Capítulo 28 – Atrás dos olhos teus

-Não acredito que já passou todo esse tempo!

-Por que o espanto Carol?

-Ora Remo! Pra mim o tempo passou voando! Não faz tanto tempo assim que eu cheguei!

-Um ano e poucos meses...

-Você já parou pra pensar no que aconteceu nesse tempo?

-Hum... -Fez Remo. Por um momento quis apenas sentir a brisa batendo em seu rosto. Ele e Carol estavam sentados em baixo de um grande carvalho no jardim, enquanto Sirius, Tiago e Pedro cumpriam uma detenção por terem enfeitiçado o Snape e Camila, Rebeca, Lily e Mel estavam em Hogsmead.

-Incrível não é? Aqui em Hogwarts é tão diferente de Beauxbatons e mil vezes melhor!

-Você gostou mesmo daqui não foi?

-Amei esse colégio! Aqui eu me encontrei!-Ela o olhou e sorriu. Logo depois sua atenção foi atraída para o lago.

-Por que a Mila tá aqui...?-Perguntou ele, a olhando pelo canto dos olhos.

-Não! Aqui eu descobri em quem eu realmente posso confiar! Como você!

-Como eu?

-Remo! Não me diga que você não percebeu que desde que eu entrei em Hogwarts nós sempre estivemos juntos!

-Claro que percebi! Você sabe que pode confiar em mim!

-Você é um amigo incrível! Incrível mesmo!

-Eu nunca achei que conseguisse ter uma melhor amiga como a Mila é pro Sirius!

-Eles sempre me espantaram, sabia?

-O quê?

-A amizade dos dois! Afinal, quando Sirius foi lá pra casa, em Paris, ele dava em cima de qualquer ser feminino que passasse na sua frente, ou quem sabe passasse do seu lado, mas com a Mila é só amizade mesmo! Não me parece muito o estilo dele ter uma amiga como ela!

-E o pior é que não é! Quando a Mila começou mesmo a falar com a gente, eu podia apostar e tinha certeza que ganhava que o Sirius ia pedir pra sair com ela. Mas eu acho que o fato da Mila ter começado a falar mesmo com ele e com o Tiago quando eles foram invadir a sala da professora McGonagall, e ela se ofereceu pra ir junto, mexeu com ele.

-Mila sempre foi meio revoltada!

-Diferente de você!

-Remo, você sabe que eu sou adotada. Isso com certeza devem influir na personalidade de alguém não?

-Provavelmente. Por que você não foi pra Hogsmead hoje hein?

-É... Não estava com vontade...

Remo a olhou como se duvidasse e ela continuou rindo:

-Sério. E você, por que não foi?

Ele não podia dizer que não iria porque essa noite seria lua cheia novamente. Não podia dizer isso pra ela!

-Hum... Prometi aos marotos que estaria aqui!

-Ah... Sei... Vão fazer alguma coisa depois é?-Perguntou ela, encarando-o com seus olhos azuis.

-Bom... Sim...

Ela disse algum como um "ahn..." conformado.

-Tiago me contou uma vez de uma Roxane Niparts... Não sabia que você era que nem eles Remo!

-Eu não sou como eles! Eles se aproveitam das garotas! E eu só saio com as pessoas que eu realmente gosto! Eu estava querendo namorar a Amélia, mas aí a Roxane apareceu... E embaralhou minha vida inteira! Foi melhor ainda porque eu descobri que não gostava de nenhuma das duas na realidade.

-Eu não acho que os meninos se aproveitam das garotas. -Disse Carol, tranquilamente enquanto prendia o cabelo.

-Tá louca?-Perguntou ele, rindo, ao escutar aquilo.

-Nada disso! Eu acho que elas que se aproveitam deles! Elas que se sentem orgulhosas de dizer que já saíram com algum dos marotos, não eles que saíram com mais uma garota.

Remo pensou por um instante, e depois começou a rir, seguido por ela.

-Eu acho que, no fundo, você tem razão!

-Obrigada!

-Não agradeça. Você sempre tem razão!

Tudo pode estar melhor do que eu quis

Mas sempre surge algo pra estragar

Se tenho que ir, não dá pra impedir

-Remo, eu posso te perguntar uma coisa?

-Claro que pode! Não precisa pedir.

-Você, na realidade, não gosta de namorar não é?

-O que você quer dizer com isso?-Perguntou ele, se virando para ela que não fez o mesmo. Continuou olhando o céu, só que agora com um leve sorriso no rosto.

-Eu quero dizer que, se você realmente quisesse namorar Amélia Bones, você teria namorado.

Ele continuou sem entender, e quando ela percebeu isso, virou-se para ele e disse sorrindo:

-Eu sei de tudo Remo. Amélia me disse e eu tenho certeza de que foi isso que realmente aconteceu.

