Capítulo 2 – Segredos

O final de semana havia sido bem tranqüilo. Os marotos fizeram um "reconhecimento da área", olharam todo mundo, viram se as passagens estavam todas abertas, viram os professores novos e os antigos (a professora McGonagall revirara os olhos quando os vira andando pelos corredores, pelo que disse Tiago, orgulhoso), etc. Camila não os acompanhou, ficou conversando com as amigas o fim de semana todo. (Afinal, o resto do ano ela provavelmente ficaria mais com os marotos! Ela se conhecia o bastante para afirmar...)

Na segunda-feira, no primeiro dia oficial, a primeira aula fora a pior possível! Dois tempos de Poções... Camila sempre odiara Poções! As aulas que mais gostava sempre foram Transfiguração e Feitiços, mas nunca Poções! O que restava saber quem era o professor novo, depois que o professor McNishell sofrera um acidente.

- Bom dia alunos! Meu nome é Francis Dick! Serei seu novo professor de poções! - Disse ele. Era alto, cabelos negros longos com uns fios brancos, porém parecia ser jovem. Olhos castanhos grandes e amendoados. Corpo forte, sem nenhuma aparência de cansaço. Dava para perguntar se ele tinha feito algum feitiço para parecer mais velho, porque só tinha os cabelos brancos como sinal. A voz grave e jovem voltou a entoar na sala.

- Eu estudava aqui como vocês e sempre achei que o ensino de Poções precisava de algo mais... Minha casa permitia que eu achasse, já que eu pertencia a Corvinal, a casa dos de mente aguçada, mas isso não vem ao caso...

"O que ele quer? Que a gente saiba toda a vida particular dele?", perguntou Camila para Sirius, que estava sentada ao lado dela.

O olhar do professor passou por toda a sala e parou nela. Ele deu um sorrisinho e disse:

- Qual seu nome garota?

Camila estranhou por um momento, mas respondeu inexpressiva.

- Camila Ludov.

- Camila Ludov... Bonito nome...

- Obrigada. - Ela o encarava. Tinha alguma coisa naqueles olhos grandes... Algo bem estranho... Pelo menos ela achou...

- Bom... Posso saber o que conversava com seu namoradinho?

- Não é meu namorado! - Ela gritou. Havia se irritado. Há um ano, algumas pessoas falavam que ela e Sirius tinham um caso, mas um professor, ainda por cima novato, já era demais.

-Você tem o costume de gritar com os professores? - Perguntou ele calmo. Os alunos da Sonserina riram.

- Não! Só às vezes, quando eles fazem perguntas idiotas!-Respondeu ela, se levantando. Lily colocou o rosto entre as mãos, enquanto Rebeca ficava de queixo caído.

- A senhorita não acha que isso não é uma coisa para se dizer a um professor, em especial, eu? - Ele ainda estava calmo, mas a "coisa" em seus olhos crescia e Camila não sabia explicar.

- Por que o senhor é tão especial? - Perguntou ela com rispidez.

- Talvez por que eu seja um professor que você não conheça...

Camila se calou. Apenas o encarou e percebeu que a coisa em seus olhos diminuiu, sumiu, quando ele disse:

- Agora eu não lhe darei uma detenção, como eu faria normalmente, já que é o primeiro dia de aula. 10 pontos a menos para a Grifinória! Bom... Como eu ia dizendo antes de ser interrompido...

- Eu não interrompi! - Gritou ela de novo.

- Sim, a senhorita interrompeu quando disse alguma coisa ao seu nam... Amiguinho... Agora cale-se e menos 10 pontos!

- Não estou afim de ficar calada! E ele não é meu namorado! -Disse ela mais baixo. O professor a escutou, olhou para ela, mas virou-se e continuou a falar, como se nada tivesse acontecido.

Camila sentou-se e percebeu um bilhete em cima de sua mesa. Olhou para Sirius, que olhava para o bilhete. Ela abriu e leu:

"Você é doida? Se quer aprontar, espere pelo menos até a semana que vem! Lily".

Pegou a pena e respondeu no mesmo pergaminho:

"Olha aqui, Lily, eu não devo nada a esse cara! E por que esperar até a próxima semana? Pra quê deixar pra amanhã o que se pode fazer hoje?". Sirius riu. Ela passou o bilhete para Lily, que suspirou e guardou o pergaminho.

- Estão dispensados... - Disse o professor, assim que a sineta tocou.

Camila foi uma das primeiras a sair, jogou tudo dentro da mochila e correu para fora da sala, esperando os outros perto da escada.

