Olá gente! Continuo muito feliz pelos comentários que vocês têm me feito e como já disse antes, isso me motiva. Espero que gostem do terceiro capítulo. Muita água ainda vai rolar... Abraços especiais a todos!

Capítulo 3

As aulas alternativas

Mu e Aldebaran olharam os horários no mural. E os cursos foram dispostos da seguinte maneira:

Xadrez – 13:00 às 15:30

Corte e Costura - 15:45 às 16:45

Pintura – 16:45 às 18:00

Esgrima – 18:00 às 20:00

Culinária – 20:15 às 21:30

-A única matéria que eu escolhi e que você escolheu Aldebaran, foi Esgrima. Então acho que só o verei as seis da tarde...

-Boa sorte com sua primeira aula de xadrez Mu. Espero que você se saia bem!

-Obrigado amigo! A gente se vê!

E Mu caminhou até um edifício diferente daquele que tinha aula. A sala de xadrez ficava no segundo andar e tinha mesas próprias para tabuleiros e com relógios fixados a direita de cada carteira.

Sentou-se em uma das mesas e aguardou o professor chegar. Enquanto esperava, não tomado pela surpresa, Shaka apareceu. Mu achava que xadrez tinha tudo a ver com o amigo indiano.

-Olá Mu! – Disse ele cordialmente.

-Olá Shaka! Será que você vai ser minha dupla durante essas aulas?

-Não sei, mas não veria problemas se fossemos, não é mesmo?

Mu sorriu. Havia algo em Shaka que lhe agradava muito. Pensava que podia aprender muito com ele.

Logo os outros alunos começaram a chegar. Havia mais garotas que garotos. Shaka logo que notou a presença de Marin na sala pensou em Aioria: "Preciso contar a ele. Ele vai se arrepender de não ter se inscrito nesse curso".

Um senhor de meia-idade, de estatura baixa e óculos redondos bem fundos entrou na sala pedindo silêncio. Seu nome era Ícaro. Depois de todos terem tomado seus lugares, começou a explicar a base do xadrez.

-... Como todas devem saber movimento é o deslocamento de uma peça de uma casa para outra, que não esteja ocupada. Caso a casa esteja ocupada acontece uma captura, retirando a peça adversária e botando a sua em seu lugar. A captura é opcional.

-Professor – Shaka levantou a mão já questionando – E como é mesmo a movimentação do cavalo?

-Simples. O cavalo move-se para uma das casas mais próxima em relação à qual ocupa, mas não na mesma coluna, fileira ou diagonal, ou seja, ele anda em 'L'.

E assim a aula seguiu em frente. Quando faltavam 10 minutos para as três e meia, o professor disse:

-Como perceberam, hoje a aula foi teórica. Na semana que vem teremos nossa primeira aula prática, portanto, formem suas duplas.

Mu e Shaka saíram conversando animados:

-Então Shaka, quando você quiser, pode ir a minha casa. A gente pode começar a estudar xadrez juntos. Acredito que vai ser divertido.

-Claro! Também podemos marcar de estudar as matérias normais da escola também. Você entende muito de biologia pelo visto!

Mu corou. Continuaram a conversar andando até avistarem Aldebaran trocando idéias com Saga.

-E aí, Mu? Como foi de aula?

-Muito legal Aldebaran! O Shaka vai fazer aula comigo! Vocês deveriam ter se inscrito!

-Estamos muito animados! Hoje só teremos aulas básicas, uma introdução do curso. – Respondeu Shaka entusiasmado.

Mu começou a contar sobre a aula para todos (Shaka o ajudava com os detalhes) quando Afrodite passou por eles.

-Nossa! Esse garoto, ele passa tanto perfume! – Aldebaran exclamou.

-Deixa ele pra lá, Aldebaran... Continue falando Mu! – Comentou Saga interessado.

Não foi preciso notar que Afrodite estava rodeado de garotas. Na hora em que ele passou por Miro e Kamus, nenhum dos dois conseguia acreditar.

