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A Profecia do Caos
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Olimpo
Hades manteve–se quieto por um longo tempo após revelar que pretendia trazer os heróis da humanidade de volta à vida. O cosmo do imperador pulsava, aumentando e diminuindo constantemente, como que se preparando para um grande esforço. Lá fora, o sol erguia-se nos céus...
Dezenas de metros abaixo do palácio celestial, numa cavidade natural da rocha, Hefesto, o artífice do Olimpo criava doze obras primas douradas. Elas, de acordo com o pedido de Zeus, representavam doze constelações guardiãs, doze bastiões representantes do poder do céu e do Olimpo.
Agora apenas uma estava incompleta... Gêmeos. Na etapa mais crítica de todas, Hefesto usava o próprio cosmo para infundir vontade na armadura, caso contrário, ela não seria mais do que uma vestimenta metálica pesada e sem vida. "Agora com calma... — pensou Hefesto, enquanto gerava a alma da armadura — Com todo o cuidado...".
Um estrondo enorme, partindo das profundezas da Terra quebrou a concentração de Hefesto. A armadura caiu no chão, partida em pedaços, ao mesmo tempo em que uma gota de suor escorria pela fronte do o senhor das forjas.
— Pelo Olimpo!!! O que foi isso? — gritou Hefesto enquanto descarregava algo de sua frustração e recolha os cacos do que poderia ter sido uma armadura perfeita.
"Não há mais como unir esses fragmentos... — desesperou-se Vulcano — terei que desobedecer as ordens de Zeus... existirão apenas onze armaduras douradas...". Hefesto começava a se desesperar, quando viu uma saída. Ainda estaria desobedecendo a ordem de Zeus, mas...
O estrondo abalou o cume do Olimpo, tirando o imperador de sua concentração. Algo estava acontecendo no inferno. Do profundo abismo que o Anjo do Caos criara, podiam se ouvir gritos e um clamor incomum. Os deuses se reuniram para tentar observar o que acontecia no abismo, mas mesmo a visão dos imortais não conseguia divisar exatamente o que acontecia no tártaro.
Mas nada do que acontecia no inferno importava agora. O Caos devia ser impedido a todo custo. E, para isso, Hades precisaria concentrar suas forças ao máximo.
— As armaduras estão prontas! — bradou Hefesto, enquanto entrava no grande salão onde as divindades olimpianas estavam reunidas. Ninfas feitas de ouro maciço carregavam espetaculares trabalhos de ourivesaria, as armaduras de ouro que representavam as doze constelações no caminho do sol.
— Hefesto? — perguntou Hera — Por que estou contando treze armaduras ao invés de doze, como havia sido estabelecido por Zeus?
— A armadura do terceiro signo, Gêmeos, se dividiu em duas quando eu a criava. — explicou Hefesto, não querendo revelar seu pequeno deslize — Foi um capricho do destino...
Hera não pareceu muita satisfeita com a resposta do filho e se preparava para fazer uma nova pergunta quando Hades se ergueu para falar.
— Então é chegada a hora de reunir os guerreiros mortais que habitam os elísios... Precisarei de auxílio para trazê-los de volta a vida, agora que não estou com minha espada... Athena! Revele o nome do primeiro mortal!
A deusa da sabedoria vacilou por um instante antes de recobrar sua serenidade costumeira.
— Escolherei o mais sábio dentre os heróis da antiguidade para honrar a armadura de Áries: Ulisses é meu escolhido!
O cosmo de Hades elevou-se e envolveu Athena, usando parte da cosmoenergia da deusa para reviver o cavaleiro de Áries.
— Apolo! És o próximo!
O deus do sol adiantou-se:
— O nome dele dispensará quaisquer discursos. Aquiles! Receberás a armadura de Leão!
— Afrodite! — Hades se limitava a chamar o nome dos deuses que ele escolhera para auxiliar a reviver os heróis da humanidade.
— O mais belo mortal chamou-se de Narciso. Ele guardará a armadura de Peixes.
— Hefesto, sua vez!
