Então, mais uma vez atualizando a fanfiction. Fiquei muito feliz em receber os reviews de vocês de novo e já tem gente apostando no suspeito. Mas vamos embora porque a história continua. Muitos beijos e abraços! Obrigada mesmo!
Capítulo 7
Cinema e revelações
Depois do grande escândalo do roubo das provas, ninguém pôde respirar direito naquele colégio. Na entrada, todos os alunos eram revistados, causando filas enormes para o acesso do colégio.
Calíope havia nomeado Miro seu espião secreto. Ficou encarregado de levantar o maior número de informações que conseguisse, porém estava enfrentando muitas dificuldades. Em primeiro lugar, se ficasse fazendo muitas perguntas, seus colegas iam desconfiar. Em segundo lugar, os garotos estavam se ofendendo com muita facilidade. Até Kamus que não ficava facilmente nervoso encurralou Miro na parede:
-Miro, se você fizer mais uma dessas perguntas pra mim, aí sim que eu vou poder ser acusado de um crime. Mas um crime muito pior.
-Calma Kamus! Eu só estava...
-Estava não, ESTÁ me tirando do sério!
Outro que continuava mais calado que nunca era Mu, que evitava qualquer tipo de assunto relacionado a Eugeu ou àquela madrugada. Aldebaran ainda continuava afastado de seu melhor amigo, tentando encontrar um motivo plausível para tanto silêncio. Saga continuava misterioso como sempre. Às vezes sumia durante os intervalos e só reaparecia quando os professores estavam entrando na sua sala de aula. Aioria estava cada dia mais apaixonado por Marin, portanto não tinha "tempo" de ficar pensando naquele incidente todo, ainda mais com boatos correndo que a garota também estava se apaixonando por ele. Shaka passava o seu tempo livre na biblioteca, lendo e aprimorando os seus conhecimentos. Aioros tinha diminuído bastante o seu grau de espontaneidade. Não estava mais tão receptivo. Dohko procurava se manter o mais próximo de Lígea possível. Quanto mais tempo passavam juntos tinha a grande certeza de que era com ela que queria ficar. Shura tinha se transformado completamente. Bastava alguém olhar diferente para ele que já mandava frases atravessadas. O único que ainda conseguia trocar idéias com ele era Aioros. Afrodite não desgrudava um só minuto de Shina. Aos poucos, todos começaram a fofocar que ele já havia trocado uns beijos quentes com a garota, para piorar ainda mais a irritação de Shura.
Os únicos que pareciam não ter se afetado com aquela história toda eram Kanon e Mascara da Morte. Continuavam fazendo piada de qualquer bobagem e bebendo muito em suas baladas nos finais de semana. A dupla era zero em responsabilidade.
O mês de novembro chegou trazendo a certeza do outono. Os dias começaram a nascer cada vez mais frios e com uma grande quantidade de folhas ao chão. Os jardins do colégio estavam maravilhosos com seus enfeites coloridos na grama quase seca.
-Então, hoje nós vamos nos reunir para fazer o trabalho da Semana Cultural? – Perguntava Aioria esfregando suas mãos.
-Sim, e pode ser na minha casa. – Disse Saga – Afinal, são dois que moram lá.
-Eu ia pedir mesmo que fosse na casa de alguém. Meu irmão vai levar os caras do grupo dele lá em casa.
-Sem problemas, Aioria. Todos estão de acordo?
-Nenhum problema pra mim, Saga. – Shaka disse na mesma hora.
-Tranquilo! Pra mim vai ser bom porque é mais perto da minha casa. – Aldebaran disse olhando de canto para Mu.
-Não tem problema, Saga. Minha casa anda uma bagunça ultimamente.- Mu falou sem graça.
-Ótimo! Então depois das quatro da tarde estejam lá.
Dito e feito. As quatro da tarde todos se reuniram na casa de Saga e foram chegando um a um. Aldebaran tinha levado seu grande Livro de Ouro da Mitologia, caso precisassem. Shaka trazia consigo seu caderno de Matemática, Aioria os livros de História e Geografia. Máscara da Morte levara todo seu material de Literatura. O garoto realmente era ótimo em interpretar poesias e crônicas. Mu tinha levado todas as suas anotações de Biologia e Kanon separou com cuidado todas as suas apostilas de Física e Química.
Estavam todos conversando quando Saga chegou na sala trazendo o grande fichário de Grego na mão.
