-Olá, olá gente! Obrigada pelas "Reviews"! É bom saber que vocês gostam da minha estória... Vou sempre acatar sugestões de vocês. Que tal colocar um pouco de mistério na estória? Abraços!

Capítulo 6

O Pacote pardo

A semana passou depressa, e com isso a aula de Grego chegou. Todos estavam preocupados com os resultados das provas, porém, para desânimo geral dos alunos, Eugeu apenas trouxe apenas a seguinte notícia:

-Ainda não passei as notas para a caderneta. Não vou entregar os testes hoje, porém já adianto que vocês foram péssimos.

Virou-se para lousa para depois acrescentar:

-E não vou mais dar testes surpresa. Esse realmente foi lamentável. Vou somá-lo e dividir a nota por três. Chega de falar daquele teste que mais parecem atestados de ignorância. Abram seus cadernos, pois vou ditar a matéria de hoje.

Os garotos notaram que Eugeu estava extremamente mal-humorado.

-Com certeza a mulher dele dorme de calça jeans! – Comentou Mascara da Morte indignado.

-Hahahahahaha! – Kanon ria disfarçadamente. Porém sua cabeça estava em outro lugar, e não na piada de seu colega.

Saga com certeza era o aluno preferido do professor de Grego. Eugeu não demonstrava simpatia por ninguém, mas aturava o garoto. Toda vez que perguntava algo para a sala fazia questão que Saga respondesse.

O sinal tocou para o intervalo e todos davam graças aos deuses por terem tido piedade deles.

-Será que o pessoal da outra sala agüenta essa cara? – Perguntava Aioria expressando alívio.

-Pergunte ao seu irmão.

-Talvez faça isso mesmo, Shaka.

-E quando é que nós vamos nos reunir para decidir o que vamos apresentar na semana cultural? – Aldebaran chegou perguntando animado.

-Que eu saiba – Opinou Mu – Teremos que nos basear nos cursos alternativos e em pelo menos uma matéria normal da escola.

-De quantos alunos são os grupos? – Saga parecia interessado.

-O Miro deve saber!

-Porque o Miro deve saber, Aioria?

-Porque eu ouvi meu irmão dizer que ele vai cuidar da abertura da Semana.

-Ah, então vamos lá falar com ele. Assim nós já formamos os grupos e já começamos os trabalhos. – Sugeriu Saga.

-Isso, assim não fica acumulando com as provas. – Concluiu Mu.

-Mas esperem!

-O que foi Aldebaran?

-Mascara da Morte e Kanon não vão participar?

-Onde será que eles estão?

Os quatro olharam ao redor e não os encontraram. Seguiram sem eles até onde estava Miro e seus colegas de classe.

-Olá, Miro!

Miro comia uma esfiha quando os outros chegaram. Dohko, Aioros, Shura, Kamus e até mesmo Afrodite estavam reunidos tomando o seu lanche matinal. Se cumprimentaram e o papo começou. Miro disse que poderiam ser formados para as matérias normais grupos de até oito pessoas e que para os cursos alternativos, com a exceção de Corte e Costura, deveriam ser formadas duplas. Concluíram que o grupo todo poderia continuar junto já que eram formado de sete e seis pessoas cada um. O único problema visível que teria que ser enfrentado era a escolha da matéria, já que cada um ia bem em algo diferente. Enquanto discutiam entre si, Mascara da Morte e Kanon se aproximaram com uma notícia interessante.

-Nós seguimos o professor de Grego até a sala dos professores. – Começou Mascara da Morte a falar.

-E por que fizeram isso? – Perguntou Aioros curioso.

-Porque nós queríamos saber se ele estava com as provas aqui no colégio. – Respondeu Kanon.

-E ele está? – Quis saber Miro.

-Sim. No armário número 18.

-Kanon, como é que você viu o número do armário?

-Simples, Shaka. Enquanto eu esperava o Mascara da Morte fingir uma dúvida de Literatura, eu fiquei observando o professor Eugeu.

-Mas você não viu as provas... Ou viu? – Aioria começou a ficar ansioso.

-Ele estava com um envelope pardo e gordo na mão. Tirou do armário, enfiou alguns papéis e enfiou o envelope de novo lá.