— Sou um artesão e, muitas vezes, esqueço do que existe ao redor de minha forja... — um olhar para Afrodite complementou a idéia do senhor das artes — Mas apesar dessa limitação, prevejo dificuldades para minha irmã, Athena... Chamo Perseu, o homem mais devotado a Athena para honrar a armadura de Capricórnio!
— Ares!
— Hércules, o mais forte dentre os mortais, terá a armadura de Touro!
— Hermes, fale! — a energia do imperador começava a se desgastar pois era muito difícil reviver almas dos Elísios.
— O mais ousado dos mortais será chamado para possuir a armadura de Sagitário: Ícaro, filho de Dédalo, é minha escolha!
— Ártemis!
A deusa da lua não se moveu. Ela manteve os olhos baixos, enquanto o cosmo de Hades queimava violentamente a sua frente.
— Fale, minha irmã! — disse Apolo — Nosso tio não vai esperá-la para sempre!
— Outrora houve um mortal... — começou Ártemis, meio receosa do que ia dizer — que conseguiu uma proeza única em todo o universo... Órion, o filho mortal de Poseidon, dar-te-ei a armadura de Aquário!
Vários deuses se perguntaram que proeza seria aquela de que Ártemis falara, mas ninguém percebeu o sorriso que surgiu em Afrodite.
— Demeter, minha irmã, fale! — Hades começava a fraquejar e Prosérpina teve que ajudá-lo a permanecer em pé.
— Noto que duas armaduras exatamente iguais se apresentam aqui... Elas guardam a constelação de Gêmeos... — a deusa das colheitas, agora também chamada de herdeira de Gaia olhou para seu irmão mais velho — Para selar rixas antigas, Hades, chamo para honrar as armaduras de Gêmeos, Castor e Pólux, os inseparáveis irmãos!
Hades não pôde conter um sorriso quando ouviu as palavras de usa irmã. Finalmente estava perdoado.
— Poseidon! Sua vez, meu irmão!
O senhor dos mares deu um passo a frente.
— Príamo, o antigo senhor de Tróia, o mais justo dentre os mortais; doravante será o cavaleiro de Libra.
— Hera! Apresse-se!
— O mortal que usou do veneno para lutar em vida, o usará para fazê-lo agora: Paris, príncipe de Tróia! Recebas a armadura de Escorpião! Tuas flechas envenenadas serão o ferrão do escorpião!
— É impressão minha ou nossa mãe — disse Ares para Apolo baixinho — escolheu alguém tão venenoso quanto ela para ser um dos cavaleiros de ouro.
O deus do sol segurou o riso a força quando Hades proclamou sua escolha.
— O único mortal a vagar por toda a extensão de meu reino e retornar para o convívio dos mortais! Chamo-te, Enéias, cavaleiro de Câncer!
Mas esse último esforço superou as forças do imperador. O cosmo de Hades diminuiu drasticamente, quase desaparecendo. Com grande esforço, Prosérpina pôde sustentar o corpo do monarca do inferno.
Zeus continuou sentado em seu trono, enquanto a grande maioria dos deuses se aproximava de Hades, tentando oferecer auxílio. Os pensamentos do senhor do Olimpo forma interrompidos por um toque em seu ombro.
— Athena?
— Meu pai... O imperador fez um esforço tremendo ao trazer tantos mortais de volta a vida... Não creio que ele possa fazer o mesmo pelo senhor.
— Eu não pretendia ressucitar ninguém, na verdade. Minha escolha já foi feita. O nome dele é Sidhartha, um de meus filhos mortais. Dentre os homens, ele é o único que pode usar a força divina com presteza, e é o que mais se aproxima do poder dos deuses. — e erguendo a voz disse — Sidhartha! Tu serás o Cavaleiro de Virgem, tu que és o mortal mais próximo de ser um deus!
Como por encanto, treze mortais apareceram diante do trono de Zeus e diante das divindades olímpicas. Os cavaleiros da esperança, a força na qual a humanidade e os deuses confiavam o mundo.