-Cara, como é que você ousa chegar com isso aí aqui na sala? Tinha que ser esse manézão! – Mascara da Morte estava revoltado.
-Ninguém aqui quer saber de Grego, Saga! Pelo amor de Zeus! – Exclamou Aioria. – Esse cara só nos deu dor de cabeça até agora.
-É por isso mesmo que eu acho que nós deveríamos fazer o trabalho sobre Grego. Pra mostrar a ele que não temos nada a ver com o que aconteceu.
Os outro seis permaneceram em silêncio, se encarando. Será que deveriam levar em consideração o que aquele amigo estava dizendo?
-Proponho um sorteio. – Shaka se levantou da cadeira que ocupava.
-Sorteio? Como?
-Aldebaran, cada um aqui é bom em uma matéria. Com certeza você vai preferir um trabalho de Mitologia, assim como o Aioria um de História, o Mu de Biologia, Kanon de Física, Máscara de Literatura, o Saga de Grego e eu de Matemática. Então, para não sermos injustos, vamos sortear.
-Beleza. A loirinha tem razão! Vou pegar os papéis!
-Eu não sou loirinha, Kanon!
-Você e Afrodite como dupla na aula de Esgrima da até "tesão" de ver!
-Pára!
-Não se sabe quem é a garotinha mais bonita! Hahahaha! Se é a loirinha ou se é a "Deusa da Beleza"!
-Já disse que não sou loirinha!
-Hahahahahaha! Prefere ser chamado de "Xuxa, a rainha dos baixinhos" lá da terra do Deba? – Máscara da Morte se desdobrava de rir.
Aldebaran deu um sorrisinho, mas teve de se conter, pois Shaka olhava feio para ele.
-Como é que ele sabe disso, Aldebaran? – Perguntou Aioria intrigado.
-Ele me perguntou o nome de uma mulher famosa, gostosa e brasileira que fosse loira. Só me veio ela na cabeça.
-E ela é gostosa? – Aioria pareceu se interessar.
-Eu acho... – Chamou Aioria pra perto de si e sussurou – De costas, o Shaka lembra mesmo muito ela.
Os dois começaram a rir muito. Shaka continuava emburrado, porque sabia que eles estavam rindo dele.
-Pronto! Agora vamos escrever os nomes das matérias e sortear. Você manda, loirinha!
-Quantas vezes eu vou precisar dizer que eu...
-Shaka... Quanto mais você ligar...
-A vaquinha está aconselhando a loirinha... – Debochava Mascara da Morte.
-Vamos depressa!
-Agora é o B1 que está nervosinho!
-Certo Mascara da Morte, e daqui a pouco vai ser você que vai ficar nervoso!
-Ô Brutamontes, me diz o por quê!
-Porque você vai ficar desesperado ao se olhar no espelho quando eu arrebentar a sua cara!
-Ui ui! To morrendo...
-Caramba! Chega! Me dá aqui esses papéis! – Aioria pegou os papéis dobradinhos, fez uma concha na mão, mexeu um pouco e ofereceu para Shaka tirar.
-Por que ele?
-Porque foi ele quem deu a idéia, Kanon!
-E fui eu que busquei os papéis!
-Vamo logo, tanto faz!
-Ui ui ui! A vaquinha ficou his-té-ri-ca! – Mascara da Morte imitava voz de menina enquanto dizia a frase pausadamente.
-Ah, fica quieto uma vez na vida, Mascara da Morte! Senão eu chamo o Afrodite para satisfazer as suas vontades!
-Não põe aquele gay no meio da história não, Aioria!
-Hahahahaha! Gostei, Aioria!
-Kanon, seu traíra!
-Qual é a matéria que vamos fazer o trabalho, Shaka?
Shaka pegou o papel pequeno e abriu lentamente. Não podia acreditar em sua tremenda sorte.
-Fala logo, Shaka! – Aioria estava ficando impaciente.
-Grego... – E olhou para Saga.
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Com o outro grupo não foi diferente. Estavam todos reunidos na casa de Aioros e enfrentando o mesmo problema. Dohko ia muito bem em Mitologia, assim como Miro ia bem em Grego, Aioros em Filosofia, Shura em Literatura, Kamus em Física e Química e Afrodite em Biologia.
-Vou buscar uns refrigerantes para a gente! – Aioros deixou a sala e foi até a cozinha.