Afrodite andava de modo peculiar e parecia bastante excitado conversando com Shina, umas das meninas da sua sala.

- Eu vim da Itália, Afrodite, de Gênova! Eu sou louca para conhecer a Suécia!

-Nas férias, eu posso conversar com a minha mãe sobre isso e você fica na minha casa, se não houver problemas e se você quiser! – Afrodite ria animado.

A sala já estava cheia quando os dois chegaram. Ele realmente era o único garoto da sala, mas não se importava. Conseguia facilmente atrair garotas para perto dele e se sentia bem com isso. Apenas gostaria de fazer amizade com os outros garotos, para variar um pouco.

A aula começou logo. A professora Eulália era uma senhora distinta, já de idade, com olhos escuros, rápidos e muito rigorosa. Tinha deixado bem claro que qualquer ponto mal feito ou qualquer peça mal acabada iria resultar em uma nota muito baixa. E como não ia deixar barato, já começou dizendo:

-Tomem nota do que vão precisar para a próxima aula. E anotem também o que vou falar.

As garotas ficaram assustadas quando a professora falou em método Vogue:

- Bom, esse método já tem a medida exata da pessoa, por exemplo , quadril 103, cintura 67 corresponde a 1G então já incluído o que sobraria do tecido para fazer a costura, neste método você não corre o risco da roupa não ficar bem modelada com o corpo, acinturada, molde perfeito... E na hora de fazer a calça é só marcar os campos correspondentes a "1G" traçar e cortar a parte da frente e depois a de trás; E nele o gancho já está incluído de acordo com o tam 1G.

Shina saiu atordoada da aula e comentando com as amigas que seria impossível se dar bem com aquela mulher. Quem parecia bastante empenhado era Afrodite. Quando viu Kamus, lançou-lhe um "tchau" frenético e se encaminhou para a biblioteca. Teria que esperar até a noite para sua próxima aula.

Dohko parecia animadíssimo enquanto caminhava para o ateliê de pintura localizado no sótão de um dos edifícios do colégio. Seus pensamentos estavam domados pelas ricas paisagens dos Cinco Picos quando trombou com alguém.

-Desculpa aí, não foi minha intenção...

Uma garota morena, baixa, de olhos castanhos encarava Dohko com lábios sorridentes.

-Não se preocupe. Não foi nada.

-Qual é o seu nome?

-Lígea.- E a garota fez uma pausa olhando diretamente nos olhos do rapaz – E o seu?

-Dohko. Está indo para a aula de pintura?

-Ah sim! Mas você não está na mesma sala que eu, porque nunca notei a sua presença lá.

-Haverá duas salas de pintura? É isso?

-Hahahaha... Não, não! – E Lígea ia corando aos poucos – O que eu quis dizer é que você não é do mesmo terceiro que eu!

Dohko ficou sem graça e foi em silencioso até o ateliê observando a garota. Era intrigante o que sentiu ao vê-la. Nunca tinha passado por uma situação parecida. Ao chegar na sala viu as mesas maiores que o comum e ao fundo havia uma pilha de cavaletes. Alegrou-se ao ver um rosto conhecido dentre os outros alunos.

-Kanon! Você aqui! Nunca pensei que você se dedicasse as artes!

-Hahahaha Dohko! A gente faz o que pode, não é?

-Hã? Eu não entendo... O que?

-Estou aqui por causa das garotas, Dohko.

-Hahahaha! Você seria um ótimo comediante se seguisse a área! Só você, Kanon!

-Você vai ver, cara. Vou conseguir a garota que eu quiser!

-Hehehehe então vamos ver... – Dohko olhava para Kanon como se estivesse propondo um desafio – E... Cadê o seu inseparável amigo, o Mascara da Morte?

-Ele preferiu se inscrever apenas em Esgrima. E sinceramente, duvido que ele conseguiria se dar bem em pintura.

Dohko se sentou ao lado de Kanon e começou a falar sobre as pinturas que fazia em Rozan, não notava que o colega não estava prestando atenção em nada do que estava dizendo. Kanon fitava as garotas como se estivesse caçando com os olhos.

