Capítulo I
Ron acabou aterrissando numa superfície macia. Um tapete felpudo, feito de um material muito parecido com pêlos de uma juba de leão. Olhou em volta e se surpreendeu com o quarto. Não acreditava que Draco fosse escolher algo tão rústico. O loiro sempre exigia luxo, e, apesar de confortável, o quarto não era nem um pouco luxuoso.
- Uau... – murmurou, levantando-se do tapete. Aquele era o tipo de ambiente que Ron gostava.
O lugar era grande e muito parecido com um chalé. O chão e as paredes de madeira, assim como quase todos os móveis. No centro do quarto, de frente para uma lareira acesa, uma cama enorme, a maior que Ron já tinha visto em toda a sua vida, coberta com um edredom vermelho escuro. Numa mesa perto da cama, os mais variados doces e sopas, chocolate quente, firewhisky e cerveja amanteigada.
O quarto era perfeito para uma noite a dois. E, do jeito que os tapetes no chão eram confortáveis, ele e Draco poderiam fazer sexo em qualquer lugar.
Caminhando pelo quarto, notou que havia apenas uma porta. E, se aquilo era o banheiro...
- Onde é a saída desse lugar? – perguntou em voz alta, esperando que o quarto dessa a resposta.
- Ron? – uma voz chamou, fazendo Ron pular de susto.
- Harry? – Ron questionou, surpreso.
– O que você está fazendo aqui? - Harry perguntou, confuso.
– O que você está fazendo aq... Ahh! Fred e George! Só pode ser brincadeira deles! – Ron reclamou, cruzando os braços.
- O quê? Claro que não, Ron. Eles não fariam esse tipo de brincadeira com Severus.
- Bem... Eles não queriam que eu viesse. E Draco teve que... – Ron parou de falar, arregalando os olhos. – Draco vai pensar que eu e você estamos fazendo alguma coisa de errada! Merda! Onde é a saída?
Ron começou a andar de um lado ao outro, procurando por uma porta escondida.
- Ron. – Harry chamou, mas o amigo não pareceu ouvir. – Ron? RON!
- O quê? – perguntou, apalpando um quadro com a imagem de uma praia, como se tentasse sair por ali.
- A porta só vai aparecer daqui a vinte e três horas e quarenta minutos. – Harry falou, olhando para o relógio de pulso. – quarenta e três minutos, para ser mais específico.
- Como assim? Vou ficar o dia todo trancado aqui com você? E se acontecer alguma coisa? E se um de nós se acidentar? E se a comida acabar? E se eu tiver algum tipo de ataque de... – Ron falava, obviamente entrando em pânico. - Cadê minha varinha? Onde foi parar minha varinha? Harry!
- Calma. – Harry disse. – Tenha calma. A minha também sumiu. É só um dia. Não é como se fôssemos ficar aqui para o resto das nossas vidas.
Ron calou a boca e sentou na cama, respirando fundo.
- Além do mais... Não é a primeira vez que ficamos sozinhos num quarto de motel. – Harry brincou.
- Ah! É diferente! Era apenas uma brincadeira. Isso aqui é sério. E é para ser aproveitado num relacionamento sério.
- Eu concordo com você. – Harry disse. – Mas não temos como sair daqui. Vamos. Deve ter alguma coisa aqui para se fazer...
-.-.-.-.-.-.-.-
- Bem - Harry disse, jogando-se na cama. –, não há mais nada para se fazer nesse quarto além de comer e trepar.
- Eu não achei que esse quarto fosse tão pervertido. Pensei que era mais romântico. – Ron murmurou, sentando na cama e jogando em cima da colcha todos os brinquedos que haviam encontrado espalhados pelo quarto. Havia coisas ali que ele nem sequer sabia como funcionava.
- Não é o quarto que é pervertido. – Harry riu, virando o corpo de lado, para poder olhar as coisas que haviam encontrado. – Ele apenas proporciona diversão aos pervertidos.
- Mas... tudo isso?
- O quê? Não conhecia brinquedos sexuais? – perguntou, ironizando. – Eu sempre achei que Malfoy era fresco, mas não a esse ponto.
- Claro que usamos alguns brinquedos! – Ron exclamou, corando profundamente. – Mas não tanta coisa assim! Por exemplo... Como isso aqui funciona? – perguntou, mostrando o que parecia ser uma cápsula muito grande de remédio.
- Ah. Esse foi lançado recentemente. Acho até que vende numa loja em Londres... – Harry disse, com um sorriso maroto. – É o "Escravinho".
- Escravinho?
- Sim. Se eu ordenar que ele "acorde", ele vai entrar em você e, por exemplo, provocar sua próstata até que eu o mande parar.
Ron arregalou os olhos, mas parecia bastante interessado.
- E esse aqui? – perguntou, apontando para um cordão com várias bolinhas de vários tamanhos.
- Não acredito que você nunca viu isso.
- Nunca.
- Malfoy não tá com nada... - Harry disse, calmamente, mesmo já estando completamente excitado. – Você enfia bolinha por bolinha, começando da pequena até a maior, deixando essa alça de fora, e depois que estiverem todas lá dentro, puxa de uma vez. É muito gostoso.
- Aposto que sim. – Ron ofegou.
- Especialmente se você estiver recebendo um oral na hora que puxar.
- Posso imaginar... – Ron murmurou. – Escuta, Harry... – disse, mais vermelho do que nunca. – Você já usou todos esses brinquedos?
- Já.
- Sempre?
- Não, não. Às vezes... Só para esquentar as coisas... – corou.
- Sei...
-.-.-.-.-.-.-.-
- Há quanto tempo estamos aqui? – Ron perguntou, deitado na cama, olhando para o teto.
Harry estava se servindo de uma xícara de chocolate quente.
- Umas duas horas.
- Só isso?
- Só.
-.-.-.-.-.-.-.-
- Mas Snape é velho! – Ron exclamou.
- Isso não quer dizer nada. Ele é muito mais flexível do que muitos dos caras com quem já dormi. – Harry disse, com certo desdém. – E se você nunca viu a maior parte daqueles brinquedos, devo dizer que, mesmo com a nossa idade, aposto que Malfoy é meio paradão.
- Ele não é paradão! – Ron reclamou. – Ele só não precisa de brinquedos para me fazer gozar!
- Sei...
-.-.-.-.-.-.-.-
- Escuta, Ron... – Harry falou, sentando no tapete, na frente do outro. – Estamos aqui há três horas, estamos entediados, excitados e ainda falta muito tempo para nos tirarem daqui.
- Sim.
- Então, vamos tirar proveito desse tempo?
- Fazendo o quê? – Ron perguntou. – Não há nada para se fazer aqui, a não ser... ahhh. – Finalmente, havia entendido. – Mas você vai ter que me mostrar como aqueles brinquedos funcionam na prática.
- Pode deixar. – Harry disse, desabotoando as calças do amigo. – Sabe como é, né? A prática leva à perfeição... Uau! Você realmente cresceu bastante. Quando éramos adolescentes, ele – disse, apontando para o pênis de Ron – não era assim.
- Você mesmo disse... A prática leva à perfeição. – Ron falou, antes de deitar no tapete, puxando Harry para si.