- O que foi aquilo? - Perguntou Remo.

- Aquele professor é um otário! - Disse ela, com raiva.

- E essa raiva toda é por que...? - Perguntou Rebeca.

- Sei lá! Ele é muito estranho!

- Eu sou estranho e nem por isso você me odeia! - Brincou Tiago.

- Ah, Tiago! - Ela ainda estava estressada. Subiu as escadas, seguida pelos outros para a próxima aula.

- Finalmente! - Disse Sirius, sentando na poltrona que estivera na noite anterior.

- Primeiro dia de aula é horrível! - Comentou Camila.

- Não acho... - Disse Lily.

-Você nunca acha uma aula chata Lily, nem que seja só apresentação dos professores novos!

- E você ainda tá pensando no idiota do professor Dick! Esquece, Camila! - Disse Tiago, sentando no sofá ao lado dela enquanto Pettigrew subia.

- Não estava pensando naquilo!

- Ah, estava sim! - Disse Rebeca.

- Não estava! - Gritou, fazendo todos a olharem.

- Já que você diz... Eu vou subir! - Disse Lily, cansada. Subiu, puxando Rebeca com ela.

- Você tá mesmo estressada, Mila? - Perguntou Remo.

- Não... - Respondeu ela, meio sem certeza do que dizia. A verdade é que estava tentando descobrir o que era aquele brilho nos olhos do professor novo.

- É melhor a gente subir... - Disse Remo, olhando pela janela. Tiago e Sirius olharam também. Tiago subiu sem dizer nada, junto com Remo, mas antes de Sirius subir, Camila chamou:

- Sirius!

- O que foi?

- Por que vocês vão subir agora?

- Coisa de maroto! - Disse ele, virando de costas para não ter que enfrentar a garota.

Ela não estava muito afim de descobrir o segredo dos Marotos, já que todos os meses eles faziam isso e nunca a deixavam ir. Ela foi para uma varanda secreta do Salão Comunal, que ela havia descoberto sozinha. Era linda. A varanda era toda de mármore castanho, com roseiras que a rodeavam toda. A luz vinha de duas tochas ao lado da entrada. A vista dava para o lago, onde as estrelas ficavam refletindo, junto com a lua, e as montanhas ao longe, que sempre estavam cobertas de neblina, mesmo nos dias mais ensolarados.

Ela foi até o parapeito e se apoiou nele, olhando para o lago. "O que aquele cara tem?". Não conseguia parar de pensar nisso. "Será que só eu vi? Eu devia ter perguntado pro Sirius se ele percebeu alguma coisa estranha naquele professor!". Ela pegou uma rosa, tomando cuidado para não se espetar. "Ele parece um... Sei lá! Tem um olhar estranho demais para o meu gosto!". Ela cheirou a rosa. "Eles têm razão, eu ainda estou estressada, mas aquele cara me irrita, o que eu posso fazer?". Ficou mexendo na rosa e olhando para as estrelas pingadas no lago. "Eu acho que sou eu quem tô ficando maluca!". Ela puxou uma poltrona super confortável que tinha, de chintz, e sentou-se, com os braços cruzados no parapeito e a cabeça apoiada neles. "Mas... Será que os garotos vão demorar a chegar?". Sem perceber, adormeceu encostada na poltrona.

- Como é que a gente vai levar ela pra lá?

- Não sei... A gente não pode subir...

- Por que a gente não tenta acordar?

- Já me acordaram... - Disse ela. Na sua frente estavam dois elfos domésticos.

- A senhorita está bem?-Perguntou uma elfa de olhos puxados, porém enormes, vestida com um pedaço de pano amarrado na cintura, formando mais ou menos uma saia colorida e suja.

- Não tínhamos a intenção de acordar a senhorita! - Desculpou-se um elfo de olhos não tão grandes e bem negros, com as orelhas curvas, vestido com uma espécie de túnica suja de gordura.

- Não, tudo bem! Eu vou para o dormitório, não foi culpa de vocês... Eu que não deveria ter dormido aqui, não é?

- Se a senhorita acha que está correta, então eu também acho... - Respondeu a elfa.

Camila parou e se virou.

- Qual o nome de vocês?

- A senhorita deseja saber o nosso nome? - Perguntou o elfo, como se surpreso.

- Por quê a surpresa? - Ela estranhou.

- Ninguém nunca nos perguntou nossos nomes... Só o mestre Dumbledore! - Respondeu o elfo.

- Mas... Quais são seus nomes?

- Kit... - Respondeu a elfa de cabeça baixa.