Nix chegou na sala carregando um grande livro nos braços. Era alta e olhos profundamente negros. Usava um chapéu escuro que não permitia a visão de seus cabelos. Tinha uma expressão séria e melancólica. Sua pele era muito clara e parecia reluzir sempre. Não foi preciso dizer absolutamente nada para a turma se calar. O seu ar sombrio fez com que todos a respeitassem.

-Boa tarde, turma – Disse ela em tom suave e calmo – Que bom que vocês entenderam que eu sempre vou precisar do silêncio de vocês. A arte é algo que precisa ser sentida e conseguida com o silêncio.

Todos a observavam com devoção. Não era possível que uma professora como aquela conseguia a atenção de todos sem precisar gritar, espernear ou ameaçar alguém com nota.

Kanon olhava para ela incrédulo e Dohko estava imóvel. Se piscasse perderia algum movimento de Nix.

-Vamos começar pela Teoria das Cores. O que convencionou-se chamar de Teoria das Cores de Leonardo da Vinci, são as formulações históricas esparsas contidas em seus escritos e reunidas no livro Tratado da Pintura e da Paisagem – Sombra e Luz. Cuja primeira edição só foi publicada 132 anos após a morte do artista... – Dizia de olhos fechados mais calmamente ainda - São anotações recolhidas pelo artista ao longo de anos de observação e é a teoria mais corrente, sendo um dos legados do renascimento para as artes visuais.

Não foi preciso dizer que a aula fora maravilhosa e que os alunos adoraram a professora.

-Muito bom, para aula que vem, venham usando uma roupa leve e tragam algo que os inspirem a pintar. Vamos ter experiências incríveis a partir disso... Até a semana que vem. Nix deixou a sala da mesma maneira que entrou, quase sem ninguém perceber.

-Caramba! – Exclamava Kanon – Essa mulher é muito boa!

-Em que sentido, meu caro amigo? – Dizia Dohko abafando risos.

-No sentido que você sabe, meu! A mulher conseguiu me fazer prestar atenção em tudo o que ela falou... Ela deve ser um gênio! Preciso fazer amizade com ela, de qualquer jeito!

-Nossa! – Dohko olhou para o relógio – Precisamos correr Kanon! Ou vamos perder o início da aula de Esgrima!

Não foi preciso falar duas vezes. Os dois saíram em disparada em direção ao outro lado do colégio.

-Pois então, Aioria! – Dizia Shaka – Você precisava ter se inscrito em xadrez! A sua garota ruiva de olhos de safira estava lá!

Aioria deu um soco no ar. Mentalmente rezava para a sua garota ter se inscrito no curso de Esgrima.

-Me diga, Shaka! Você acha que ela pode ter se inscrito em Esgrima? – Seu olhar parecia ter sido tomado por uma fúria, segurava Shaka apertando seus braços contra o corpo.

-Eu realmente não sei, Aioria. Não adianta você ficar nervoso... Er... Você pode me soltar?

Constrangido, Aioria soltou Shaka. Olhava para o chão. Era apenas o segundo dia de aula. Como pudera se entregar tanto a um sentimento desse nível? Ele mal conhecia a garota e já sentia vontade de possuí-la. "Preciso me controlar!" Dizia várias vezes para si mesmo.

-Vamos andando Aioria, ou vamos nos atrasar.

No caminho cruzaram com Miro e Kamus. Os dois não conversavam enquanto andavam, mas todos podiam notar que ali existiria uma verdadeira amizade.

A sala de aula de Esgrima ficava no porão do colégio com uma decoração muito extravagante. Lustres de cristal pendentes do teto e uma tapeçaria vermelha intensa cobriam o chão frio de pedra. As janelas pequenas com barras de ferro lembravam prisões e a porta de madeira com grandes puxadores circulares oxidados davam a impressão de estarem entrando em outra realidade. Todos estavam deslumbrados com a sala. As garotas olhavam umas para as outras se imaginando em um baile a moda antiga, esperando por seus companheiros de dança, enquanto os garotos observavam com um brilho espetacular nos olhos as espadas expostas numa grande vitrine de vidro. Mal podiam esperar a hora de tocarem naqueles objetos prateados.

Eis que de uma porta não muito visível surge um homem muito alto e corpulento vestindo trajes específicos de Esgrima com expressão sorridente e amável. Diferentemente de Nix, conseguiu a atenção dos jovens por sua simpatia.

-Olá! – E olhava perplexo para os estudantes. Nunca teve uma turma tão cheia. – Meu nome é Perseu e serei o professor de Esgrima de vocês.

A turma permanecia atenta. Ele começou a falar sobre a história do esporte.

- Todos os anos realizam-se o Campeonato Mundial de Esgrima, com exceção dos anos Olímpicos. A Esgrima participa deste grande evento desde os primeiros Jogos Olímpicos em 1896, em Atenas. Nos Jogos Olímpicos de 1924 temos a primeira participação das mulheres. A Esgrima hoje, no cenário mundial, é um esporte altamente desenvolvido, onde tecnologia moderna e segurança são complementadas pelo treinamento físico e mental dos atletas que a praticam. A esgrima é composta por três armas: Florete, Sabre e Espada.

Todos estavam presentes. Até mesmo Afrodite.

O professor passava por entre os alunos enquanto estes escolhiam uma espada. Perseu queria que eles já se familiarizassem com o instrumento usado no esporte.

Com certeza o mais empolgado de todos era Shura. Perseu observava o garoto de longe e percebia que ele tinha um dom nato para o esporte. O jeito em que ele segurava a espada estava correto e o professor não havia dado dica alguma.

Sorria ao ver a excitação de todos escolhendo a sua arma, porém sua alegria acabou em segundos ao observar uma cena horrível.

-Parem vocês dois! – O professor chegou correndo a tempo de pegar seus dois alunos pelos punhos – O que pensam que estão fazendo?

Saga estava sentado no chão, encolhido. Kanon e Máscara da Morte estavam espetando-o com as suas espadas quando o professor interrompeu.

Os dois não olhavam para o professor, envergonhados.

-Se eu por acaso vir vocês dois fazendo isso novamente, irei expulsá-los da minha aula! – Disse Perseu extremamente nervoso – A Esgrima foi feita para pessoas corajosas e honradas, não para qualquer um.

Saga se levantou do chão e lançou o olhar que Kanon sempre odiara. O de desprezo.

-Bom, quero que todos formem duplas e venham aqui me dar os nomes. Na Esgrima não se luta sozinho! Encontrem seu par e formem uma fila!

Aldebaran na mesma hora formou dupla com Mu. Shura tinha escolhido Aioros, Miro certamente já tinha decidido que faria dupla com Kamus antes mesmo de entrar na aula. Dohko não teve problemas em achar Saga uma companhia ideal para o curso e Kanon e Mascara da Morte já estavam de dupla pronta desde o dia anterior. Sobraram então Shaka, Aioria e o mais temido por todos, Afrodite.

O garoto excêntrico já estava quase convencendo Aioria a ser sua dupla quando Shaka chegou para o seu auxílio.

-Deixa que eu faço com você a dupla, Afrodite.

Aioria não entendeu. Ninguém no mundo iria querer fazer algo com aquele garoto. Shaka pediu para Afrodite que os deixassem a sós e quando o colega deu uma brecha, o garoto loiro se apressou:

-Aioria, a sua ruiva está bem ali e sozinha. Convide-a agora para ser seu par. – E Shaka deu um brusco empurrão em seu amigo.

Aioria olhou pra trás e Shaka respondeu com um olhar firme.

Lentamente Aioria foi atrás da garota ruiva de olhos azuis que mais se pareciam com pedras preciosas. Tocou carinhosamente os ombros dela, entretanto a garota se virou com tanta pressa que acertou Aioria com uma cotovelada no estômago.

-Me desculpe! – E seu rosto ficou da cor de seus cabelos.

