Capítulo 30 – Francis Dick
-O que acontece quando uma pessoa sofre o beijo do dementador?
Camila estava distraída conversando com Sirius, mas escutou o que o professor disse e levantou a mão para responder. Talvez mais por vontade de mostrar que não era incompetente, do que por querer expor seus conhecimentos.
O professor de espantou um pouco ao perceber quem havia levantado a mão, e disse:
-Ludov? Responda...
-O beijo do dementador é algo considerado pior que a morte, pois o dementador rouba a alma da pessoa. Ela se torna apenas um corpo vagando pelo mundo, um corpo sem alma. Mas, se me permite, professor Dick, os dementadores são criaturas incrivelmente intrigantes, já que muitos filósofos, como Platão e Aristóteles, acreditam que a alma dá a vida, e algo sem alma é algo morto.
-Filósofos trouxas não têm conhecimento do mundo mágico.
Alguns alunos soltaram risadinhas.
-Assim como todos os outros trouxas, professor, mas não há nenhuma prova de que eles não fossem bruxos...
-Não há o que contestar Srta Ludov.
-Desculpe se o sr. não aceita novas teorias... -Disse ela, baixo, mas ele escutou.
-Detenção... Hum... Hoje à noite!
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-Eu não acredito que ele me deu uma detenção por que eu disse algo que ele não sabia! -Camila reclamava. Dentro de meia hora ela teria de ir para a detenção com o Dick. E, segundo ele, seria algo rápido dessa vez.
-Bom, de qualquer forma, vamos ficar acordados até você chegar.-Disse Sirius.
-Por quê? -Perguntou Pedro Pettigrew, depois de engolir o último pedaço de queijo que trouxera do salão principal, enquanto jantavam.
-Porque o Dick estava muito estranho hoje! Vocês não perceberam? -Disse Sirius, olhando cada um dos marotos. Todos tinham uma expressão curiosa, até Camila não sabia do que Sirius estava falando. E ele explicou:
-Quando eu mandei meu patrono atacar o Malfoy hoje, ele apenas tirou pontos da Grifinória! Qualquer professor me daria uma detenção!
Os marotos todos se entreolharam. Camila ainda não achava muito diferente...
-Suspeito... -Murmurou Remo, sarcasticamente pensativo.
-Pensando bem Remo, faz sentido, sim! O Dick sempre se esforçou ao máximo para nos dar detenções. Ele pode está preocupado com alguma coisa, ele pode ter algo para fazer que está tomando a atenção dele. –Concluiu Camila. A hipótese não era realmente absurda.
-Mas, depois de tanto tempo com os dois tendo detenções, isso não seria estranho para ele! -Disse Tiago.
-Mesmo assim, alguém aqui confia no Dick? -Perguntou Sirius.
Todos se entreolharam novamente.
-Então está óbvio que vamos ficar acordados até Mila voltar?
Pedro bufou quando ouviu Sirius dizer aquilo, mas os outros dois marotos concordaram em silêncio.
Ficaram conversando, mas o peso da dúvida do que Dick pretendia, ainda pesava na mente de cada um. Quando deu a hora, Camila respirou aflita. A dúvida se Dick faria alguma coisa ou não havia lhe invadido a cabeça. Levantou-se calma e disse:
-Já vou!
-A gente vai olhar o mapa de vez em quando, ok? -Disse Tiago.
Camila concordou com a cabeça e saiu, a passos pesados.
Não demorou muito de quando saiu, encontrou com Filch.
-O que faz aqui fora, mocinha? -Disse ele, rispidamente patético, com a gata em seus pés, olhando Camila com os olhos âmbar.
-Detenção, com o... Professor Dick.
-Hum... Eu vou com você! Saber se é verdade!
-Se quer ir lá, vamos...
Com Filch nos seus calcanhares, Camila apressava o passo. Talvez, na esperança de o velho ter um ataque cardíaco por andar rápido, mas sabia que não teria.
Quando chegaram a frente do escritório de Francis Dick, e o próprio Filch bateu na porta de carvalho.
O professor abriu a porta, e estranhou que Filch estivesse com Camila.
