O ULTIMO SAMURAI

Fic Yaoi

"O amor nos torna fracos?"

Universo Alternativo

Casal principal: Duo e Heero

Gênero: Aventura / Drama/ Romance

Sinopse: Heero é o líder de um poderoso exército de samurais que luta contra a ocidentalização de seu país. Ao interceptar um comboio de mercadorias estrangeiras, os soldados de seu exercito poupam a vida de alguns escravos, dentre eles, um americano chamado Duo Maxwell, que vira a vida de Heero de cabeça para baixo, despertando novos sentimentos dentro do líder samurai e tornando este vulnerável no campo de batalha...

Avisos: Sei que muita coisa que eu escrevi aqui neste capitulo não tem muito haver com a cultura japonesa, desculpem-me, mas está é só uma fic, ou seja, uma idéia fantasiosa saída da cabeça de uma maluca.

Agradecimentos: A Blanxe por revisar esse capitulo e ficar me apressando e atazanando pelo msn pra que eu terminasse esse capitulo, acreditem se não fosse a pressão da Blanxita esse capitulo não teria saído, valeu B. \o/

Antes de começar gostaria de agradecer a todos que postaram review, é muito bom ler os incentivos de vocês. Obrigado especial a Polarres ,A.S.N.S.H, Tina-Chan 0, Bellonishi e Kiara Salkys, Azmaria-chan, Yume e Blanxe. Desculpe se esqueci alguém.

Vários fatos, personagens e locais são frutos dos delírios da autora.

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Capitulo 4: Beijo

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Heero acordou quando os primeiros raios de sol começaram a arde-lhe os olhos. Não sabia que horas eram, mas com certeza já era tarde. Nunca tinha dormido tanto assim, acordou assustado e só então notou que aquele peso agradável, que havia passado recostado a noite inteira sobre seu peito, já não estava mais lá.

Levantou-se abruptamente e pensou em ir atrás do estrangeiro de olhos ametistas, mas parou. Talvez fosse melhor assim, não encarar o garoto escravo depois de passarem a noite abraçados. Não saberia como se explicar, não sabia nem mesmo dizer para si próprio, porque tinha agido assim. Não seria fácil encarar o objeto de seu afeto sem sentir vontade de abraçá-lo, de tocá-lo… Aquilo parecia loucura. Heero não queria admitir, nem mesmo pra si, não podia estar acontecendo, era ridículo, mas agora o japonês tinha certeza de que estava se apaixonando pelo escravo. Isso o estava tornando fraco?

Heero deixou sua tenda para verificar o estrago que o temporal da noite passada havia causado ao acampamento, mas a cada parte do lugar que o japonês inspecionava, seus olhos buscavam avidamente por um certo estrangeiro meio desengonçado e com uma trança enorme. Mesmo que inconscientemente, Heero não conseguia deixar de pensar nele.

Heero inspecionou cada parte do acampamento, mas suas intenções não eram apenas inspecionar o acampamento e sim encontrá-lo, estava agindo como um idiota e sabia disso, mas não podia evitar, era mais forte que ele. Parou de questionar os seus pensamentos e até mesmo se esqueceu de respirar quando o viu. Duo estava às margens do pequeno riacho que passava atrás do acampamento. Ele e as outras duas estrangeiras lavavam alguns lençóis no riacho. Precisou se apoiar em alguma coisa para não desfalecer ante aquela imagem. Buscou estabilidade no tronco de uma árvore, que ele nem mesmo havia percebido que estava ali.

Duo estava com sua trança um pouco desfeita e alguns fios dourados, que se separaram da trança, caiam por sobre seus ombros. As roupas que ele vestia estavam um pouco molhadas pelo esforço que fazia para lavar os lençóis e isso as deixavam um pouco transparentes.

-Lindo... – Heero sussurrou, sem nem mesmo perceber que seus lábios haviam se movido.

Duo parecia um anjo e a visão daquele anjo deixou o coração de Heero bater descompassado. Como alguém podia causar esse tipo de reação em um guerreiro que nem mesmo temia a morte? Como aquele anjo era capaz de lhe fazer tremer apenas ao olhá-lo? Parecia loucura, as mãos de Heero tremiam levemente apenas ao ver o objeto de seu afeto.

Duo parecia alheio à observação de Heero, já que este estava um pouco distante, mas ao percorrer seus olhos aleatoriamente na direção do acampamento o que Duo viu, lhe fez questionar sua sanidade. Percebeu o líder dos samurais se apoiando em um troco de uma árvore, com o olhar que parecia de mais pura admiração e deleite, totalmente direcionados para ele.

Duo piscou algumas vezes, pensando estar imaginando coisas. Heero não podia estar ali, ainda mais o admirando, seria querer demais. Após piscar mais algumas vezes, Duo olhou de novo na direção que pensou ter visto o japonês e este não estava mais lá. Será que estava ficando louco? Heero realmente o estava observando?