-Querido Kanon – Afrodite que estava em silêncio resolveu se manifestar – E com que base você pode dizer que o pacote que o professor estava guardando eram as provas realmente?

-Afroditezinho – Falou em tom de deboche – Eu sei que aquelas eram as provas. Eu as vi sendo guardadas naquele pacote.

-Mas... Porque vocês querem saber onde estão as provas? – Mu parecia não entender a atitude dos colegas.

-O que isso muda? As provas já foram feitas! – Exclamou Aldebaran.

-Muuuuita coisa muda, meus caros! – E um sorriso irônico brotou na face de Mascara da Morte.

-Me diz, então o que muda, não estou entendendo a sua lógica.

-Muito fácil, Kamus. E se de repente as provas somem? – Disse Kanon com o mesmo sorriso de seu colega

Todos ficaram espantados, olhando para Kanon e Máscara da Morte.

-Vocês não podem fazer isso. – Disse Kamus de olhos fechados.

-São contra as regras do colégio! – Aioros agora parecia irritado.

-Ah, falem sério, caras. Duvido que vocês tenham ido bem! – Mascara da Morte agora colocava as mãos sobre a cabeça.

-É, nós só vamos fazer um favor a todos. Quando essas provas sumirem, o professor não vai poder dividir a nota por três.

-E vai aplicar um outro teste pior! Não vou deixar vocês fazerem isso! – Shura já tinha saído do sério.

-Fique na sua Shura! Nós vamos salvar a pátria e a sua nerdisse está nos atrapalhando!

-Cala a boca Kanon! Você acha que eles não vão desconfiar que foram alunos que fizeram isso?

-O Shura está certo. Ele não vai simplesmente aceitar o fato de que perdeu as provas. – Pela primeira vez, Saga entrou na conversa.

-Agora o meu irmão quer dar uma de santo!

-Kanon, estou sendo realista.

-Você sempre quer passar lições de moral sendo que não tem moral nenhuma!

-E você não tem escrúpulos!

-Ah não! Por favor, chega de discussão! – Interveio Mu – Vocês vivem discutindo! Ninguém vai fazer nada até as provas chegarem nas nossas mãos. Não sabemos as notas, não sabemos se o nosso professor está exagerando. Só nos resta esperar. Se todo mundo for mal, a gente estuda mais para a próxima.

-Você é um molenga! Medroso! – Kanon esbravejou.

-Deixa ele, Kanon! – Aldebaran se postou em sua frente.

Mascara da Morte e Kanon cruzaram os braços contrafeitos, mas tiveram que aceitar o tal fato. Os outros dez concordaram com o que Mu falara e cada um seguiu seu rumo.

Os cursos que faziam durante à tarde estavam se tornando cada vez mais difíceis. Shaka e Mu estavam encontrando muita dificuldade no Xadrez mesmo utilizando os finais de semana para estudar.

-Cheque-mate, Mu.

-Isso não foi um cheque-mate, Shaka! Preste atenção! Você encurralou a rainha dele com essa jogada. Abra os olhos! Abra os olhos! – Dizia Ícaro irritado.

Para Afrodite em Corte e Costura as coisas também não estavam sendo fáceis.

-Afrodite! Você costura muito bem.

O garoto estava começando a se sentir o máximo, começou a sorrir para a professora Eulália, quando desmoronou do seu pedestal.

-Mas os seus arremates são um lixo! – Disse ela jogando a camisa de linho feita por ele no chão.

Kanon e Dohko, por mais difícil que a arte estivesse se tornando, se divertiam muito durante as aulas.

O garoto chinês não conseguia se conter quando ouvia Kanon dar uma de esperto para a professora.

-Esse é o conceito da Arte Moderna, professora!

-Eu já enxergo um outro tipo de conceito quando vejo a sua tela, Kanon.

-Ah é? – Perguntou muito interessado.

- Sim. Algo além da arte.

Dohko parou de dar suas pinceladas para ouvir o que a professora tinha a dizer. Lígea, que estava ao seu lado, também olhava curiosa. A expressão de Kanon se tornava cada vez mais orgulhosa de si, pois tinha conseguido enganar a sua tão sábia mestra.

-Vejo que você é um manipulador de primeira e preguiçoso. Não vou deixar você expor isso – Disse apontando para a tela – E me rebaixar tanto. Ou você aparece com algo que me impressione na aula que vem ou serei obrigada a lhe dar uma nota bem baixa para você.

