Olá pessoal! Me esforcei ao máximo para escrever um romance. Eu espero que gostem, espero comentários sobre este capítulo ansiosamente. Ele é um pouco mais curtinho... Beijos e Abraços a todos!
Capítulo 5
Bilhete e Declarações
No terceiro B as coisas não foram diferentes. Eugeu aplicou a prova e o pessoal não se saiu bem. Logo após o teste, ouvia-se pelo corredor, alunos indignados.
-Precisamos montar uma estratégia. – Miro liderava o assunto.
-Eu não posso ir mal em nenhuma prova! Eu tenho bolsa aqui nesse colégio! – Dizia Aioros extremamente nervoso.
-Se liga cara! TODOS nós temos. – Retrucou Shura, que não perdia uma única oportunidade.
-O que vocês sugerem então? – Dohko perguntava tentando esconder a aflição em sua voz.
-Quem aqui entende bem Grego poderia nos ensinar. – Sugeriu Shura.
-Acredito que ninguém melhor do que o Miro. – Kamus entrou na conversa – Afinal, ele nasceu aqui.
-É! Sabe, na sala do meu irmão, eles montaram um grupo de estudos. Eles não estudam só Grego juntos, mas as outras matérias também! O que vocês acham da gente fazer um também?
A idéia de Aioros não era das piores e resolveram então acatar.
-Eu ouvi bem? Vocês vão montar um grupo de estudos? Será que eu poderia participar também? – Perguntou Afrodite.
Os cinco trocaram olhares entre si. Não podiam fazer uma desfeita daquele grau para Afrodite. O garoto sueco nunca tinha feito nada de mal para nenhum deles. Decidiram deixá-lo participar das reuniões e caso alguma coisa estranha acontecesse, aí sim poderiam expulsá-lo.
O intervalo acabou e assim voltaram todos para a sala.
Aioros estava todo animado com a idéia do grupo e conversava com Shura e Dohko sobre os possíveis dias em que poderiam se reunir.
Afrodite tagarelava com Shina sobre a aula de Corte e Costura enquanto mostrava uma linda blusa de linho que havia costurado. A garota mal conseguia acreditar no que via.
Miro se sentou em seu lugar e comentava com Kamus que finalmente Aioros tinha dado uma bola dentro desde quando se conheceram quando percebeu que o amigo não estava escutando nada do que estava dizendo.
-Kamus? Você está aí?
Ele segurava um papel dobrado na mão e tinha a expressão mais séria do que de costume, olhando para o nada. A testa franzida indicava que ele estava ficando irritado. Virou o rosto para o amigo e indicou o papel.
-Já é o terceiro que recebo dentro de duas semanas.
-Mas o que é?
-É um bilhete, Miro. Ridículo. E a pessoa não é corajosa o suficiente para se identificar.
-Eu posso ver?
Relutante Kamus entregou o bilhete a Miro. O garoto viu que a folha era colorida e cheia de pequenos corações. Não era preciso ser gênio para saber que aquilo se tratava de alguma garota. Abriu então para ler o conteúdo.
"Sofrer em teus braços
seria o meu prazer...
E viver em mil pedaços
seria tudo pra mim...
Baiser a vous..."
Miro olhou assustado para o amigo. Aquelas palavras eram profundas.
-Viu quanta melosidade e sentimentalismo barato?
-Nossa, Kamus, tem alguma menina apaixonada por você! Quem será que é? – Miro olhava ao redor para ver se tinha alguma garota os observando.
-Não estou interessado em saber.
-Ah, Kamus! Conta outra! Já é a terceira vez que você recebe um bilhete desses e você não está interessado?
-Miro – E ele encarou o amigo olhando no fundo de seus olhos – Se eu descobrir quem é, vou pedir para que pare.
-E se ela for bonita? Veja só! Ela sabe francês!
-Não interessa. Se eu descobrir, vou pedir pra parar, porque já perdeu a graça faz tempo.
-Então vou te ajudar a descobrir.
-Tanto faz.
