabia algo. Estava escuro, mas eu podia distinguir seu olhar, havia uma fúria que nunca vira em minha vida. Creio que foi nesse momento que me dei conta de que não havia nenhum escritório secreto do FBI nas montanhas... e que, provavelmente, nunca ia poder usar o biquíni rosa que eu havia comprado.
Harry voltou a abraça-la e esperou que deixasse de tremer, embalando-a contra seu peito.
- Malfoy saiu do carro e começou a dizer aos dois homens que se apressassem. Disse que 'suas damas' os estavam esperando e não tinham muito tempo.
- Que damas? - perguntou Harry, intrigado.
- Não sei, mas começaram a discutir sobre mim, um deles disse que 'teriam que fazê-lo já'. Deviam acreditar que eu não os estava escutando, ou talvez nem sequer lhes importava. Harry... - ergueu a cabeça e olhou-o nos olhos - ... queriam me matar. A mim, uma comum e insignificante bibliotecária.
- Conte-me bem o que aconteceu.
- Saí do carro pensando em desaparecer na escuridão, mas um deles me viu e deu um grito. Malfoy lhes ordenou que me perseguissem. 'Matem-na se é necessário, mas não deixem que escape', isso foi o que disse.
"Malditos!", exclamou Harry para si, cheio de raiva. Mas tinha que acalmar-se, devia saber de tudo, com o maior detalhe possível. Poderia servir-lhe para quando perseguisse Malfoy.
- Saí correndo mas escorreguei no barro - continuou, suspirando, trêmula. - Um dos homens, o mais forte e de olhos saltados, me agarrou por trás. Ouvi que Malfoy o chamava de 'Goyle'. Esse foi quem mordi, e em seguida lhe desferi uma joelhada, ele caiu mas Malfoy e o outro saíram atrás de mim. Retrocedi até o barranco, perdi o equilíbrio e comecei a escorregar... Malfoy me agarrou, mas me soltei dele e caí em meio à escuridão. Não pude recordar nada depois disso.
- Nem sequer quando a encontrei?
- Não - respondeu cansada. - Harry, o que poderia querer de mim?
- Algo você sabe, Hermione. Seja ou não consciente, você viu ou ouviu algo, ou teve acesso à informação que Malfoy necessita. É óbvio que tem a ver com seu amigo, com Marcus. Seja o que for, tem que ser importante e deve constituir uma ameaça para Malfoy. De outra maneira, não teria se dado a tanto trabalho com você...
- Mas como pôde mudar os registros informáticos desse modo, e criar uma pessoa que não existe? É desonesto, não é ético...
Harry continuava surpreendendo-se com a ingenuidade de Hermione. Sua inocência suscitava nele um instinto protetor contra todo tipo de perigos. Perguntou-se o que ela pensaria da metade das coisas que ele fizera para o governo. Coisas muitíssimo piores que substituir uma ficha de identificação. Coisas pelas quais até ele mesmo se odiava.
- Um agente do FBI, ou de qualquer agência do governo, tem acesso aos dados de todo o país. - explicou Harry. - Por mais privados que sejam. E tem mais que capacidade para mudar esses arquivos, e acrescentar ou tirar o que queira.
- Mas dizer que ele é meu marido! Quem acreditaria nisso?
Harry não disse nada, apenas permaneceu fitando seus enormes olhos castanhos. De repente ela se enrijeceu visivelmente.
- Você acreditou. - sussurrou ela.
- Apenas por uns momentos. - assentiu. - E isso é tudo o que Malfoy necessita: algum tempo. Se ele houvesse encontrado você, teria afastado-a daqui antes que alguém pudesse descobrir a fraude. Como você mesma disse, quem poderia resistir ao poder do FBI?
Hermione ficou olhando-o estranhada por uns instantes.
- Parece que você os conhece muito bem, como se estivesse familiarizado com esse tipo de táticas...
Harry poderia dizer-lhe que não só estava familiarizado com elas, senão que praticamente ele as havia criado e redigido seus manuais de ensino. Mas, de alguma forma, não pensava que aquela fosse uma ocasião adequada para revelar-lhe seu segredo. Se fosse possível, não teria que sabê-lo nunca. Uma vez que a deixasse em um lugar seguro, ele mesmo se encarregaria de Malfoy e seus capangas. Depois disso, Hermione seguiria adiante com sua vida, viajaria para o México e estrearia seu biquíni novo, e esqueceria de tudo. Isso apenas permaneceria como uma divertida aventura de juventude para contar a seus netos em um futuro.
A pergunta era: Poderia ele fazer o mesmo? Esquecer-se dela? Seguir com sua vida como se nunca a houvesse conhecido?