- Nel... - –Respondeu o elfo, também de cabeça baixa.

- Bom... Eu vou subir, obrigada por me acordarem, está bem? Vocês querem alguma coisa que eu possa conseguir em troca? - Camila perguntou aos elfos. Sempre tivera pena do tipo de escravidão que eles sofriam.

- Ah, não, minha senhora! Não, não queremos nada! - Respondeu a elfa, nervosa.

- Bom... Vocês dizem isso sempre ou realmente não querem nada?

- Não queremos nada! - Respondeu a elfa novamente, bem rápida.

- Então eu vou subir... - Estava quase amanhecendo e, com certeza, Camila não iria dormir mais, porém ficar lá em baixo não iria adiantar em nada. Nesse momento, o quadro da mulher gorda girou e entraram os marotos. Pettigrew emburrou logo o rosto, mas Sirius, Tiago e Remo ficaram surpresos de ver Camila acordada, ainda mais com dois elfos.

- Mila, o que está fazendo aqui? - Perguntou Tiago.

- Eu adormeci aqui... Acordei agora com Kit e Nel... Por quê?

- Nada! - Respondeu Remo rápido.

Camila se abaixou e disse para os elfos sem que os marotos escutassem:

- Vocês já terminaram seu serviço aqui?

Eles confirmaram com a cabeça.

- Então vocês já podem ir?

Eles obedeceram, e sumiram, aparataram. Ela se levantou e encarou os garotos.

- E por que vocês só chegaram há essa hora?

- A gente perdeu a noção do tempo... - Disse Tiago, tentando escapar.

- Vocês saíram de noite, só chegam quase de manhã e perderam a noção do tempo?

- A gente tava dentro do castelo e não viu que tinha clareado, por que as janelas estavam fechadas, quando a gente se deu conta, a gente voltou! - Respondeu Sirius. Camila o encarou. Sabia que ele detestava que ela o encarasse, porém ele adorava encará-la.

- Você está mentindo, Sirius!

- Não estou! E como você sabe se eu estou mentindo ou não?

- Você é um mestre na arte de mentir e omitir, mas comigo não funciona, eu sou tão boa quanto você, sei que está mentindo, você pode mentir pra qualquer um, ou melhor, qualquer uma, mas não pra mim! Mas não é da minha conta, não é mesmo? Não faço parte dos Marotos, afinal, falta alguma coisa em mim... - Ela sorriu marotamente. Ela estava se referindo a conversa dos dois da noite passada. Ele também sorriu e entendeu o recado. - Bem... Bom dia pra vocês! - Ela subiu e entrou no dormitório.

- Eu não consigo entender essa garota! O que ela quis dizer com aquilo? - Perguntou Tiago, se jogando na poltrona.

- E você já conseguiu entender alguma garota na sua vida, Pontas? - Perguntou Remo.

- Bom... É um caso a se pensar... - Ele fez cara de pensativo.

- Você nunca vai conseguir entendê-la! - Disse Sirius.

- E o Sr. Black entende? - Perguntou Tiago, cínico.

- Claro que sim! Ela é minha melhor amiga, não é?

- Hum... Duvido muito que isso daí é só amizade! - Disse Tiago, sorrindo maliciosamente.

- Pois pode ficar tranqüilo que é, Sr. Potter! - Respondeu Sirius, mas não sorriu.

- Vamos combinar uma coisa, Mila é linda, inteligente e te dá mole, e você não fez nada? Você tá amolecendo, Almofadinhas! - Disse Tiago.

- Almofadinhas não tem mal gosto, Pontas! - Disse Pettigrew.

- Rabicho, quando o assunto é sobre garotas, você não entende! Vai dizer que Camila Ludov não é bonita? - Perguntou Tiago.

- Isso não faz diferença pra mim! - Respondeu Pettigrew, subindo as escadas para o dormitório masculino, raivoso.

- Uuuh! O ratinho se estressou! - Sussurrou Sirius quando Pettigrew subiu.

O relógio marcou quatro horas e o pendulo bateu, chamando a atenção dos garotos.

Melhor a gente subir... - Disse Remo, se levantando.

Fim do capítulo

XxXxXxXxXxXxXxXxXxX N/A xXxXxXxXxXxXxXxXxX

Bom... Sobre o capítulo eu não tenho muito o que falar... Só espero que alguém leia e goste... '

Mil beijos pra todas as pessoas que mandaram reviews, elas são muito importantes... Espero que ainda cheguem mais...

Eu não ia postar hoje... Ia postar depois, mas eu não resisti... '

Vou indo... Milhões de beijos!