-Ai ai ai gente! Vamos dar um jeito em nossas vidas? Eu ainda tenho três trabalhos dos cursos alternativos para fazer! – Afrodite começava a ficar nervoso.
-Ninguém aqui tem culpa de você não ter amigos e ficar se inscrevendo em um monte de curso pra ocupar o tempo!
Afrodite ficou absurdamente ofendido com o comentário. Dohko percebeu que o rapaz ia começar a chorar e antes que começasse, lançou uma bronca em Shura.
-Não pegue pesado, Shura!
-O cara ta avacalhando aí, pensa que é o bonzão!
-Ele não disse isso, Shura.
-Eu bem que te achava estranho, Kamus. Agora, que está defendendo essa coisa aí – Disse apontando para Afrodite – Já tirei minhas conclusões sobre você.
-Ah é? E que conclusões?
-Que você curte o Miro.
Pronto. Shura queria mesmo causar uma guerra entre seus amigos. Miro na hora ficou ruborizado e com raiva.
-Ele não me curte! Cala a boca, Shura!
-Você é um frustrado e ciumento, Shura.
-Por que está me dizendo isso, Kamus?
-Você está desse jeito porque o Afrodite anda grudado com a menina que você é apaixonado e sabe que já perdeu a batalha. Não consegue encarar isso e se revolta.
-CALE A BOCA SEU IDIOTA!
-Ei Shura, eu não estou...
-CALE A BOCA VOCÊ TAMBÉM, AFRODITE!
-Vamos parar com essa discussão boba? – Dohko entrou na briga como mediador.
-Concordo, Dohko. E então, o que vamos decidir? – Perguntou Kamus ignorando as palavras ofensivas de Shura.
Aioros chegou com os refrigerantes em uma bandeja e notou a expressão raivosa de Shura e Miro. Afrodite tinha lágrimas nos olhos. Dohko e Kamus estavam encostados no aparador da sala, com expressões sérias.
-O que está acontecendo aqui?
-PÉSSIMA IDÉIA FAZER GRUPO COM ESSES BABACAS!
-Então faça o trabalho gigantesco sozinho, Shura!
Mais separadamente, Aioros foi falar com Dohko e Kamus. Afrodite ficou assistindo a troca de farpas assustado.
-Eu não sei mais o que fazer com o Shura.
-Calma, Aioros. – Dohko colocou a mão no ombro do amigo.
-Eu acho melhor apartar isso logo. Daqui a pouco o Afrodite vai começar a chorar de verdade. – Observou Kamus.
Aioros foi até os dois que nem perceberam. Tentou chamá-los, mas ninguém o dava ouvidos. Sua paciência foi se esgotando até não aguentar mais.
-AH! JÁ CHEGA! SE QUISEREM BRIGAR, BRIGUEM FORA DA MINHA CASA!
Todos pararam. As lágrimas que custavam a sair dos olhos de Afrodite desceram por suas maçãs do rosto levemente coradas. Kamus e Dohko olharam incrédulos, assim como Shura e Miro. Na mesma hora, Afrodite pegou suas coisas e disse:
-Eu vou embora. Não precisam de mim aqui. – Engolindo o choro e se encaminhando até a porta.
Os cinco se olharam como sempre costumavam fazer quando havia alguma atitude de Afrodite inesperada, porém, antes que ele alcançasse a rua, Dohko foi atrás dele:
-Espera aí, Afrodite.
-Não, Dohko. Eu sei que eu não faço parte do grupo.
-Cara, não... Não é bem assim...
-Vocês não gostam de mim. Ninguém gosta de mim. Será que eu preciso roubar a escola pra vocês gostarem de mim? – Disse ele, sem conseguir conter as lágrimas.
-Não é isso! Afrodite! Volte pra casa do Aioros. O Shura vai te pedir desculpas. Ele é nervoso assim mesmo.
-Vocês me tratam como se eu fosse uma aberração! Vocês têm medo de mim!
-Por favor, não temos nada contra você! Acredite em mim, cara!
-Vocês acham que eu sou gay!
Por essa Dohko não esperava. Estava preparado para qualquer tipo de argumentação vinda do seu colega de classe, mas não tinha se preparado para se defender daquela acusação direta e certeira. Não podia permanecer em silêncio. Aquilo que o garoto havia lhe dito não era totalmente verdade, mas também não era totalmente mentira. Tinha que agir rápido.