Ao perceber que Duo notara a sua presença, Heero apressou-se em sair dali. Não queria que o estrangeiro pensasse coisas erradas a seu respeito. Parecia um idiota tentando fugir de ser flagrado, e era estúpida a forma como estava agindo. Tudo o que mais queria era estar perto do ex-escravo, admirá-lo, tocá-lo, mas isso era impossível.

Heero tinha que por algum juízo em sua mente insana. O que ele queria? Que Duo caísse de amores por ele? Tinha que se por em seu lugar. Ele era o líder de um exército de rebeldes que lutava contra o governo e Duo… Duo era um escravo, um dicionário de cama. Sim, Duo era apenas um brinquedo para satisfazer prazeres sexuais. Era duro admitir, mas essa era a verdade, nua e crua, desprovida de qualquer maquiagem. O que o coração de Heero pretendia com essa loucura de se apaixonar por um escravo? Salvar o mundo e ainda ficar com Duo?

Saiu dali determinado, não poderia seguir com essa loucura, seria melhor se separar do escravo e se concentrar em seu propósito. Não podia se dar ao luxo de viver uma aventura amorosa com um estrangeiro. Era melhor nunca mais vê-lo.

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As duas semanas que se seguiram após o acontecido, passaram como um borrão para Heero. Ele havia a todo o custo evitado um encontro com Duo. Seria mais fácil para ele não ter o estrangeiro em seu campo de visão, embora não conseguisse evitar se pegar pensando nele mais do que deveria. Estava perdendo sua concentração quando mais precisava dela. Ele estava certo quando havia dito que o escravo era uma distração. Sim, uma enorme distração para ele.

Tinha que pensar com cuidado qual seria o seu próximo passo. O cerco estava se fechando e a ele restavam poucas alternativas. Essas semanas que ficara longe do estrangeiro fora a melhor coisa que Heero fizera. Dera-lhe tempo e calma para decidir que rumo tomar nessa guerra. Não era só sua vida que estava em jogo, mas as de milhares de civis, além da vida de seu exército.

Havia cada vez menos lugares onde o líder samurai e seu exército poderiam se esconder, pois essa era sua melhor estratégia: a surpresa. Os exércitos de Romeffeler nunca sabiam onde e quando eles iriam atacar e esse método tinha funcionado muito bem até agora, mas os informantes estavam aumentando, era incrível como as pessoas podiam arriscar a liberdade de toda uma nação em troca de alguns míseros centavos.

Heero já havia tomado sua decisão. Era hora de ousar, tentar um ataque mais direto e perigoso, mas que poderia trazer resultados excelentes. Não iria mais libertar apenas pequenas vilas e doujos do domínio da Imperatriz estrangeira, iria atacar o palácio imperial. O japonês analisava o mapa do território do Japão, que estava estendido sobre sua mesa de estratégias, decidindo qual seria o melhor caminho para sua chegada ao palácio imperial.

-Yui, você mandou me chamar? – Wufei entrou na tenda do líder samurai.

-Sim, Wufei. Eu já decidi qual vai ser nosso próximo passo. – o japonês comunicou sem nem mesmo tirar os olhos do mapa que analisava.

-E qual vai ser?

-Vamos nos dividir em dois exércitos.

-O quê? Você tem certeza disso? – Wufei se espantou. Não que não confiasse nas estratégias de Heero, mas achou estranho, já que seu exército estava cada vez menor. Toda vez que atacavam uma vila, deixavam parte de seu exército lá para protegê-la.

-Sim, Wufei. O cerco está se fechando contra nós e não há mais como nos escondermos. Situações drásticas requerem medidas drásticas. – Heero encarou o chinês a sua frente.

-Confio em seu julgamento Yui, então me explique melhor.

-O exército será divido em dois. Uma parte ficara sobre meu comando e a outra parte eu confiarei a você, Wufei. – Heero fez uma pausa para ver se haveria alguma objeção da parte do companheiro, mas, como já esperava, esta não veio. – Eu escolherei alguns especialistas para me acompanhar, pois pretendo invadir o palácio imperial na noite da coroação da nova imperatriz.

-Você tem certeza disso? – Wufei achou a estratégia arriscada.

-Sim, é a única forma de impedir aquela estrangeira de assumir o poder oficialmente.

Heero discutiu com Wufei qual seria a melhor forma de agir de agora em diante. Enquanto o chinês continuaria com a estratégia dos ataques surpresa, o japonês seguiria juntamente com um seleto grupo guerreiros para o palácio imperial, afim de invadi-lo na festa de coroação da nova imperatriz. Wufei continuaria com os ataques apenas para distrair o exército de Rommefeller da real intenção de Heero.