- É de domínio público que o governo faz o que quer e quando quer. - repôs ele de maneira evasiva, cada dia custava-lhe mais mentir-lhe. - Sobretudo se ninguém se inteira. Quaisquer que sejam os objetivos de Malfoy, não esperava que alguém os descobrisse.
- Ele voltará por mim, não é? - perguntou Hermione, abatida.
"Voltará, mas eu me encarregarei dele. Vai ter uma pequena surpresinha...", disse Harry mentalmente. Deslizando o dedo indicador sob seu queixo, obrigou-a a olha-lo.
- Agora você está a salvo, Hermione. Não deixarei que se aproximem de você, não voltarão a machucá-la nunca mais, eu prometo.
- Eu sei. - respondeu ela em voz baixa, enquanto via, abobalhada, seus brilhantes olhos verdes.
Harry podia ler a confiança e a aceitação em seu olhar, além de uma doçura infinita dedicada só para ele. Ninguém nunca o havia olhado como ela. O contato de sua pele sob seus dedos lhe fazia ansiar coisas que não sabia se tinha direito a conseguir.
- Você tem que fazer o que lhe digo. - disse-lhe tenso, enquanto retirava a mão do rosto dela. - E nada de fugas em meio a noite, ok?
Hermione olhou suas mãos entrelaçadas em seu regaço e assentiu.
- Eu... sinto. Não podia suportar a idéia de que me entregasse a esse homem. - explicou com lágrimas nos olhos. - Você o teria feito? - perguntou-lhe, num sussurro.
Enquanto olhava-la, Harry podia sentir o frenético pulsar de seu coração. Ouvia o repicar da chuva e o rumor dos trovões como algo distante. Seu mundo havia se reduzido a eles dois, e ao rápido bater de seu coração.
- Não. - disse ele firmemente.
"Merda, o que me passa? Não posso crer no que está me acontecendo... eu não posso, não...", pensou ele, contrariado.
Pareceu à Hermione que seu coração se enchia de alegria ante a resposta de Harry. Necessitava sabê-lo. Apesar de tudo o que havia acontecido, ou do que aconteceria no futuro, tinha que sabê-lo. Aquela simples palavra a acariciou como uma mão consoladora, removendo-lhe um grande peso de cima.
- Obrigado. - respondeu, com um nó na garganta.
- Chamarei um amigo, ele poderá... cuidar de você melhor que eu. Estará a salvo com ele.
Hermione não podia imaginar-se sentindo-se a salvo com alguém que não fosse ele. O coração, que segundos antes havia se enchido de júbilo, encolheu-se dolorosamente. Sentia frio dentro de seu corpo. Sabia que não podia permanecer ali, fora uma loucura de sua parte supor o contrário. Ou que ele quisesse que ela ficasse. E por que haveria de tê-lo querido? Era evidente que Harry era um homem com experiência. Com as mulheres, com o mundo. Ela era apenas uma simples e corrente bibliotecária que havia se apaixonado loucamente por um homem, que não se dignara a olha-la se ela não o houvesse obrigado a isso.
- Quando? - perguntou em voz baixa. - Quanto terei que partir?
- Amanhã cedo. Terei que fazer uma chamada, e em seguida tirarei você daqui antes que Malfoy volte em seu encalço.
- Pela manhã. - repetiu suavemente Hermione, de imediato ergueu o olhar para Harry; tinha a mandíbula tensa, sua boca havia se convertido em uma linha fina e seus olhos voltaram a ser frios e impenetráveis.
Hermione deu-se conta que, talvez, não voltaria a vê-lo nunca mais.
"Que diabos!", pensou ela, inspirando profundamente. Já fizera ridículo antes, de modo que não tinha mais o que perder.
Os dedos tremiam quando deslizou a mão pelo forte peito de Harry.
- Bom, então... - disse, consciente do tremor de sua voz - Só nos resta esta noite, não?
Harry quedou-se imóvel ao ouvir essas palavras. Para Hermione parecia que tudo a seu redor havia paralisado. Já não ouvia o repicar da chuva nas janelas, mas somente o pulsar de seu coração. Sob sua mão podia sentir as fortes batidas do coração dele.
- Hermione…
- Não, Harry. - lhe pôs um dedo nos lábios. - Não o diga. Por um tempo, no pouco tempo que nos resta juntos, quero crer que nada disso aconteceu. Que não existem esses agentes e que ninguém anda me procurando. Quero crer que apenas somos um homem e uma mulher. Que apenas somos você e eu, que nosso mundo está reduzido a nós.
Harry seguia imóvel. Hermione podia sentir a tensão que se transmitia do corpo dele ao seu, compreendia que estava lutando para manter o controle, um controle que ela estava decidida a romper.
Mas como fazer isso? Nunca antes seduzira um homem. Não tinha idéia de como fazer para que a desejasse, de modo que decidiu deixar-se levar por seu instinto, pelo que lhe ditava o coração.
- Faça amor comigo... - disse-lhe suavemente ao ouvido. - ... Deixe-me ser sua por esta noite, por favor, Harry, faça-me sentir mulher... Harry, faça amor comigo.
Harry não dizia nada, não se movia e mal respirava, seu coração batia tão forte que até quase lhe doía... o que ela lhe pedia era o que havia desejado fazer desde o mesmo instante que a trouxe à cabana, mas ele sabia que se fazia o que ela lhe pedia as coisas se complicariam ainda mais do que já estavam...
"Meu Deus... Por que comigo?"
Nota da Tradutora:
Ora, "por que comigo?" E você não sabe, Harryzito? – olhando Potter de cima abaixo, de forma perversa e escrotamente maliciosa. ;-
E chegamos ao 8º capítulo de AdM, niños e niñas! O próximo capítulo promete aquilo que, certamente, suas mentes pervertidas já imaginaram de todas as formas e sob todos os ângulos. ;-)
Meu obrigado aos fiéis leitores da tradução da fic de Lady Verónica e aquele alô às três garotas super poderosas que marcaram presença no reviews-book: FAFA (E aí? Gostou do capítulo de número 8? ;-) Já sobre o próximo capítulo, acho que depois do que eu disse acima sobre o que os aguarda, duvido que você precise me perguntar o que vai acontecer. ;-) Mas se perguntar, duvido que seja sobre as habilidades farejadoras de Wolf, a menos que envolva as palavras "cio" e "sexo"... eu disse "sexo"? Ops! Essa palavra nada tem a ver com o próximo capítulo! De forma alguma! Magiiiiiiina! ;-) Beijos e até a próxima atualização); Pati.nha (Que bom que tenha gostado do cap., Pati! ;-) E, olha, eu entendo muito bem essa sua queda irresistível por caras do tipo "Harry-Luke-Potter", ô se entendo! Eles reúnem harmoniosamente os elementos essenciais que, pelo menos, a maioria das mulheres deseja num homem: segurança, sinceridade, fidelidade, virilidade e, ao mesmo tempo, doçura e compreensão para com a mulher amada. E vem cá... que lance é esse de eu estar virando uma "terapeuta de romances, amassos e outros rolos mais quentes?". Ahauhauahauahau, sou eu ou você me chamou de Especialista em Sexo, ahauahauhauahau! – o que, na verdade, seria um baita elogio. ;-) Beijundas e até breve – o mais breve possível, espero.) e Barbara Jane Potter (Olha que eu vou começar a me apaixonar por você, com tanto elogio assim às traduções que faço, ahauhuahauahua! ;-) "Dei uma sumida pq tava sem net", você disse. Mas, pensando por um lado, ficar sem net foi até compensador, você acabou "ganhando" três capítulos de uma vez só. Isso é que pensar positivo. ;-) Quanto aos homens, eu sou franca comigo mesma quando digo que o companheiro ideal para mim deve ter essa mistura de virilidade e "angelitude", ou seja, um homem que proteja, que cuide, que compreenda, que seja sincero e fiel, um homem que ame não apenas com o corpo mas sobretudo com a alma. Infelizmente, a grande parte não se encaixa nesse "ideal de homem". É, minha amiga, o mundo está escasso de homens da magnitude dos personagens masculinos que amam de forma absoluta, com os quais nos "acostumamos" nos livros e fics. Mas c'est la vie .Cada um dá o que tem. Bueno, quanto as fics que pretendo traduzir, duas coisas: 1ª – a fic que eu estava esperando autorização e ainda não recebi, já comecei a traduzir e acho que neste mês ainda publico o primeiro capítulo, mesmo sem a prévia autorização da autora – será uma experiência; 2ª – Julieta Potter me autorizou publicamente, no reviews-book da PCU, a traduzir todas e quaisquer fics suas, portanto agora é só questão de tempo para eu começar a traduzir outras histórias dela. Por último, mas não menos importante: continue sonhando com o seu homem ideal, quem sabe ele apareça, afinal sonhos podem se tornar realidade. Não custa nada querer o melhor para si, ainda que o "sonho" esteja do outro lado do globo terrestre. ;-) Beijoca e até!)
Vejo-os no próximo capítulo de AdM! Ah, e desculpem os erros (de digitação/gramaticais) cometidos ao longo do capítulo (caso tenham sido). Estou sem tempo de revisar a contento.
Entonces...
Hasta pronto!
Inna