-Professor, o Sr. marcou alguma detenção com a Ludov? -Perguntou o velho, segurando com força o braço de Camila. Ela olhou com raiva para ele e puxou seu braço de volta.
-Marquei sim Argo! Não tem o que se preocupar! Aliás, chegou na hora Srta Ludov... -Disse o professor, segurando o outro braço dela e a puxando para dentro da sua sala, fechando a porta na cara de Argo Filch.
Assim que ele fechou a porta, Camila puxou seu braço de volta novamente. Era incrível como esses homens têm mania de machucar os braços das garotas...
-O que vou ter que fazer? -Perguntou ela, fria.
-Me dar uma aula de filosofia trouxa. Gosta da idéia?
-Nem um pouco.
-Você deveria deixar de ser tão sincera Camila.
-Não lhe dei liberdade para me chamar pelo primeiro nome, Professor Dick. -Disse ela, que havia estranhado que ele havia lhe chamado daquela forma, mas não deixando sua curiosidade transparecer.
-Ok, Srta Ludov... -Disse ele, se virando para sua mesa e colocando algo num copo. Logo se virou, com uma taça contendo de uísque de fogo.
-O que eu vou ter que fazer professor?
-Nada, por enquanto... Gosta de uísque de fogo?
-Não aceito nada de alguém que já foi um professor de poções!
-O mundo bruxo preza bastante a educação. -Disse ele, numa indireta para ela aceitar a bebida.
-Eu não bebo álcool. -Disse ela. E, em parte, era verdade. Da última (e única) vez que bebeu uísque de fogo, quase passou mal.
-É uma pena... -Disse o professor, bebendo tudo num gole só.
Camila estava achando tudo muito estranho. O professor a olhava de um jeito estranho. A "coisa" dos olhos dele, voltava depois de bons tempos sumida.
-Han... Professor, eu vou ficar aqui parada?
-Não, não vai! -Ele puxou a varinha. Algo envolveu Camila e a puxou até o professor. Por mais que assustasse, a sensação de ser levada parecia não causar tanto impacto. Parecia entorpecer.
-Professor...
-Ah! Camila Ludov! Não sabe o quanto esperei para uma detenção em que você viesse sozinha! Desde o ser quarto ano que eu planejo isso... -Ele pegou seus braços. Os olhos dela estavam semicerrados.
-O Sr. me enfeitiçou...
-Sim, é claro! Que garotinha esperta, não? -Ele falava isso bem perto de seu rosto, segurando fortemente seu braço. Camila tinha o cérebro a mil, mas não conseguia fazer praticamente nada. Porém, tinha medo do que ele poderia fazer com ela naquele estado.
-Ah! Você não sabe o quanto sofri pra conseguir descobrir tudo sobre você... Bom, não tudo, mas o que me interessava...
-Por quê? -Foi o que Camila conseguiu dizer. O professor largou seu braço e ela desabou na cadeira.
-Por quê? Não é óbvio? Porque você é meu desafio! Dois anos como professor de poções me proporcionou muitas coisas, Camila! E uma delas foi, bastante poção polissuco para eu ser quem eu quiser! Em especial, uma pessoa muito amiga do seu pai...
Camila, por um tempo, não entendeu o 1 + 1.
-O pai do Gerard? -Disse ela, ao se lembrar que Rebeca tinha dito que o namorado estava um tanto preocupado com o pai.
-Mas é claro! Eu pude extrair informações valiosas do seu pai, e as passei para ele.
-Quem é ele?
-O Lord das trevas! Fizemos uma troca! Eu passava informações sobre a França para ele, e, em troca, teria você!
Camila percebeu o que estava na sua frente desde que viu o professor pela primeira vez. O que havia nos seus olhos, era pura loucura. Ele era tão louco quanto a natureza permitia a um ser humano!
-E o que quer de mim?
-Achei que você fosse mais inteligente. Mas, pelo visto, os filósofos não lhe ensinaram nada! -Ele levantou Camila pelos braços e já ia beijá-la. Tomou seus lábios ferozmente e passou uma de suas mãos por dentro de sua blusa.
De repente, Camila saiu do transe e empurrou o professor contra a parede. Puxou imediatamente a varinha e apontou para ele.