O japonês expõe todo o seu plano e Wufei concordou com a maior parte dele, apenas corrigindo alguns detalhes que achava falho. Heero confiava no julgamento do chinês tanto quanto este confiava no dele. Era fácil discutir as idéias, pois ambos seguiam a mesma linha de raciocínio, haviam sido treinados pelo mesmo mestre.

Ao fim da discussão, Wufei percebeu que em momento algum o japonês tocara em um assunto: o escravo. Heero estava sendo muito reservado e não havia comentado nada com o chinês sobre a noite que passara abraçado com o estrangeiro, mas o chinês não era bobo, não havia deixado nenhum detalhe escapar de seu conhecimento, já imaginava que Heero não tocaria no assunto por isso resolveu alfinetá-lo.

-Só me resta uma dúvida, Yui. – o chinês se fez de desentendido.

-Qual? – Heero estranhou.

-Duo irá ficar com qual exército? – Wufei segurou o riso, vendo a cara de incrédulo que Heero fez.

-Ora, mas que pergunta, Chang – Heero fechou o cenho. –Logicamente ele ira ficar com você, não há como ficar trazendo um escravo fraco, que não serve pra nada, comigo. – agora era o japonês que se fazia de desentendido.

-Sei. – Wuffie cruzou os braços.

-Deixe aqueles escravos em alguma vila segura. Não quero distrações em meu exército. Além do mais, isso irá ficar muito perigoso de agora em diante.

-Tem certeza disso, Heero? – Wufei brincou.

-Claro. – Heero se irritou com as insinuações do chinês. –Vai ser melhor para eles. Um acampamento de "rebeldes" não é o melhor lugar para aqueles estrangeiros ficarem. Deixe-os em um lugar seguro e, por favor, certifique-se de que ficaram bem.

-Entendido, Yui. – Wufei fez uma reverencia. Teve vontade de corrigir as últimas palavras que Heero havia dito para "Certifique-se que Duo ficará bem", mas achou o comentário desnecessário, pois estimava a própria vida.

Wufei deixou a tenda do líder samurai para cumprir as ordens de levantar acampamento e avisar aos estrangeiros de que seriam deixados no vilarejo mais próximo. Após avisar a todos da decisão de Heero, o chinês escolheu alguns de dos melhores guerreiros, que estavam no exército de rebeldes, para que acompanhassem seu líder na longa jornada até o palácio imperial.

Ao avistar os estrangeiros e o objeto dos afetos de Heero, Wufei se aproximou para avisá-los de que ficariam no próximo vilarejo. Duo e as outras duas estrangeiras estavam perto de um riacho ajudando o cozinheiro do acampamento a lavar alguns utensílios. O chinês se aproximou cumprimentou o cozinheiro e se voltou para os estrangeiros.

-Yui pediu-me que os avisasse que serão deixados no próximo vilarejo. – Wufei falou de um jeito calmo e bem gesticulado para que seu idioma fosse entendido. – Iremos levantar acampamento e vocês terão que ficar no próximo vilarejo. Não poderão seguir viajem conosco.

-No vilarejo mais próximo? Por quê? – Duo foi o primeiro a questionar.

-Questão de segurança. – o chinês não quis entrar em detalhes.

-Mas... – Duo não sabia o que argumentar.

-Vamos levantar acampamento amanhã pela manhã. Estejam prontos. – Wufei cortou qualquer comentário que Duo pudesse fazer. Era engraçado ver que o estrangeiro também parecia alimentar algum tipo de sentimento pelo líder do exército.

-Duo, não vamos questionar os motivos deles. – Hilde, a outra estrangeira, quis acalmar Duo, temendo que ele falasse alguma besteira.

-Escute a sua amiga, Duo. Ela parece ser mais sensata que você.

Wufei deu as costas para os estrangeiros e rumou em direção a sua tenda. Ele não queria ser grosso com nenhum deles, queria apenas testar sua teoria, queria ver qual seria a reação do ex-escravo ao saber que Heero estaria teoricamente abandonando-o. Sorriu ao ver o estrangeiro passar por ele correndo o mais rápido que podia em direção a tenda de Heero. Suas teorias estavam comprovadas agora. Existia mesmo um sentimento entre Heero e Duo, mas até quando isso iria durar? E o que esta separação iria causar aos dois?

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Heero estava como o de costume, antes de levantar acampamento, limpando a sua inseparável arma: uma espada forjada pelo melhor artesão do Japão. Estava sentado em sua cama, perdido em pensamentos. Logo teria que se separar do estrangeiro. Aquele escravo havia se tornado, em pouco tempo, a coisa mais importante do mundo para ele. Como isso era possível? Heero não conseguia entender, nem dimensionar o tamanho do carinho que sentia pelo americano.

Perdido em seus devaneios, Heero percebeu a entrada abrupta de alguém em sua tenda, mas pela respiração acelerada da outra pessoa, nem se incomodou em olhar quem era, já imaginando que seria seu fiel amigo Wufei.