-Afrodite, vamos voltar pra casa do Aioros.
-Não, não vou voltar pra lá.
-Prometo que não vai se decepcionar.
Segundos depois já estavam de volta. Afrodite tinha tentado apagar os rastros de seu choro em vão. Parecia mais do que nunca muito constrangido. Miro e Shura estavam um de costas para o outro. Kamus estava aliviado por Afrodite ter voltado e Aioros foi demonstrar a sua hospitalidade.
-Não pense besteiras da gente, cara.
-Não sou eu que penso besteiras de vocês. São vocês que pensam coisas a meu respeito.
-Pessoal – Dohko interrompeu, pois pressentia que aquela discussão ia ser pior que a anterior – Como nós não temos nada contra ele, vamos deixar ele escolher a matéria pra gente apresentar na semana cultural.
-O QUÊ!
Shura queria pular no pescoço de Dohko. Aioros lhe deu um beliscão muito bem dado.
-Não Dohko. Obrigado, eu sou apenas um coadjuvante aqui.
-TODOS estão de acordo, não estão? – O chinês olhava para os outros com olhar de súplica.
Assentiram com a cabeça. Dohko respirou aliviado.
-É com você, Afrodite.
Ele encarava todos, envergonhado. Desde o dia em que chegou naquela escola ninguém o havia defendido como Dohko fez.
-Então acho melhor nós fazermos o trabalho de Grego.
Todos abriram a boca para contestar. Dohko apenas olhou e logo eles entenderam.
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O sábado que antecedia a Semana Cultural havia chegado. Miro tinha se empenhado ao máximo e a organização para a Semana estava ficando fantástica. Calíope estava orgulhosa de seu mais novo coordenador de eventos.
Os alunos da escola também estavam envolvidos com os preparativos. Parecia que estavam mais leves e tranqüilos. Os garotos do terceiro estavam ajudando na construção dos estandes enquanto o pessoal do ginásio e os primeiros e segundos colegiais ajudavam em toda a decoração. O tema escolhido para a feira cultural era a água, então, todos os trabalhos seriam baseados nesse tema.
Havia cartazes colados por toda a escola e os alunos estavam confeccionando outdoors e faixas para convidar pessoas de fora a visitarem a feira.
Foram divididos em grupos de três pessoas. Aldebaran, Mu e Saga, Kamus, Miro e Afrodite estavam cuidando dos outdoors, Shura, Aioros e Dohko contavam com a ajuda de Aioria, Shaka, Mascara da Morte e Kanon para montar os estandes.
Trabalharam com vontade o dia todo de sábado e no final mereciam um bom descanso e por isso, Saga combinou que todos deveriam sair juntos para descansar.
-Oba! BALADA!
-Eu não acho que balada seja uma boa escolha para hoje, Kanon.
-Você é sempre estraga prazer, Saga! Até parece que...
-Ah não! Não vão começar discussões! Por favor! Estou cansado, trabalhamos muito hoje e realmente acho que balada não rola... – Disse Afrodite em tom sério e se deitando sobre a grama coberta de folhas vermelhas.
-Então vamos fazer o que?
-Eu tinha pensado em algo light, algo que todo mundo se divertisse muito e que nos distraísse, Shaka.
-Que tal um cinema? – Sugeriu Miro.
-Putz cara! Pela primeira vez você pensou! – Shura zombou do colega dando um leve esfregão em seus cabelos.
-Hey! Vai estragar o meu penteado!
-Bom, então, vamos todos ao cinema daqui a pouco? Ver que filme? – Perguntou Aioria.
-Vamos assistir a um filme de aventura? Tem um que acabou de estrear, se chama "O oráculo", que tal?
-Ótima idéia, Aioros. Ninguém aqui tem problemas com filme de aventuras. Todos gostam né? – Perguntou Kamus colocando a sua blusa de frio em tom de gelo.
Assentiram com a cabeça e combinaram de se encontrarem às sete horas na frente da praça de alimentação do Shopping Star Hill. E dadas às sete horas, todos estavam reunidos, com suas roupas de frio no local escolhido.
Caminharam juntos até o cinema e compraram seus ingressos. Como o filme era uma estréia, precisaram ficar na fila um bom tempo antes de começar a sessão.
-Quem quer pipoca? – Indagou Mu aos seus amigos
-Eu! – Saga, Aldebaran, Aioria, Aioros e Miro disseram ao mesmo tempo.