E a expressão dele se tornou límpida como água. Não havia dúvidas. E ela continuou.

-Amélia me disse que depois daquele... Baile... Ela queria realmente alguma coisa com você e, o que não é muito comum, ela pediu pra namorar com você no dia seguinte. Você ficou retardando a resposta.

-Sim, mas...

Ela o interrompeu:

-Só posso supor que você deu uns... Como se diz? Sim, deu uns amassos em Roxane propositalmente, para Amélia te deixar, não foi?

-Por que toda essa investigação na minha vida?

De repente, ela corou.

-Não, bom, é que eu...

-Se você quer mesmo saber, é verdade mesmo, eu gostava da Amélia, mas eu não queria namorá-la. Por isso a Roxy... Mas, responde...

Ela o olhou dentro dos olhos e abriu a boca para falar alguma coisa, mas logo em seguida fechou e desviou o olhar dele.

-Carol... Por favor... -Ele tocou em seu rosto, forçando-a a olhá-lo.

Ela corou mais um pouco.

-Dieu! Isso não é coisa que se pergunte a mim... –Reclamou ela, virando novamente o rosto para o lago.

-Nesse tempo eu aprendi isso... E aprendi a ver a resposta nos seus olhos...

Se eu já tentei

Eu não sei se isso pode se chamar azar

Então, diga o que é

Diga de que serve o mundo sem você?

O céu sem estrelas

Nada, inútil é viver.

Ele se aproximou dela. Não foi uma coisa rápida, ao contrário. Ele tocava no rosto dela suavemente, e o aproximava aos poucos do seu. Por sua vez, ela fechou os olhos e apenas sentia o cheiro do perfume dele. A poucos centímetros de distância, eles ficaram parados, sentindo a respiração um do outro, como se pensassem na melhor forma de demonstrar tudo o que estavam sentindo naquele momento. Queria mostrar tudo o que sentiam. O jardim vazio cedia toda a atenção para os dois embaixo do carvalho. Sem perceber, Carol começou a acariciar o pescoço dele e ele sentiu sua mão escorregar pela cintura dela. Duravam séculos. Poderiam durar séculos. Não se importariam se estivessem um com o outro. Quando finalmente os lábios se tocaram delicadamente, ela se afastou.

-Eu não vou...

Ele não respondeu, apenas a olhava como se a visse pela última vez.

-Eu não posso...

-Carol, nós...

-Não tem nós Remo... Se nós nos beijássemos agora, não iria passar de um beijo.

-Seria mil vezes mais importante que um beijo. Seria um começo!

-Deveria ser um começo! Mas o começo de quê? Provavelmente você iria fugir como fez com Amélia. Eu não quero isso Remo! Não quero que você fuja de mim!

-Já faz muito tempo a minha história com a Amélia! E eu nunca fugiria de você!

-Eu sei que fugiria! Você foge de qualquer pessoa que se aproxima de você! Eu já vi isso...

-... Esse tempo...

-Ele foi suficiente apenas para ver o Remo Lupin que eu vejo agora. O que eu sinto por ele agora. Mas nem todo o tempo do mundo vai ser possível para te conhecer de verdade.

-Você nunca gostaria de me conhecer por completo!

-Por que não tenta? -Disse ela, virando o rosto dele para ela do mesmo jeito que ele fez.

-Você ficaria com medo de mim...

Ela estranhou. Com certeza ele não tinha noção do que havia dito naquele momento.

-O que você...?

-Carol, eu juro, eu gosto muito de você! Nesse tempo, nós nos aproximamos demais, e isso só fez aumentar o que eu já sentia por você, mas eu acho que é melhor nós...

-Não me venha com essa história de nós nos afastarmos! -Os olhos dela começavam a ficar mareados de lágrimas.

-Mas...

-Vai falar ou não?

Ele já tinha percebido. Ela não tem, e nunca teria a força da irmã. Ela se fazia de forte, mas na verdade, não era.

-Carol, entenda...

-Eu cheguei realmente a acreditar quando você disse que gostava de mim!

-Eu amo você!

-Cale a boca! Você não sabe o que é amar!

-Tanto sei que estou dizendo isso agora! É pro seu bem!

-E quem disse que o meu bem é isso? Eu decido o que é bom pra mim, ok?

-Não, não é!

-Remo, por favor!-Pediu ela, como se fosse sua última súplica.

-Carol, eu... Eu sou um... Lob... -Ele não pôde nem terminar a frase. Ela soltou um gritinho baixo e levou a mão à boca. Via-se nos olhos dela que ela estava apavorada só com a idéia.