E a aula começou. Galileu começou a explicar em física o conceito do Movimento Uniformemente Variável e Kamus se deu muito bem. Em todas as aulas o professor fazia um sorteio entre os alunos e pedia que o sorteado fosse até a lousa fazer um exercício valendo meio ponto para a sala toda. Quando o aluno acertava, a sala toda era presenteada. Quando o aluno errava, a sala toda perdia meio ponto na nota da prova, por isso tinham que estar estudando diariamente.
E dessa vez, Kamus havia sido sorteado. Ninguém ficou preocupado porque o garoto simplesmente brilhava nas matérias como Física e Química.
Ao final da aula, Galileu chamou Kamus a sua mesa.
-Kamus, gostaria de lhe fazer um convite.
-Pois não, senhor.
-Gostaria de participar das Olimpíadas de Física? A escola todo ano convida dois alunos do terceiro ano para representar. Tenho em mente você e o Kanon, do outro terceiro.
-Seria uma honra para eu representar a escola, professor.
-Fabuloso! Então, depois eu te passo as informações sobre as aulas extras. Tenho certeza de que você se sairá muito bem!
O professor saiu da sala contente. E por dentro, Kamus também estava bastante feliz.
-O que o professor queria?
-Me convidar para participar das Olimpíadas de Física, Miro.
-Que coisa fantástica, Kamus! Vai em frente! Você é um crânio em física.
-Não precisa exagerar, Miro.
-Êpa... Quem exagera aqui é o Aioros!
Depois da aula de Física, Ptolomeu entrou na sala e começou com a sua aula de Literatura falando do Romantismo, um dos períodos literários mais completos e mais importantes de todo o mundo da Literatura.
-As pessoas costumam confundir o Romantismo com o Romântico. São semelhantes, porém, muito diferentes.
-Vai ver, Kamus, que a garota que te mandou a poesia, adora literatura!
Kamus olhou feio para Miro, que se conteve. O resto da aula seguiu e quando terminou foram para o refeitório, pois as terças-feiras eram dias de cursos alternativos.
As aulas à tarde transcorreram bem e os garotos do terceiro B resolveram deixar a primeira reunião do grupo de estudo para o dia seguinte.
Depois da aula de Esgrima, os garotos, exceto Afrodite e Kamus, tomaram seus próprios destinos separadamente. Antes de ir para casa, Dohko resolveu ir para a biblioteca para ver se encontrava um exemplar de Arte Barroca. Quando adentrou a grande sala, viu Lígea com um livro sobre Impressionismo nas mãos. A garota não o viu chegar e partiu da biblioteca conversando com Marin.
Sem pensar duas vezes, Dohko abandonou a idéia inicial e saiu atrás da garota morena. Caminhou e caminhou, desceu as escadas e nada de Lígea. Foi quando estava desistindo da idéia que avistou de longe o seu longo cabelo de cor escura. Apressou o passo e chegou ao portão da escola.
-Tchau Marin! Até amanhã!
-Até Lígea! Se cuida hein!
Ela colocou a mochila no chão e abriu para colocar o livro dentro, então nesse momento Dohko colocou-se ao seu lado, mas não disse nada. Não queria que parecesse de propósito.
Ao se levantar, a garota olhou para o relógio, prendeu seus cabelos e deu um passo a frente. Pingos grossos começaram a cair do céu e um enorme estrondo de um trovão anunciou a chegada do primeiro dia de outono na Grécia.
Colocou sua mochila sobre a sua cabeça e começou a caminhar quando uma brilhante idéia surgiu na cabeça de Dohko.
-Olá! Eu tenho um guarda-chuva. Quer dividi-lo comigo?
-Olá Dohko!- Lígea deu um sorriso fascinante – Não, muito obrigada. Com certeza moro longe da sua casa, vou desviar o seu caminho.
-Ora Lígea, eu faço questão de levá-la, afinal não vai me custar nada.
-Não... Não precisa. – Disse envergonhada.
-A senhorita é muito teimosa. Já disse que eu a levo!
E os dois saíram da escola juntos, seus corpos colados um ao outro não prestando atenção em um par de olhos cobiçosos que os observavam.
Já a um quarteirão do colégio, Lígea resolveu quebrar o silêncio.