Dohko e Lígea davam risadas gostosas. Kanon olhava para a tela desapontado.

A aula que todos mais gostavam com certeza era a de Esgrima. Shura era o aluno mais empenhado e tinha dom nato para o esporte. Aioros sempre saía com sua roupa rasgada da aula.

-Assim não dá, Shura. Eu não agüento mais mandar camisetas pra minha mãe costurar.

-Então preste atenção, não abaixe a sua guarda e saiba se defender, cara!

-Isso mesmo! – Perseu dava apoio ao seu mais talentoso aluno.

Por fim, Aldebaran dava um show e tanto na cozinha. Kamus tinha preferido ficar com ele como dupla, pois percebeu que era impossível trabalhar com Afrodite.

-Quero ver a minha dupla preferida cozinhar cada dia melhor! Lembre-se do prato que vão apresentar na Semana Cultural! – Disse a professora Jocasta pressionando Kamus e Aldebaran.

-Ela sempre faz essa pressão com a gente, Kamus! Não suporto isso!

-Não se preocupe, Aldebaran. Apenas vamos fazer as nossa parte.

Cozinharam até o final da aula. Quando ela finalmente terminou, ninguém conseguia acreditar que poderiam voltar para casa e descansar.

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Eram onze horas da noite quando uma sombra negra pulou os portões do colégio. Com o seu spray, descobriu onde havia raios infravermelhos e teve o cuidado para não acionar nenhum alarme. Ficou muito contente ao ver que os dois seguranças dormiam. Caminhava lentamente e ofegante com seus sapatos de sola de borracha. Precisava chegar o mais rápido possível até a sala dos professores. A escola a noite era assustadora. A única luz que havia nos corredores era a de uma lua um pouco encoberta pelas nuvens de que ameaçavam uma forte chuva.

Com todo o cuidado para não ser vista, a sombra correu degraus acima o mais rápido que pôde.

Como estava tudo muito escuro, trombou fortemente com uma das estátuas de um Deus que enfeitava o corredor, fazendo um barulho enorme. Com o susto quase soltou uma exclamação que poderia denunciá-la. Resolveu ignorar a estátua e seguiu o seu objetivo.

"Depois eles repõem essa estátua... Só gostaria de saber de qual Deus eu vou receber alguma punição. Espero não ser a de Zeus."

Chegou até a sala dos professores. Respirou fundo e hesitou. Pareceu refletir. Ainda podia desistir se quisesse. "Não, eu preciso fazer isso. Preciso provar pra ele..."

Entrou. Agora só precisava achar o maldito armário. Olhava e olhava, orava mentalmente para ninguém encontrar seus rastros.

"Cadê! No escuro é tão difícil! 13... 14... 15... Onde está o número 18? Caramba... acho que realmente não era para eu estar aqui!"

Respirou mais fundo ainda dessa vez. Fechou os olhos e se viu mentalmente em situações parecidas com aquelas. O que lhe aconteceu depois? Recebera vários castigos, passaram a desconfiar de sua pessoa. O que queria provar com aquilo?

"Se eu abrir os olhos e não encontrar o armário em uma tentativa vou embora."

Se concentrou ao máximo e por ironia do destino, o número 18 estava bem a sua frente.

"Calma... você já fez metade. Vai conseguir."

Um estrondo de repente invadiu a sala. A sombra olhou para o teto e viu uma das mais fortes chuvas de sua vida bater sobre a cobertura de vidro do recinto.

Se dirigiu até o armário e com suas luvas de couro tocou no cadeado que o trancava. Como sabia que ia encontrar obstáculos desse tipo, se preparou. Tirou do bolso de sua jaqueta preta uma chave de fenda e um cadeado igual ao original. Precisava agir rápido naquele momento.

Sem muito esforço abriu o cadeado e colocou em seu outro bolso. Seu coração começou a bater muito depressa. Parecia que ia saltar pela boca.

"Até agora está tudo bem..."

Mas quando abriu o armário, para seu desespero, uma sirene muito alta começou a tocar. Entrou em pânico na mesma hora. Olhou pra dentro do armário e viu não um só pacote pardo, mas três.

"E agora? Qual desses!"

Sem pensar, agarrou os três envelopes gordos e saiu da sala correndo. Os corredores pareciam infinitos e em sua jornada de volta, acabou derrubando outra estátua.

"Droga! Essas estátuas não deviam ficar aí no meio do caminho!"

Enquanto resmungava e seus pensamentos estavam a mil por hora em sua cabeça, ouviam-se passos vindo em sua direção.

"Não posso deixar que me peguem aqui!"

Dois seguranças chegaram ao local onde a sombra estava e com suas lanternas fizeram uma busca.

-O barulho parecia vir daqui.

-Tem alguém aqui, com certeza. – O segurança andava procurando lentamente com a sua lanterna em mãos.

-Acho que estávamos enganados... – Concluiu o outro segurança.

-Vamos subir para o terceiro andar.

A sombra respirou fundo ao ouvir os passos dos dois seguranças partindo. Saiu lentamente de trás de um pilar e logo depois começou a correr novamente em direção a porta de saída do edifício.

Pronto. Já estava no pátio e agora só precisava sair de dentro do colégio. Mas como se as luzes do colégio tinham sido acesas após o soar do alarme?

"Respire fundo... Respire fundo... Pense... Você sabe pensar... Sabe analisar... Como sairei daqui?"

Seus olhos jamais se movimentaram com tanta velocidade. Rapidamente olhou ao seu redor. Havia uma varinha de salto em altura encostada no canto da quadra, uma grande quantidade de colchões e bambolês. Logo seus ouvidos começaram a ouvir novamente passos em sua direção.

"É agora ou nunca!"

Sem pensar duas vezes, correu em disparada até a varinha de salto em altura. Jogou os envelopes do outro do muro e usou o instrumento para dar o impulso desejado.

Subiu o suficiente para se agarrar na alta parede de concreto. Com as últimas forças que lhe restavam subiu no muro e tentou não olhar para baixo. "Provavelmente as provas estão todas molhadas. Mais da metade do plano já deu certo." Como se estivesse para mergulhar em uma grande cachoeira pulou do muro sem saber o que lhe aguardava.

A queda foi terrível. Quando chegou ao chão, levou as mãos à boca. Não faltava nenhum dente. Se levantou rapidamente do chão e sentiu seu braço arder fortemente. A chuva molhava seus cabelos sem trégua. Enquanto procurava saber se seus ossos estavam em seus devidos lugares, se lembrou do que tinha ido fazer.

"Cadê os pacotes! Não posso deixar que agora isso dê errado! Quase me quebrei por isso!"

Começou a andar pela calçada, em alerta. Não demorou muito para ver dois pacotes, juntos, nadando numa poça de água.

"Onde está o terceiro?" Repetia várias vezes enquanto mantinha o seu rosto colado no chão. Já estava quase se entregando e torcendo para aquele envelope não conter as provas da sua turma, quando foi encontrar quase entrando em um bueiro. Atirou-se no chão e o pegou com toda a sua força.

Com o corpo todo dolorido, olhou para o relógio em seu pulso. Já eram mais de meia-noite. Saiu correndo em direção a sua casa.

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-Nossa, você está com uma aparência lamentável, Kanon!

-Não enche, Máscara.

-Parece que dormiu num armário.

-Passei a metade da noite fazendo flexões. Cuidando do corpão. Senão, nenhuma menininha vai querer o papai aqui.

-Hehehe, saquei...

-A gente anda bebendo demais, cara! Daqui a pouco vamos criar pança!

-Eu corro, pulo, tem aula de educação física... Eu malho...

Sete e meia da manhã, Kanon e Mascara da Morte já estavam discutindo garotas, aparência e baladas. Só pararam para escutar Aldebaran assustado comentar com Mu, que lia uma revista, entretido:

-Acabei de chegar. Está o maior bafafá no corredor, Mu.

-O que foi que houve? – Mu ainda escondia o seu rosto com a revista.

-Quebraram duas estátuas, parece que foi ontem à noite.

O garoto tibetano parou de ler e encarou Aldebaran.

-Nossa, Mu! O que aconteceu com você? Sua bochecha está inchada...

-Eu acordei com dor de dente. Devem ser os do siso que estão nascendo... Mas diga, Deba. Que estátuas que foram quebradas?

-Uma de Ártemis e outra de Hermes. Vândalos!

-Ainda bem que não foi uma de Zeus, não é?