-Mu, você pode trazer um chocolate pra mim? – Disse Shura ao colega e estendendo o dinheiro. – Vou com o Kanon e Mascara da Morte até ali e já volto.
-Ahn... Claro... Mas alguém vai precisar ir comigo, não vou conseguir carregar tudo de volta...
-Eu vou com você! – Miro se ofereceu - Você não vai querer nada, Shaka?
-Obrigado! Eu trouxe a minha barra de cereal.
Os outros garotos ficaram na fila enquanto os dois foram até o balcão fazer o pedido.
-Boa noite – Miro sorriu – Gostaria de quatro pipocas médias e uma grande, cinco cocas-cola e um chocolate em barra.
Enquanto a atendente preparava o pedido, Mu tirou o dinheiro de seu bolso e colocou sobre o balcão, foi quando Miro observou a manga da jaqueta do colega.
-Ei Mu, a sua jaqueta... Ela está com um rasgo na manga.
O garoto tibetano empalideceu mais ainda.
-Obrigado por avisar, Miro. Eu não tinha percebido. – Disse ele sem olhar para o amigo.
Os dois voltaram carregados de comida e entregaram aos seus donos. Nisso, Kanon, Mascara da Morte e Shura tinham ido ao Mc Donald´s e comprado uma McOferta.
-Kanon, você não pode entrar com isso no cinema. Nem vocês, Máscara da Morte e Shura!
-Corta essa, Saga! Regras foram feitas para serem quebradas.
-Ou melhor, Máscara, para serem desafiadas.
-Isso! Isso! Kanon!
-Hahaha vou pedir pra mudar pra sala de vocês, caras!
-Bah! Azar o de vocês! Vão ser barrados na porta!
A fila começou a andar e os garotos foram entrando pouco a pouco. Shaka deu um cutucão em Saga pedindo que ele olhasse para trás. A cena que ele vê é uma das mais revoltantes de sua vida: Kanon, Shura e Mascara da Morte tinham conseguido entrar na sala do cinema com seus lanches porque haviam seduzido muito bem a mocinha que cuidava da catraca. Saga virou os olhos. Quando é que seu irmão iria tomar jeito?
Miro e Kamus sentaram-se um pouco mais afastados do pessoal. Quando o grego se sentiu seguro, fez um comentário com Kamus:
-O Mu está com a manga da jaqueta rasgada, Kamus.
-E daí? – Kamus abriu a latinha de suco de acerola e se pôs a beber.
-E daí que a Calíope... Senhorita Calíope – Corrigiu Miro depois da severa olhada do amigo – Mostrou aquele dia um pedaço de pano rasgado.
-De novo com essa história Miro? Você é muito obcecado!
-Kamus, você não acha que poderia ter sido o Mu que roubou as provas?
-Não, não acho...
-E por que não?
-Miro, olhe pra ele. – E endireitou a cabeça de Miro em direção a Mu – Você acha que aquele cara, pacato, com cara de bobo, quieto e tímido, faria isso? Além de tudo é super estudioso!
-Kamus, veja, isso tudo seria um ótimo álibi! Ninguém desconfiaria dele!
-Miro, o filme já vai começar, vamos deixar esse assunto com a coordenação da escola.
Kamus continuou a tomando seu suco de acerola e olhando para o telão. Os pensamentos de Miro estavam a mil. O filme começou e com certeza era muito bom. Todos se divertiram muito durante aquela sessão de duas horas no cinema. Ao sair, Kanon fez um convite a todos:
-Vamos em algum bar beber alguma coisa?
-Lá vai ele para a vida boemia... – Dizia Saga com desdém.
-Eu não vou poder. Tenho que meditar amanhã cedo. – Disse Shaka enquanto se despedia dos amigos.
-Obrigado pelo convite, Kanon, mas vou ficar te devendo essa. – Kamus também aproveitou a saída de Shaka para ir embora.
-Ahn... Está um pouco tarde, eu vou pra casa. – Mu saia no encalço de Kamus.
Por fim restaram Aioria, Aioros, Miro, Shura, Mascara da Morte e Aldebaran. Kanon e Aioria seguiram com Mascara da Morte em seu carro. Quem levou Aioros e Shura foi Miro em seu Ford Fiesta vermelho.
-Por que essa cor, Miro?
-Porque ele é gay.
-Quando não se tem o que falar, Shura, fica-se calado. Aioros, é porque eu adoro escarlate.