Ele não pensou duas vezes. Remo Lupin não demorou a se levantar e a caminhar de volta para o castelo, deixando-a sozinha lá, chorando.

Quando o teu sonho chegar (teu sonho chegar)

Todo sonho bom que você tiver (bom que você tiver)

Saiba que serei eu que estarei projetando

Atrás dos olhos teus.

-Carol! Carol o que houve?

Ela não se importava com mais nada.

-Me deixa Gerard!-Berrou ela.

-Foi aquele Lupin, que estava aqui com você?

-Não te interessa!

-Carol, se...

-Não finja que se importa comigo Gerard! Você só está aqui para depois dizer ao meu pai que eu estou chorando!

Ele ficou com uma expressão impenetrável no rosto.

-Não...

-Não importa o que você diga, eu sei que é isso!-Ela se levantou com raiva desviando-se do loiro e correndo para o salão comunal da Grifinória. Sinceramente, esperava que Remo estivesse lá.

Chegou correndo, passando por vários alunos espantados com a reação da garota.

-O que houve querida? -Perguntou a mulher gorda, sendo simpática.

Carol não respondeu, apenas murmurou a senha. A mulher gorda não fez objeções e girou para dar passagem a ela, que apenas entrou em passos tímidos.

Os olhares se encontraram. Os olhos castanhos dele, próximos à janela, e os azuis dela, molhados de lágrimas. Não pôde fazer mais nada. Carol Ludov correu para os braços de Remo Lupin.

-Eu juro Remo! Eu não me importo!

-Mas eu sim! Eu vi! Você ficou com medo!

-Posso até ter medo, mas me dá mais medo te perder! Não quero que você escorregue das minhas mãos!

Ele enxugou suas lágrimas, dizendo:

-Não, Carol, por favor, não chora! Eu estou aqui com você, não estou?

Ela ficou calada, deixando suas lágrimas cessarem aos poucos, quando ele continuou:

-Eu só não quero que você se machuque! Eu te amo demais pra te perder!

Diga de que serve o mundo sem você?

O céu sem estrelas

Nada, inútil é viver

-Você nunca vai me perder! Nunca!-Ela o abraçou.

Foi instantâneo. Foi instintivo. Não demoraram. Os lábios dos dois estavam ávidos pelo outro. Não adiantava esperar. Aconteceria mais cedo ou mais tarde. Pouco importava que todos estivessem vendo tudo desde que ela entrou na torre. Nada importava!

Diga de que serve o mundo sem você

O céu sem estrelas

Nada, inútil é viver, viver

Viver, viver... Atrás dos olhos teus.

-Ora, ora, o que temos aqui!-Uma voz conhecida chamou sua atenção.

-Sirius, cala a boca!-Disse uma voz feminina.

-Mila! É sua irmã! Você vai deixar ela ser molestada por esse garotinho malvado?

Realmente, não se importavam. Os dois ainda se beijavam avidamente.

-E daí que é minha irmã? Isso daí já tava pra acontecer a muito tempo!

-Pra ser bem sincero, eu já estava achando que o Aluado era um caso perdido dos marotos depois de Amélia Bones!-Disse Tiago.

-Vocês não poderiam ser menos barulhentos não? -Remo dissera aquilo. Haviam acabado o beijo por um instante, mas ainda se encaravam. Felicidade brotava dos seus olhos.

-Por que pararam? Falta de ar?-Perguntou Tiago, irônico.

-Relaxa Pontas! Pode até ser falta de ar, mas com falta de beijo Carol não fica!-Completou Sirius sorrindo marotamente-Ele é nosso aprendiz! Será que depois de tanto tempo perdido ele não aprendeu nada?

-É verdade! Bem lembrado Almofadinhas!

Remou puxou Carol para fora da sala comunal e a última coisa que ouviram foi Lily reclamando:

-Vocês nunca beijaram não foi?

E a resposta de Tiago:

-Não, me mostra como é?

Fim do capítulo


Música: Atrás dos olhos teus – Fresno.

Eu não gosto de Fresno, sério! Mas essa música... Bom, achei que essa música tinha a ver com os dois.

Não vou citar nomes, mas a pessoa vai saber! Essa pessoa pode ficar chateada comigo, ou com muita raiva, ou com ódio, ou com muito mais depois desse capítulo. Mas, bom... A Carol e o Remo... A culpa não é exatamente minha se ela tem meu nome... Eu tive certos motivos pra fazer isso, então... Bom, eu não quero falar sobre isso, ok?

Desculpa a demora, really!

Mas é que como ninguém mais manda reviews pra cá, eu me desanimo totalmente. Faz três meses que quero escrever toi e não consigo. Por quê? A inspiração se foi junto com as reviews!

Beijos, e se alguém ler, não esqueça de me mandar reviews, ok: