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A Profecia do Caos

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Olimpo

- O que foi isso? - berrou Hera, escandalizada - Por acaso os mortais descobriram o uso da pólvora?

Zeus revirou os olhos: provavelmente Vulcano estava tendo algum "acesso de criatividade" em sua forja e nem tudo saíra como previsto. Não era nada incomum que isso acontecesse nas ocasiões mais impróprias... Entretanto... Porque acusar Vulcano do horrível estrondo se ele passava em disparada pela frente do trono do rei dos céus!?

- Meu senhor! - berrava Hermes desesperado, enquanto se aproximava do senhor dos raios - Meu senhor!

- Fale logo Hermes! - Disse Zeus enquanto se levantava - O que aconteceu?

- No inferno... - começou, ofegante - Uma fenda... Um anjo que se ergue com a espada de Hades... Os mortos...

- Acalme-se! - berrou enquanto segurava o filho de Maya pelos ombros - Você vai se sentar e me contar tudo com calma, entendeu?

E Hermes falou.

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Inferno

- Vamos Hypnos! - berrou Thanatos já se preparando para atacar o anjo que agora abria mais e mais a fenda entre o mundo dos vivos e dos mortos com o sabre do imperador.

Thanatos lançou uma esfera de energia na direção do imortal, mas era impossível causar qualquer dano de uma distância tão grande: a espada de Hades era uma arma poderosa demais, tanto ofensiva, quanto defensivamente. Hypnos disparou seu Sono Eterno mas não houve qualquer resultado visível.

Hades olhava o anjo sem sequer desviar o olhar: o imperador queimava de ódio ao pensar que aquele ser havia invadido o inferno, destruído os espectros e roubado sua espada, a arma que controlava os desígnios do inferno. Perséfone ainda estava desmaiada em seus braços e ele ficou aliviado que ela estivesse assim. Não presenciaria a cena terrível que estava para acontecer.

- Cuide de Prosérpina, Éris. Thanatos, Hypnos! Vamos!

O imperador e seus dois servos mais poderosos saíram voando em direção ao anjo. A espada de Hades brilhava em suas mãos e sua armadura colorida refletia a luz do sol poente. Uma luz que nunca havia tocado a superfície do inferno.

Hades atacou com seu poderoso Eclipse Maior, gerando uma esfera enorme de energia e lançando-a em direção ao inimigo. Hypnos voou pela direita e disparou seu ataque enquanto Thanatos usava sua Providência Terrível pela esquerda. O anjo simplesmente desviou dos ataques de Hypnos e Thanatos e defendeu a energia do imperador com a espada.

- Seus ataques são inúteis contra esta arma, Imperador. - disse o Anjo, provocando incômodos calafrios na espinha do senhor dos infernos - Jamais poderá me ferir enquanto eu estiver de posse dela.

Na mão do anjo, uma pequena esfera de energia começava a se formar lentamente. Thanatos percebeu a intenção do inimigo e gritou para alertar o imperador. Hades olhou com mais atenção pra o anjo e viu que ele já havia lançado a esfera de energia.

- Reino Fulgurante de Almas!

O imperador cruzou os braços na frente do rosto e se preparou para receber o impacto quando ouviu duas vozes iguais gritando de dor.

- Hypnos! Thanatos! - gritou Éris da superfície infernal.

Os senhores do sono e da morte foram engolfados pela energia poderosa e seus corpos foram envoltos em auras vermelhas enquanto gritavam de dor e sofrimento. Hades observava incrédulo o sacrifício que seus subordinados haviam feito.

- Deixe-os em paz! - gritou o furioso imperador do inferno, lançando novos ataques contra o Anjo.

- Hm... - o Anjo sorriu - Gostaria de vê-lo tentar, Imperador...

Hades lançou novamente seu Eclipse Maior contra o inimigo e adorou vê-lo arregalar os olhos de surpresa quando a espada foi arrancada de suas mãos e lançada violentamente contra uma das altas torres do palácio Giudecca. A armadura do Anjo foi levemente avariada pelo ataque, mas ele não parecia ferido.