Andaram por dez minutos e chegaram em um bar em estilo rock dos anos 80 que se chamava "A Taverna". As pessoas que estavam no local vestiam-se de maneira peculiar e pareciam fora da realidade vivida por aqueles garotos.
-Fala aí, Cástor! – Kanon deu um tapa nas costas do rapaz.
-E aí, cara? Tudo sussu? – Mascara da Morte apertava com força a mão do garçom.
-Como vão rapazes? Mesa pra quantos?
-Pra sete!
-Sete é um numero bom!
-Número bom é o meia-nove! – Gritou Máscara da Morte arrancando gargalhadas de seus amigos.
Pólux arranjou uma mesa bem legal para os sete se acomodarem. Kanon pediu um cinzero e sete garrafas da melhor cerveja da casa.
-É pra já! – E o garçom saiu dali, dançando.
Kanon e Mascara da Morte acenderam um cigarro cada um.
-Vocês fumam! – Aldebaran perguntou assustado.
-Claro, Deba! – Kanon respondeu soltando a fumaça pela boca.
-Fumar faz mal, sabia?
-Olha só, Miro, sem lição de moral, beleza? A gente sabe que estraga o pulmão, a gente ta se matando mais rápido, mas o mundo vai acabar, eu também num vô durar pra sempre, então eu fumo mesmo! – Mascara da Morte respondeu dando risada, como sempre.
-Posso pegar um? – Perguntou Aioria interessado.
-Claro que não, Aioria!
-Só pra experimentar, Aioros!
-Não! Você não acabou de ouvir o Mascara falando que faz mal?
Aioria cruzou os braços, contrariado.
-Descruza esses braços aí que o momento é de descontração agora, Aioria. Deixa esses dois manés se acabarem!
-O Shura tem razão, Aioria. Vamos curtir.
Mascara da Morte e Kanon quase engasgaram com a fumaça nessa hora.
-É você, Deba, que tá falando isso?
Aldebaran apenas sorriu.
O som que tocava na casa era de Guns´n Roses. Aioros sabia todas as letras décor e Shura balançava a cabeça de acordo com as batidas da música.
As bebidas chegaram. Todos começaram a beber bastante, com a exceção de Miro que só havia tomado um copo de cerveja, mas ninguém havia notado isso. Essa era uma maneira de conversar com os rapazes sobre o roubo e não ser despistado. Tinha lido em algum lugar que quando um homem bebe, ele fala a verdade. Precisava constatar isso.
Na terceira rodada, todos estavam meio altos e Mascara da Morte estava se engraçando com uma garota que estava no bar. Miro sentiu que precisava ser àquela hora. Se passasse daquilo, tudo seria em vão.
-E aí gente, quem que vocês acham que roubou as provas hein?
-Ah... Eu acho que foi o Kanon! – Shura apontou o colega dando risada.
-Que nada... Posso jurar que não foi eu e nem o Mascara.
-Como? – Miro parecia interessado demais no assunto.
-Porque eu e o Mascara íamos fazer isso juntos. Mas aí aquele pamonha do Mu, mais aquele idiota do meu irmão chegaram com lições de moral e a gente nem fez. – Kanon revelou os planos com uma voz mais lenta que o normal.
-Eu acho que foi o Shura – Apontou Aioros para o colega – Ele faltou no dia seguinte, da aula.
-Já falei mil vezes que eu num fui porque sou preguiçoso, mané!
-E eu acho que foi o Kamus. – Aioria concluiu. – Seu amigo é muito quieto e racional. Ele bolaria um plano bem feito!
-Que nada! Tenho certeza de que foi o Mu! – Aldebaran dizia com suas bochechas totalmente rosadas.
-Por que, Aldebaran? – Miro espantou-se com a acusação do colega.
-Porque ele ta estranho desde esse dia.
O assunto foi caminhado de uma certa forma que no final os garotos estavam acusando eles próprios. Foi aí que Miro abandonou a idéia.
"Kanon, Mascara da Morte, Shura, Kamus e Mu. Preciso fazer uma lista" – Pensou ele.
A noite acabou. Miro deixou Shura e Aldebaran em suas casa enquanto milagrosamente Mascara da Morte deixou Kanon, Aioros e Aioria inteiros em suas casas.
Assim, mais um final de semana havia terminado. Mas a melhor semana ainda estava por vir.