-Como assim, Mu? Endoidou?

-Não Aldebaran. Se fosse de Zeus, o castigo seria pior.

Aldebaran não conseguiu engolir o que o amigo tinha dito. E não sabia porque.

Logo chegaram Shaka e Aioria e foram se juntar aos outros dois, comentando da mesma situação.

-Vocês viram? Quem será que foi que fez isso? – Aioria parecia intrigado.

-Se fosse lá na Índia seria um sacrilégio! Uma vez duas crianças sem querer quebraram uma estátua de Vishnu, quase sacrificaram as coitadas!

-Ato de vandalismo! Puro vandalismo!

-Calma Aldebaran! Você acha que alguém simplesmente chegou chutando as estátuas?

-Não, Shaka. Mas com certeza alguém que não gosta de mitologia!

-Eu ouvi um dos seguranças dizendo que foi durante a madrugada. – Informou Aioria.

-Então, Aldebaran. Não faz sentido alguém vir ao colégio de madrugada somente para quebrar duas estátuas. Só se ele estivesse com raiva dessas duas divindades.

-Tem razão.

-Nossa Mu, nem vi que você estava aí! Está mais quieto que de costume! E tão envolvido com a matéria! – Shaka olhava para a revista suspensa no ar pela mão do colega.

-Olá Shaka, olá Aioria!

-O que houve com o seu rosto, Mu?

-Acordei com dor de dente. Vou ao dentista hoje à tarde.

Os dois pareceram acreditar no amigo, enquanto Aldebaran ainda estava desconfiado.

Uma aula se passou, a outra se passou e o intervalo veio. Kanon e Mascara da Morte pareciam mais alheios que nunca. Mu estava muito quieto e quando lhe perguntavam o motivo dizia que era dor de dente.

-E cadê o Saga, gente?

-Faltou...

-O Saga é muito estranho. Misterioso... – Shaka refletia.

-É o tipo de pessoa que a gente nunca sabe o que está pensando. – Acrescentou Aioria.

-Depois a gente pergunta pro Kanon o porque da falta do irmão. – Disse Aldebaran ao mesmo tempo em que acenava para Aioros.

-E aí galera! – Cumprimentou a todos.

-E aí, Aioros! – Aldebaran deu um soco no ombro do colega.

-Onde está o seu fiel escudeiro, o Shura? – Quis saber Aioria.

-O Shura faltou. Não sei o motivo.

-O Saga também.

-Vocês ficaram sabendo das estátuas quebradas? Espero que o responsável seja severamente punido! Isso é um absurdo! É como desejar o mau às divindades!

-É! Eu disse ao seu irmão, Shaka e ao Mu – e olhou espremendo os olhos para ele – Que isso foi um ato de vandalismo!

-Ouvi o Miro comentar com o Kamus que a orientadora Calíope vai mandar investigar o colégio por completo.

-Outro estranho é esse Kamus. – Aioria disse com veemência – Não vou com a cara dele.

-Ele chegou esquisito hoje. – Observou Aioros – Parecia que tinha passado a noite em claro.

-Mas hoje está sendo o dia das esquisitices! – Aldebaran fez questão de comentar bem alto.

-Por que, meu grande amigo brasileiro?

-Prefiro guardar minhas opiniões, Aioros.

-Você é que está estranho, Aldebaran.

-Me deixa, Shaka. Não estou agüentando ficar aqui. Vou dar uma volta.

Aldebaran saiu de perto deles. Automaticamente todos olharam para Mu.

-Que que foi? Eu não sei de nada... – E resolveu sair do meio deles para não precisar responder mais nenhuma pergunta.

-Aioria, tem algo muito estranho acontecendo com o Aldebaran e com o Mu.

-Acho melhor não nos metermos, Shaka.

-O Deba é muito amigo do Mu, né não?

-É sim, irmão. E algo deve estar errado.

-O Mu está estranho hoje. Está muito calado. – Dizia Shaka enquanto mantinha os olhos focalizados no amigo de cabelos cor lilás.

-O Mu é calado, Shaka!

-Eu sei Aioria, mas ele está mais hoje. Ele fala o necessário. Hoje nem isso ele está fazendo.

-Se for por isso, o Kamus, o cara lá da minha sala, também está mais calado que nunca.