-Eu moro a 5 quarteirões daqui. Não vai precisar andar muito! – Ela sorriu.
-Tá vendo? E você não queria aceitar uma carona minha até sua casa!
-Não queria tirar você da sua rota.
-Não tirou.
-Quer ver como eu tirei? Onde é que você mora?
-Hahahaha sua sem graça! Eu moro em um chalé, próximo a praia.
-Viu só como eu tinha razão? Eu sempre tenho razão!
-Já disse, você é muito teimosa. Você ia chegar na sua casa toda molhada! Pense bem, você está com essa camisa branca e essa saia... Isso aí molhado não seria interessante...
-É, aí a coisa muda de figura.
Faltava apenas um quarteirão quando ela resolveu perguntar:
-Por acaso você tem telefone, Dohko?
Dohko gelou na mesma hora. Será que aquilo significava que ela estava interessada nele? Pensamentos e mais pensamentos invadiam a sua cabeça, fazendo-o esquecer a pergunta.
-Dohko?
-AH! Claro! – E ele voltou a si – 3456-9082. Pode ligar a hora que quiser, eu moro sozinho.
-Sério! E como é a sensação de morar sozinho?
-Liberdade total. Mas eu sou responsável!
-Parece ser mesmo. Bom... – Ela parou e olhou para o número da casa – Já estou em casa. Obrigada pela carona. Você é uma ótima pessoa! Deu um beijo estalado no rosto do garoto, acenou e foi andando em direção a porta. Ele decididamente estava entrando em transe quando se lembrou.
-Hey, Lígea!
-Sim? – Enquanto ela girava a chave na fechadura da porta da sala.
-Qual o seu telefone?
-Você sabe onde eu moro! E eu tenho o seu número. Qualquer dia eu te ligo!
E sumiu para dentro da casa. Agora só restava Dohko ir para o seu chalé e esperar algum telefonema.
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A quarta-feira havia chegado com o céu em tons de cinza. As nuvens carregadas indicavam que o outono havia chegado com toda certeza. Todos os dias Miro imaginava um meio de poder conversar com a orientadora do colégio. Pensava em de repente em discutir feio com alguém, mas aí sua imagem seria denegrida. Ou talvez buscar algum tipo de informação. "Mas qual informação?"
Estava andando pelo colégio quando de repente leu em um dos murais:
"Semana Cultural – Feira de Ciências, Arte, Culinária e afins. Maiores informações com a Orientação."
"Perfeito" – Pensou Miro e tomou o rumo até a sala da orientadora. Toda vez em que se via parado em frente àquela porta, um comichão subia por sua garganta. Seus movimentos ficavam lentos e ele parecia flutuar. A voz de Calíope era como música para seus ouvidos e a posição que ela ocupava fazia Miro sentir ainda mais admiração por ela. Achava-a poderosa. E ele se sentia na obrigação de se relacionar com gente desse tipo. Bateu na porta, a orientadora abriu.
-Olá, Miro!
-Olá, senhorita orientadora. – "Ela sabe meu nome!"
-O que deseja? – E ela indicou a sala para ele entrar.
-Eu vim por causa do cartaz. A senhora precisa de alguma ajuda para a semana cultural?
Ela o fez se sentar em sua mesa e por alguns segundos encarou o rapaz.
-E que tipo de ajuda você teria para me oferecer?
"Eu tenho todos os meus beijos para lhe dar. Todo o meu carinho e afeto, a minha compreensão. Tenho certeza de que essa é toda a ajuda de que precisa, minha Deusa." – E Miro chacoalhou a cabeça para voltar a si, fazendo com que Calíope arregalasse os olhos.
-Bem, eu poderia pensar em como fazer a apresentação inicial da Semana. Vocês pensam em fazer uma abertura, não é?
-Sim, pensamos.
-E por que não fazemos uma abertura diferente do usual? Eu tenho uns contatos na Ilha de Milos, conheço um pessoal que toca em uma banda. De repente poderiam estar abrindo esse festival com músicas típicas ou com o tema da semana.
Calíope olhava fascinada para o rapaz. Ele era bastante inteligente. Ouviu as idéias dele e anotou em seu bloco.