-Um criminoso e um pedófilo! Eu não poderia esperar mais de alguém do seu nível! -Disse ela, furiosa.
-Abaixe essa varinha, eu ainda sou um professor!
-E?
-Você não pode me atacar!
-Veremos!
-O Lord das trevas já tem as informações! O seu querido país já deve estar arruinado, e seus pais... Mortos!
Uma onda de terror cegou Camila. O professor poderia se aproximar que ela não faria nada. Pensava apenas nos seus pais. Eles simplesmente não poderiam estar mortos.
Agora, ela tremia dos pés à cabeça quando o professor a tomou pela capa. Mas ela puxou e a capa se rasgou nas mãos de Dick.
Novamente, ele a puxou pela blusa, e os botões estouraram.
-Não me toque seu vagabundo!
-Cale essa boca e venha cá! -Ele puxou a varinha da mão dela e a atirou para o lado.
-Sai daqui! -Gritou mais uma vez, correndo para a porta, mas ela estava trancada com magia.
Com Dick em seu encalço, saiu correndo da porta para um canto da parede, onde ela, burramente, ficou encurralada.
-Você não me escapa mais! -Gritou ele.
Camila se encolhia na parede, quando um enorme barulho invadiu a sala. A porta fora arrancada e saíra voando longe.
-Sai daí Dick!
-Black! Eu já deveria esperar!
-Eu mandei sair daí!
-Você e que exército? –Zombou o professor.
-Somos três contra um, professor. Uma varinha contra três! O que escolhe? -Disse Tiago, saindo de trás de Sirius com Remo.
-Escolho a minha! -Ele não murmurou nenhum feitiço contra os garotos, mas eles foram mais rápidos. E Dick fora estuporado três vezes.
Ao se ver livre, Camila se levantou calmamente e pegou sua varinha no chão. Ao caminhar lentamente até os marotos, falou:
-Como posso agradecer a vocês?
-E quem disse que precisa? Ele tava merecendo!-Disse Tiago, que foi abraçado por ela.
-Vocês foram demais! Ele me enfeitiçou e tudo mais... -Ela abraçou Remo.
-Você vai dizer ao Dumbledore, não vai? -Perguntou Remo, ainda abraçado a ela.
-Eu não sei... Ele é um comensal da morte... Mas isso aqui é uma briga de quatro contra um, isso é, se vocês estiverem comigo!
-Com você sempre! -Disse Sirius.
Camila não se conteve e pulou no pescoço do maroto. Se não fosse por ele, sabe-se lá o que o Dick teria feito com ela.
-Graças a você Sirius! -Disse ela, ao ouvido do maroto.
-É sempre um prazer mademoiselle. -Sirius sorria.
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-Sirius, será que poderíamos sair? -Disse ela, ao seu ouvido logo que ela e os três marotos chegaram à sala comunal.
-Pra onde?
-Não sei... Hogsmead, quem sabe...
-Nesses tempos perigosos? Mas é claro!
-Bom, eu não tinha pensado nisso...
-E olha que você tava numa sala com um comensal!
-Precisa lembrar? -Ela havia contado tudo o que acontecera, palavra por palavra, do que acontecera dentro daquela sala.
-Vamos sim! Mas pela passagem da casa dos gritos.
-Por mim não tem problema... Desde que a gente vá...
-Pontas, você empresta a sua capa?
Tiago, que estava sentado verificando o mapa do maroto junto com Pedro e Remo (Pedro havia ficado por "prevenção"), que quase se assustou ao ver Sirius falando com ele.
-Aonde vamos? -Perguntou ele, estranhando.
-Não tem vamos! Quem vai somos eu e Mila!
-Claro que eu empresto, mas... Eu acho que você vai ter que trocar de blusa, Mila!
Ela olhou para o próprio corpo. Pouquíssimos botões ainda sobraram na blusa, quando Dick a puxou. De modo, que metade dela estava aberta. Camila abotoou o casaco por cima, envergonhada.
-Eu vou lá pegar a capa... -Disse Sirius. Em instantes, voltou com a capa da invisibilidade nas mãos. Puxou o mapa dos outros três marotos e disse para Camila:
-Vamos?