- Thanatos! Hypnos! - O anjo berrava com uma voz altíssima - Deuses da morte e do sono! Sirvam-me pela eternidade!

Repentinamente, as auras vermelhas que circundavam os deuses gêmeos sumiram. Hades ouviu o grito de advertência de Éris e, embora tenha conseguido se defender do ataque de Thanatos, não pôde escapar do Sono Eterno de Hypnos. O imperador, lutando contra o sono, foi caindo lentamente enquanto via, impotente, o Anjo levar sua espada e seus servos mais poderosos embora. Sua visão escureceu e mal pôde notar o brilho prateado das asas das sandálias de Hermes. Ouviu uma voz distante que pareceu sussurrar: "A planície do Armageddon". Depois disso, nem sequer sentiu o impacto quando seu corpo tocou o solo.

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Olimpo

- Hades... - Hera arqueou as sobrancelhas quando o senhor dos infernos não abriu os olhos - Hades! HAADES!!!

O senhor dos mortos acordou e sentou-se na cama onde havia sido deitado. Lançou um olhar gélido para Hera.

- Você não precisa gritar dessa maneira, irmãzinha... Eu tenho uma audição bastante apurada...

Hera estava pronta para reclamar com Hades quando foi interrompida pela entrada de Prosérpina, Demeter, Apolo e Éris.

- Hades!! Graças à Fortuna! - Prosérpina lançou-se nos braços do esposo com os olhos em lágrimas - Estás bem?

- Melhor agora...

Éris apertou discretamente o cabo de sua lança com mais força. Não gostava nada do fato de Hades ter se casado com Perséfone. Apolo apenas lançou um olhar misto de desdém e compreensão para Éris, o que apenas serviu para irritá-la mais ainda: a deusa da discórdia simplesmente detestava o ar de superioridade do deus solar.

- Ganham-se umas, perdem-se outras... - disse Apolo, referindo-se tanto a Hades quanto a Éris.

- Não estou no humor correto para gracinhas, Apolo... - disse Hades, com a voz que era capaz de gelar as almas dos condenados - Aliás, nunca estive. E a não ser que queira me ver terrivelmente irritado, vais ficar quietinho...

Um sorriso cruzou os lábios de Éris enquanto os olhos de Apolo se contraiam de fúria. Como herdeiro direto de Zeus, ele não estava acostumado a ser tratado de maneira tão rude. A única coisa que impediu o deus do sol de atacar o tio foi a presença de sua mãe, Hera, a rainha dos céus, no aposento.

- Hades... - disse Hera, prevendo as ações do filho - Devias mostrar algum respeito por Apolo, ele me ajudou a despertá-lo...

- O que foi que aconteceu depois do ataque de Hypnos? - Hades não se importou com a última frase de Hera.

- Hermes e Éris trouxeram você e Prosérpina para o Olimpo... - respondeu Deméter - Não temos idéia de onde estão Hypnos, Thanatos e aquele anjo...

- Planície do Armageddon... - disse Hades, mais para si mesmo do que para os outros deuses.

Prosérpina tentou perguntar o que o senhor dos mortos havia acabado de dizer, quando Hermes entrou no aposento.

- Zeus pede que todos os deuses se reúnam. Temos que realizar um conselho. Estamos entrando em guerra...

O deus do inferno ergueu-se da cama e, conduzindo Prosérpina pela mão, rumou para onde Zeus se encontrava, sendo seguido pelas outras divindades. No grande salão do Olimpo, o mesmo onde há poucas horas estava se realizando a comemoração dos cinco mil anos de reinado de Zeus, a maioria dos deuses do Olimpo já se encontrava, com a exceção dos deuses menores que viviam na Terra e de Hypnos e Thanatos.

Zeus sorriu de leve para o irmão mais velho quando o viu entrar, gesto que foi respondido com um quase imperceptível aceno de cabeça. Ele sentou-se em seu trono dourado e bateu três vezes com sua lança no chão, chamando a atenção dos outros deuses, que logo se sentaram para ouvir o rei dos céus.