Aioria se encurvou pra frente e tentava se equilibrar em vão.

Ela o levou para um banco e sentou-se ao seu lado.

-Melhorou?

-Si... sim. – Disse Aioria mal conseguindo respirar.

Ficaram um tempo se encarando quando ela sorriu e resolveu se apresentar.

-Me chamo Marin. E você, qual seu nome?

-Me... Chamo Aioria.

-Mas que nome lindo! É grego?

-Sim... E você, é de onde?

-Embora não pareça, eu vim do Japão.

-Tóquio?

-Não. Sou de Toyohashi.

E o silêncio tornou a criar uma barreira entre os dois. Marin sorriu de novo tentando vencer esse escudo.

-Então, Aioria, você queria me dizer alguma coisa?

Aioria ficou extremamente envergonhado e dessa vez, quem chegou a ficar totalmente vermelho foi ele.

-Er...- E sem pensar muito disse – Querfazerdupladeesgrimacomigo?

Marin olhou espantada.

-Hã? Po-pode repetir a pergunta?

Aioria tomou todo o fôlego que pôde e tentando não tropeçar nas palavras disse:

-Quer fazer dupla de esgrima comigo?

A garota fitou-o por alguns segundos. "Talvez ela esteja maquinando em como me dizer um belo não". Pensava Aioria desiludido.

-Sim, eu faço.

Pronto. O mundo negro de Aioria tinha se tornado imediatamente cor-de-rosa. "Ela tinha aceitado seu convite! Era um passo positivo! Ela tinha aceitado mesmo! Vou agradecer Shaka por toda a eternidade por ter me incentivado"!

Entraram na fila para darem seus nomes. E assim que iam dizendo para Perseu iam abandonando a sala.

Por último, sobraram de propósito Kanon e Máscara da Morte.

-Gostaria de lhes dar um aviso – Todo aquele ar de simpatia e amizade do professor tinha desaparecido de sua face.

Os dois olhavam para o professor irredutivelmente.

-Ninguém está aqui para machucar ninguém. E aquele garoto – E virou-se para encarar Kanon – Que eu saiba, é seu irmão gêmeo. Não vou tolerar abuso e nem atos de crueldade nessa aula. Portanto tratem de se comportar. Estarei de olhos bem abertos com relação a vocês. Agora podem ir.

Mascara da Morte parecia irritadíssimo com o comentário do professor e Kanon parecia querer esganar Perseu na primeira oportunidade em que pudesse.

-Ainda vou mandar esse cara para o inferno! – Urrava Mascara da Morte já longe dos ouvidos do professor.

Todos se encaminhavam para a saída do colégio. Apenas Aioros, Kamus, Aldebaran e Afrodite tinham se inscrito para o curso de Culinária e teriam que permanecer no colégio até as nove e meia da noite.

-Boa noite e boa sorte, Kamus! – Desejou Miro.

-Ah, obrigado Miro. – Disse o amigo bastante temeroso.

-Desejo o mesmo para você, Aldebaran! Cuide-se! Até amanhã!

-Até logo, Mu!

Os quatro já estavam bastante cansados enquanto andavam a procura da sala. Descobriram então que o curso seria dado na cozinha do refeitório do colégio.

Jocasta não demorou a chegar. Era ruiva, com olhos pequenos e estreitos que decididamente eram difíceis de se enxergar através daqueles pequeninos óculos em formato de meia-lua e realmente estava bem acima do seu peso ideal. Aioros ao reparar nisso, não conseguiu se conter.

-Hehehe... Essa daí é inconfundível! Tinha que ser a professora de Culinária!

Apenas Afrodite riu timidamente. Aldebaran e Kamus lançaram-lhe olhares dilacerantes que o fizeram se calar no mesmo instante.

Havia poucos alunos dentro da cozinha. O número de inscritos tinha sido baixo e Jocasta ao contar os estudantes tinha uma expressão facial de lamento.