Depois do intervalo e de terem assistido suas respectivas aulas, Aldebaran foi atrás de Kanon para perguntar do irmão:

-Onde está o Saga, Kanon?

-Cara, nem sei te dizer porque não o vejo desde ontem.

Na saída, Shaka ao se despedir pergunta a Aldebaran:

-Você discutiu com o Mu?

-Não. Ele que não quer se abrir.

-Aldebaran, você me aconselhou aquele dia em que o Aioria brigou comigo, hoje me sinto no direito de expressar minha opinião.

-Vá em frente então.

-Se você acha que deve, tente conversar com ele abertamente. Exponha seu lado, certo? Não o acuse de nada. Diga que está disposto a ouvir.

-Certo, Shaka. Valeu pelo conselho, cara!

Deram adeus e rumaram as suas casas.

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"Alunos dos terceiros A e B, favor comparecerem ao anfiteatro principal levando consigo todos os seus pertences."

A quinta-feira foi tumultuada. Cada estudante que lia o recado na lousa saía preocupado.

Saga chegou pálido no auditório. Avistou seus quatro amigos e resolveu se juntar a eles.

-Nossa, Saga! O que aconteceu com você? – Aioria fitava-o assustado.

-Olá, olá. Ontem eu comi uma coxinha na cantina. Passei mal. Deve ter sido isso. Ainda não estou nos cem por cento, mas não da pra ficar faltando...

-Pelo menos você tem um irmão que te passa o conteúdo! – Comentou Aldebaran.

-O Kanon é a mesma coisa que nada! Não copia a matéria...

-Então, se você quiser, o Mu copiou, não falo do meu caderno porque minha letra só eu que entendo...

-Valeu Deba... Tudo bom, Mu?

-Sim, Saga. Fico feliz que você esteja bem!

-Bom... O que acontece pra gente estar aqui?

-Ja, já, vamos descobrir! – Disse Shaka observando os outros alunos.

Aioros chegou na sala, acenando para seu irmão e os outros garotos com Dohko e Shura, amigos inseparáveis. Subiram e se sentaram ao lado de Kanon e Mascara da Morte que riam alto.

Miro chegou junto com Kamus, para variar. Sentaram na frente, é claro, porque o garoto grego tinha seus motivos.

-Fique calmo, Miro. Daqui a pouco ela chega e você mata as suas saudades. – Kamus disse debochando do amigo.

-Pare de falar assim! Nunca vou matar minhas saudades dela porque...

-Não continue. Poupe meus ouvidos.

Miro fechou a cara e cruzou os braços. Observou Afrodite subir as escadas abraçado com Shina. Os dois estavam rindo muito e chamando a atenção de todos os alunos. Se sentaram um ao lado do outro e continuaram rindo.

-Será que esse estranhão ta catando aquela mina boazuda? – Mascara da Morte estava boquiaberto.

-Impossível! Esse aí é uma dondoquinha! Nunca pega mina, mas nem ferrando! – Kanon falava impiedosamente.

-Bom, se ele ta pegando ou não, ta fazendo bem pra imagem dele – Comentou Dohko – Ela é uma garota bonita e propaganda é a alma do negócio.

-É bom que nem esteja catando! – Shura deu um leve murro na cadeira universitária – Estou de olho nela desde o primeiro dia de aula!

-Acho melhor você correr então, Shura! Hehehehe... Porque tem gente saindo em vantagem!

-Fica na sua, Aioros!

Enquanto riam da situação de Shura, Lígea chegou, cumprimentou todos os garotos com um breve aperto de mão e foi pedindo se não poderia se sentar ao lado de Dohko. Depois, começou a justificar:

-Ah... A Marin quer se sentar ao lado de Aioria, então, pensei que não seria má idéia vir sentar aqui, junto com vocês. – E sorriu.

Dohko ficou totalmente inebriado. O outro par de olhos também. Ele se sentia desprotegido perto daquela garota. Não foi ouvida a sua voz até a orientadora aparecer no anfiteatro.

Calíope entrou e com ela vinham todos os professores do colégio, inclusive os dos cursos alternativos, e o grande diretor Shion.

Ao verem a presença da ordem superior máxima, todos os alunos se levantaram das cadeiras e se calaram. Shion fez um gesto para se sentarem e então eles permaneceram em extremo silêncio.