-Gostei muito das suas sugestões. Vamos fazer o seguinte: Vou conversar com os outros professores e depois eu te chamo para conversarmos mais.
-Certo! – E Miro se levantou tendo a leve impressão de que já tinha dado o seu primeiro passo na conquista.
Saiu da sala vibrando. Precisava contar a Kamus o seu progresso.
Esperou as duas aulas seguidas de Biologia terminarem para poder dizer para o amigo o que tinha se passado naquela sala. Quando terminou, Kamus apenas disse:
-Bom, Miro, tome cuidado com a posição dela aqui no colégio e também para não se iludir.
-Você vai ver, Kamus! Eu ainda vou conquistá-la!
-Só cuidado com as ilusões!
-Mudando de assunto, recebeu algum bilhete hoje?
-Não. Por que é que você faz questão de me lembrar disso, Miro?
-Porque é legal saber que tem alguma garota da nossa sala apaixonada por você!
-E se ela não for dessa sala?
-Nossa, não tinha pensado nessa possibilidade. Mas eu já preparei o meu kit de solucionar mistérios! O bilhete está aí com você?
-Não, eu joguei fora. Rasguei.
-VOCÊ FEZ O QUE? RASGOU?
Todos que estavam em volta de Miro e Kamus pararam e olharam para eles. Alguns curiosos, outros assustados. Até Aioros, que estava mastigando um bolinho de nata, parou de comer.
-Por que você não grita um pouco mais alto e procura chamar atenção dos alunos da quinta série, Miro?
-Desculpe... Mas escuta, você rasgou mesmo!
-Rasguei. Você quer que eu diga o que? Eu não tenho poderes mágicos de regeneração. O bilhete rasgado já deve estar no lixão da cidade.
-Kamus, como você pôde fazer isso?
-Fazendo, ué.
-Era um bilhete carinhoso! De amor! E agora, não vai dar mais para comparar a letra!
-Ah, não seja por isso, Miro. Daqui a alguns dias eu vou receber outro, aí você guarda.
-Convencido, não?
-Não sou convencido, cara. Só acho bastante previsível. – Disse Kamus com a expressão séria de sempre, cruzando os braços.
Não demorou muito, Aioros, Dohko e Shura foram ao encontro dos dois.
-Vocês dois não desgrudam. Daqui a pouco vai ficar mais estranho que o Afrodite.
-Fique quietinho, na sua, Shura!
-Vai me bater, Miro?
-Não. Sou superior que isso.
Shura ficou sem graça e cruzou os braços, em posição de desafio.
-Bom, Kamus e Miro, nós vamos estudar hoje a noite. Está bom pra vocês? – Perguntou Aioros animado.
-Sim... – Responderam juntos.
Estavam discutindo onde iriam estudar quando Aioros deu um cutucão em Dohko.
-Acho que ela quer falar com você. – E apontou para a garota na porta da sala.
Lígea deu o seu sorriso de sempre e ficou parada, esperando ele ir até ela.
-Ah pessoal, o que vocês decidirem, tá ótimo. Preciso ir lá falar com ela.
Os garotos riram, deixando Dohko todo encabulado.
-Oi Lígea! Deu tudo certo ontem à noite?
-Oi Dohko. Sim, deu tudo certo.
-Que bom!
-É! Mas hoje eu trouxe meu guarda-chuva!
-Que pena! Então não poderei te levar até sua casa, caso esteja chovendo!
-Hehehe... É...
Os dois se olharam por uma fração de segundos e então ela voltou a si:
-Vim te procurar pelo seguinte. Fiquei sabendo que vai haver a Semana Cultural. A Nix pediu para que formássemos duplas, pra expor uma tela. Vim aqui então, perguntar se você gostaria de pintar junto comigo.
-Mas é claro! – Dohko agora estava realmente sonhando.
-Então era isso! Bom, eu ja vou indo, Marin está me esperando! Depois eu te ligo e a gente combina!
Acenou e saiu da sala.
Foi então, nesse momento que Dohko percebeu que realmente estava apaixonado.