-Bem, todos devem estar super cansados. E como essa é a última aula do dia, pouparei vocês de muitos esforços. Porém isso não significa relaxo.Meu nome é Jocasta. Vou dar aulas de Culinária, como devem saber. Mas antes de começar a minha aula, em primeiro lugar, gostaria de conhecer vocês e saber de onde vocês vieram. – Seus olhos correram perante a turma toda e foram repousar em Aldebaran.

-Você! – E apontou para o maior de todos os garotos – Nos diga seu nome e de onde veio!

-Meu nome é Aldebaran, e eu vim do Brasil, a grande terra tropical.

-Mas que maravilha! E é de lá que vem a maravilhosa Feijoada, não é mesmo?

-Ah sim! – Aldebaran respondeu com tanto orgulho que até ficou corado.

-E você? – Apontando seu dedo gordo e roliço para Kamus.

-Eu sou Kamus. Vim de Lyon, na França.

-França! O país da culinária! – E seus olhos brilharam ainda mais quando olhava para o garoto.

E assim a professora foi indo de aluno por aluno perguntando suas origens e exclamando sobre algum tipo de prato típico de cada país ou região. Depois daquele interrogatório sem fim, Jocasta se levantou e caminhou até o balcão onde havia muitas folhas, uma lista de presença e o que aparentava ser um calendário. Olhou para ele demoradamente e depois dividiu com seus aprendizes seus pensamentos:

-Bom, crianças, no começo do mês de Novembro teremos uma feira na escola, não sei se os outros professores chegaram a comentar, porém, está previsto que cada aluno mostre o melhor que puder em seu curso alternativo. Então, eu estava pensando que cada um poderia fazer o prato típico de seu país para todos degustarem. A partir desse feito, darei as notas. O que acham?

A idéia era original e todos adoraram. Concordaram com a cabeça instantaneamente, entretanto Afrodite ergueu a mão.

-Pois não, Afrodite?

-Eu faço três cursos... Será que não ficará um ritmo muito pesado para mim, senhora?

-Acredito que não, Afrodite. Iremos trabalhar com calma, está bem? E sentindo qualquer dificuldade, é só nos procurar.

-Certo. – Ao dizer isso, era visível que ele tinha sido tranqüilizado.

-Está bem. Na culinária as únicas regras exatas a serem seguidas são: Lavar as mãos antes de manusear qualquer tipo de alimento, até mesmo aqueles que iremos descascar, cabelos sempre presos em toucas, especialmente os compridos, afinal, alguém aqui gosta de ser surpreendido por um fio de cabelo na comida? Unhas curtas e avental branco e limpo. A limpeza é extremamente necessária. Certo? O resto é deixar a imaginação rolar solta e seguir a intuição.

A atenção estava explícita ali. Cada palavra dita pela professora era captada com exatidão.

Jocasta olhou no relógio e notou que faltava apenas quinze minutos para o término de sua aula. Resolveu então passar um dever de casa.

-Turma, vou passar uma receita para vocês fazerem em casa e me trazerem na aula que vem. Vejam, meu intuito não é fazer comparações. Ninguém vai receber nota baixa, porém, quem não trouxer, não ganhará nada. Eu apenas quero sentir a mão de vocês para a cozinha está bem?

Anotem, eu vou ditar:

Pudim de Leite Condensado :

1 xícara de açúcar;1 lata de leite condensado; 2 vezes a mesma medida de leite; 3 ovos. Prepare a calda: espalhe o açúcar no fundo de uma forma para pudim e leve ao fogo moderado mexendo sempre com uma colher de pau, até derreter todo o açúcar e ficar dourado. Espalhe por toda a forma este caramelo. Reserve. Misture no copo do liquidificador o leite condensado, o leite e os ovos até que fiquem bem ligados. Despeje na forma caramelizada..Cubra com papel alumínio. Asse em banho-maria por cerca de 1 hora e 30 minutos ou cozinhe em panela de pressão por 20 minutos.

Todos anotaram depressa e guardaram seu material. Jocasta se despediu da turma. Os quatro deixaram a escola esgotados. Aquele dia tinha sido muito cansativo, mas muitos outros estariam ainda por vir.