-Estamos todos reunidos aqui – Calíope começou a falar – Porque foi constatado um roubo aqui na escola, e esse roubo nos rendeu duas estátuas divinas quebradas.

Um murmúrio invadiu o auditório. Kamus e Miro trocavam olhares aturdidos entre si. O barulho ia aumentando gradualmente quando Shion fez o mesmo gesto e as falas cessaram-se.

-Na noite de terça-feira, algum aluno invadiu o colégio, as altas horas e roubou a sala dos professores. – Continuou a orientadora – Roubou todo o conteúdo do armário do nosso queridíssimo colega professor Eugeu.

O professor expressava raiva, rancor e curiosidade, tudo em um mesmo olhar.

A sala de repente se tornou um grande mercado de peixe. Kamus e Miro estavam extremamente assustados e não conseguiam olhar um para o outro. Automaticamente, Aldebaran, Shaka e Aioria olhavam muito feio para Kanon e Mascara da Morte. O mesmo se aplicava a Aioros, Dohko e Afrodite, que tentava ver a expressão no rosto dos dois.

Saga permanecia imóvel, Mu parecia ter entrado em estado de choque e Shura mantinha os olhos fechados com os braços cruzados firmemente.

-Não olhem pra mim! – Dizia Mascara da Morte descontrolado.

-Eu não fiz absolutamente nada! – Kanon estava beirando o desespero.

-SILÊNCIO! – Gritou Calíope tentando recuperar a atenção dos alunos. – O senhor diretor vai dar a sua palavra agora.

-Bom dia, caros alunos. – Shion começou com seu discurso – Venho até aqui para dizer o quanto estou insatisfeito com essa notícia. Estou na liderança desse colégio há mais de 40 anos e algo desse gênero nunca aconteceu. Iremos resolver isso da melhor maneira possível e não serão medidos os esforços para conseguirmos solucionar esse caso. O aluno culpado será devidamente punido. Desde já, digo que seria melhor para ele se confessar. Seria um caminho mais honroso para ele. Gostaria que, se alguém soubesse quem cometeu esse delito, viesse me comunicar.

Shion passou a vez para Calíope novamente:

-Como o nosso diretor disse, o aluno pode se apresentar desde já. Abriremos uma investigação com a polícia envolvida no caso. Achamos isso aqui – Fez uma pausa e mostrou um pedaço de tecido preto rasgado – Próximo ao muro da quadra. Pertence ao ladrão. E agora faremos uma inspeção em suas bolsas, mochilas, tudo o que carregam. Por favor, formem uma fila e permaneçam em silêncio.

Os alunos saíram dos lugares e formaram uma grande fila. Enquanto as mochilas iam sendo examinadas, os garotos ficavam extremamente ansiosos. Marin abraçava fortemente Aioria que parecia confortar a garota. As mochilas eram esvaziadas, viradas ao avesso e todo o seu conteúdo era revistado. Pouco a pouco iam saindo alunos aliviados. Logo chegou a vez de Mu. Ele entregou a mochila à orientadora e ficou esperando, calado, revistarem suas coisas. Aldebaran não tirava os olhos do amigo. Quando viu que não havia nada de errado, ele deixou o anfiteatro e esperou por seus outros amigos ao lado de fora.

Depois de quarenta e cinco minutos todos tinham deixado o anfiteatro e caminhavam para a aula de educação física. Os comentários entre si eram inevitáveis.

-Tenho certeza de que ou foi o Kanon ou o Mascara da Morte! – Aioria parecia determinado demais ao dizer isso.

-Não posso discordar do que o Aioria está dizendo...- Shaka comentou olhando para o chão.

-Eu disse pro meu irmão que ia dar rolo! Eu bem que disse!

-Mas o seu irmão não te ouve, Saga! Ele é um desordeiro e louco! – Disse Aldebaran com os punhos cerrados.

-Meu pai vai se lamentar quando souber da notícia...

-Calma Saga... Você nem sabe se foi ele mesmo!- Shaka queria consolar o amigo.

-Pode não ter sido ele, pode ter sido o Máscara da Morte! – Aldebaran queria animar Saga de qualquer jeito, quando viu Mu que parecia estar em alfa – E você, Mu, qual a sua opnião?

-Hã? Nossa, desculpem! Eu estava distraído...