-O que foi dessa vez, Wufei? – Heero continuava a limpar sua katana.

-Heero... – a voz soou baixa e doce, pela forma como dita, deu para se perceber que essa pessoa tinha corrido muito antes de chegar ali, já que sua respiração estava ofegante.

Ao ouvir aquela voz, Heero parou imediatamente o que estava fazendo. De todas as pessoas imagináveis, o japonês não havia pensado em vê-lo ali.

-Duo? – Heero levantou os olhos para encarar a face do garoto escravo.

-Por favor, me leve com você. – Duo pediu com uma expressão totalmente desesperada.

-Levar? Pra onde? – Heero não entendia o pedido do americano.

-Você disse para levantarmos acampamento. – Duo ainda falava pausado e ofegante, pois ainda não tinha recuperado o fôlego. –Eu não quero me separar de você.

-É preciso, Duo. Será para sua segurança. – Heero se aproximou do garoto, se perdendo naqueles olhos ametistas… aqueles olhos pareciam tão angustiados.

Duo não queria saber de sua segurança, isso pouco lhe importava, só não queria se separar de Heero. Ele era a única pessoa que conseguia fazê-lo se sentir em casa e isso podia ser em qualquer lugar do mundo contanto que Heero estivesse ao seu lado.

-Então me prometa uma coisa. – Duo disse encarando de forma firme os olhos do japonês a sua frente.

-Prometer? – Heero não estava entendendo a atitude do estrangeiro.

-Sim... Prometa vai tomar cuidado. – Duo se aproximou de Heero o bastante para poder sentir o calor que emanava do corpo do líder samurai. –Promete que vai voltar são e salvo? Promete que vou voltar a vê-lo?

-Por que isso agora, Duo? – Heero perguntou ainda sem entender a súbita preocupação do estrangeiro para com ele.

-Desculpe...

Duo já havia tomado sua decisão. Não sabia se seria repelido ou não, mas tinha que fazê-lo, tinha que demonstrar o quanto se importava com o japonês. Sem pensar em mais nada, Duo encostou seus lábios nos de Heero. Uma sensação calorosa invadiu todo seu corpo. Nunca, em toda sua vida, pensou que pudesse se sentir assim. Antes via o toque intimo, até mesmo o beijo como um motivo de dor, mas ao encostar seus lábios nos macios lábios do japonês, tudo isso desapareceu.

Heero arregalou seus olhos ao sentir os lábios de Duo sobre os seus. O que o americano estava fazendo? O estava beijando? Aquele contato e aquela sensação calorosa, isso era um beijo? Essa era a primeira vez que alguém se atrevera a beijá-lo. Heero fechou seus olhos e entreabriu seus lábios permitindo que a língua de Duo entrasse em sua boca. Não conseguia por em palavras o que estava sentindo.

Duo quase deu pulos de felicidade quando Heero entreabriu os lábios permitindo um maior contato. Isso significava que não estava sendo repelido e sim aceito. Era mais do que Duo esperava. O beijo de Heero era terno e meio desajeitado, Duo percebeu que este certamente seria o primeiro beijo do líder samurai, e estava imensamente feliz por isso. O beijo foi longo, mas sem pressa e muito significativo para ambos.

Após o termino do beijo, Duo ficou com medo da reação do japonês. Não sabia o que esperar dele, pois apesar de ter aceitado seu beijo, isso não significava nada, nem que sentia o mesmo que Duo ou qualquer coisa próxima isso. Temendo uma reação agressiva, Duo decidiu sair correndo daquele lugar.

Antes que pudesse ir muito longe, seu pulso foi agarrado e seu corpo puxado com certa violência de volta para os braços de Heero. O japonês o abraçou ternamente permitindo que Duo recostasse a cabeça sobre seu peito.

-Eu prometo. – Heero finalmente respondeu a pergunta feita pelo escravo.

Aquela não era uma promessa vazia. Heero estava prometendo aquilo de coração, pois era o que ele mais queria, voltar para Duo. Só a esperança de poder rever o ex-escravo, o fazia desejar sobreviver a essa guerra. Heero tinha medo, muito medo de não voltar a ver o americano, em tão pouco tempo aquele escravo passou a ser a razão para Heero querer sobreviver. Sempre havia pensado em morrer em batalha, nunca tivera medo disso, mas agora era diferente, não pensava mais em morrer. Queria descobrir o que era aquele turbilhão de emoções que estava sentindo pelo escravo. Essa era a primeira vez que Heero ia para um campo de batalha com algo a perder.

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Continua...

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Cantinho da autora:

Sem comentários. Gomenasai pela demora! O que acharam? Comentem.

Beijos da Asu-chan.

Feliz 2007 pra todos \o/