-Qual a sua opinião, Mu? – Insistiu Aldebaran.

-Preciso ir a enfermaria ver se eu tomo um remédio para a minha dor de cabeça. Encontro vocês na quadra.

Mu saiu andando as pressas de perto dos garotos.

-Eu vou atrás dele. – E Saga saiu apressado no encalço do amigo.

-Isso É ou NÃO É estranho? – Aldebaran perguntou a Shaka e Aioria.

-É sim... – Somente Aioria respondeu.

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-Espere aí, Mu! – Saga gritava para Mu, que apertava os passos.

Vendo que o amigo não ia mesmo parar, correu o mais depressa que pôde e segurou Mu pela camisa.

-Hey Saga, o que está fazendo?

-Quero falar com você! – Finalmente Saga o parou.

-Diga. – Mu estava de costas para ele.

-Olhe pra mim, Mu. Por favor.

Mu respirou fundo, contou mentalmente até três e se virou. Seus olhos estavam marejados. Sentindo piedade do colega de classe, Saga deu-lhe um grande abraço.

-O que aconteceu? Você não quer me contar?

-Problemas na minha família. Meu irmão...

-O que tem o seu irmão, Mu?

-Ele está doente. Estou preocupado.

-Ah, Mu! Com certeza ele é tão forte quanto você! E vai ficar bom!

-É que ele só tem oito meses, Saga.

Saga ficou comovido. Que palavras que iam consolar o amigo em um momento como aquele? Por mais que sua relação com seu irmão fosse conturbada, se ele caísse doente, iria dar sua vida por ele. Resolveu perguntar uma única coisa.

-Era isso que você não queria dizer ao Aldebaran?

Mu encarou Saga fortemente.

-Não queria parecer um molenga na frente dele. Nem de vocês.

-Você não é! Todo mundo sabe! Até você sabe!

-Não precisa, Saga. Não precisa mentir.

-Eu não minto!

-Você...? Ok...

-Vamos voltar pra aula de educação física. Tente melhorar, amigo. Vamos?

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-Foi você, não foi?

-Eu acho que foi você! A idéia foi sua! Tudo seu! Não jogue a culpa em mim, Kanon!

-Claro que não, Máscara! Não fui eu! Agora, se foi você, pode me falar cara! Eu juro que não vo fala pra ninguém!

-Kanon, não fui eu também! Depois daquele esculacho do Mu eu nem levei a idéia em diante!

-Eu também não seria louco de fazer isso! O cara colocou a polícia no meio! Me fala! Foi você!

-Kanon, escute bem. Nós íamos fazer isso juntos. Não teria porque eu cumprir A missão sozinho.

Kanon ficou pensativo, olhando fixamente para a porta do banheiro, sem encarar Máscara da Morte.

-Máscara...

-O que?

-Nós teremos problemas.

-Mas por que?

-Porque se algum daqueles babacas abrirem a boca, estamos ferrados!

-Putz meu... Nunca vão acreditar que não foi a gente!

-Teremos que contar com a sorte...

-Kanon, se formos acusados de algo, o que vai acontecer com a gente?

-Eu não quero nem saber.

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-Kamus, você não tem nada a ver com isso, não é?

-Miro, você está desconfiando de mim?

-Você chegou ontem na escola, com uma cara de quem não dormiu a noite e ficou quieto a manhã toda.

-Eu fiquei estudando culinária, Miro. Já disse. A mulher está fazendo muita pressão.

-Então... Você acha que foram aqueles dois, o tal Kanon e o Mascara da Morte?

-Eles são suspeitos.

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-Responde, Shura! Porque você faltou da aula ontem?

-Calma aí, Aioros! Não fique pensando besteira de mim! Já disse, acordei atrasado e fiquei com preguiça!

-Shura, você tem certeza de que não sabe de nada?

-Que que é isso, Dohko? Ta achando que eu sou o culpado só por eu ser preguiçoso?

-Não estou apontando o dedo pra você. Só quero que você seja sincero conosco. Somos seus amigos!

-Acho bom mesmo!

-Então não foi você mesmo?

-Caramba, Aioros, você é um chato insistente!

-Tá bom... Vamos encerrar isso por aqui mesmo. – Disse Dohko pensativo.

Depois disso, o clima realmente iria pesar.